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Questões de Concurso Sobre tipos de gramática – normativa, funcional, descritiva e gerativa em linguística

Questões Discursivas

Foram encontradas 178 questões

Q4180209 Linguística
Marque V ou F para as alternativas abaixo e, em seguida, marque a alternativa correspondente à sequência.
( ) A gramática descritiva objetiva estudar a língua em suas diferentes manifestações, rompendo com qualquer tipo de estigma.
( ) Na perspectiva da gramática descritiva, o erro gramatical não existe. A gramática descrita considera erradas apenas as formas ou estruturas não presentes regularmente nas variedades linguísticas reconhecidas pelos falantes.
( ) A gramática normativa considera como erro o uso de formas diferentes da norma culta da língua tornada oficial.
( ) No ensino tradicional de gramática, o aluno não é visto como um usuário da língua, mas como um simples depositário de regras gramaticais e nomenclaturas.
Alternativas
Q4169811 Linguística
A sofisticação das línguas indígenas

        Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que conta com um conceito parecido na própria estrutura das palavras, o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” – um #sqn que faz parte da própria história do idioma.

        É exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função frustrativa, o kotiria usa um sufixo com a forma -ma. Quando se quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá, basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo - ma: wa’ama, “ir em vão”.

        Outra propriedade presente em diversas línguas indígenas, que aparece no kotiria, mas também na língua hup, sem parentesco direto com ela e membro de uma pequena família de idiomas do Alto Rio Negro, é a serialização verbal – ou seja, a capacidade de transformar vários verbos numa coisa só, que ajuda a descrever uma ação complexa. Talvez o mais fascinante é perceber como as palavras do cotidiano abrem uma janela para o modo de vida desses povos.

        Na língua hup, alguns advérbios tão comuns como os nossos “aqui”, “ali” e “lá” são mét’ah, “rio abaixo”, e wá’ah, “do outro lado do rio”. Entre os verbos, temos hi, que significa “seguir rio abaixo”, mas também “descer de um lugar elevado”, e sop, que é tanto “se afastar do rio”, quanto “subir uma colina”.

        No entanto, é nos substantivos que esse lado metafórico da língua hup realmente brilha. Algumas das palavras mais comuns de quem vive na floresta tropical são k’et (folha), tëg (tronco), tat (fruta) e tít (cipó), mas dá para combinar tít com a palavra para “barriga”, e formar tok-tít, “cipó-de-barriga”, ou seja, “intestino”. Ou tëg com pih para formar “tronco de música” ou “flauta”.

        É como se cada parte das árvores se tornasse uma porta para conceitos novos, maiores que a soma das palavras individuais. E isso pode ser tudo, menos “primitivo”.  

(Fonte: Superinteressante – adaptado.)
Em relação à ortografia, assinalar a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q4119468 Linguística
Gramática
O conceito refere-se a um conjunto de regras que sustentam o sistema de qualquer língua. Na fala, fazemos uso de um conhecimento linguístico internalizado, que independe de aprendizagem escolarizada e que resulta na oralidade. Na escrita, também utilizamos esse conhecimento, mas necessitamos de outros subsídios linguísticos, fornecidos pelo letramento (conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito). O domínio desse conceito é importante em quase todas as situações em que se trabalha com a língua. Para ficar em alguns exemplos:

• Na fala ou na escrita, é fundamental considerar a situação de produção dos discursos que, afinal, são possibilitados pelo conhecimento gramatical (morfológico, sintático, semântico) de cada pessoa.
• Compreender que o aceitável na linguagem coloquial pode ser considerado um desvio na linguagem padrão ou norma culta.
• Abordar os diversos graus de formalidade das situações de interação.
• Compreender as especificidades das modalidades oral e escrita da língua.
(Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEMTEC. Adaptado.)

Considerando o texto, pode-se afirmar que:

I. A língua é um sistema dinâmico.
II. As regras da linguagem padrão estão bem estabelecidas sendo aplicadas a todo tipo de contexto.
III. A partir de uma abordagem mais ampla da gramática, pode- -se implementar conceitos como “adequação” e “inadequação” em substituição a antigos conceitos.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4115599 Linguística
Além da gramática descritiva, existem outras gramáticas sem finalidade prescritiva ou normativa e com objeto e metodologia próprios.
Fazem parte desse grupo as gramáticas
Alternativas
Q4115598 Linguística
Considerando-se os tipos de gramáticas apresentadas por Evanildo Bechara (2009), associe corretamente a gramática às suas respectivas características.

