Questões Militares
Sobre sintaxe em português
Foram encontradas 3.315 questões
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
I. O pronome SE poderia estar em posição enclítica.
II. COM FORÇA estabelece relação de modo.
III. ARRASTANDO indica uma ação contínua, que está, esteve ou estará em andamento.
Está correto o que se afirma apenas em:
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
Assinale a opção em que, pluralizando e obedecendo às convenções no âmbito da concordância e da regência, o fragmento se apresenta de acordo com a norma padrão.
Os ratos
Há ali perto um ruído, dum móvel dali do quarto. Venha! Incorpora no chiado amorfo, unido... Tem medo de decompor esse conjunto, de seguir uma linha qualquer naquela massa...
Agora é um guinchinho... Várias notinhas geminadas... Parou... O seu chiado voltou a ter aquela uniformidade, aquela continuidade... E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer? Ele se põe a escutar agudamente. Um esforço para afastar aquele conjunto amorfo de ruidozinhos, aquele chiado... Lá está, num canto, no chão, o guinchinho, feito de várias notinhas geminadas, fininhas...
São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
A casa está cheia de ratos...
[...]
Está com sono. Mas é preciso reagir. É preciso examinar bem ...
E ele passa outra vez a sua ideia numa
crítica. Vê tudo quanto há de sensato e de absurdo nela...
Acordar Adelaide?
Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto... Ouve-se dizer, com voz cavernosa, estranha, saindo do silêncio: " - Adelaide... Adelaide...” Ela não acorda no primeiro momento. “- Adelaide...” Não se anima. Talvez que o filho se mexa, que ela se acorde. Aí então, com voz baixa, natural, apenas informativa:"- Adelaide... Você não tem medo que os ratos possam... (“ - Sim...?”) estar mexendo no dinheiro?...” -Não mexem, não.”- E ela se volta outra vez na cama para dormir...
Naziazeno se tranquiliza...
Ouve a respiração do filho. Ele dorme um sono pesado, igual.
Naziazeno examina os “fundamentos” daquela sua tranqüilidade. Seria essa - está por jurar - a opinião de Adelaide... “Não mexem...” Pode se tranquilizar, pois. Nunca ouviu falar que houvessem roído um dinheiro assim. "- Você acha possível, Adelaide, que os ratos roam dinheiro?...” “- É: eles roem papel. Dinheiro é um papel engraxado...”
Faz-se um grande tumulto dentro da sua cabeça!
[...]
Está exausto... Tem uma vontade de se entregar, naquela luta que vem sustentando, sustentando... Quereria dormir... Aliás, esse frio amargo e triste que lhe vem das vísceras, que lhe sobe de dentro de si, produz-lhe sempre uma sensação de sono, uma necessidade de anulação, de aniquilamento...Quereria dormir...
Não sabe que horas são. De fora, do pátio, chega-lhe um como que pipilar, muito fraco e espaçado.
Quereria dormir...
Mas que é isso?!... Um baque?...
Um baque brusco do portão. Uma volta sem cuidado da chave. A porta que se abre com força, arrastando. Mas um breve silêncio, como que uma suspensão... Depois, ele ouve que lhe despejam (o leiteiro tinha, tinha ameaçado cortar-lhe o leite...) que lhe despejam festivamente o leite. (O jorro é forte, cantante, vem de muito alto...) - Fecham furtivamente a porta... Escapam passos leves pelo pátio... Nem se ouve o portão bater...
E ele dorme.
MACHADO, Dyonélio. Os ratos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1980. p. 149-57.
Vocabulário: via-crúcis - caminho da cruz.
I. “Vai escutar com atenção, a respiração meio parada." = A respiração meio parada é escutada.
II. “Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto..." = Sua voz, volumosa, retumbando ali, é ouvida.
III. “Naziazeno examina os 'fundamentos' daquela sua tranquilidade " = Examina-se os “fundamentos" daquela sua tranquilidade.
Está correto apenas o que se transpõe em:
Leia a tira para responder à questão

No levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (organização privada que congrega especialistas na área), não se observa ________________ com relação ao ano anterior. Em 2013, ______________ sido 15804 mortos por violência intencional nas capitais, acréscimo de mero 0,8%. Tal evolução acompanha de perto o crescimento populacional, o que manteve _______________ a taxa de 33 por grupo de 100 mil habitantes. Quando se consideram as cifras de cada capital, por outro lado, ______________ algumas evidências chocantes.
No levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (organização privada que congrega especialistas na área), não se observa ________________ com relação ao ano anterior. Em 2013, ______________ sido 15804 mortos por violência intencional nas capitais, acréscimo de mero 0,8%. Tal evolução acompanha de perto o crescimento populacional, o que manteve _______________ a taxa de 33 por grupo de 100 mil habitantes. Quando se consideram as cifras de cada capital, por outro lado, ______________ algumas evidências chocantes.
Leia o quadrinho para responder à próxima questão.

II. O vocábulo A, antes da forma verbal VIU, é objeto direto da oração a que pertence.
III. COMO é uma conjunção subordinativa.
Está correto apenas o que se afirma em:

A expressão “... com a sinfonia dos pardais." estabelece na oração relação cujo sentido é de

Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa,a lacuna na fala da personagem deve ser preenchida com:
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente
[certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos
[seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos
[brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada
[de nada.
(Fernando Pessoa, Obra Poética)
Número de armas
Em boa hora uma pesquisa realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pelo instituto Sou da Paz vem solapar ao menos dois argumentos tão incorretos quanto frequentes nas discussões relativas à área da segurança pública.
Primeiro, a maior parte das armas com as quais se praticam crimes em território paulista não tem sua origem no exterior, mas na própria indústria brasileira.
De acordo com o levantamento, consideradas 10 666 armas de fogo apreendidas em 2011 e 2012, nada menos que 78% delas tinham fabricação nacional – proporção que sobe para 82% quando se levam em conta somente artefatos confiscados vinculados a roubos e 87% no caso de homicídios.
O segundo argumento atingido pelo relatório costuma ser usado por quem apregoa a facilitação do comércio de armas sustentando que as restrições afetam só o “cidadão de bem”,deixando-o indefeso diante de bandidos armados.
Ocorre que, se os artefatos utilizados nos crimes são nacionais, isso significa que um dia eles foram vendidos legalmente no país.
Ou seja, se há muitos criminosos armados, isso se deve,em larga medida, ao comércio legal de armas, que abastece o mercado ilegal; obstruir esse duto resulta num benefício à população, e não o contrário.
Daí a importância de campanhas como a “DNA das Armas”, promovida pelo Ministério Público e pelo Sou da Paz a fim de implantar, no Brasil, um sistema de marcação indelével dos artefatos de fogo.
(Folha de S.Paulo, 05.06.2015. Adaptado)