Questões de Concurso Sobre análise sintática em português

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Q1039033 Português

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto, julgue o seguinte item.


Na estrutura sintática “A ampliação da acessibilidade e qualidade da rede de serviços de atenção básica à saúde nos últimos anos” (linhas 20 e 21), a conjunção aditiva “e” liga, por coordenação, os dois núcleos do sujeito da primeira oração do período.

Alternativas
Q1025751 Português
Atenção: Considere a entrevista abaixo, com o americano Seth M. Siegel, autor do livro Faça-se a Água, para responder à questão.

1. Seu livro, Faça-se a Água, trata da proximidade de uma crise global da água. Como descreveria o estágio atual dessa crise? 
Seth M. Siegel: Acredita-se que, até 2025, grande parte da massa terrestre mundial será afetada pela escassez de água. As mudanças climáticas, o crescimento da população, o aumento dos padrões de vida e a deficiência de infraestrutura da água serão os principais impulsionadores desse problema. Isso levará a instabilidades em muitos lugares. Muitos países já estão sendo vítimas de escassez de água. O problema piora a cada ano. 

2. Por que seu livro elege Israel como exemplo de combate à crise da água?
Seth M. Siegel: Selecionei Israel porque tem bom gerenciamento de água e a tecnologia mais sofisticada do mundo. Embora Israel esteja na região mais seca e tenha uma das populações de mais rápido crescimento do mundo, é abundante em água. Penso que todos têm algo a aprender com o exemplo de Israel. 

3. Temos aqui no Brasil reservas do porte da Bacia Amazônica e do Aquífero Guarani. Que papel acredita que essas riquezas brasileiras poderiam vir a desempenhar? 
Seth M. Siegel: Uma das tragédias de fontes de água em massa, como a Amazônia, é que a água às vezes está disponível onde não é mais necessária, e onde é necessária há escassez. O Canadá tem uma enorme quantidade de água doce, mas é, principalmente, no Círculo Ártico e na Baía de Hudson. Poucas pessoas vivem nesses lugares. Não é prático construir um encanamento da Amazônia para São Paulo e outros grandes centros populacionais. É por isso que outras formas de tecnologia e governança são tão importantes. Os lugares secos precisam usar outras técnicas.

4. O estado de São Paulo, no qual está a maior cidade da América do Sul, enfrentou recentemente uma grave crise hídrica. Como vê essa situação? 
Seth M. Siegel: A população de São Paulo tem sorte de certa forma. Recebeu uma segunda chance. Estes dias de melhor abastecimento de água quase certamente não durarão muito. Este período deve ser usado como preparo para a próxima seca, para que, quando vier, haja menos prejuízo para a economia e a vida das pessoas. 

(Disponível em: www.cartacapital.com.br. Com adaptações) 
Os termos sublinhados são exemplos de uma mesma função sintática em:
Alternativas
Q1023458 Português

                                        Gente para todo lado


      O processo de progressiva domesticação da mata amazônica teria ganhado impulso a partir de uns quatro mil anos atrás e, com o tempo, encheu a região com uma população respeitável.

      Os pesquisadores calculam que a Amazônia pré-cabralina teria abrigado ao menos 8 milhões de habitantes, um número que só seria alcançado pelo Brasil "branco" (somando os moradores de todas as regiões do país) no fim do século 19, segundo dados do IBGE.

      A presença de toda essa gente está sinalizada por indícios arqueológicos espalhados de leste a oeste e de norte a sul do território amazônico. Perto da fronteira com o cerrado, a região do Xingu guarda restos de amplas estradas, diques e paliçadas defensivas e manejo intensivo dos rios para a captura de peixes em larga escala.

      Para gerações mais antigas de arqueólogos, tudo isso teria sido considerado impossível, por uma razão simples: o solo amazônico seria pobre demais para garantir a produção agrícola indispensável ao sustento de uma população densa. As descobertas mais recentes têm mostrado que esse cenário é simplista, diz Wenceslau Teixeira, pesquisador da Embrapa Solos e coautor da pesquisa.

      "Um dos grandes problemas da agricultura tropical é a falta de uma reserva de nutrientes no solo. Chove muito e esses nutrientes são lavados, os efeitos da adubação não duram. Acontece que os caras [antigos habitantes da Amazônia] conseguiram criar um solo fértil nesse ambiente", resume Teixeira.

                                                                                                     (Adaptado de: Idem, ibidem)

Em ...diques e paliçadas defensivas e manejo intensivo dos rios para a captura de peixes em larga escala. (3° parágrafo), o segmento sublinhado expressa, em relação à primeira parte da frase, uma
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Q1023454 Português

      Amazônia, berço de civilizações? Se a expressão soa estranha aos seus ouvidos, é porque as descobertas recentes sobre o passado da maior floresta tropical do mundo ainda não tinham sido reunidas num conjunto coerente.

      Um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos fez exatamente isso e concluiu que, antes de Cabral, a região amazônica já estava fortemente "domesticada", e não intocada, como muita gente acredita.

      As conclusões da equipe, liderada por Charles Clement, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus) estão em artigo na revista científica britânica Proceedings B. Os dados mais recentes apontam, segundo eles, que mais de 80 espécies de plantas selvagens foram transformadas em cultivos agrícolas pelos povos nativos da Amazônia. As mais conhecidas são o cacau, a batata-doce, a mandioca, o tabaco e o abacaxi, além das que ainda são tipicamente amazônicas, como o açaí e o cupuaçu.

      A impressionante lista de lavouras "inventadas" pelos indígenas conta só parte da história, porém. Os habitantes originais da região parecem ter domesticado, em certo sentido, até as florestas aparentemente não habitadas por seres humanos.

      Isso acontece porque esses povos manejavam a distribuição natural de espécies da mata, favorecendo a predominância de espécies que eram úteis para eles, como as castanheiras que produzem a castanha-do-pará.

      Ao longo do tempo, além das plantações propriamente ditas, eles passaram a ficar cercados por "florestas antropogênicas" (ou seja, geradas em grande medida pela ação humana) que facilitavam um bocado sua vida.

(Adaptado de: LOPES, Reinaldo José. Disponível em: http://www1.folha.uol.com. br/ ciencia

No segmento ...e não intocada, como muita gente acredita (2° parágrafo), o termo em negrito exerce a mesma função sintática que o termo sublinhado em: 
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Q1023452 Português

      Amazônia, berço de civilizações? Se a expressão soa estranha aos seus ouvidos, é porque as descobertas recentes sobre o passado da maior floresta tropical do mundo ainda não tinham sido reunidas num conjunto coerente.

      Um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos fez exatamente isso e concluiu que, antes de Cabral, a região amazônica já estava fortemente "domesticada", e não intocada, como muita gente acredita.

      As conclusões da equipe, liderada por Charles Clement, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus) estão em artigo na revista científica britânica Proceedings B. Os dados mais recentes apontam, segundo eles, que mais de 80 espécies de plantas selvagens foram transformadas em cultivos agrícolas pelos povos nativos da Amazônia. As mais conhecidas são o cacau, a batata-doce, a mandioca, o tabaco e o abacaxi, além das que ainda são tipicamente amazônicas, como o açaí e o cupuaçu.

      A impressionante lista de lavouras "inventadas" pelos indígenas conta só parte da história, porém. Os habitantes originais da região parecem ter domesticado, em certo sentido, até as florestas aparentemente não habitadas por seres humanos.

      Isso acontece porque esses povos manejavam a distribuição natural de espécies da mata, favorecendo a predominância de espécies que eram úteis para eles, como as castanheiras que produzem a castanha-do-pará.

      Ao longo do tempo, além das plantações propriamente ditas, eles passaram a ficar cercados por "florestas antropogênicas" (ou seja, geradas em grande medida pela ação humana) que facilitavam um bocado sua vida.

(Adaptado de: LOPES, Reinaldo José. Disponível em: http://www1.folha.uol.com. br/ ciencia

Mantendo-se, em linhas gerais, o mesmo sentido, caso se altere a oração Os habitantes originais da região parecem ter domesticado [...] até as florestas... (4° parágrafo) de modo que “as florestas” passem a desempenhar a função de sujeito, tem-se:
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Q1023451 Português

      Amazônia, berço de civilizações? Se a expressão soa estranha aos seus ouvidos, é porque as descobertas recentes sobre o passado da maior floresta tropical do mundo ainda não tinham sido reunidas num conjunto coerente.

      Um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos fez exatamente isso e concluiu que, antes de Cabral, a região amazônica já estava fortemente "domesticada", e não intocada, como muita gente acredita.

      As conclusões da equipe, liderada por Charles Clement, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus) estão em artigo na revista científica britânica Proceedings B. Os dados mais recentes apontam, segundo eles, que mais de 80 espécies de plantas selvagens foram transformadas em cultivos agrícolas pelos povos nativos da Amazônia. As mais conhecidas são o cacau, a batata-doce, a mandioca, o tabaco e o abacaxi, além das que ainda são tipicamente amazônicas, como o açaí e o cupuaçu.

      A impressionante lista de lavouras "inventadas" pelos indígenas conta só parte da história, porém. Os habitantes originais da região parecem ter domesticado, em certo sentido, até as florestas aparentemente não habitadas por seres humanos.

      Isso acontece porque esses povos manejavam a distribuição natural de espécies da mata, favorecendo a predominância de espécies que eram úteis para eles, como as castanheiras que produzem a castanha-do-pará.

      Ao longo do tempo, além das plantações propriamente ditas, eles passaram a ficar cercados por "florestas antropogênicas" (ou seja, geradas em grande medida pela ação humana) que facilitavam um bocado sua vida.

(Adaptado de: LOPES, Reinaldo José. Disponível em: http://www1.folha.uol.com. br/ ciencia

A expressão “um bocado” (último parágrafo) tem função de
Alternativas
Q1023440 Português

      Em 1938, o cineasta Orson Welles causou algumas horas de pânico ao fazer crer a milhares de ouvintes de rádio que o planeta estava sob ataque de marcianos. A dramatização, transmitida às vésperas do Halloween (dia das bruxas) em forma de programa jornalístico, tinha todas as características do radiojornalismo da época, às quais os ouvintes estavam acostumados. Hoje, talvez Welles provocasse um estrago ainda maior caso empregasse seu talento nas mídias sociais, onde notícias falsas enganam milhões diariamente em todo o mundo.

      Nos EUA, o debate sobre os efeitos nocivos de informações inverídicas ganhou força com a recente eleição − em que os norte-americanos se informaram maciçamente pelas redes sociais. Levantamentos mostraram que em diversas ocasiões o presidente eleito foi beneficiado pela leva de informações fabricadas. Ainda que seja quase impossível medir o impacto do fenômeno na definição do resultado eleitoral, a gravidade do problema não se apaga.

      No Brasil, a prática também preocupa. Muitas vezes, veículos da imprensa profissional precisam desmentir as mentiras, tão depressa elas se espalham.

      Em Mianmar, país em lento processo de democratização, violentas ondas de ataque contra muçulmanos têm sido atribuídas à circulação de notícias fictícias.

      Os grandes oligopólios da internet fogem da responsabilização pela montanha de barbaridades a que dão vazão. Não pecam apenas pela passividade, contudo. Associam-se às estratégias liberticidas e censórias de ditaduras.

      Nesse quadro que ameaça os pilares da arquitetura democrática do Ocidente, o jornalismo profissional, compromissado com os fatos e a ampla circulação das ideias, torna-se ainda mais necessário.

                     (Adaptado de: FSP. Editorial. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/opinião

Hoje, talvez Welles provocasse um estrago ainda maior...


O elemento sublinhado acima possui, no contexto, a mesma função sintática que o sublinhado em:

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Q1023193 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

     Carros autônomos com diferentes tecnologias já estão circulando em várias partes do planeta, em ruas de grandes cidades e estradas no campo. Um caminhão autônomo já rodou cerca de 200 km nos Estados Unidos para fazer a entrega de uma grande carga de cerveja. Embora muito recentes, veículos sem motoristas são uma realidade crescente. E, no entanto, os países ainda não discutiram leis para reger seu trânsito.
     No início do século 20, quando os primeiros automóveis se popularizaram, as cidades tiveram o desafio de criar uma legislação para eles, pois as vias públicas tinham sido concebidas para pedestres, cavalos e veículos puxados por animais. Cem anos depois, vivemos um momento semelhante diante da iminência de uma "nova revolução industrial", como define o secretário de Transportes paulistano, Sérgio Avelleda. Ele cita o exemplo das empresas de seguros: "Hoje o risco incide sobre pessoas, donos dos carros e motoristas. No futuro, passará a empresas que produzem o carro, porque os humanos viram passageiros apenas".
(Adaptado de: SERVA, Leão. Cidades discutem regras para carros autônomos, que já chegam com tudo. Disponível em: www.folha.uol.com.br
Cem anos depois, vivemos um momento semelhante diante da iminência de uma "nova revolução industrial", como define o secretário de Transportes paulistano, Sérgio Avelleda. (2º parágrafo)
O vocábulo como, nessa passagem do texto, estabelece a mesma relação de sentido que a verificada em:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: UFSM Órgão: UFSM Prova: UFSM - 2017 - UFSM - Técnico em Agropecuária |
Q1019720 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir, publicado em 05 de outubro de 2017, em site institucional da Universidade Federal de Santa Maria. 



Na frase de abertura do segundo parágrafo (ℓ. 6-7), ℓ.


I→ os beneficiados pelo serviço de pré-agendamento estão referidos na forma de sujeito gramatical.

II→ uma locução na voz passiva auxilia a expressar a ideia de não agentividade do sujeito gramatical.

III→ o ano de 2017 serve como referência temporal para o emprego dos verbos no futuro do presente.


Está(ão) correta(s)

Alternativas
Q1013161 Português
Em: “Eu sou o que penso ser” - Buda. Temos um período composto, classificado como:
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Q1013160 Português
Encontramos a mesma oração coordenada que “A leitura ensina, mas também diverte”, em qual alternativa:
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Q1013158 Português
“Os policiais ofereceram água aos acusados.” Temos:
Alternativas
Q1013157 Português
“Vive-se bem no interior”. Temos:
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Q1000468 Português

Analise os termos destacados nas frases.


I. Tenho saudades de Teresa.

II. Edite desconfia de tudo.

III. Comprei todos os melões do supermercado.


Marque a opção CORRETA.

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Q1000466 Português

ANÚNCIOS SUTIS COMO ELEFANTES


      Não tenho boa memória para publicidade. E seria muito neurótico de minha parte ficar na frente da TV anotando o texto exato do anúncio só para comentar depois. Não sei se era de um banco de um provedor de internet ou de companhia telefônica.

      Só sei que aparecia um tipo em trajes de banho, numa espreguiçadeira, curtindo sua piscininha. Ao lado, a namorada de maiô. O locutor começa: “Que tal se você mudasse de namorada... arranjasse uma mais simpática, mais bonita, mais interessante... etc.” E, num truque de computador, surge uma loiraça de biquíni contorcendo-se na frente do rapaz. Irresistível. Espetacular. O carinha se interessa.

      “Ah, não”, brinca o locutor. Você não vai abandonar a sua namorada, não é? Puf, a loira some e o rapaz volta à situação de início. Que decepção. “Mas você pode”, festeja o locutor, “mudar de banco ou de seguradora! E a nossa empresa é tão espetacular quanto a loira desaparecida. 

      Fico chocado. Não quero ser moralista demais. O escandaloso do anúncio não é que se faça o elogio do adultério. O que faz de pior é tratar a situação “normal” do personagem – muito feliz ali com a namorada, que nada tinha feito de errado – como sinal de perda, de fracasso, de burrice.

      É como se o anúncio dissesse: meu poder é tão grande, as tentações que manipulo são tão poderosas, que eu sei e você sabe que o certo é largar tudo e ir correndo atrás delas.

      O seu desinteresse pelos meus serviços – sua fidelidade, seu amor pela namorada – são pura hipocrisia. Muito bem, estou dando uma chance a você de provar para mim que não é otário nem hipócrita: afogue sua namorada na piscina, delete-a da memória e assine aqui este contrato. A pessoa que está do seu lado, sabemos, é apenas uma fornecedora de serviços não muito satisfatória se comparada à loiraça que, agora, você teme perder.

      A brutalidade desse anúncio de alguma forma se autodenuncia. Quanto mais vejo TV, mais dificuldade tenho em dissociar publicidade de prostituição. Mas o cliente poderia ao menos ter a ilusão de que gostam mesmo dele. Já estão me tirando isso. Penso em outro anúncio.

      O pai aparece dirigindo um carro com a filha adolescente no banco de trás. Ela vai logo dizendo: “Pode parar, fico aqui mesmo, não precisa me levar até a porta”. A situação se repete com outro adolescente. Claro, pensamos, filhos dessa idade têm vergonha de serem vistos junto com os pais.

