Questões de Concurso Comentadas sobre história
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Acerca das reflexões, promovidas nos últimos anos pela historiografia, sobre as experiências vivenciadas pelos povos indígenas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), analise as afirmações a seguir.
I – Uma das formas de violência vivenciadas pelos indígenas durante a ditadura militar brasileira se deu por meio da ação dos próprios órgãos indigenistas oficiais, como a Funai.
II – Uma das estratégias discursivas mobilizadas pela propaganda política do regime militar foi a de promover uma vinculação entre o discurso desenvolvimentista e a ideia de valorização dos povos indígenas habitantes do território brasileiro.
III – A análise das violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas no período da ditadura militar brasileira nos permite perceber a intrínseca relação existente entre violência estatal e os interesses do capital privado.
IV – Uma das dimensões importantes dos autoritarismos vivenciados pelos indígenas em relação à experiência da ditadura militar foram os silenciamentos que invisibilizaram a presença, o protagonismo e resistência dos povos originários neste período.
V – A violência impetrada pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas durante a ditadura militar pode ser lida como uma das permanências da lógica colonialista dos aparelhos estatais.
É correto afirmar que
Analise o excerto a seguir.
“(...) vários povos indígenas estão mobilizando esforços para a produção de vídeos e documentários retratando o cotidiano das aldeias, em que velhos, velhas, pajés e lideranças indígenas são entrevistados ou são solicitados para deporem sobre as histórias de seu povo, da sua comunidade, a exemplo dos Xavante, Terena e Kaxinawa. É uma maneira de estabelecer o diálogo do presente com o passado, ressignificando e revigorando as tradições (...)."
(BRITO, Edson Machado de. O ensino de História como lugar privilegiado para o estabelecimento de um novo diálogo com a cultura indígena nas escolas brasileiras de nível básico. Fronteiras , Dourados, v.11, n.20, jul./ dez. 2009, p. 65).
Com base nas discussões sobre o ensino de história indígena e, a partir da análise do trecho acima, é correto dizer que o
Analise o texto a seguir.
“A fundação da cidade do Salvador teve início a partir da instalação do Governo Geral como uma tentativa de efetivar os projetos de povoamento, colonização e defesa. A cidade fortaleza planejada foi erguida em 1549 no alto de uma montanha no interior da Baía de Todos os Santos seguindo as determinações do traçado definido pelo Rei, no regimento de 1548, de ser erguida em pedra, cal e barro, ou ‘taipes ou madeira, como melhor poder ser, de maneira que seja forte’, para assim garantir a segurança dos moradores. Por não encontrar de imediato a pedra e seguindo a orientação do regimento, a pedra foi substituída pela madeira das paliçadas e, depois, pelo barro, o que permite afirmar que a arquitetura militar de Salvador era, nos seus primeiros anos, construções de fibras secas tecidas ou uma combinação de vários materiais que tivessem boa resistência às intempéries (...), as casas eram de madeira e palha; o muro de varas, galhos e cipós entrelaçados de barro”.
(SANTOS, Patrícia Verônica Pereira dos. Os índios e a Fundação de Salvador. In: SANTOS, Fabricio Lyrio (Org.). Os índios na história da Bahia. Cruz das Almas: EDUFRB; Belo Horizonte: Fino Traço, 2016. p. 40).
Com base no trecho anterior e no referido estudo de Patrícia dos Santos, analise as afirmações a seguir classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Na construção da cidade de Salvador/BA foram utilizadas técnicas oriundas dos povos tupinambás, muitas delas utilizadas por eles para se defenderem dos ataques dos europeus.
( ) A dependência da mão de obra indígena na construção da cidade revela um dos aspectos importantes da ação colonizadora portuguesa sobre esses povos, qual seja o aprisionamento de indígenas para escravização.
( ) As revoltas e fugas protagonizadas pelos indígenas nesse período demonstram uma das formas de agência indígena nesse processo, forçando a Coroa portuguesa a ações como a de estabelecer alianças com grupos indígenas da região.
( ) Embora tenham tido uma atuação importante nos trabalhos de construção e manutenção da cidade de Salvador, os indígenas não atuavam nas propriedades particulares, como os engenhos, onde utilizava-se mão de obra africana.
( ) A queda populacional dos indígenas decorrente de fome, maus tratos, repressão violenta às revoltas, excesso de trabalho e proliferação de doenças infectocontagiosas é um dos fatores que ajuda a explicar a paulatina incorporação de escravos africanos como mão de obra na região.
De acordo a análise das afirmações, a sequência correta, no sentido da primeira à última, é
“Quando me tornei homem, outros brancos resolveram me dar um nome mais uma vez. Dessa vez, o pessoal da Funai. Começaram a me chamar de Davi “Xiriana”. Mas esse novo nome não me agradou. “Xiriana” é como são chamados os Yanomami que vivem no rio Uraricaá, muito distante de onde eu nasci. Eu não sou um “Xiriana”. Minha língua é diferente da dos que vivem naquele rio. Apesar disso, tive de mantê-lo (...). Meu último nome, Kopenawa, veio a mim muito mais tarde, quando me tornei mesmo um homem. Esse é um verdadeiro nome yanomami (...). É um nome que ganhei por conta própria. Na época, os garimpeiros tinham começado a invadir nossa floresta. Tinham acabado de matar quatro grandes homens yanomami, lá onde começam as terras altas, a montante do rio Hero u. A Funai me enviou para lá para encontrar seus corpos na mata, no meio de todos aqueles garimpeiros, que bem teriam gostado de me matar também. Não havia ninguém para me ajudar. Tive medo, mas minha raiva foi mais forte. Foi a partir de então que passei a ter esse novo nome. Só os espíritos xapiri estavam do meu lado naquele momento. Foram eles que quiseram me nomear. Deram-me esse nome, Kopenawa, em razão da fúria que havia em mim para enfrentar os brancos”.