GRAMÁTICAS
1 - Descritiva 2 - Normativa
CARACTERÍSTICAS

( ) Trata-se de uma disciplina científica que registra um sistema linguístico em todos os seus aspectos.
( ) Reveste-se de várias formas, segundo o que examina, mediante uma metodologia empregada.
( ) Recomenda como se deve falar e escrever, segundo o uso e a autoridade de escritores corretos.
( ) Observa-se que os registros são feitos como se diz numa língua funcional.
( ) É uma disciplina com finalidade pedagógica.

A sequência correta dessa associação é
Alternativas
Q4111444 Linguística
Bonitas mesmo

Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

(...)

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

(...)

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

Martha Medeiros.
https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
No fragmento: "Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo", as orações relacionam-se sintaticamente através do processo de: 
Alternativas
Q4110474 Linguística
29.jpg (447×614)
SOUSA, Maurício de. Disponível em: <https://miro.medium.com. Acesso em 23 de jan.2022.
A partir da leitura do texto em quadrinhos e considerando os conceitos de gramáticas, analise as proposições a seguir:
I – Considerando a ideia defendida pela gramática normativa é possível afirmar que Chico Bento fez uso da variante padrão em sua fala.
II- É possível afirmar que tanto Chico Bento quanto o Primo Zeca têm uma gramática internalizada.
III- No texto, é possível visualizar, pelo menos, dois tipos de variantes linguísticas.
São verdadeiras:
Alternativas
Q4087898 Linguística

Read these two texts to answer.


Text A


Video transcript from a video-taped demonstration in using a lathe to drill a hole in a metal workpiece


    Now I have to change to the final size drill I require, which is three-quarters of an inch diameter, and this is called a morse-taper sleeve.


    A slower speed for a larger drill.


    Nice even feed should give a reasonable finish to the hole.


    Applying coolant periodically. This is mainly for lubrication rather than cooling.


    Almost to depth now.


    Right. Withdrawing the drill.


    That's fine.



Text B


A set of instructions taken from a workshop manual for drilling a hole in a mental workpiece on a lathe


1. Select required drill.


2. Mount drill in tailstock. Use taper sleeves as necessary.


3. Set speed and start machine spindle.


4. Position tailstock to workpiece.


5. Apply firm even pressure to tailstock handwheel to feed drill into workpiece.


6. Apply coolant frequently.


7. Drill hole to depth.


8. Withdraw drill.


9. Stop machine. 



Consider the assertions below to choose an option.



I. In text A there is less consistency, because it is a free- -flowing piece of oral discourse.


II. In text A there is an interpersonal dimension.


III. The grammar of text B is inconsistent because articles are omitted.

Alternativas
Q4087893 Linguística

Analyse the syllabuses that follow to answer.



Syllabus A


1. Simple Present Active.


2. Simple Present Passive.


3. Simple Present Active and Passive.


4. ING forms.


5. Present Perfect; Present Continuous.


6. Infinitives.


7. Anomalous Finites.


8. Past Perfect; Conditionals.



Syllabus B


1. Asking about travel.


2. Making travel arrangements.


3. Ordering a meal.


4. Asking the way.


5. Hiring a car.


6. Booking at a hotel.


7. Buying museum tickets.


8. Finding lost baggage.



Consider the assertions below to choose an option.



I. Syllabus A is based on language use.


II. Syllabus A is functional because simpler structures precede more complex ones.


III. Syllabus B is largely organized on pragmatic grounds and might lack systematic conceptual framework.

Alternativas
Q4087133 Linguística
Relacione adequadamente o conceito de gramática às exposições relacionadas a tais conceitos.

