De acordo com o texto, a explicação correta para o desaparec...

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Q4152392 Português

Leia o texto de Dan Ariely, traduzido por Ivo Korytowski, para responder à questão.


O chamado da arte


    Em abril de 2011, o programa de rádio This American Life apresentou uma matéria sobre Dan Weiss, um jovem universitário que trabalhava no Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas, em Washington. Sua função era cuidar do estoque das lojas de suvenires do centro, onde uma equipe de 300 voluntários bem-intencionados — em sua maioria, aposentados que adoravam teatro e música — vendia as mercadorias aos visitantes.

    As lojas de suvenires eram administradas como barracas de limonada. Não havia caixas registradoras, apenas caixas de papel onde os voluntários depositavam o dinheiro e de onde pegavam o troco. As lojinhas eram um ótimo negócio, com mais de 400 mil dólares em vendas de mercadorias anualmente. Mas tinham um grande problema: daquela quantia, uns 150 mil dólares desapareciam a cada ano.

    Quando foi promovido a gerente, Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão. Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco. Contratou um detetive para montar uma operação e, numa noite de fevereiro, armaram a cilada. Dan colocou notas marcadas na caixa de papel e partiu. Depois, ele e o detetive se esconderam atrás de umas árvores ali por perto, aguardando pelo suspeito. Quando acabou o expediente e o membro suspeito da equipe foi embora, eles o abordaram e acharam algumas das notas marcadas no seu bolso. Caso encerrado, certo?

    Não exatamente, como se constatou depois. O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo. O próximo passo de Dan foi criar um sistema de estoque com listas de preços e registros de vendas. Ele orientou os aposentados a anotarem o que era vendido e o que recebiam, e os furtos cessaram. O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.

    A moral dessa história não é nada edificante. Nas palavras de Dan: “Nós vamos nos apropriar de coisas que não nos pertencem se tivermos uma chance. (...) Muitas pessoas precisam de alguma forma de controle para fazerem a coisa certa.”


(A (honesta) verdade sobre a desonestidade, 2021. Adaptado.)

De acordo com o texto, a explicação correta para o desaparecimento de grande quantia de dinheiro das lojas era:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A resolução depende de acompanhar a progressão textual até a correção explícita da hipótese inicial. No trecho conclusivo, o adversativo “mas” opõe a suspeita de um único ladrão à explicação verdadeira: “O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.” Esse critério textual fixa a causa do desaparecimento e conduz ao gabarito D.

Tema central: causa do desaparecimento
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque troca furto por erro de cálculo. O texto não diz que os vendedores tinham dificuldade de fazer contas; ao contrário, identifica apropriação indevida de dinheiro e mercadorias como causa do desaparecimento.
B
Errada
Está errada por ausência de base textual. Em nenhum momento o texto atribui o problema a erro de soma do administrador; a causa apontada é desvio de valores e produtos.
C
Errada
Está errada porque toma como definitiva uma hipótese que o próprio texto desmente depois. O trecho “O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo.” elimina a ideia de que ele fosse o responsável exclusivo pelo prejuízo.
D
Certa
A alternativa D traduz a explicação final dada pelo texto. Depois de levantar a suspeita sobre um empregado específico, a narrativa corrige essa hipótese e afirma que o problema era coletivo, não individual. A expressão “a multidão de voluntários” indica pluralidade de agentes, e a informação de que eles “se apropriavam dos produtos e do dinheiro” sustenta a ideia de furtos disseminados, em pequenas subtrações ao longo do tempo. Além disso, quando passaram a registrar vendas e recebimentos, “os furtos cessaram”, o que reforça que o desvio era pulverizado no cotidiano das lojas.
E
Errada
Está errada porque contradiz o papel de Dan na narrativa. Ele não aparece como autor dos furtos, mas como quem investiga o caso, implanta controle e descobre a causa real dos desaparecimentos.
Pegadinha da questão
A banca induz o leitor a parar na suspeita inicial contra um único empregado. A dificuldade real era perceber que o texto corrige essa hipótese depois e substitui a causa individual por uma causa coletiva.
Dica para questões semelhantes
  • Em texto narrativo-explicativo, não feche a interpretação na primeira hipótese apresentada; verifique se o próprio texto a confirma ou a corrige depois.
  • Dê peso especial a conectores de oposição, como “mas”, quando eles introduzem a explicação final ou verdadeira.
  • Quando a pergunta pede a causa de um fato, localize o trecho conclusivo do texto, não apenas os indícios intermediários.

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