(ALBERT, Bruce; KOPENAWA, David. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. pp.71-72).
Com base nas discussões do campo da história indígena e na análise do trecho acima, é correto afirmar que
A partir do texto, pode-se afirmar que a coroação de Dom Pedro II como imperador do Brasil foi antecipada com o intuito de
O imperialismo e a resistência na África de 1885 à 1995.
O domínio dos europeus [...] sobre a África se estendia, também, sobre a cultura dos povos. Como ocorreu com os indígenas na América, foi necessária tentar justificar as ações colonizadoras como sendo uma forma de levar o processo civilizatório a esses povos, pois eram considerados primitivos. Isso provocou uma mudança significativa, como por exemplo, a língua local foi suprimida pelo uso obrigatório da língua do colonizador. Modificou-se, também, a forma de educação dos povos colonizados, com o intuito de desfazer crenças e costumes locais, a fim de facilitar a dominação [...].
SUZUKI, A.M.; SANTOS, J.E.; MENEZES, H.A. O imperialismo e a resistência na África de 1885 à 1995. Disponível em: Acesso em: 18 fev. 2022.
A partir do texto, pode-se constatar como uma justificativa usada pelas nações europeias para promover o Imperialismo no continente africano, no fim do século XIX e início do século XX:
( ) Nas zonas tropicais da América, o único objetivo das metrópoles era a exploração dos recursos naturais, através da agricultura e escravidão. O mercado interno dependia sempre das vontades dos dominantes. Apenas os donos de terras e escravos tinham pleno poder dentro das colônias. Por isso, muitos embates sociais ocorreram nesses territórios.
( ) No Brasil, durante o período pré-colonial, o país foi uma colônia de exploração. Inicialmente o pau brasil foi a matéria-prima mais retirada e depois a cana-de-açúcar. No caso da cana, o sistema elaborado foi o de plantation, que agrupava diferentes características: os latifúndios, a policultura, o uso de mão de obra escrava, especialmente dos africanos, e foco no lucro absoluto da metrópole (Portugal).
( ) Na História da América, após um longo processo de exploração, começaram as correntes de luta pela independência, nos séculos XVII e XIX. A Revolução Francesa, entre outras, resultaram na Unificação italiana e alemã, e na reformulação dos modos de produção das ex- colônias.
( ) Era o centro do sistema colonial, as metrópoles que disputavam e estabeleciam áreas de influência na América, na África e na Ásia. As metrópoles asseguravam de forma exclusiva o abastecimento das colônias fornecendo produtos manufaturados e a mão -de-obra escrava sempre com preços elevados. Por outro lado garantiam a apropriação de toda a produção colonial, sempre a preços baixos revendendo-a por preços mais altos no mercado europeu. Além disso, gravava o mundo colonial com tributos, que as vezes eram excessivos.
( ) Na montagem de um sistema produtor na América, os recursos naturais como terra eram abundantes. Os capitais de um modo geram, eram escassos e a mão-de-obra era ate abundante em alguns países europeus. No entanto não havia capital para remunerá-la, a solução foi utilizar na colonização americana formas de trabalho compulsório como a servidão temporária, como a mita e encomienda.
A alternativa que apresenta a sequência correta é:
REVOLUÇÃO de 1930. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/a nos20/Revolucao30 Acesso em: 20 jan. 2022.
O processo eleitoral de 1930 teve como ganhador Júlio Prestes, porém a Aliança Liberal alegou fraude no pleito. Sabendo disso e tendo como base o texto, podese afirmar que outro fator que incendiou a escalada de um movimento revolucionário no Brasil, em 1930, foi:
FAUSTO,Boris. História do Brasil. Disponível em:<https://www.intaead.com.br/ebooks1/livros/hist%F3ria/12.Hist%F3ria%20do%20Brasil%20-%20Boris%20Fausto%20(Col%F4nia).pdf>. Acesso em: 16 FEV. 2022.
Considerando a colonização europeia na América e tendo como base o texto, pode-se afirmar que o mercantilismo, vigente na Europa entre os séculos XV e XVIII, incentivou a prática de:
CARVALHO, Leandro. Darwinismo social e imperialismo no século XIX. Disponível em:https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/ darwinismo-social-imperialismo-no-seculo-xix.htm. Acesso em: 18 fev. 2022.
O texto apresenta uma breve introdução à temática do darwinismo social, teoria utilizada durante o processo de expansão neocolonial para:
I – Apesar das pressões externas e internas, o governo de D. Pedro II e a elite imperial defendiam a abolição imediata da escravidão, a qual não deveria ser feita de forma gradual, ou seja, por meio das chamadas leis abolicionistas.
II – Na década de 1880, a luta pela abolição da escravidão ganhou corpo. Nesse período, foi fundado, em São Paulo, o denominado Clube do Cupim, que teve forte influência na aprovação da Lei do Ventre Livre.
III – Sob forte pressão popular, o governo imperial, exercido na época por D. Pedro II, assinou a Lei Áurea, que declarava extinta a escravidão no Brasil, com direito à indenização aos senhores e aos escravizados.