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Q3913256 Medicina
Um adolescente de 16 anos com diagnóstico de Comunicação Interventricular (CIV) ampla, não corrigida na infância, apresenta-se com cianose central progressiva, dispneia aos esforços, baqueteamento digital e policitemia. A ausculta revela hiperfonese de segunda bulha (P2) e o ecocardiograma demonstra reversão do shunt (tornando-se direita-esquerda) através da CIV. Este quadro clínico de hipertensão pulmonar fixa com reversão do shunt é característico de qual complicação?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: CIV ampla não corrigida com hipertensão pulmonar fixa e reversão do shunt para direita-esquerda caracteriza síndrome de Eisenmenger, que é o critério decisivo do caso e define a alternativa A.

Tema central: Síndrome de Eisenmenger
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve a complicação tardia clássica de uma CIV ampla não corrigida: o hiperfluxo pulmonar crônico leva a remodelamento vascular pulmonar, aumento irreversível da resistência vascular pulmonar e inversão do shunt para direita-esquerda. Essa mudança fisiopatológica explica exatamente os achados do caso: cianose por hipoxemia, baqueteamento digital e policitemia por hipóxia crônica, além de P2 hiperfonética como marcador semiológico de hipertensão pulmonar significativa. O ecocardiograma com reversão do shunt é o dado técnico decisivo que confirma esse mecanismo.
B
Errada
Miocardiopatia dilatada secundária exigiria dilatação ventricular e disfunção sistólica como eixo do quadro, o que não foi descrito. O caso é definido por doença vascular pulmonar com hipertensão pulmonar fixa e reversão do shunt através da CIV, mecanismo diferente de falência miocárdica primária.
C
Errada
Crise de hipóxia é manifestação típica da tetralogia de Fallot e costuma ser episódica, relacionada a aumento súbito do shunt direita-esquerda por obstrução da via de saída do ventrículo direito. Aqui, o quadro é crônico, em paciente com CIV ampla, e decorre de hipertensão pulmonar irreversível com reversão tardia do shunt, não de evento paroxístico de cardiopatia conotruncal.
D
Errada
Endocardite infecciosa subaguda não explica hipertensão pulmonar fixa nem a reversão do shunt. Também faltam elementos infecciosos que sustentariam esse diagnóstico, como febre, modificação de sopro, vegetações ou fenômenos embólicos/imunológicos. Os achados apresentados são hemodinâmicos e compatíveis com hipóxia crônica secundária à evolução da CIV.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o defeito de base e sua complicação tardia: não basta reconhecer a CIV; o dado que fecha a questão é a hipertensão pulmonar fixa com reversão do shunt, que define Eisenmenger.
Dica para questões semelhantes
  • Em cardiopatia congênita com shunt esquerda-direita, cianose que surge tardiamente sugere reversão do shunt por doença vascular pulmonar.
  • Valorize a tríade de hipóxia crônica: cianose, baqueteamento digital e policitemia.
  • P2 hiperfonética aponta para hipertensão pulmonar; se vier junto de shunt revertido no ecocardiograma, pense em Eisenmenger.

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