Questões de Concurso Sobre antropologia
Foram encontradas 1.142 questões
I.No Hinduísmo, o Rigveda apresenta múltiplas cosmogonias, incluindo o Purusha Sukta onde o universo surge do sacrifício do Homem Cósmico, diferindo da criação ex nihilo abraâmica.
II.O conceito de tzimtzum na Cabala judaica propõe que Deus precisou contrair-se para criar espaço para o universo, uma visão ausente no cristianismo ortodoxo medieval.
III.Nas religiões afro-brasileiras, Oxalá (sincretizado com Jesus Cristo) é o orixá responsável pela criação dos seres humanos a partir do barro, por determinação de Olorum, o Deus supremo.
IV.O Gênesis cristão e judaico compartilha a mesma narrativa de criação em seis dias, mas divergem na interpretação: o judaísmo rabínico admite múltiplas leituras alegóricas enquanto o cristianismo paulino defende literalidade.
V.No Budismo Theravada, não há um mito de criação definitivo, pois o universo é considerado sem início (anadhi), passando por ciclos infinitos de expansão e contração.
Estão corretas apenas:
I.O sincretismo foi uma estratégia de resistência cultural dos povos escravizados, sem dimensão de imposição colonial.
II.A correspondência entre orixás e santos católicos representa um processo de reinterpretação cosmológica que transcende a simples justaposição de elementos.
III.O conceito de "máscara católica" implica que o sincretismo é superficial e não afeta as estruturas profundas das religiões africanas.
Assinale a alternativa correta:
Jocimar Daolio, em "Da Cultura do Corpo", propõe uma revolução paradigmática para a Educação Física ao utilizar a Antropologia como referencial. Ele critica a visão biologizante, que trata o corpo como um dado universal e natural (uma "máquina"), e propõe que a área passe a entender o corpo como uma construção cultural e simbólica. Ele utiliza a distinção entre "cultura de corpo" (singular) e "cultura do corpo" (plural, implícito). Analise as afirmativas a seguir:
I. A "cultura de corpo" (no singular) refere-se à concepção tradicional e biologizante, que vê o corpo como um dado universal, que deve ser treinado e aperfeiçoado para atingir um padrão ideal de saúde ou performance.
II. A "cultura do corpo" (no plural) é a perspectiva antropológica, que entende o corpo como uma construção simbólica, cujos significados (ex: o que é ser forte, belo ou hábil) variam entre diferentes grupos sociais, etnias e gêneros.
III. A proposta de Daolio é que a Educação Física escolar abandone a "cultura do corpo" (diversidade) e adote a "cultura de corpo" (universal), pois a ciência biológica oferece verdades objetivas para o treinamento de todos os alunos.
Está correto o que se afirma em:
I - no Livro de Registro dos Saberes, no caso dos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades;
II - no Livro de Registro das Celebrações, no caso de rituais que marcam a vivência coletiva do trabalho e de outras práticas da vida social;
III - no Livro de Registro das Formas de Expressão, no caso de manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas;
IV - no Livro de Registro dos Lugares, no caso de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.
Assinale as questões corretas:
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 468.
O xamã yanomami, Kopenawa, no trecho anterior, apresenta uma compreensão dupla de discurso (o do homem branco e o do xamã), no texto anterior, no qual o discurso xamânico assume
Assim, analise as afirmativas a seguir sobre as identidades surdas:
I.A 'Identidade Surda' refere-se a indivíduos que veem a surdez como uma diferença cultural e linguística, têm a língua de sinais como L1, participam ativamente da Comunidade Surda e constroem seus laços sociais majoritariamente dentro dela.
II.A 'Identidade Híbrida' (ou flutuante) descreve exclusivamente surdos oralizados que aprenderam Libras tardiamente e rejeitam totalmente a cultura ouvinte, buscando uma imersão pura, porém conflituosa, na cultura surda.
III.A 'Identidade de Transição' (ou 'embaçada') caracteriza indivíduos que, vindos de uma educação oralista ou de famílias ouvintes, estão em processo de descoberta da Libras e da Comunidade Surda, muitas vezes sentindo-se 'nem ouvintes, nem surdos'.
Está correto o que se afirma em:
Sancionada em julho de 2025, a Lei n.º 15.161/2025 institui o Dia Nacional do Coco de Roda, da Ciranda e da Mazurca, a ser celebrado anualmente no dia 26 de julho em todo o território nacional, reconhecendo e valorizando essas importantes manifestações da cultura popular brasileira. Sobre o Coco de Roda, em específico, Cascudo (2001) descreve-o como:
GONÇALVES, Maria Alice Rezende. A vida lúdica de uma comunidade de Candomblé no Cubango: um estudo sobre a categoria "brincadeira". Cadernos CERU, v. 10, 1999., p. 48s. (Adaptado).
Com base no texto, sobre as diferentes formas de lidar com o tempo, é correto afirmar que
GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande: Piauí, Brésil. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1975., p.42. (Adaptado).
No que diz respeito à epistemologia apresentada por Guidon, é correto afirmar que
Se antes a escola era um espaço que trazia o conhecimento para os indígenas e tínhamos que aceitar, hoje os indígenas querem compartilhar seus conhecimentos. (...) Eles querem construir essas relações de respeito entre os conhecimentos promovendo o diálogo intercultural.
