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Sobre história do brasil em história
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Nas histórias da colonização, de modo geral, opõe-se o caso de Portugal, com suas feitorias comerciais, ao da Espanha, dotada de um verdadeiro império territorial. A oposição, sem dúvida, pode ter existido, mas falta a verdadeira explicação, pois no Brasil foi de fato um império territorial que os portugueses erigiram.
(Marc Ferro. História das colonizações:
das conquistas às independências, século XIII a XX)
De acordo com o autor, a “verdadeira explicação”, para que Portugal não tivesse erigido o mesmo império territorial na África, reside no fato de que
Ao longo do século XIX, as elites brasileiras e os escravistas de um modo geral tiveram de enfrentar a resistência dos cativos em cada lugar em que a escravidão floresceu. Essa resistência sugere que o projeto vencedor de um país escravocrata não foi desfrutado sem a contestação dos principais perdedores.
As rebeliões representaram a mais direta e inequívoca forma de resistência escrava coletiva.
(João José Reis. Nos achamos em campo a tratar da liberdade:
a resistência negra do Brasil oitocentista. Em: Carlos Guilherme Mota (org.).
Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000). Formação: histórias)
Segundo o historiador, as rebeliões
Leia um trecho do “Manifesto da Nação Portuguesa aos soberanos e povos da Europa”, promulgado pelos rebeldes do Porto em 1820.
Os portugueses começam a perder as esperanças para com o único recurso e meio de salvação que lhes foi deixado em meio à ruína que quase consumiu sua querida terra natal. A ideia do status de colônia ao qual Portugal tem sido com efeito reduzido, aflige profundamente todos aqueles cidadãos que ainda conservam o sentimento de dignidade nacional. A justiça é administrada a partir do Brasil para os povos leais da Europa, o que implica numa distância de duzentas léguas e excessivo custo e demora.
(Apud Kenneth Maxwell. Por que o Brasil foi diferente?
O contexto da independência. Em: Carlos Guilherme Mota (org.).
Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000).
Formação: histórias)
O Manifesto revela
A matriz do dissenso historiográfico está na caracterização do sistema escravista, tido por alguns como violento e cruel, por outros como brando, benevolente. Quem inicialmente obteve grande repercussão ao difundir essa última concepção foi Gilberto Freyre.
A partir da década de 1950, Florestan Fernandes, Otávio Ianni, Emília Viotti da Costa passam a produzir teses que divergem diametralmente das de Freyre.
(Suely Robles Reis de Queiróz. Escravidão negra em debate.
Em: Marcos Cezar de Freitas (org.).
Historiografia brasileira em perspectiva. Adaptado)
Para os pensadores que se opunham às ideias de Freyre, a escravidão
O sentimento antilusitano já era expresso mais livremente pelas camadas populares e vai, aos poucos, tornando- -se mais explícito entre a elite imperial brasileira. Alguns grupos associavam claramente o que consideravam “atraso” material e cultural do Brasil à administração portuguesa colonial e à permanência de vários traços dela no Império.
A República proclamada em 1889, sedenta de construir- -se sobre a incompetência monárquica, intensificou o antilusitanismo ao acrescentar aos antigos dominadores um outro epíteto medonho: assassinos do grande herói nacional, Tiradentes.
O primeiro a levantar-se contra toda essa construção mais imaginária que histórica foi Gilberto Freyre.
(Eduardo França Paiva. De português a mestiço: o imaginário brasileiro sobre a colonização e sobre o Brasil. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thais Nívia de Lima e Fonseca (org.). Inaugurando a História e construindo a nação – discursos e imagens no ensino de História. Adaptado)
Considerando a discussão do excerto, Freyre
Na primeira metade do século XX, Pedro Bruno (1888- 1949) pintou O Precursor, interessante quadro que apresenta Tiradentes sendo preparado para a execução. O personagem aparece de pé e enquanto o carrasco, de cabeça baixa, sem olhá-lo, veste-lhe a alva, ele mantém a cabeça erguida, olhos no céu, braços estendidos como em súplica, entregando sua vida à justiça dos homens e de Deus. Um frade, de joelhos diante do herói, apresenta- -lhe o crucifixo que o acompanhará até o cadafalso. Essa cena é uma entre muitas leituras sacralizadas do drama vivido pelo alferes inconfidente e que tem seus correspondentes em textos historiográficos sobre a Inconfidência Mineira, nos quais poderia ter se baseado o artista.
(Thais Nívia de Lima e Fonseca. Ver para compreender: arte,
livro didático e a história da nação. Em: Lana Mara de Castro Siman e
Thais Nívia de Lima e Fonseca (org.). Inaugurando a História e
construindo a nação – discursos e imagens no ensino de História)
O excerto, assim o como o artigo citado, analisam
A Inconfidência Mineira, abortada entre os anos de 1788 e 1789, era um movimento, ao contrário do que comumente se afirma na historiografia e nos textos didáticos, bastante heterogêneo.
(João Pinto Furtado. Imaginando a nação: o ensino de história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thais Nívia de Lima e Fonseca (org.). Inaugurando a História e construindo a nação – discursos e imagens no ensino de História)
O excerto alude à heterogeneidade do movimento, que pode ser verificada pela
Das figuras políticas é interessante destacar como têm sido representados [nos livros didáticos] os dois imperadores do Brasil: D. Pedro I, sempre jovem, porque afinal morreu com 34 anos; seu filho D. Pedro II, sempre velho, apesar dos textos escolares darem destaque ao episódio da “Maioridade” [...]. A ilustração do pai jovem e do filho velho tem causado uma certa perplexidade aos jovens leitores e falta a explicação do aparente paradoxo.
(Circe M.F. Bittencourt. Livros didáticos entre textos e imagens.
Em: Circe M.F. Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula)
De acordo com a historiadora, o “aparente paradoxo”
1.“Façamos a revolução antes que o povo a faça.” A frase, atribuída ao governador de Minas Gerais Antônio Carlos de Andrada, deixa entrever a ideologia política da Revolução de 1930, promovida pelos interesses da burguesia cafeicultora de São Paulo, com vistas à valorização do café.
2. Com o impacto da crise de 1929, o então presidente paulista Washington Luís resolveu apoiar a candidatura do mineiro Júlio Prestes, mantendo o antigo arranjo da “Política do Café com Leite”, em que os latifundiários mineiros e paulistas alternavam-se no mandato presidencial.
3. Insatisfeitos com a formação da chapa defendida pelo presidente Washington Luís, um grupo de oligarcas dissidentes criou uma chapa eleitoral contra a candidatura de Júlio Prestes. Conhecida como Aliança Liberal, a chapa encabeçada pelo fazendeiro gaúcho Getúlio Dorneles Vargas prometia um conjunto de medidas reformistas.
Em relação às afirmativas apresentadas, é correto apontar que:
I - O assassinato do político paraibano João Pessoa foi o evento decisivo que acelerou as articulações dos golpistas, com o objetivo de depor o presidente Washington Luís.
II - Havia na política nacional uma tradição de alternância na ocupação dos cargos do Executivo federal, garantindo a representação de todas as regiões do país, sem privilegiar os estados mais poderosos, como São Paulo ou Minas Gerais.
III - O governador Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, manteve seu apoio ao governo federal, mesmo estando envolvido nas articulações políticas que resultaram na criação da Aliança Liberal.