Questões de Concurso
Sobre fundamentos da linguística em linguística
Foram encontradas 586 questões
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Disponível em: https://www.instagram.com
A Pragmática é o ramo da ciência linguística que estuda como o contexto influencia o significado das palavras. No meme apresentado, pode-se afirmar, do ponto de vista pragmático, que:
I. Colligation refers to the grammatical company a word keeps, such as a verb's preference for a specific clause pattern or part of speech.
II. Delexicalized verbs like "take," "make," and "do" function as semantic shells that carry grammatical weight in fixed phrases.
III. Semantic prosody is a neutral linguistic phenomenon that describes how words combine based solely on their phonological properties.
Which of the following are CORRECT:
TEXTOS I E II PARA A QUESTÃO
TEXTO I
Uma revolução sem gramática
Professor honorário de linguística da Universidade do País de Gales, David Crystal é uma das maiores autoridades em linguagem. Autor de A Revolução da Linguagem, falou à VEJA, em 2007, sobre os impactos da internet no uso da língua e sobre o desaparecimento de línguas no mundo.
A internet está mudando o caráter das línguas?
Em cinquenta ou cem anos, todas as línguas que usam a internet serão diferentes. Surge o netspeak, ou comunicação mediada pelo computador. Ainda é cedo para prever a extensão dessa mudança, pois transformações linguísticas levam tempo. A distância entre Chaucer e Shakespeare, separados por duzentos anos, ilustra isso. O e-mail é recente. Há novidades gráficas e no uso de emoticons, mas não uma nova gramática. Poucas palavras foram incorporadas ao inglês por causa da internet, sem alterar seu caráter.
A informalidade é uma característica do netspeak?
Sim, por enquanto. O fenômeno começou com os nerds da internet, que viam a rede como alternativa à comunicação formal. Ignoravam pontuação e ortografia. Com a popularização da internet, essa informalidade se espalhou, especialmente nos e-mails. Hoje, com usuários mais velhos, a comunicação tende a se tornar novamente mais formal.
Por que tantas línguas estão desaparecendo?
O principal motivo é a assimilação cultural causada pela globalização. Línguas majoritárias suprimem idiomas menores. Não apenas o inglês, mas também chinês, russo, hindi e suahili ameaçam línguas de pequenas comunidades. A preservação depende de políticas regionais que valorizem a diversidade.
O que se perde quando uma língua morre?
Perde-se uma forma única de ver o mundo. Cada língua expressa uma visão própria, ligada à história, ao ambiente e ao modo de pensar de uma comunidade. A linguagem é o meio fundamental de comunicar essa experiência humana.
O inglês ameaça o português?
Não. Todas as línguas incorporam palavras estrangeiras. O inglês tomou empréstimos de mais de 350 línguas, o que ampliou sua expressividade. Palavras estrangeiras não substituem as existentes, coexistem com elas. Assim, a língua evolui e se enriquece.
MARINHO, Janice Helena Chaves; DACONTI, Geruza Corrêa; CUNHA, Gustavo Ximenes. O texto e sua tipologia: fundamentos e aplicações. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2012, p. 42–44. Adaptado.
TEXTO II

Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/charge-geracao-internet/ . Acesso em: 05 fev. 2026.
Disponível em: https://www.unifal-mg.edu.br/letrasparatodos/wpcontent/uploads/sites/259/2024/01/Introducao-ao-Gerativismo.pdf. Acesso em: 6 fev.2026.
Baseando-se na corrente teórica linguística gerativista, que se dedica ao estudo da ciência da linguagem, assinale a alternativa que explica a informação contida no cartaz, o qual apresenta o que o gerativismo “batizou” de Forma Lógica.
Disponível em: https://ufabloguei.blogspot.com/2012/05/concepcoes-de-linguagem-e-ensino-da.html. Acesso em: 31 jan. 2026.
Dadas as afirmativas acerca das concepções de língua e de linguagem,
I. O pai da linguística, Ferdinand de Saussure, define, dentro dos parâmetros formalistas de ciência, a língua como um contrato entre os diversos membros de uma comunidade, e todos, de modo implícito, acatam esse contrato, uma vez que cada indivíduo possui em seu cérebro todo um acervo lexical, de regras, de maneira análoga aos demais membros da comunidade.
II. A concepção de língua é marcada por dualidades e paradoxos. Entre eles está o fato de a linguagem ter um lado individual (fala) e outro social (língua). Outro aspecto é que a linguagem é, ao mesmo tempo, um sistema estabelecido e uma evolução.
III. A língua é corpórea e composta de unidades mínimas significativas que, unidas, assumem forma, ou seja, a própria língua.
IV. Ao definir a língua como um sistema abstrato de sinais, a concepção saussuriana, fundamentada por Ferdinand de Saussure, estabelece a linguística moderna que compreende a língua como o sistema individual e abstrato compartilhado pela sociedade, enquanto a fala como o ato coletivo e concreto de uso desse sistema.
verifica-se que está/ão correta/s
KENEDY, E. Gerativismo In: MARTELOTTA, Mário Eduardo Toscano. (Org.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008, v. 1, p. 127-140.
Sabendo que as principais correntes da linguística moderna estudam a língua sob perspectivas distintas, assinale a alternativa cuja informação acerca da corrente linguística gerativista está correta.
