Questões de Concurso
Sobre conceitos filosóficos em filosofia
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Texto 5A2-II
Deve-se buscar não apenas uma quantidade muito maior de experimentos, como também de gênero diferente dos que até agora nos têm ocupado. Mas é necessário, ainda, introduzir-se um método completamente novo, uma ordem diferente e um novo processo, para continuar e promover a experiência. Pois a experiência vaga, deixada a si mesma (...), é um mero tateio, e presta-se mais a confundir os homens que a informá-los. Mas quando a experiência proceder de acordo com leis seguras e de forma gradual e constante, poder-se-á esperar algo de melhor da ciência.
Francis Bacon. Novum Organum. Tradução de José Aluysio Reis de Andrade.
São Paulo: Abril Cultural, 1973 [1620], p. 72 (com adaptações).
Texto 5A2-III
O principal mérito do método empírico é o de assinalar com vigor a importância da experiência na origem dos nossos conhecimentos. Os empiristas de um modo geral têm razão ao afirmar que não existem ideias inatas, e de que antes da experiência não há e nem pode haver conhecimento algum sobre o mundo exterior.
Sílvio Luiz de Oliveira. Tratado de Metodologia Científica. São Paulo: Pioneira, 1997, p. 53.
Texto 5A2-IV
Mas embora todo nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso ele surge apenas da experiência. Pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento da experiência fosse um composto daquilo que recebemos por meio de impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento (apenas provocada por impressões sensíveis) produz por si mesma.
Immanuel Kant. Crítica da razão pura. Tradução de Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger.
São Paulo: Abril Cultural, 1980 [1781], p. 23 (com adaptações).
Hans-Georg Gadamer. Verdade e método. Tradução de Flávio Paulo Meurer. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 262 (com adaptações).
Considerando esse fragmento de texto e a compreensão gadameriana da arte, assinale a opção correta, de acordo com Gadamer.
René Descartes. Meditações. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril Cultural, 1973 [1642], p. 94.
Nesse fragmento da obra Meditações, René Descartes
A reflexão sobre ética e moral ocupa lugar central nas discussões contemporâneas sobre a ação humana, pois envolve a distinção entre normas socialmente praticadas e a análise crítica dos valores que as sustentam. Essa diferenciação permite compreender como costumes, deveres e julgamentos morais podem ser examinados racionalmente, sem se confundirem com a mera aceitação das práticas vigentes em uma sociedade (CORTINA, 2010).
Com base nessa distinção conceitual, é CORRETO afirmar que:
Historicamente, a ciência moderna construiu sua legitimidade a partir da valorização da observação controlada, da experimentação e da formulação de leis gerais, frequentemente associadas ao ideal indutivista. No entanto, essa concepção foi amplamente questionada ao longo do século XX, sobretudo por Karl Popper. Sobre esse teórico, julgue as sentenças abaixo como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F).
(__) Para Popper, o traço distintivo da ciência não reside na verificação definitiva das teorias, mas em sua falseabilidade. Uma teoria é científica na medida em que formula enunciados que podem ser testados empiricamente e que, ao menos em princípio, podem ser refutados pela experiência.
(__) Popper sustenta que teorias científicas mais antigas tendem a ser progressivamente confirmadas à medida que resistem a testes empíricos sucessivos, aproximando-se gradualmente de uma verdade definitiva por meio do acúmulo de evidências favoráveis.
(__) A ciência, para Popper, avança por meio de um processo dinâmico de conjecturas e refutações. Os cientistas propõem teorias ousadas, com elevado poder explicativo e alcance abrangente, que são então submetidas a testes rigorosos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta.
Leia o seguinte fragmento de Heráclito (DK B50):
“É sábio dizer, ouvindo não a mim, mas ao logos, que tudo é um.”
Um professor solicita aos estudantes que interpretem criticamente essa passagem, considerando o uso de recursos retóricos e o problema filosófico central. Três estudantes apresentam as seguintes leituras:
Estudante 1: "Heráclito usa paradoxo retórico ao dizer 'ouvindo não a mim', criando tensão entre autoridade do filósofo e autoridade do Logos, sugerindo que verdade transcende porta-vozes individuais."
Estudante 2: "A tese 'tudo é um' significa que não existem diferenças reais no mundo, sendo a multiplicidade ilusão dos sentidos, como defenderia Parmênides."
Estudante 3: "O fragmento expressa questão epistemológica: como distinguir conhecimento verdadeiro (Logos) de opiniões particulares (mim)? A unidade referida pode ser entendida como princípio ordenador subjacente à aparente multiplicidade."
Sobre as interpretações dos estudantes é correto afirmar que:
Em investigações científicas, jurídicas e diagnósticas, frequentemente empregamos um tipo de raciocínio descrito por Charles Sanders Peirce como "abdução" ou "inferência para a melhor explicação". Sobre esse assunto, considere o caso a seguir.
Um médico observa que seu paciente apresenta febre alta, tosse seca, dificuldade respiratória e fadiga extrema. Considerando o contexto epidemiológico local e o padrão sintomatológico, o médico infere que a melhor explicação para esse conjunto de sintomas é uma infecção viral respiratória específica, embora outros diagnósticos sejam possíveis.
Sobre a estrutura lógica do raciocínio abdutivo ilustrado, qual alternativa apresenta caracterização correta?
Analise o seguinte argumento apresentado em um debate político.
"O senador Silva defende a reforma tributária. Ora, o senador Silva foi acusado de corrupção em 2018. Portanto, a reforma tributária proposta por ele não merece nossa confiança."
Sobre a estrutura lógica e validade deste argumento, assinale a alternativa correta.