Homem de 60 anos é internado com infarto agudo do miocárdio ...
Considerando a principal hipótese para essa evolução adversa do paciente, é correto afirmar:
Gabarito comentado
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Tema central e raciocínio: Homem pós-angioplastia coronária (acesso femoral) evolui com lesão renal aguda e má perfusão periférica (livedo/dedos arroxeados). O quadro é típico de embolização de cristais de colesterol (síndrome do êmbolo de colesterol), pela mobilização de placas ateromatosas da aorta, gerando microêmbolos para rins e pele. Pulsos geralmente preservados, pois a obstrução é arteriolar.
Alternativa correta (C): “eosinofilia transitória costuma fazer parte dessa síndrome”. Correto. Na embolização por colesterol é frequente eosinofilia periférica (além de possível eosinofilúria), associada a hipocomplementemia e aumento de PCR. A creatinina tende a piorar de forma subaguda dias-semanas após o procedimento vascular. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Atheroembolic renal disease).
Análise das alternativas incorretas:
- A – “recuperação em poucos dias”: Errado. Diferente da nefropatia por contraste (que melhora em 7–10 dias), a embolização por colesterol costuma ter curso arrastado, com recuperação parcial e prognóstico pior.
- B – “sedimento urinário ativo com células e cilindros”: Errado. O sedimento é geralmente pobre, com discreta hematúria/proteinúria. Cilindros granulares/celulares sugerem necrose tubular aguda, não típico aqui.
- D – “nível elevado de complemento sérico”: Errado. Ocorre consumo de complemento (C3/C4 baixos) em muitos casos.
- E – “febre, mialgia e envolvimento multissistêmico na maioria”: Parcialmente verdadeiro, mas não na maioria. Febre/mialgias são inespecíficas e ocorrem em minoria; o envolvimento pode ser multissistêmico (pele, rins, retina), mas a apresentação típica é cutâneo-renal.
Como reconhecer na prova: Procedimento arterial recente + insuficiência renal subaguda + livedo/dedos azuis + eosinofilia → pense em êmbolo de colesterol. Pulsos presentes ajudam a diferenciar de trombose arterial.
Diagnóstico e exames úteis: Hemograma (eosinofilia), C3/C4 baixos, urina geralmente “bland”, fundoscopia (placas de Hollenhorst), e biópsia cutânea/renal mostrando fendas em “agulha” de cristais de colesterol (padrão-ouro quando necessária).
Tratamento (conduta de prova): Suporte (evitar nefrotóxicos, controle pressórico), estatinas (estabilizam placa), avaliar suspender anticoagulação se possível (pode piorar), diálise se indicada. Corticoide tem evidência limitada.
Pegadinha clássica: Nefropatia por contraste inicia em 24–72h e melhora em 7–10 dias, sem livedo/eosinofilia. Já no êmbolo de colesterol há livedo, eosinofilia, hipocomplementemia e curso mais prolongado.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate: Atheroembolic renal disease; KDIGO AKI.
Gabarito: C
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