Questões de Concurso Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história

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Q4219596 História
Leia o trecho a seguir.
Eu diria que o historiador está em condições muito melhores do que o participante do presente, pela simples razão de que dispõe de um horizonte ampliado. Se o leitor pensa que o passado é uma paisagem, a história é a maneira como a representamos, e é justamente esse ato de representação que nos eleva acima do familiar para permitir-nos ter experiências substitutivas daquilo que não podemos experimentar diretamente: uma visão mais ampla.
Adaptado de GADDIS, John Lewis. El paisaje de la historia: cómo los historiadores representan el pasado. Anagrama, 2004, pp. 21-22.

Considerando a reflexão de John Lewis Gaddis, é correto afirmar que a representação do passado como paisagem
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Q4219585 História
Leia o trecho a seguir.

Todo um trabalho de decifração se impõe a partir de indícios frágeis. Escrutinando os ex-votos, o pesquisador medirá pacientemente a superfície, respectivamente do espaço celeste de aparição e da cena terrestre; analisará, também, o gestual e o jogo dos olhares pelo qual se estabelece a ligação entre os dois universos. Analisando as representações do purgatório em sua evolução, sublinhará as mutações características de um panteão de intercessores que, paulatinamente, vai se despovoando do século XVII ao século XVIII.
Adaptado de VOVELLE, Michel. Ideologias e mentalidades. São Paulo: Brasiliense, 1987, p.42.

Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a corrente da Nova História a que ele se refere.
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Q4219583 História
Leia o trecho a seguir.

Cortar o tempo em períodos é necessário para a história, seja ela entendida como o estudo da evolução das sociedades, como um tipo particular de saber e ensino, ou mesmo como a simples passagem do tempo. No entanto, esse recorte não é um mero fato cronológico, mas também expressa a ideia de transição, de mudança e até de contradição em relação à sociedade e aos valores do período precedente. Os períodos têm, portanto, um significado particular em sua própria sucessão, na continuidade temporal ou nas rupturas que tal sucessão evoca, e constituem um objeto fundamental de reflexão para o historiador.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. ¿Realmente es necesario cortar la historia en rebanadas? México: Fondo de Cultura Económica, 2016, pp. 11-12.

Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a periodização na história. 
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Q4219582 História
Leia o trecho a seguir.

O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.

Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.  
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Q4204916 História

Leia o texto. 


Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu. (...)”


(Fernando Pessoa, Mensagem) 

 


Os versos, pertencentes à obra Mensagem, mobilizam imagens simbólicas associadas às navegações portuguesas e à construção de uma memória histórica do passado nacional. 


Considerando a relação entre literatura, História e identidade na interpretação desse poema, assinale a alternativa INCORRETA.

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Q4185382 História
No que diz respeito à historiografia e às fontes históricas, a chamada “Escola dos Annales”, fundada em 1929, promoveu uma revolução ao expandir o conceito de fonte. De acordo com essa perspectiva, pode-se afirmar que: 
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Q4176279 História
O Positivismo de Auguste Comte e a escola metódica francesa moldaram a produção historiográfica no século XIX. Sobre este modelo de escrita e pesquisa podemos afirmar corretamente:
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Q4163266 História
O debate sobre as fontes históricas remete-nos a um dos dois fatores que constituem a mais irredutível singularidade da História como campo de conhecimento. A centralidade da dimensão temporal neste tipo de conhecimento que é a História e a utilização das fontes pelo historiador que as produz são os dois fatores que fazem com que a História possa ser distinguida de qualquer outro campo de saber. Diante disso, ao afirmar que "Sem problema não há história", Lucien Febvre procurava destacar que:
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Q4139315 História
Leia o texto a seguir.

A instituição social (uma sociedade de estudos de...) permanece a condição de uma linguagem científica [...] A instituição não dá apenas estabilidade social a uma ‘doutrina’. Ela a torna possível e, sub-repticiamente, a determina.

CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A escrita da história. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 70.

De acordo com o texto, a operação historiográfica está diretamente ligada
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Q4138746 História
Leia o texto a seguir.
História esquecida

Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de Søgne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.

Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
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Q4134506 História
Correntes historiográficas desenvolvidas ao longo do século XX promoveram mudanças significativas na produção do conhecimento histórico. Entre essas transformações, destacaram-se a ampliação dos objetos de investigação, o uso de fontes não convencionais e o interesse pelas experiências coletivas e individuais de diferentes grupos sociais. Além disso, passaram a ganhar relevância temas relacionados à cultura, às práticas cotidianas e às estruturas sociais de longa duração. Nesse contexto de renovação metodológica e temática, qual corrente historiográfica exerceu maior influência sobre essas mudanças na pesquisa histórica?
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Q4125926 História
No âmbito da salvaguarda do patrimônio, a "Teoria do Restauro" de Cesare Brandi postula que a restauração deve visar:
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Q4125925 História
A Escola dos Annales, fundada em 1929 por Marc Bloch e Lucien Febvre, provocou uma ruptura epistemológica no conhecimento histórico que impactou diretamente a gestão do patrimônio cultural. Sobre as características dessa corrente e seus desdobramentos, assinale a alternativa correta:
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Q4125110 História
“Um dos problemas essenciais da humanidade, surgido com seu próprio nascimento, foi dominar o tempo terrestre. Os calendários permitiram organizar a vida cotidiana, pois quase sempre estão ligados à ordem da natureza.”

LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Ed. UNESP, 2015, p.11. (adaptado)

Ao comparar o tempo do calendário com a sistematização do tempo realizada pelo historiador no Ocidente, identifica-se corretamente que a: 
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Q4118681 História
Leia o texto a seguir.

Há uma pergunta central na História que não pode ser evitada, no mínimo porque todos nós queremos saber a resposta: como a humanidade passou do homem das cavernas para o astronauta, de um tempo em que éramos assustados por tigres de dentes de sabre para um tempo em que somos assustados por explosões nucleares – isto é, não assustados pelos perigos da natureza, mas por aqueles que nós mesmos criamos? O que faz desta uma pergunta essencialmente histórica é que os seres humanos, embora recentemente bem mais altos e pesados que nunca, são biologicamente quase os mesmos que no início do registro histórico.

HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

A “pergunta central” a que se refere o trecho está relacionada a um aspecto fundamental do ofício do historiador com implicações no ensino de história. Trata-se da
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Q4118680 História
Leia o texto a seguir.

Se concluímos que não existe um fato histórico eterno, mas existe um fato que consideramos hoje um fato histórico, é fácil deduzir que o conceito de documento siga a mesma lógica. Fato e documento histórico demonstram nossa visão atual sobre o passado, num diálogo entre a visão contemporânea e as fontes pretéritas.

KARNAL, Leandro e TATSCH, Flávia G. Documento e história: a memória evanescente. In. PINSKY, Carla e LUCA, Tania de (Orgs.). O historiador e suas fontes. São Paulo, Contexto, 2009.

Sobre fato e documento histórico, os autores afirmam que 
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Q4102372 História
Em Razão histórica: teoria da história os fundamentos da ciência histórica, Jörn Rüsen afirma que “a interdependência dos cinco fatores do pensamento histórico” constitui “um sistema dinâmico”, no qual um fator conduz ao outro até retornar ao primeiro. Assinale a alternativa correta, que enuncia esses cinco fatores.
Alternativas
Q4102371 História
Em Teoria da História: uma teoria da história como ciência, Jörn Rüsen afirma que “há quatro possibilidades de tornar presente o passado humano, no construto de sentido de uma história, enquanto fator de orientação cultural”; o que denotaria a existência de quatro tipos de narrativas históricas. Assinale a alternativa correta, que enuncia tal tipologia.
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Q4101736 História
A problematização teórica, ao lidar com conceitos, nomeações e classificações, deve nos alertar para a necessidade de pensarmos o fato histórico como uma possibilidade entre tantas outras. O que aconteceu no passado não é um elemento dado ou uma simples fatalidade. Trata-se de uma construção que é constantemente reelaborada de acordo com as sucessivas gerações de historiadores.
Sobre a metodologia da pesquisa histórica e o uso das fontes, é CORRETO afirmar que:
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Q4100839 História
Considerando o diálogo entre a História e a Antropologia analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:

I- A prática de procurar compreender o significado de objetos, comportamentos e mentalidades levando em conta diferenças culturais entre os agentes em contato foi uma contribuição essencial da Antropologia para a História e marcou importantes estudos das décadas de 1970 e 1980.
PORQUE
II- Os historiadores, desde o advento da Escola dos Annales, fortificaram o diálogo com o historicismo do século XIX, aproximaramse do marxismo e ratificaram as concepções teóricas e metodológicas da Escola Metódica, assumindo novas temáticas e novas abordagens.

A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Respostas
21: C
22: B
23: C
24: A
25: D
26: E
27: A
28: B
29: D
30: A
31: D
32: A
33: C
34: D
35: D
36: A
37: B
38: E
39: D
40: E