1. Gramática normativa.
2. Gramática descritiva.
3. Gramática reflexiva.
4. Gramática de uso.

( ) Esse conceito de gramática se refere mais ao processo do que aos resultados, uma vez que se trata de uma gramática em explicitação.
( ) Trata-se de uma gramática que resulta do trabalho de observação do que se diz ou do que se escreve na realidade, realizado por um linguista.
( ) É considerada como a competência linguística internalizada do falante, podendo ser considerada, portanto, implícita, já que o falante não tem consciência dela.
( ) De modo geral, baseia-se mais nos fatos da língua escrita, sendo pouco relevante a variedade oral da norma culta, que, consciente ou inconscientemente, é vista como idêntica à língua escrita.

A sequência está correta em 
Alternativas
Q4084565 Linguística
Considere as afirmativas a seguir, discutidas por Giovana T. Campos no Manual compacto de gramática da língua inglesa (2010).

I – O período do inglês moderno estende-se do final do século VI até os dias atuais.
II – A língua inglesa é basicamente anglo-saxônica, mas apresenta também vocábulos de origem celta. 
Nota-se, ainda, a grande influência do latim trazido pelos romanos, que perdurou mesmo após a partida dos conquistadores.
III – Assim como no Brasil, nos Estados Unidos boa parte da cultura indígena não se faz presente no vocabulário.
IV – Da mesma forma que os primeiros dicionários serviram para padronizar a ortografia, os primeiros trabalhos descrevendo a estrutura gramatical do inglês influenciaram o uso da língua e trouxeram alguma uniformidade à gramática.
V – A tradição oral indígena é um dos temas mais ricos e pouco explorados nos estudos norte-americanos.


Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4084555 Linguística
Analiza la frase y responde.

Estimamos que una reservación anticipada será lo más adecuado para obtener las mejores habitaciones en nuestras instalaciones.

Sobre el trato utilizado en la frase es
Alternativas
Q4082285 Linguística
Dever de casa

Otto Lara Resende*


Um fiapo de gente e um feixe de problemas. Agora é uma perguntação que não tem mais fim. Papai, o plural de segunda-feira? Tira os óculos, para de ler a revista. Daqui a pouco é hora do telejornal. Dia cansativo, mas pai é pai. Segunda-feira, segunda-feira. Murmurinha, como se procurasse na memória algo que não sabe o que é. Segunda-feira, pai. Ah, sim. O plural dos nomes compostos. Ao menos isto não terá mudado.

Mudam tudo neste país. Depois querem ter jurisprudência. Ainda hoje andou lendo um acórdão. Ementa malfeita. Segunda-feira no plural. Não tem mais o que inventar. Segundas-feiras. Variam os dois elementos. Fácil, óbvio. Entendeu?

Nem tinha retomado a leitura e lá vem outra perguntinha. Quarta-feira é abstrato ou concreto? Essa, agora. Primeiro vamos saber se é mesmo substantivo. Nenhuma dúvida. É substantivo. Abstrato?

Concreto. A professora disse que é concreto. Pai é pai. Põe tudo de lado e sai sem bater a porta. Concreto, está lá no Celso Cunha, é o substantivo que designa um ser propriamente dito. Nomes de pessoas, de lugares, de instituições etc. Quarta-feira. Vamos raciocinar. Nome de um dia. Abstrato designa noção, ação, estado e qualidade. Desde que considerados como seres. Quarta-feira é um ser? Se é um dia, é um ser. Mas concreto? Abstrato. Deve ser abstrato.

Um dia de matar, o trânsito engarrafado. A dorzinha de cabeça já se instalou. Quarta-feira, papai. Afinal? Outro dia era o aliás. Até que teve sua graça. Que é aliás? Bom, como categoria gramatical, me parece que. Pausa. Mudaram a nomenclatura gramatical toda. Aliás, advérbio não é. Ou melhor, é controvertido. Vem do latim. Quer dizer quer dizer, como disse o outro. Será advérbio?

Esses meninos de hoje, francamente. Gramática ninguém estuda mais. A língua andrajosa, um monte de solecismos. Mas quarta-feira é substantivo abstrato? Concreto, disse a professora. Ora, pinoia. Está come çando o telejornal. Mais um fantasma. Mandado de segurança. Mandado e não mandato. Preste atenção, meu filho. Aliás, só faltava essa. Fantasma é concreto? Eta Brasil complicado! Aliás, hoje é quarta-feira. Abstrata?

* Foi escritor e jornalista brasileiro, autor de contos, crônicas e novelas.


(Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/6296/dever-decasa Acesso em: 3 jul.2022. Adaptado.)
Leia o conceito trazido pela crônica.
“Abstrato designa noção, ação, estado e qualidade. Desde que considerados como seres.”

Tendo por base os tipos de gramática, o conceito apresentado se refere, fundamentalmente, à  
Alternativas
Q4078852 Linguística
Leia o texto que segue e observe a palavra destacada:

Em alto-mar
À noite, dentro do barco, o capitão gritou:
- Subam as velas!
Os que estavam na parte de baixo do barco ficaram sem luz.

Marque a alternativa que apresenta o fenômeno linguístico observado neste texto:
Alternativas
Q4014103 Linguística

Preencha os espaços de acordo com o que se pede, considerando-se as diferentes correntes de pensamento linguístico, bases para o ensino de língua portuguesa na perspectiva de Mussalim e Bentes (2007). Em seguida, responda o que se pede:



De acordo com a abordagem ____________, a sintaxe deve ser vista enquanto objeto autônomo, isto é, a ênfase no ensino se concentra na estrutura linguística, em detrimento das relações entre língua e contexto; já para a abordagem _______________, o contexto se sobrepõe à estrutura gramatical, isto é, as necessidades comunicativas, típicas da dinâmica social, transcendem à mera estrutura gramatical.



Na sequência, o preenchimento CORRETO das lacunas está na alternativa:  

Alternativas
Q2105163 Linguística
Em referência aos tipos de gramáticas, observe as definições seguintes segundo Houaiss (2009) e associe a primeira coluna à segunda, a fim de relacionar cada tipo de gramática a sua definição. Em seguida, assinale a opção que estabelece corretamente a sequência numérica de cima para baixo.
(1) Gramática comparativa (2) Gramática descritiva (3) Gramática gerativa (4) Gramática histórica (5) Gramática  prescritiva


(___) Corresponde à descrição de uma língua a qual utiliza regras formalizadas, que constituem um conjunto de instruções inteiramente explícitas, aplicáveis mecanicamente e capazes de gerar todas as frases gramaticais de uma língua e nenhuma agramatical.
(___) Trata-se de uma gramática sincrônica de uma língua, feita no modelo da gramática tradicional.  (___) Seu objetivo é estabelecer normas de uso de uma língua e determinar aquilo que não se deve usar, tomando como parâmetro a variante linguística das pessoas cultas e dos bons escritores. (___) Coteja duas ou mais línguas ou dois estágios de uma mesma língua, confrontando suas estruturas fonéticas e morfológicas. (___) Representa o estudo das mudanças sucessivas dos sistemas (fonético, morfológico, gramatical) de uma língua. 
Alternativas
Q2102011 Linguística
A primeira das concepções de linguagem está diretamente ligada ao conceito de língua literária que era usada pelos grandes filólogos gregos para escrever regras que deveriam ser empregadas por aqueles que produziam obras clássicas. A origem do termo Gramática Tradicional está ligada diretamente a essa concepção que concebe a linguagem como mera expressão do pensamento.
Segundo essa visão, o contexto de produção do ato comunicativo não exerce nenhum tipo de influência na linguagem, pois:
Alternativas
Q2031355 Linguística
Contemporaneamente, no estudo da língua, deve-se considerar erro o que
Alternativas
Q2007433 Linguística
Uma característica central da teoria da Gramática __________ é a de que a capacidade humana de linguagem é considerada como proveniente da configuração genética e alocada na mente/cérebro. O ambiente contribui com os dados primários como ferramentas para parametrizar uma língua específica e, assim, seja possível que as pessoas falem uma língua natural.
Assinale a alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do texto:
Alternativas
Q1983927 Linguística

O ato de ler


        [...] A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

        Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.

        A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia – e até onde não sou traído pela memória –, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, recrio, e revivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.

        A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe –, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto – em cuja percepção rio experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.

(FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. Fragmento.)

De modo predominante, pode-se afirmar que as estruturas apresentadas no texto indicam aspectos da estrutura linguística observada pela gramática: 
Alternativas
Respostas
121: D
122: A
123: C
124: A
125: A
126: D
127: E
128: C
129: B
130: A
131: E
132: A
133: D
134: A
135: E
136: B
137: B
138: D
139: A
140: D