Os indígenas não ensinam ninguém, eles aprendem, aí o outro também aprende. Então essa ideia de ir à escola para aprender é porque lá tem alguém que ensina. Mas nessa relação de quem ensina, existe a negação do aprender, porque um ensina e outro aprende. Não existe a construção intercultural. Na interculturalidade nós trocamos ideias e construímos o que é melhor para nossa sociedade. Então, me parece que tem um abismo entre os indígenas e os não indígenas porque não tem essa compreensão da prática intercultural vivencial."
(Ferreira Kaingang, 2024, p. 836, 844, 847-848.)
"O que são os conhecimentos para os coletivos Kaingang? Como se produz conhecimentos a partir da relação que se faz com esses seres que o mundo eurorreferenciado não considera humanos e são fundamentais para produção do conhecimento para eles?
O professor D. Cardoso [...] é enfático em afirmar constantemente: 'Eu aprendi com o rio, aprendi com a corrente de água; ela me ensina quando está acordada. A água acorda, ela dorme, tem fluxo, ela traz o movimento, o tempo, uma série de conhecimentos, ela pode ser remédio!'.
O sistema Kaingang é muito mais aberto ao outro, à alteridade radical, aos seres extra-humanos. Constitui-se como um mundo em que se percebe e se produz a partir de constantes e intensas relações entre os existentes do cosmos. Estamos diante, pois, de uma sócio-cosmo-ontologia instável, em contínua transformação e de criação de seus corpos e de suas pessoas."
(Baptista da Silva, 2022, p. 10.)
Com base nos trechos selecionados dos textos de Bruno Ferreira Kaingang e Sergio Baptista da Silva, que discutem a cosmologia, a educação e a alteridade no contexto Kaingang, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O conhecimento Kaingang é relacional e se produz nas interações entre humanos e extra-humanos, em um sistema aberto à alteridade e em contínua transformação.
(__) A reciprocidade é princípio central da cosmologia e da educação Kaingang, pois expressa interdependência, trocas e compromissos entre todos os seres do cosmos.
(__) A escola, segundo Ferreira Kaingang, deve manter a lógica unidirecional do ensino, na qual o professor é o portador do saber e o aluno o receptor do conhecimento.
(__) A educação intercultural proposta pelos autores se baseia na troca e na construção conjunta de saberes, em que aprender é um processo mútuo e não hierárquico.
(__) Para os Kaingang, o conhecimento é prática vivencial e relacional, vinculada à cosmologia e às experiências de reciprocidade com o mundo natural e espiritual.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I. A educação escolar indígena deve ser específica, bilíngue e intercultural, garantindo o direito de cada povo de ensinar e aprender em sua própria língua, conforme seus processos culturais e modos de conhecer.
II. A formação de professores indígenas deve articular os saberes comunitários e os conhecimentos acadêmicos, promovendo o diálogo entre diferentes formas de ensinar e aprender, de modo a assegurar a qualidade e a coerência dos processos formativos.
III. A organização das escolas indígenas deve respeitar a estrutura administrativa e curricular das escolas urbanas, sem considerar a autonomia comunitária ou o calendário cultural de cada povo.
IV. A interculturalidade na educação indígena visa reafirmar as identidades étnicas e valorizar as línguas e ciências dos povos indígenas, promovendo o diálogo com os conhecimentos da sociedade nacional e o acesso às informações que ela valoriza.
V. A docência indígena é compreendida como prática social, política e comunitária, que envolve o compromisso com a memória, a língua e a continuidade das tradições de cada povo.
É correto o que se afirma em:
Para o Estado brasileiro, só é possível a coexistência de culturas dentro de uma unidade social e política quando imaginada como fato passageiro e controlado, um resultado imediato da guerra de conquista ou de suas reverberações posteriores. É a localização de uma pessoa de um lado ou do outro dessa clivagem cultural que irá, desde o início, definir a sua condição de educador e aprendiz, de superior ou subalterno, em suma, de tutor e tutelado. [...] O tutor, católico e civilizado, supostamente europeizado, e o tutelado, índio, negro ou notoriamente mestiço, presumidamente primitivo e selvagem, foram os componentes essenciais da sociedade brasileira.
Ao considerar as culturas indígenas como parte da nação brasileira, a Constituição de 1988 veio, logicamente, a abolir a tutela, introduzindo algo absolutamente novo nas relações entre os indígenas e os demais cidadãos brasileiros. O abandono de uma perspectiva civilizatória na Constituição de 1988 implica que a estruturação da ordem jurídica e administrativa não possa mais fazer-se baseada na absoluta supremacia das tradições ocidentais. Isso abre um espaço importantíssimo para a valorização e o fortalecimento das culturas indígenas. (...) Tudo isso aponta para formas novas de realização da cidadania, em que o paternalismo não tenha mais lugar. Os confrontos que irão se seguir decorrem da dificuldade da sociedade em despojar-se de tal imagem, que tem atrás de si uma longa história, e ainda pode servir a perspectivas tutelares de alguns grupos sociais."
(Oliveira, 2016, p. 309-314)
Com base na análise de João Pacheco de Oliveira sobre a formação histórica do regime tutelar e sua relação com a construção da nação brasileira, é correto afirmar que: