Mulher diabética de 48 anos com IMC de 48 kg/m² apresenta hi...

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Q2263109 Medicina
Mulher diabética de 48 anos com IMC de 48 kg/m² apresenta história de menstruações irregulares e períodos de sangramento intermenstrual. Ela é nulípara.

Nessa situação, a investigação diagnóstica de maior utilidade é:
Alternativas

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Tema central: O caso clínico aborda sangramento uterino anormal em mulher com fatores de risco para câncer endometrial. Isso exige do candidato reconhecer indicações para investigação endometrial.

Justificativa da alternativa correta (C): O conjunto de sintomas (sangramento irregular e intermenstrual), somado à obesidade severa (IMC 48), diabetes e nuliparidade, coloca esta paciente em grupo de risco elevado para hiperplasia ou câncer de endométrio.
Segundo o Manual MSD – Amostragem Endometrial: “Em geral, recomenda-se amostragem endometrial para descartar hiperplasia ou câncer em mulheres pré-menopáusicas com idade ≥ 45 anos ou com fatores de risco”.
A histeroscopia com biópsia endometrial é o método de maior acurácia para diagnóstico, pois permite visualização direta e coleta da amostra para análise histopatológica, sendo a melhor conduta diante desse cenário.

Análise das alternativas incorretas:

A) Dosagem hormonal: FSH, LH, estradiol e testosterona não são úteis para excluir doenças estruturais do endométrio. Exames hormonais avaliam causas disfuncionais, mas não substituem investigação estrutural em casos de risco.

B) Ultrassonografia transvaginal: Útil como exame inicial, pode sugerir alterações endometriais, porém não descarta nem confirma hiperplasia/neoplasia. Em casos de risco elevado, é necessário exame histológico.

D) HbA1C e hormônios tireoidianos: Avaliam controle metabólico, mas não esclarecem a etiologia do sangramento uterino anormal nesta paciente.

E) Citologia cervical: Indicada para rastreio de câncer de colo do útero, não para investigação de alterações endometriais.

Estratégias de prova:
Atenção ao perfil: idade, fatores de risco (obesidade, diabetes, nuliparidade) e padrão do sangramento. Questões podem induzir ao erro com exames mais comuns, porém aqui é cobrado o raciocínio epidemiológico e de risco oncológico.

Diretrizes e referências:
Manual MSD, Protocolo de Manejo de Sangramento Uterino Anormal (Ministério da Saúde). UpToDate e Williams Ginecologia também reforçam a indicação de biópsia endometrial quando há risco aumentado para malignidade.

Resumo: Em mulheres ≥45 anos ou com fatores de risco e sangramento anormal, a abordagem prioritária é investigar o endométrio com histeroscopia e biópsia. Segurança do paciente e detecção precoce de lesão maligna são fundamentais na prática do médico de família.

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Comentários

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Esta paciente apresenta risco significativo para carcinoma endometrial dada a sua idade, obesidade, diabetes e sangramento uterino anormal. O carcinoma endometrial é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos e é fortemente associado a estrogênio não contrabalançado, como na obesidade, no uso de estrogênio sem oposição, na terapia com tamoxifeno e na síndrome do ovário policístico. O sintoma mais comum do carcinoma endometrial é o sangramento uterino anormal, especialmente em mulheres na pré-menopausa ou na pós-menopausa. Também se deve suspeitar de carcinoma endometrial em mulheres mais jovens com fatores de risco (como a paciente no caso) que apresentam sangramento uterino anormal. A histeroscopia e a biópsia endometrial (opção C) são procedimentos que permitem a visualização do endométrio e a retirada de amostras de tecido para análise histológica, respectivamente. Assim, a alternativa C é a melhor resposta.

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