Questões de Vestibular
Sobre interpretação de textos em português
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Linguisticamente
A linguística, nascida no século 19 e amadurecida no 20, revolucionou o mapa do nosso entendimento sobre as línguas. Até então, a cartografia do verbo tinha duas estradas principais, a normativista e a enciclopédica.
O normativismo é, como diria o Chico, “bedel e também juiz”. Dita regras de bom uso do idioma, pautadas num distante ideal fixado por escritores clássicos, e fica bravo se discordamos. É o que costuma cair em provas, muitas vezes na forma de ridículas pegadinhas. O maior símbolo dessa visão que divide o mundo em certo e errado é aquele tijolo temido pelos estudantes do meu tempo, a gramática normativa. Até hoje o normativismo pauta o senso comum. “Português é tão difícil! A língua está decadente! Será que pode se escrever assim?”
O enciclopedismo é menos carrancudo. Como um colecionador de borboletas, espeta expressões — com destaque para as pitorescas — em compridos murais de cortiça que formam corredores a perder de vista. Tem como símbolo um tijolo maior ainda, o dicionário, que hoje já quase ninguém tira da estante, porque funciona melhor on-line.
A linguística abriu uma terceira via nesse mapa, rumo a amplas regiões inexploradas — a do olhar científico aplicado à língua. Um linguista não está interessado em como a língua deveria ser nem na catalogação de palavras em sua quase infinita variedade. O que se deseja saber é como essa poderosa máquina de fazer sentido, moeda simbólica de toda sociedade humana, estrutura-se e se manifesta. Trata-se de uma ideia simples, indiscutível até. A língua existe na vida real, material, fora do âmbito de nossos desejos, e está condicionada apenas à história.
Sérgio Rodrigues, Folha de São Paulo, 03 fev. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2021/02/linguisticamente.shtml.
Acesso em: 20 ago. 2022 (fragmento).
Sobre a interpretação autorizada do texto de Sérgio Rodrigues, é correto afirmar que a linguística
O equilíbrio de poder, segundo ELIAS (2005), constitui um elemento integral de todas as relações humanas, as quais são, comumente, multipolares.
Assinale alternativa em que o trecho destacado é parafraseado adequadamente.
CHAPUT, Jean-Philippe et al. 2020 WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour for children and adolescents aged 5–17 years: summary of the evidence. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, v. 17, p. 1-9, 2020.
A importância de um estilo de vida ativo para a saúde durante todo o ciclo de desenvolvimento humano é bem evidenciado na literatura científica. No entanto, as práticas corporais para saúde devem focalizar o exercício com esses objetivos. Considerando todos os componentes da aptidão física relacionados à saúde, assinale a alternativa correta para indicação de exercícios físicos.
Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9523/mestre-vitalino/obras. Acesso em: 11 ago. 2023.
Vitalino Pereira dos Santos ou, como é conhecido, Mestre Vitalino nasceu em 10 de julho de 1909 e morreu em 20 de janeiro de 1963 em Caruaru/Pernambuco. Com obras exibidas em diversas partes do Brasil e do mundo, é considerado um dos maiores artistas brasileiros que utilizam o barro como matéria-prima. Suas peças de cerâmica trazem uma assinatura muito particular inspirada no Nordeste. Sua arte é popular e não segue nenhum movimento artístico específico. Desde criança, Mestre Vitalino mexeu com o barro, a partir das sobras que ganhava da sua mãe; esta, por sua vez, fazia utensílios domésticos para vender na feira de Caruaru e ajudar no sustento da família. Aos seis anos de idade, ele fez suas primeiras esculturas: um boi e um cavalo que usou para brincar.
Analise as afirmativas a seguir e assinale V para verdadeiras ou F para falsas.
[ ] Os trabalhos de Mestre Vitalino trazem como personagens principais figuras e fatos das tradições nordestina e do folclore daquela região, como, por exemplo, lobisomem, lavradores, lavadeiras e cozinheiras. Retratam também casamentos, enterros, a vida dos cangaceiros e o costume da vaquejada.
[ ] Apesar de não ter formação acadêmica, Mestre Vitalino possui um estilo pessoal marcante, aprendeu distintas técnicas de escultura e, devido ao sucesso de suas obras, deixou o barro de lado e passou a trabalhar com outras matérias-primas.
[ ] As obras de Mestre Vitalino refletem uma brasilidade e características marcantes do agreste de Pernambuco, no entanto, a maior parte do acervo de 118 peças do artista estão expostas fora do Brasil, especialmente em Paris e na Áustria.