      Mas não era isso. Um terceiro menino, de uns 11 anos, faz questão do contrário. Quer que o pai o deixe bem na porta do cinema, onde será visto pelos amigos. A câmera se afasta, e vemos a razão. É que o pai do menino tem um carro da marca X... e o garoto quer exibi-lo diante dos coleguinhas.

      Conclusão do amável locutor (será o mesmo?): não é que seus filhos tenham vergonha de você. Eles têm vergonha é do seu carro.

      Mas como o locutor sabe qual é o meu carro? A minha namorada, tudo bem, ele e eu já concordamos que é fraquinha, devendo ser dispensada sem aviso prévio. Mas o meu carro?

      A conclusão do anúncio, claro, é diversa daquela apresentada. Quando eu comprar o carro indicado, poderei levar meus filhos até a porta do cinema ou da festinha. Não é que meus filhos devam ter orgulho de mim: eles devem ter orgulho é do meu carro.

      Que valores, hein? Num ambiente desses, dizer que Bush “defende” os “valores ocidentais” no Iraque – democracia, liberdade, direitos humanos – não soa muito convincente. Os verdadeiros valores ocidentais, por aqui, parecem ser outros.

      Por falar em Ocidente e em carros, cito um último anúncio, mais sutil. Vale como símbolo, sem dúvida autoconsciente, da comédia da globalização e do colapso das economias nacionais do Terceiro Mundo.

      Estamos na Índia ou no Paquistão, tanto faz. Um rapaz “étnico” tem um carrinho da década de 60, todo quadrado, não sei de que marca – alguma fábrica local já extinta.

      Pega o carro, bate contra um muro, amassa-o de todos os lados, a até convoca um elefante para sentar-se no capô. (Na Índia, há elefantes por toda parte, e talvez isso atrapalhe muito o trânsito. Por isso mesmo, quero um motor mais potente.) Em todo o caso, o elefante fez um bom serviço. Ajuda a tornar o carro um pouco mais arredondado, do jeito que o indiano queria.

      Sim, pois o que nosso mísero nativo desejava era tornar seu carrinho o mais parecido possível com o novo modelo da marca Y, um prodígio do design arredondado. E eis agora o indiano na porta de uma boate, tentando fazer sucesso com a prensagem elefantina do seu velho modelo. Será que foi buscar o filho?

      Mas eles continuam tendo filhos lá na Índia?

      E continuam fazendo carros? Melhor importar logo um de fora. E também a loiraça.

                                                                           Marcelo Coelho. Folha de S.Paulo

“Quanto mais vejo TV, mais dificuldade tenho em dissociar publicidade de prostituição.” Qual a circunstância expressa nesse período?
Alternativas
Q1000465 Português

ANÚNCIOS SUTIS COMO ELEFANTES


      Não tenho boa memória para publicidade. E seria muito neurótico de minha parte ficar na frente da TV anotando o texto exato do anúncio só para comentar depois. Não sei se era de um banco de um provedor de internet ou de companhia telefônica.

      Só sei que aparecia um tipo em trajes de banho, numa espreguiçadeira, curtindo sua piscininha. Ao lado, a namorada de maiô. O locutor começa: “Que tal se você mudasse de namorada... arranjasse uma mais simpática, mais bonita, mais interessante... etc.” E, num truque de computador, surge uma loiraça de biquíni contorcendo-se na frente do rapaz. Irresistível. Espetacular. O carinha se interessa.

      “Ah, não”, brinca o locutor. Você não vai abandonar a sua namorada, não é? Puf, a loira some e o rapaz volta à situação de início. Que decepção. “Mas você pode”, festeja o locutor, “mudar de banco ou de seguradora! E a nossa empresa é tão espetacular quanto a loira desaparecida. 

      Fico chocado. Não quero ser moralista demais. O escandaloso do anúncio não é que se faça o elogio do adultério. O que faz de pior é tratar a situação “normal” do personagem – muito feliz ali com a namorada, que nada tinha feito de errado – como sinal de perda, de fracasso, de burrice.

      É como se o anúncio dissesse: meu poder é tão grande, as tentações que manipulo são tão poderosas, que eu sei e você sabe que o certo é largar tudo e ir correndo atrás delas.

      O seu desinteresse pelos meus serviços – sua fidelidade, seu amor pela namorada – são pura hipocrisia. Muito bem, estou dando uma chance a você de provar para mim que não é otário nem hipócrita: afogue sua namorada na piscina, delete-a da memória e assine aqui este contrato. A pessoa que está do seu lado, sabemos, é apenas uma fornecedora de serviços não muito satisfatória se comparada à loiraça que, agora, você teme perder.