A variação linguística é objeto de estudo da Linguística e relaciona-se às diferentes formas de uso da língua observadas entre falantes, contextos socioculturais, situações comunicativas e épocas históricas distintas, sem se confundir com juízos normativos de correção gramatical (BAGNO, 2007).
Assinale a alternativa CORRETA.
I. O conceito de 'Colligation' refere-se à atração que uma palavra possui por uma categoria gramatical específica ou tempo verbal.
II. A 'Semantic Prosody' descreve a tendência de certas palavras coocorrerem com vocabulário de conotação positiva ou negativa.
III. 'Collocation' é um termo restrito a expressões idiomáticas fixas, não se aplicando a combinações livres de palavras.
IV. O princípio do idioma (idiom principle) sugere que os falantes operam com escolhas complexas de palavras individuais a cada momento.
Assinale a alternativa que apresenta somente a(s) proposição(ões) CORRETA(S):
( ) A BNCC compreende a linguagem como prática social situada, o que implica trabalhar os gêneros discursivos em seus contextos reais de circulação.
( ) O eixo de Análise Linguística/Semiótica deve ocorrer prioritariamente de forma desarticulada dos eixos de Leitura e Produção Textual, a fim de garantir domínio estrutural da norma.
( ) A noção de competência comunicativa, implícita na BNCC, envolve a capacidade de atuar discursivamente em diferentes esferas sociais.
( ) A organização por campos de atuação social reforça a ideia de que a linguagem é inseparável das práticas sociais.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Leia o texto e responda à questão.
A vida secreta dos áudios: por que a gente ouve em 1,5x e
responde “kkk” com seriedade.
Tem gente que escreve “bom dia” e segue a vida. E tem
gente que aperta o microfone, inspira como quem vai narrar um documentário e
manda: “Vou te explicar rapidinho”, sinal claro de que nada ali será rápido. A
verdade é que o áudio virou uma espécie de bilhete falado, só que com um
tempero de intimidade e um toque de suspense, porque nunca dá para saber se vem
uma dúvida simples ou uma novela em capítulos, com participação especial do
cachorro latindo e da panela de pressão opinando ao fundo.
Eu, que já fui uma pessoa que ouvia em velocidade
normal, hoje sou um cidadão da era 1,5x. É um estilo de vida. Não é pressa, é
sobrevivência. O áudio chega, eu já imagino a cena: alguém andando na rua,
vento no microfone, passos dramáticos, e a frase clássica: “Você tá me
ouvindo?”. Estou. Só não do jeito que você imaginou. Eu ouço em 1,5x com a
mesma seriedade de quem lê um contrato. Às vezes, em 2x, quando aparece aquele
“deixa eu contextualizar” que vem junto com quinze anos de história familiar e
um resumo do clima na cidade.
E aí surge o grande dilema moral: como responder?
Porque o áudio tem um peso. Um texto pode ser seco, mas o áudio tem sorriso,
tem pausa, tem o “ééé…” que revela o pensamento chegando atrasado. Só que a
gente, prático e moderno, devolve um “kkk” que, dependendo do momento,
significa: “entendi”, “tô com você”, “vou responder depois”, “não sei o que
dizer” e, em casos extremos, “só Deus na causa”. O “kkk” é o canivete suíço das
relações humanas. Você abre e ele vira o que precisar.
No grupo de trabalho, então, o áudio ganha vida
própria. Tem o colega que manda um áudio de quatro minutos para dizer que
atrasou cinco. Tem o professor que, no intervalo, grava olhando para o pátio e,
sem querer, dá aula de sociologia e de meteorologia ao mesmo tempo. Tem a
pessoa que fala baixinho, como se estivesse dentro de uma biblioteca secreta, e
você aumenta o volume só para ouvir junto o som da vida inteira do prédio. E
tem aquele áudio perigoso, o do “posso te ligar?”. Esse é o áudio que não é áudio,
é um aviso de tempestade.
Eu gosto de pensar que existe uma etiqueta invisível.
Tipo: se é urgente, escreve. Se é longo, avisa. Se é confidencial, não manda no
meio da feira. Mas a etiqueta do século é outra. A etiqueta é: manda, e quem
recebe que se vire. E a gente se vira. A gente aprende a ler emoções em
velocidade acelerada, como se o coração também tivesse um botão de ajuste. A
gente identifica tristeza em 1,5x, alegria em 2x, e indignação até em 0,5x, que
é quando você volta para entender exatamente onde a conversa desandou.
Naquele dia, eu estava prestes a responder um áudio
enorme com o meu “kkk” diplomático, quando reparei num detalhe. A voz do áudio
tinha um ritmo estranho, como se fosse uma versão ligeiramente mais rápida do
que eu lembrava. Voltei para 1x. A voz ficou… conhecida demais. Voltei para
0,5x, só para garantir. E foi aí que eu ouvi, no fundo, bem baixinho, uma coisa
que eu nunca esperaria ouvir no áudio de outra pessoa.
O clique do meu próprio microfone. E a minha própria
voz, do mês passado, dizendo: “Vou te explicar rapidinho”.
Na hora, eu entendi o desfecho inesperado dessa era.
Eu não estava só ouvindo áudios demais. Eu estava, discretamente, virando o
tipo de pessoa que manda áudios demais. E, por um segundo, eu tive vontade de
me responder com um “kkk” bem sério, em 2x, só para manter a tradição.
Fonte: Banca Examinadora