[ ] As obras de Mestre Vitalino são inspiradas e retratam as crenças da cultura popular brasileira, em rituais e no imaginário popular, seja o cotidiano rural e urbano do sertão nordestino. São exemplos dessa afirmação as obras Retirantes e Vaquejada.
[ ] Os especialistas nomeiam o trabalho de Mestre Vitalino como “arte figurativa”, e suas peças estão expostas em grandes museus do Brasil, e também no Museu de Arte Popular de Viena na Áustria e no Museu do Louvre em Paris.
Considerando as afirmativas de cima para baixo, assinale a alternativa correta.
Reflexão sobre a produção cinematográfica
O filme A família Bélier, de Eric Lartigau, conta o cotidiano e o trabalho no campo de uma família francesa surda e sua relação com o mundo ouvinte. [...] Pensando sobre as questões abordadas no filme e minha experiência no campo da surdez, acredito que mais do que abordar a existência de dois mundos diferentes e a problemática da comunicação entre eles, o filme nos fala sobre partidas e rupturas que acontecem ao longo da vida e a posição do sujeito diante delas. Apesar de falar também sobre as dificuldades dos surdos em um mundo ouvinte, Lartigau não explora o lado do sofrimento e da tragédia que pode ser a surdez. Ele vai além e nos apresenta a problemática das relações entre pais e filhos, independentemente da existência da surdez. A cultura e o jeito sincero e muito direto dos surdos é divertida, sacudindo e sensibilizando o espectador [...]. O que ficou claro para mim, uma vez mais, é que mesmo na ausência de audição e de oralidade, o registro simbólico está presente no mundo/cultura surda e que os surdos se constituem como sujeitos falantes, sofrendo efeitos da fala, oral ou gestual, do Outro, fazendo escolhas e tendo que se haver com as consequências destas escolhas.
Disponível em: https://www.pucsp.br/linguagem-e-subjetividade/coluna-o-filme-familia-belier-e-psicanalise. Acesso em: 29 maio 2023.
TEXTO II
Tendo como aporte os dois textos de apoio sobre o filme A família Bélier (2014), com direção de Eric Lartigau, assinale a alternativa correta a respeito do dilema enfrentado pela protagonista Paula.
Conceitos
● DISCURSO DIRETO
É o registro integral da fala do personagem, do modo como ele a diz. Isso equivale a afirmar que o personagem fala diretamente, sem a interferência do narrador, que se limita a introduzi-la.
Exemplo: Ela andava e pensava: – Droga! Estou tão cansada!
● DISCURSO INDIRETO
É o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o intermediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador.
Exemplo: Ela andava e pensava que (a vida) era uma droga e que estava cansada.
● DISCURSO INDIRETO LIVRE
É um registro de fala ou de pensamento de personagem, que consiste num meio-termo entre o discurso direto e o indireto, porque apresenta expressões típicas do personagem, mas também a mediação do narrador.
Exemplo: Ela andava (e pensava). Droga! Estava tão cansada.
GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 2006. p. 14.
TEXTO II
Vestibular do pai
[...] Acordou antes do sol. Supervisionou o desjejum. Só faltou estudar linha por linha, algarismo por algarismo. Uma barbada. E assim chegou ao primeiro ponto. Esse vestibular é uma vergonha. No meu tempo, nem exame de admissão ao ginásio era tão fácil. E a gente fazia antes dos 11 anos de idade. Olhe aqui as perguntas de história do Brasil. Cinco opções. O mais rematado cretino, cego, surdo, mudo e já defunto, acerta na mosca. Veja o que chamam de matemática. O caixeiro da padaria é um Einstein, sem essa maquininha de esvaziar cabeça. Pois bem. Os dois se viram no maior aperto.
[...] Vai ver que passa. E acaba um bom administrador de empresa. Aí toca o negócio da família. Então por que o cretino cismou de ser músico? Se ao menos tivesse talento! A menina é uma tonta. Ainda bem que saiu de moda a tal de psicologia. Olhar vago, fala em informática. E toda sua filosofia consiste na obsessão da dieta. Sabe o que queria fazer? Adiar a prova por causa do horóscopo. Do horóscopo! Mais calmo, aceitou o drink e me perguntou pelo verbo “haver” na forma impessoal. Ainda ontem, ouvi um deputado dizer que “houveram” várias versões [...].
