Paciente, 5 anos é levada pela mãe ao consultório pediátrico...

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Q3036795 Medicina
Paciente, 5 anos é levada pela mãe ao consultório pediátrico, devido ao quadro de dor abdominal periumbilical arrastada, há cerca de 6 meses, ocorrendo 2 vezes na semana, aproximadamente. Trata-se de criança previamente hígida, que apresenta dor intensa associada à palidez cutânea com melhora espontânea, sem fatores desencadeantes ou de melhora. Ultrassom de abdome sem alterações, avaliação metabólica e eletrólitos normais.
Considerando a descrição do caso clínico qual o diagnóstico mais provável da paciente, de acordo com os critérios de Roma III é
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Dor abdominal recorrente na infância segundo os critérios de Roma III para transtornos gastrointestinais funcionais.

Alternativa correta: D — Dor abdominal funcional

Justificativa clínica: Criança de 5 anos com dor periumbilical intensa, recorrente há 6 meses (≈2x/semana), sem sinais de alarme, exames normais (USG e metabólico/eletrólitos), melhora espontânea e sem fatores desencadeantes. Pelos Roma III, “dor abdominal funcional” exige: dor episódica ou contínua pelo menos 1x/semana por ≥2 meses, sem critérios para outras entidades (dispepsia funcional, SII, enxaqueca abdominal) e sem doença orgânica explicativa. O quadro se encaixa perfeitamente.

Pegadinha da prova: A presença de palidez poderia sugerir enxaqueca abdominal, mas faltam outros critérios típicos (náuseas/vômitos, anorexia, fotofobia, cefaleia) e a frequência de 2x/semana é mais compatível com dor funcional do que com crises paroxísticas esporádicas da enxaqueca abdominal.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A) Gastrite: Dor costuma ser epigástrica, relacionada a refeições, com dispepsia. Diagnóstico em pediatria exige endoscopia com histologia. H. pylori não é causa comum de dor recorrente isolada. Exames normais e padrão periumbilical crônico tornam improvável. (ESPGHAN/NASPGHAN; SBP)
  • B) Diarreia funcional: Espera-se evacuações frequentes e pastosas (toddler’s diarrhea), pouca dor, crescimento normal. O caso não refere diarreia. Não se aplica. (Roma III)
  • C) Linfadenite mesentérica: Quadro típico é agudo, dor em FID, febre pós-virose; USG costuma mostrar linfonodos aumentados. Aqui o USG é normal e o curso é crônico e recorrente. Incompatível.

Como raciocinar na prova: Em dor abdominal crônica pediátrica, procure sinais de alarme (perda ponderal, sangramento GI, febre persistente, vômitos biliosos, dor noturna, atraso de crescimento, alteração no exame físico). Ausentes e com exames básicos normais → favorece causa funcional. Classifique pelo Roma III.

Conduta resumida (orientações atuais): Educação da família, manter rotina escolar, estratégias de enfrentamento, possível TCC/biofeedback, atividade física. Analgésicos simples sob orientação. Avaliar constipação associada. Evitar exames repetidos desnecessários. (NASPGHAN/ESPGHAN; UpToDate; SBP)

Fontes: NASPGHAN/ESPGHAN Rome III criteria for functional GI disorders in children; UpToDate – Chronic abdominal pain in children; Diretrizes SBP sobre dor abdominal recorrente.

Gabarito: D) Dor abdominal funcional.

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