Questões Militares Para ibfc

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Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537267 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Lembram-se”, no terceiro parágrafo, contribui para a coerência do texto uma vez que deve ser entendida como: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537266 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Dir-se-ia”, que ocorre no terceiro parágrafo, pode ser entendida como um exemplo de variação diacrônica e, segundo a Norma Padrão, tem seu emprego justificado: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537265 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O final do texto apresenta a fala dos personagens por meio de um discurso que: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537264 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O primeiro parágrafo do texto II distingue dois tipos de homens. De acordo com o narrador, Lenine seria um exemplo: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537263 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Chama-se heterogeneidade tipológica o fato de um gênero textual ser constituído por dois ou mais tipos. Nesse sentido, no texto de Ruy Castro, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537262 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Na passagem “limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão” (2º§), registram-se duas ocorrências da preposição “a”. No entanto, ocorre crase em apenas uma delas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que apresenta um comentário correto.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537261 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A conjunção adverbial temporal “quando” está presente no primeiro e no segundo parágrafo do texto. Em relação ao seu emprego, é correto afirmar que exprime, em sua primeira e segunda ocorrência, respectivamente: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537260 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
No último parágrafo do texto, o emprego do adjetivo “filial” deve ser entendido como um recurso coesivo que:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537259 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de aproximar o leitor da discussão que será apresentada, o autor combina duas importantes figuras de linguagem no subtítulo. Assinale a alternativa que apresenta as duas figuras de linguagem presentes no subtítulo.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537258 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de apresentar seu posicionamento acerca da situação atual da propaganda, o enunciador constrói a introdução do texto por meio do seguinte recurso expressivo:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493462 Legislação Estadual
Com base na Lei Estadual 1.943/1954 (Código da Polícia Militar do Paraná) e no que diz respeito à hierarquia, assinale a alternativa incorreta .
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493461 Direito Penal
Com base nas Leis 7.716/89, 9.455/1997, 12.850/2013 e 13.869/2019, assinale a alternativa que apresenta o efeito correto da condenação por crimes previstos na legislação supracitada.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493460 Direitos Humanos
De acordo com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos de 1969, assinale a alternativa que não constitui uma garantia mínima a que toda pessoa acusada de delito tem direito durante o processo judicial.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493459 Direitos Humanos
De acordo com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos de 1969, no que diz respeito ao direito à vida, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493458 Direito Constitucional
A Constituição Federal estabelece diretrizes gerais para a administração pública que deve ser replicada por todos os entes da administração direta e indireta. Diante do exposto, assinale a alternativa que está em consonância com o texto constitucional.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493457 Direitos Humanos
Acerca dos direitos garantidos pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos de 1969, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493456 Legislação Estadual
Assinale a alternativa que apresenta o conceito de “decoro da classe militar” nos estritos termos do Regulamento de Ética Profissional dos Militares Estaduais do Paraná e seu Anexo.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493455 Direito Constitucional
A segurança pública sempre foi um tema premente na sociedade brasileira, o que vem motivando inúmeras alterações no texto constitucional. Tendo em vista o que estabelece a Constituição Federal no tocante à segurança pública, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493454 Direitos Humanos
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, é correto afirmar que não constitui direito de todo ser humano o ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493453 Direitos Humanos
Raquel foi preterida em processo seletivo realizado para contratação de vendedora de famosa loja de joias, pelo simples fato de ser negra e nordestina. De acordo com os conceitos expressos no Estatuto da Igualdade Racial, Raquel foi vítima de ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Alternativas
Respostas
61: C
62: A
63: A
64: C
65: B
66: E
67: A
68: C
69: C
70: D
71: C
72: B
73: D
74: C
75: C
76: A
77: C
78: D
79: C
80: C