      A brutalidade desse anúncio de alguma forma se autodenuncia. Quanto mais vejo TV, mais dificuldade tenho em dissociar publicidade de prostituição. Mas o cliente poderia ao menos ter a ilusão de que gostam mesmo dele. Já estão me tirando isso. Penso em outro anúncio.

      O pai aparece dirigindo um carro com a filha adolescente no banco de trás. Ela vai logo dizendo: “Pode parar, fico aqui mesmo, não precisa me levar até a porta”. A situação se repete com outro adolescente. Claro, pensamos, filhos dessa idade têm vergonha de serem vistos junto com os pais.

      Mas não era isso. Um terceiro menino, de uns 11 anos, faz questão do contrário. Quer que o pai o deixe bem na porta do cinema, onde será visto pelos amigos. A câmera se afasta, e vemos a razão. É que o pai do menino tem um carro da marca X... e o garoto quer exibi-lo diante dos coleguinhas.

      Conclusão do amável locutor (será o mesmo?): não é que seus filhos tenham vergonha de você. Eles têm vergonha é do seu carro.

      Mas como o locutor sabe qual é o meu carro? A minha namorada, tudo bem, ele e eu já concordamos que é fraquinha, devendo ser dispensada sem aviso prévio. Mas o meu carro?

      A conclusão do anúncio, claro, é diversa daquela apresentada. Quando eu comprar o carro indicado, poderei levar meus filhos até a porta do cinema ou da festinha. Não é que meus filhos devam ter orgulho de mim: eles devem ter orgulho é do meu carro.

      Que valores, hein? Num ambiente desses, dizer que Bush “defende” os “valores ocidentais” no Iraque – democracia, liberdade, direitos humanos – não soa muito convincente. Os verdadeiros valores ocidentais, por aqui, parecem ser outros.

      Por falar em Ocidente e em carros, cito um último anúncio, mais sutil. Vale como símbolo, sem dúvida autoconsciente, da comédia da globalização e do colapso das economias nacionais do Terceiro Mundo.

      Estamos na Índia ou no Paquistão, tanto faz. Um rapaz “étnico” tem um carrinho da década de 60, todo quadrado, não sei de que marca – alguma fábrica local já extinta.

      Pega o carro, bate contra um muro, amassa-o de todos os lados, a até convoca um elefante para sentar-se no capô. (Na Índia, há elefantes por toda parte, e talvez isso atrapalhe muito o trânsito. Por isso mesmo, quero um motor mais potente.) Em todo o caso, o elefante fez um bom serviço. Ajuda a tornar o carro um pouco mais arredondado, do jeito que o indiano queria.

      Sim, pois o que nosso mísero nativo desejava era tornar seu carrinho o mais parecido possível com o novo modelo da marca Y, um prodígio do design arredondado. E eis agora o indiano na porta de uma boate, tentando fazer sucesso com a prensagem elefantina do seu velho modelo. Será que foi buscar o filho?

      Mas eles continuam tendo filhos lá na Índia?

      E continuam fazendo carros? Melhor importar logo um de fora. E também a loiraça.

                                                                           Marcelo Coelho. Folha de S.Paulo

“Afogue sua namorada na piscina, delete-a da memória e assine aqui esse contrato.” Marque a opção CORRETA em relação ao período.
Alternativas
Q999772 Português

                   Revoluções tecnológicas e transformações subjetivas


      Todos reconhecemos que inovações tecnológicas dos mais variados tipos introduzem transformações em nossas vidas. Além das transformações que presenciamos em primeira mão, somos capazes de ter acesso a inúmeras outras quando estabelecemos contato, por meio de relatos dos mais velhos, livros, filmes, viagens etc., com os modos de vida de épocas e lugares em que uma ou outra tecnologia ainda era desconhecida. Esse tipo de contato com o antes de determinada tecnologia, torna fácil perceber as transformações por ela geradas no depois.

      Quem não sabe que, antes da energia elétrica, a família se reunia ao redor do piano? Quem desconhece que, depois da energia elétrica, o piano foi substituído pelo rádio e, ainda mais recentemente, pela televisão? Alguém que tenha uma geladeira que já parou de funcionar pode desconhecer as transformações que este eletrodoméstico gerou na nossa relação com o mercado de suprimentos? Quantos de nós, acostumados que estamos às calculadoras de bolso, ainda sabemos fazer contas de cabeça ou na ponta do lápis?

      Não parece haver dúvidas de que nossos comportamentos e hábitos podem sofrer alterações em função do desenvolvimento de novas tecnologias. O difícil é perceber que algumas tecnologias têm impactos bem mais profundos sobre os seres humanos que a elas são expostos, chegando mesmo, embora em raros casos, a gerar transformações internas radicais. Em outras palavras, embora seja fácil detectar que novas tecnologias têm o poder de alterar nossos hábitos e nossas formas de agir, é bem mais difícil registrar que algumas tecnologias também podem alterar radicalmente nossos modos de ser (como pensamos, como percebemos e organizamos o mundo externo e interno, como nos relacionamos com os outros e com nós mesmos, como sentimos, etc.).

(Ana Maira Nicolaci da Costa. Revoluções tecnológicas e transformações subjetivas. Psicologia; Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 18, n: 2, 2002.)

A partir do conhecimento sobre as várias funções sintáticas que os termos podem exercer nas orações, assinale, a seguir, a alternativa cujo termo em destaque apresenta função que pode também ser identificada através do destacado em “transformações em nossas vidas” (1º§).
Alternativas
Q993365 Português

                   "Todos estamos deitados na sarjeta, só que alguns

                              estão olhando para as estrelas." 


      Esta citação foi tirada de O leque de lady Windermere, uma obra de teatro de Oscar Wilde que estreou em Londres em 1892. Ela nos faz lembrar que, independentemente de nossa situação, o que importa é a perspectiva que mantemos.

      Há pessoas que aparentemente têm tudo na vida - saúde, beleza, dinheiro, liberdade - e são infelizes. Isso acontece porque elas fixam a atenção naquilo que lhes falta ou simplesmente não sabem o que querem da vida.

      Outras, ao contrário, vivem situações penosas, mas são capazes de enxergar um cantinho do jardim onde bate um raio de sol.

      A escritora, filósofa e conferencista norte-americana Helen Keller, que ficou cega e surda ainda muito jovem, explicava assim seu segredo para nunca deixar de ver as estrelas:

      Abro as portas do meu sera tudo o que é bom e as fecho cuidadosamente diante do que é ruim. Essa força tão bela e persistente me permite enfrentar qualquer obstáculo. Nunca me sinto desanimada, pensando que me faltam coisas boas. A dúvida e a insegurança são apenas o pânico gerado por uma mente fraca. Com um coração firme e uma mente aberta, tudo se torna possível.

                                        (Fonte: PERCY, Allan. Oscar Wilde para inquietos, p. 10.)

"Há pessoas que aparentemente têm tudo na vida - saúde, beleza, dinheiro, liberdade - e são infelizes".


Sobre a estrutura do período só não é correto afirmar:

Alternativas
Q991644 Português

TEXTO I

CONSIDERAÇÕES SOBRE O LONGE

Uma palavra. Uma só palavra, solitário verbo que me fizesse reencontrar o rumo de um lugar pleno de magia que descobri ou inventei quando criança e a que chamava de Longe.

Creio já haver falado dele numa crônica mais antiga (por vezes penso que todas as minhas crônicas são antigas e anteriores a mim), perdida em meus caóticos arquivos.

Nunca consegui definir muito bem o que era o Longe depois que fiquei adulto. Busquei na infância alguma pista, algum resíduo que por lá houvesse ficado e me permitisse apreender esse conceito esquecido do Longe.

Em vão procurei e naturalmente nada encontrei que me ajudasse, porque criança dispensa essa escravidão perpétua à lógica dos adultos. Eu não pensava sobre o Longe, apenas o vivia como se fosse perfeitamente natural sua existência, explicação não carecia.

O Longe era para onde eu fugia quando a doméstica barra pesava ou quando me dava vontade, e lá tudo acontecia do modo que eu bem desejasse. Eu já inventara Pasárgada e nem sabia. Lá eu podia ser todos os heróis de minha infância. Super Homem, Zorro, Tarzan, Batman, Cisco Kid, Peter Pan, Mandrake, Flash Gordon, Mané Garrincha.

O Longe era o portal da liberdade sem freios nem correntes, a liberdade absoluta da imaginação. O Longe me fazia grande o bastante para enfrentar todos os medos, pois lá nada me aconteceria de mal simplesmente porque eu tinha superpoderes. 

Hoje, sei que esqueci o mapa do caminho que me levava ao Longe e mesmo que o recuperasse dentro de uma garrafa lançada ao mar, mesmo que as portas mágicas novamente se abrissem, de nada me adiantaria, nada mais seria no Longe que um desconhecido e inoportuno visitante. Sim, crescer é bom, nos torna mais donos de nós mesmos, porém, o quanto não perdemos. 

Nem me lembro direito quanto tempo o Longe durou em minha vida, sei que não foi o suficiente, o bastante. Por vezes, creio que fiquei adulto demais na ânsia de entender o mundo, possuí-lo, pertence-lo. Desnecessária pressa, hoje percebo.

O Longe estava longe de ser um território poético. Era real, tão real ou mais que o quintal da casa paterna, o jardim, o oitão, a rua, o mar, o colo de mamãe, o bolo de chocolate esfriando na mesa da cozinha, a bola de couro embaixo da cama cheirando a sebo de carneiro, a beleza da primeira professora, a canção que saía do rádio de válvulas.

Não havia muita diferença entre o que era real e o Longe. O Longe era igual a tudo que existia, só que diferente. Eu era diferente.

MONTE, Airton. Moça com flor na boca: crônicas escolhidas, Fortaleza: UFC, 2005


TEXTO II

MEUS OITO ANOS

Oh ! que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais !

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais ! 


Como são belos os dias

Do despontar da existência !

– Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é – lago sereno,

O céu – um manto azulado,

O mundo – um sonho dourado,

A vida – um hino d’amor ! 


Que auroras, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar !

O céu bordado d’estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar ! 


Oh ! dias de minha infância !

Oh ! meu céu de primavera !

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã !

Em vez de mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minha irmã ! 


Livre filho das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

De camisa aberta ao peito,

– Pés descalços, braços nus –

Correndo pelas campinas

À roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis !


Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo,

Adormecia sorrindo,

E despertava a cantar !


Oh ! que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais !

– Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais !

Casimiro de Abreu

Leia sintaticamente os trechos sublinhados dos textos I e II.


TEXTO I

[...] um lugar pleno de magia que descobri ou inventei quando criança e a que chamava de Longe.


TEXTO II

Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

                [...]


Aponte o item verdadeiro quanto à função sintática desempenhada pelos trechos sublinhados.

Alternativas
Q991593 Português

O enxurro

Raul Brandão

Vêm o inverno e os montes pedregosos, as árvores despidas, a natureza inteira envolve-se numa grande nuvem úmida que tudo abafa e penetra. As coisas di-las-íeis recolhidas e cismáticas. É como um rolo misterioso e profundo que vem dum mar desconhecido. E a chuva começa. É um ruído doce o da chuva. Faz sonhar em tantas coisas idas e tristes! Primeiro a terra embebe-se e incha. E, depois de cheia, a torrente jorra até polir as pedras: ara na terra, põe raízes à mostra, arrasta no aluvião o húmus, as folhas secas das árvores, os cadáveres dos bichos, os detritos desagregados das rochas, que rolam juntos, dispersa e reúne, atira, entre a baba da água, para um destino ignoto. Assim a vida. É um rio de lágrimas, de brados, de mistério. A onda turva põe as mais fundas raízes à mostra, a torrente leva consigo de roldão a desgraça e o riso; sem cessar carreia este terriço humano para uma praia, onde as mãos esquálidas dos que sofreram encontram enfim a mão que os ampara, onde os olhos dos pobres, que se fartaram de chorar, ficam atônitos diante da madrugada eterna, onde todo o sonho se converte em realidade…

Fonte: BRANDÃO, Raul. Os pobres. Projeto Vercial, 2001.

Indique qual função sintática exerce o sintagma “as árvores despidas” na oração “Vêm o inverno e os montes pedregosos, as árvores despidas […]”:
Alternativas
Respostas
6461: E
6462: C
6463: C
6464: D
6465: E
6466: C
6467: D
6468: B
6469: A
6470: B
6471: A
6472: C
6473: D
6474: D
6475: B
6476: C
6477: D
6478: E
6479: E
6480: D