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Q3222039 Medicina
Um menino de nove anos é trazido à emergência, por seus pais, devido a uma crise de asma grave. Ele está em uso de salbutamol várias vezes ao dia nas últimas semanas, mas, esta manhã, apresentou dificuldade significativa para respirar, tosse persistente e sibilos audíveis. À admissão, a criança está ansiosa, com dificuldade para falar, tem 30 incursões respiratórias por minuto e 120 batimentos cardíacos por minuto. Apresenta esforço respiratório moderado e a ausculta revela sibilos difusos.
Com base no caso clínico apresentado, das opções a seguir, assinale a que representa a abordagem inicial mais apropriada no manejo inicial dessa criança.
Alternativas

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Tema central: crise aguda de asma em criança (9 anos), com sinais de exacerbação moderada a grave: taquipneia, taquicardia, fala entrecortada, sibilos difusos e uso frequente de SABA nas semanas prévias.

Raciocínio clínico: na crise, há broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção, aumentando a resistência das vias aéreas. A intervenção que rapidamente reverte o broncoespasmo é o beta-agonista de curta ação (SABA) inalatório em dose alta e repetida, sem atrasos.

Alternativa correta – B: Iniciar broncodilatador de ação rápida em alta dose inalatória. Exemplos: salbutamol 4–8 jatos (100 mcg/jato) com espaçador a cada 20 min por 1 hora ou 2,5–5 mg por nebulização repetida, com O₂ para manter Saturação ≥94–95%. Em exacerbações moderadas a graves, associar ipratrópio e iniciar precocemente corticosteroide sistêmico (p. ex., prednisolona 1–2 mg/kg). Reavaliar resposta clínica seriada. Essa conduta está alinhada ao GINA 2024, SBP e UpToDate.

Por que as demais estão incorretas?

A) Corticoide oral é importante, mas não substitui o broncodilatador imediato. Nebulizar apenas solução salina não promove broncodilatação e pode atrasar o tratamento efetivo. Diretrizes recomendam SABA imediato como primeira medida.

C) Antibióticos não são indicados de rotina na crise de asma, pois a maioria é de origem viral/inflamatória. Só considerar se houver evidência de pneumonia (febre, foco auscultatório, consolidação) ou outra infecção bacteriana. GINA/SBP desaconselham uso empírico.

D) Espirometria ou avaliação formal de função pulmonar não deve atrasar a terapia em crise. Na emergência, a decisão é clínica e a prioridade é desobstruir vias aéreas; exames funcionais são para acompanhamento após estabilização.

Como interpretar a prova: identifique sinais de gravidade (dificuldade para falar, FR elevada, sibilância difusa) e lembre a sequência: SABA imediatoO₂ conforme saturação → considerar ipatrópiocorticosteroide sistêmico precoce → reavaliação. Evite as pegadinhas: antibiótico empírico, espirometria antes do tratamento e nebulização com soro isolado.

Referências essenciais: GINA 2024 (Global Initiative for Asthma); Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria – Asma na infância; UpToDate – Acute asthma exacerbations in children.

Gabarito: B

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