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I.
Chegou no verão, em janeiro, quando soube que Geraldo cancelara o contrato de locação da casa, nos Barris. Primeiro, e logo que se deu a Geraldo como uma escrava, foi o Jardim da Piedade com a casa tão perto da igreja que acordava com o sino batendo forte todas as manhãs. O Campo Grande, a seguir, lugar de grandes árvores e muitos pássaros. Depois, o prédio magro de três andares na ruazinha da ladeira, no Rio Vermelho, onde permaneceria os últimos quinze anos ao lado do mar e de Geraldo. E dali, após vender os móveis para apurar um pouco mais de dinheiro, dali saiu enxotada para o Bângala.
FILHO, Adonias. O Largo da Palma. Novelas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. p. 29.
II.
No momento de ajoelhar aos pés do celebrante, e de pronunciar o voto perpétuo que a ligava ao destino do homem por ela escolhido, Aurélia, com o decoro que revestia seus menores gestos e movimentos, curvara a fronte, envolvendo-se pudicamente nas sombras diáfanas dos cândidos véus de noiva.
Malgrado seu, porém, o contentamento que lhe enchia o coração e estava a borbotar nos olhos cintilantes e nos lábios aljofrados de sorrisos, erigia-lhe aquela fronte gentil, cingida nesse instante por uma auréola de júbilo.
No altivo realce da cabeça e no enlevo das feições cuja formosura se toucava de lumes esplêndidos, estava-se debuxando a soberba expressão do triunfo, que exalta a mulher quando consegue a realidade de um desejo férvido e longamente ansiado.
ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. 2. ed. São Paulo: FTD, 1993. p. 73.
O texto II faz parte do romance Senhora, de José de Alencar, obra representativa do Romantismo no Brasil.
Comparando-o com o texto I, inserido na narrativa O Largo da Palma, sobre as figuras femininas em foco está correto o que se afirma na alternativa
[...] Vinham vindo, com o trazer de comitiva.
Aí, paravam. A filha–a moça–tinha pegado a cantar, levantando os braços, a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras–o nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espantados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas– virundangas: matéria de maluco. A velha só estava de preto, com um fichu preto, ela batia com a cabeça, nos docementes. Sem tanto que diferentes, elas se assemelhavam.
Soroco estava dando o braço a elas, uma de cada lado.Em mentira, parecia entrada em igreja, num casório. Era uma tristeza. Parecia enterro. Todos ficavam de parte, a chusma de gente não querendo afirmar as vistas, por causa daqueles trasmodos e despropósitos, de fazer risos, e por conta de Soroco–para não parecer pouco caso. Ele hoje estava calçado de botinas, e de paletó, com chapéu grande, botara sua roupa melhor, os maltrapos. E estava reportado e atalhado, humildoso. Todos diziam a ele seus respeitos, de dó. Ele espondia: – “Deus vos pague essa despesa...”
O que os outros diziam: que Soroco tinha tido muita paciência. Sendo que não ia sentir falta dessas transtornadas pobrezinhas, era até um alívio. [...]
Tomara aquilo acabasse. O trem chegando, a máquina manobrando sozinha para vir pegar o carro. O trem apitou, e passou, se foi, o de sempre. [...]
Ele se sacudiu, de um jeito arrebentado, desacontecido, e virou, pra ir-s’ embora. Estava voltando para casa, como se estivesse indo para longe, fora de conta.
Mas parou. Em tanto que se esquisitou, parecia que ia perder o de si, parar de ser. Assim num excesso de espírito, fora de sentido. E foi o que não se podia prevenir: quem ia fazer siso naquilo?. Num rompido — ele começou a cantar, alterando, forte, mas sozinho para si-e era a cantiga, mesma de desatino, que as duas tanto tinham cantado. Cantava continuando.
ROSA, João Guimarães. Soroco sua mãe, sua filha. Primeiras estórias. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olyimpio, s.d. p. 16-18. Guimarães Rosa, escritor inserido na chamada Geração de 45 — Modernismo Brasileiro —, apresenta uma obra de cunho universalista.
O texto comprova isso porque
Eu me vi vivendo o melhor que nossa realidade. Estela me sorria, corria de mim, eu não tinha pressa de apanhá-la, era talvez picula. O nosso quintal se alargava, o caminho de plantas, paus e pedras ia-se margeando em nuvens sem um fim que se avistasse. Eu tinha o saber de tudo, mas não me importava, o sorriso de Estela me preenchia e me fazia leve, que então voávamos. Eu queria alcançar minha irmã, mas não podia lhe pedir que parasse. Estela tinha um voo firme e certo, e eu, me parece que só voava no seu vácuo. Mas eu queria, buscava-a para um abraço que faltava em mim, um toque que me transmitisse os seus modos de sorrir.
FONSECA, Aleilton. O sorriso da estrela. O desterro dos mortos: Contos. 3. ed. Itabuna: Via Litterarum, 2012. p. 13.