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7030/vestibular-do-pai. Acesso em: 27 jul. 2023 (fragmento).
Após considerar as definições propostas por Gancho (2006), em relação aos tipos de discurso utilizados em narrativas, assinale a alternativa correta sobre a crônica Vestibular do pai (1992), de Otto Lara Resende.
ROMANCE DE FORMAÇÃO OU BILDUNGSROMAN – Bildungsroman como contributo específico da literatura alemã. O termo foi cunhado em 1803 por K. Morgenstern e por ele desenvolvido como conceito [...]. O protagonista é uma personagem jovem [...] que começa a sua viagem de formação em conflito com o meio em que vive, determinado em afrontá‑lo e recusando uma atitude passiva; deixa‑se marcar pelos acontecimentos e aprende com eles, tem por mestre o mundo e atinge a maturidade integrando no seu carácter as experiências pelas quais vai passando.
ROMANCE PICARESCO – A categoria da narrativa mais importante na definição do romance picaresco é a da personagem, pois o protagonista desse tipo de relato é justamente um pícaro. O pícaro é qualificado como uma personagem de condição social humilde, sem ocupação certa, vivendo de expedientes, a maioria dos quais escusos. Conforme González de Gambier aponta (s.d., p. 314), o pícaro – anti-herói por excelência – possui uma filosofia de vida assaz particular: é materialista, primitivo, desleal, manifestando inclinação para a fraude e a vadiagem.
REALISMO MÁGICO – Expressão empregada desde os fins dos anos 40 para denominar um tipo de ficção hispano-americana que reagia contra o realismo/naturalismo do século XIX [...]. No mundo acadêmico foi Angel Flores o primeiro a usar o sintagma “realismo mágico” [...]. Observava Flores que a novidade dessa literatura era um tipo de representação em que coexistem fantasia e realidade.
ROMANCE POLICIAL – [...] O romance policial pode ser de detective ou de polícia. [...] Como exemplos de detectives, temos Sherlock Holmes, de Conan Doyle [...]. Por outro lado, o romance policial pode ser analítico [...] o crime acontece quase sempre antes de se iniciar a investigação, sendo o enredo um desenrolar lógico de um puzzle para a resolução do qual apenas o herói está à altura [...].
Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia. Acesso em: 02 ago. 2023.
Após avaliar os conceitos que permeiam algumas das categorizações do gênero romance propostas por Carlos Ceia, sobre o livro Fazedor de Velhos (2008), de autoria de Rodrigo Lacerda, assinale a alternativa correta.
Entre a espada e a rosa
Qual é a hora de casar, senão aquela em que o coração diz “quero”? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la. De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama, aos soluços, implorou ao seu corpo, à sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do pai. Afinal, esgotada, adormeceu [...].
COLASANTI, Marina. Entre a espada e a rosa. In: Mais de 100 histórias maravilhosas. São Paulo: Global, 2015 (fragmento).
TEXTO II Estrutura de uma narrativa
Em termos de estrutura, o conflito, via de regra, determina as partes do enredo:
1. Exposição: (ou introdução ou apresentação) coincide geralmente com o começo da história, no qual são apresentados os fatos iniciais, os personagens, às vezes o tempo e o espaço. Enfim, é a parte na qual se situa o leitor diante da história que irá ler.
2. Complicação: (ou desenvolvimento) é a parte do enredo na qual se desenvolve o conflito (ou os conflitos) – na verdade pode haver mais de um conflito numa narrativa.
3. Clímax: é o momento culminante da história, isto quer dizer que é o momento de maior tensão, no qual o conflito chega a seu ponto máximo. O clímax é o ponto de referência para as outras partes do enredo, que existem em função dele.
4. Desfecho: (desenlace ou conclusão) é a solução dos conflitos, boa ou má, vale dizer configurando-se num final feliz ou não. Há muitos tipos de desfecho: surpreendente, feliz, trágico, cômico etc.
GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 2006.
Com base nas informações contidas nos textos de apoio, assinale a alternativa que contempla uma análise coerente sobre a estrutura narrativa do conto Entre a espada e a rosa, da escritora Marina Colasanti.
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido
BUARQUE, Chico. Construção. In: Construção. Rio de Janeiro: Philips/Phonogram, 1971(fragmento). [Disco de Vinil e Capa].
Assinale a alternativa que faz referência correta a esse trecho da música Construção, de Chico Buarque de Holanda.
