Perpetuum mobile estive na antemanhã inacontecida de joven...

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Ano: 2013 Banca: UNEB Órgão: UNEB Prova: UNEB - 2013 - UNEB - Vestibular - Português/Inglês/Ciências |
Q1393963 Português

Perpetuum mobile


estive na antemanhã inacontecida

de jovens mãos deslumbradas

carregando sol

e passei


atravessei a plenoite decifrada

monótonas luas transcorridas

nos meus olhos

e segui


cheguei ao amor culminante

mundo que cessa

no intérmino minuto

e parti


alcancei a absoluz

onde o tempo intranspõe

e a alma DEUS solve

e vou


PARENTE, Helena Cunha . Perpetuum mobile. Além de estar: antologia poética. Rio de Janeiro: Imago, 2000. p. 32.


Assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.

No texto, o sujeito poético


( ) experimenta sensações antitéticas no fluir da existência.

( ) anseia por fincar raízes, a fim de restaurar o seu equilíbrio.

( ) representa o ser humano em sua eterna mutabilidade.

( ) transpõe os limites da realidade imediata.

( ) busca desvendar o mistério da morte.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a


Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a progressão verbal e imagética que constrói o eu lírico em trânsito contínuo, sem fixação: "estive (...) e passei / atravessei (...) e segui / cheguei (...) e parti / alcancei (...) e vou". Essa cadeia sustenta a leitura de mutabilidade e transcendência, além de afastar qualquer ideia de enraizamento e de tematização direta da morte, o que torna correta a sequência V F V V F.

Tema central: mutabilidade existencial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque toma como verdadeiras a 2ª e a 5ª afirmações. A 2ª não se sustenta: a cadeia verbal do poema marca deslocamento permanente, não enraizamento. A 5ª também não se sustenta: expressões como "mundo que cessa" e "a alma DEUS solve" permitem leitura existencial e metafísica, mas não autorizam afirmar que o poema busca desvendar explicitamente o mistério da morte.
B
Errada
Está errada porque valida indevidamente a 2ª afirmação e invalida indevidamente a 3ª e a 4ª. Não há no texto desejo de fincar raízes ou restaurar equilíbrio; isso contraria "e passei / e segui / e parti / e vou". Já a 3ª é verdadeira porque o sujeito poético é construído como ser em eterna mutabilidade, e a 4ª também é verdadeira porque as imagens de "absoluz", do tempo que não transpõe e da alma dissolvida por DEUS indicam ultrapassagem da realidade imediata.
C
Errada
Está errada porque nega a 1ª e a 3ª afirmações, ambas sustentadas pelo texto. A 1ª é verdadeira pelos contrastes imagéticos e existenciais entre "antemanhã" e "plenoite", além da associação entre "amor culminante" e "mundo que cessa". A 3ª é verdadeira porque a sequência verbal de passagem e continuidade constrói o eu lírico como figura de mutabilidade permanente. Apenas a 5ª é falsa.
D
Errada
Está errada porque marca como falsa a 1ª afirmação e como verdadeira a 5ª. A 1ª se sustenta nos contrastes internos do poema, que autorizam a leitura de sensações antitéticas no fluir da existência. A 5ª extrapola o texto: há transcendência e reflexão existencial, mas não há formulação direta da morte como enigma central a ser decifrado.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reúne exatamente as leituras sustentadas pelo poema. A 1ª afirmação é verdadeira pelos contrastes de experiência em "estive na antemanhã inacontecida" e "atravessei a plenoite decifrada", além de "cheguei ao amor culminante / mundo que cessa", que mostram polos existenciais no fluir da trajetória. A 2ª é falsa porque o texto não apresenta busca de raízes, permanência ou restauração de equilíbrio; ao contrário, insiste em "e passei", "e segui", "e parti", "e vou". A 3ª é verdadeira porque essa mobilidade contínua representa o ser humano em mutação permanente. A 4ª é verdadeira porque "alcancei a absoluz / onde o tempo intranspõe / e a alma DEUS solve" projeta o sujeito para além da realidade imediata. A 5ª é falsa porque, embora haja transcendência e cessação, o poema não tematiza de modo explícito a morte como mistério a ser desvendado.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: transformar o movimento contínuo do poema em desejo de estabilidade e converter imagens de cessação e transcendência em prova de que a morte é o tema explícito do texto.
Dica para questões semelhantes
  • Observe a cadeia de verbos do texto: quando ela indica passagem contínua, isso pesa mais do que inferências de repouso ou estabilidade.
  • Separe transcendência de tematização da morte: imagem metafísica não basta, sozinha, para afirmar que o texto quer desvendar esse mistério.
  • Em itens interpretativos, contraste o que o texto efetivamente textualiza com o que seria apenas uma leitura possível, mas não comprovada.

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