Considerando-se o fragmento no todo do conto O sorriso da estrela, está em desacordo com a narrativa o que se afirma em
[...] Nesse dia voltaram juntos pela mesma estrada, conversando. Isso é, o irmão conversava. Ele ia calado. Tinha três palavras na garganta, nada mais: orgulho, ganância, ingratidão. Três desgraças juntas numa mesma pessoa, ali ao seu lado. — Vamos, diga. Quanto você quer pela propriedade? — o velho não ouvia a voz do outro, pensava em coisas distintas, talvez numa ordem a que o universo estivesse sujeito e que ninguém podia quebrá-la. Deus fez a terra, a água e o sal, o sol e a lua, os bichos e os homens — e os homens eram todos irmãos e os irmãos de sangue eram ainda mais irmãos, porque vieram do sofrimento de uma mesma mulher.
TORRES, Antônio. Essa Terra. 21 ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 88.
Marque com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas. O trecho, inserido no todo da obra, permite afirmar:
( ) A narrativa, ao enfocar relações familiares, supera limites geográficos e trata da natureza humana.
( ) O personagem “o velho”, no relacionamento com o irmão, é dominado pelo sentimento fraterno e pela gratidão.
( ) O irmão representa a atitude solidária habitualmente presente nas relações dentro da família.
( ) O Mestre é portador de uma visão conservadora acerca das mulheres, o que provoca uma relação de conflito com a esposa.
( ) O pensamento do velho, direcionado para o texto de caráter bíblico, acentua o contraste entre a doutrina religiosa e a prática das relações humanas.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para
baixo, é a
A família do morto — sua respeitável filha e seu formalizado genro, funcionário público de promissora carreira; tia Marocas e seu irmão mais moço, comerciante com modesto crédito num banco — afirma não passar toda a história de grossa intrujice de bêbedos inveterados, patifes à margem da lei e da sociedade, velhacos cuja paisagem devera ser as grades da cadeia e não a liberdade das ruas, o porto da Bahia, as praias de areia branca, a noite imensa.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 16.
Inserindo-se o fragmento no todo da obra, sobre o relacionamento de Vanda e Leonardo, é correto afirmar:
Perpetuum mobile
estive na antemanhã inacontecida
de jovens mãos deslumbradas
carregando sol
e passei
atravessei a plenoite decifrada
monótonas luas transcorridas
nos meus olhos
e segui
cheguei ao amor culminante
mundo que cessa
no intérmino minuto
e parti
alcancei a absoluz
onde o tempo intranspõe
e a alma DEUS solve
e vou
PARENTE, Helena Cunha . Perpetuum mobile. Além de estar: antologia poética. Rio de Janeiro: Imago, 2000. p. 32.
Assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.
No texto, o sujeito poético
( ) experimenta sensações antitéticas no fluir da existência.
( ) anseia por fincar raízes, a fim de restaurar o seu equilíbrio.
( ) representa o ser humano em sua eterna mutabilidade.
( ) transpõe os limites da realidade imediata.
( ) busca desvendar o mistério da morte.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para
baixo, é a
“É a emergência do pobre-star. Que viceja pelos grotões, nos quatro cantos do país, como sintoma de que as coisas (há tempos...) já não estão mais tão ‘sob controle’, como se supõe que um dia estiveram, do ponto de vista da agenda estética da elite cultural”. (l. 34-38)
Quanto ao fragmento em evidência, está correto o que se afirma em
Na linguagem cotidiana, não é raro o uso de expressões consideradas clichês. Já no texto formal, tal recurso é de uso restrito.
No texto em foco, de linguagem predominantemente formal, a utilização do clichê encontra-se em
“É a nossa base cultural, a permear a literatura, a música, o cinema e o teatro, que contém os elementos para desenvolver essas capacidades.” (l. 32-34)
Os vocábulos em negrito formam uma expressão que denota
Marque com V ou com F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas.
Está de acordo com o pensamento de Gary Gutting o que se afirma em
( ) O ensino superior deve objetivar tão somente a absorção de ideias complexas para garantir um bom desempenho dos estudantes nos exames.
( ) O ensino distante da base cultural dos indivíduos dificulta o desenvolvimento de certas capacidades necessárias ao exercício profissional.
( ) A exigência de profissionais criativos vincula-se às necessidades específicas da área de gestão de empresas.
( ) A formação de profissionais competentes nas universidades prescinde da transmissão de conhecimentos sofisticados.
( ) A leitura crítica do mundo é uma aquisição decorrente do contato frequente do indivíduo com a realidade estética.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

De acordo com o modelo de estrutura interflexível de Titã proposto por pesquisadores de algumas Universidades, com base nos dados da tabela e considerando-se que a pressão da atmosfera da maior lua de Saturno é igual a 1,0atm, é correto afirmar:
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a evolução da vida, é correto afirmar:



