Questões de Vestibular Sobre interpretação de textos em português

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Q2092724 Português
TEXTO 1

1_- 22 1.png (375×750)

Adaptado de: LUC, Mauren
Após AVC, médica se forma usando comunicação
por piscadas em aula e estágio.
Disponível em: https://bit.ly/3F6WLQu.
Acesso em: 03 maio 2022.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as possibilidades de substituição de estruturas no texto 1, sem alteração do sentido original.
( ) então (linha 02) – na época ( ) sem poder falar (linha 04) – sem que pudesse falar ( ) foi feita (linha 12) – fora feita ( ) de ser útil (linha 34) – de que eu seja útil
O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas
Q2092723 Português
TEXTO 1

1_- 22 1.png (375×750)

Adaptado de: LUC, Mauren
Após AVC, médica se forma usando comunicação
por piscadas em aula e estágio.
Disponível em: https://bit.ly/3F6WLQu.
Acesso em: 03 maio 2022.
Sobre o conteúdo e a estrutura do texto, afirma-se:
I. A história de Elaine Luzia dos Santos é narrada em primeira pessoa. II. A presença do discurso direto confere veracidade aos fatos. III. O emprego do pretérito imperfeito do indicativo no quarto parágrafo descreve o processo de formação de Elaine Luzia dos Santos. IV. A médica recém-formada sofreu preconceito relacionado a sua condição física durante o período da faculdade.
Estão corretas as afirmativas
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073471 Português

TEXTO I 


texto_13 .png (369×365) 


TEXTO II

Você já imaginou uma Bancada do Cocar? Como seria o Brasil depois dela?
Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política. Acreditamos que a política com mais representatividade e diversidade indígena é fundamental para criarmos uma sociedade mais coletiva, confiante, justa e resiliente às mudanças climáticas. Vamos aldear a política!

Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas em todos os estados, em defesa da forma de viver e da natureza em que habitamos. 


(Adaptado de Mídia Guarani Mbya. Disponível em https://www.facebook.com/ midiaguaranimbya/photos/pcb.550687360075915/550687173409267/. Acesso em 12/08/2022.)

Compare as afirmações a seguir: 
“Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política.
“Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas.” 
A proposta de formar uma Bancada do Cocar e aldear a política, na segunda afirmação, está marcada pela
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073470 Português

TEXTO I 


texto_13 .png (369×365) 


TEXTO II

Você já imaginou uma Bancada do Cocar? Como seria o Brasil depois dela?
Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política. Acreditamos que a política com mais representatividade e diversidade indígena é fundamental para criarmos uma sociedade mais coletiva, confiante, justa e resiliente às mudanças climáticas. Vamos aldear a política!

Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas em todos os estados, em defesa da forma de viver e da natureza em que habitamos. 


(Adaptado de Mídia Guarani Mbya. Disponível em https://www.facebook.com/ midiaguaranimbya/photos/pcb.550687360075915/550687173409267/. Acesso em 12/08/2022.)

No texto I, a expressão “aldear a política” é referida por meio de uma
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073469 Português
O post a seguir, publicado em rede social, faz referência ao texto jornalístico “Alter à venda”, publicado no site Amazônia Real.
Grande parte do que foi queimado no incêndio criminoso em Alter do Chão, que tomou proporções internacionais em 2019, está sendo loteada desde então. Os jornalistas visitaram vários lotes à venda, consultaram corretores ao longo de novembro de 2021 e constataram que tudo ocorre de forma escancarada em redes sociais. Além disso, há cartazes espalhados pela PA-457, estrada que liga Santarém à turística vila conhecida como o “Caribe Amazônico”. 
Essa história revela a existência de uma rede de grilagem de terras públicas que avança em ritmo acelerado sobre a mesma área incendiada que foi palco da criminalização de brigadistas que lutavam para preservar Alter do Chão.
(Adaptado de https://www.facebook.com/amazoniareal. Publicada em 15/08/2022. Acesso em 16/08/2022.)
Alguns elementos do post indicam que o texto jornalístico referido é
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073468 Português
O indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados numa emboscada na região do Vale do Javari, em Atalaia do Norte, no Estado do Amazonas, em 5 de junho de 2022. Ambos investigavam atividades ilegais e predatórias na região e empenharam suas vidas na defesa dos povos indígenas.
A crônica de Bessa Freire (texto I) e a tira de Laerte (texto II) fazem uma homenagem a Bruno Pereira e Dom Phillips.
TEXTO I
Cercado por árvores no meio da floresta, Bruno Pereira entoa um canto em katukina, língua dos Kanamari: – Wahanararai wahanararai, marinawah kinadik marinawah kinadik; tabarinih hidya hidyanih, hidja hidjanih. As palavras falam literalmente sobre o modo como a arara alimenta seus filhotes e é um hino em defesa da floresta e dos povos originários. A risada gostosa de Bruno exibe seu jeito de mostrar que a vida pode ser maravilhosa, mas foi interrompida tão cedo, provocando o sentimento ambíguo de desespero e esperança. 
(Adaptado de BESSA FREIRE, J. R. Dom e Bruno: Amazônia, sua linda! Disponível em https://www.taquiprati.com.br/cronica/1645-dom-e-bruno-amazonia-sua-linda. Acesso em 20/06/2022.)
TEXTO II 
11_2 .png (404×296) 
(Tweet de @LaerteCoutinho1. Disponível em https://mobile.twitter.com/Laerte Coutinho1/status/1538487867600687105. Acesso em 24/06/2022.)
Considerando a cena relatada nos textos I e II e os diferentes gêneros de texto, é correto afirmar que
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073467 Português
A professora Débora Diniz e o artista plástico Ramon Navarro criaram um álbum de memórias para homenagear mulheres mortas pela pandemia de Covid-19. Nesse álbum, é apresentada uma imagem de cada mulher homenageada seguida de um texto a seu respeito, como o exemplo a seguir.

texto_9 - 10 .png (373×373) 

Ela se foi no dia seguinte a ele. Sobre ele, a notícia disse ser uma “liderança indígena”. Sobre ela, nem mesmo o nome do povo. Morreu aos 86 anos, em Dourados, Mato Grosso do Sul.

Arte não se explica. Na ousadia de palavrear o que se vê, uma tentativa de oferecer mais palavras ao luto: “Há orgulho na pose, no apertar de olhos de quem quer olhar longe. Os raios saem dela, o sol lhe presta homenagem. Uma combinação de terra e tempos se encontra nos pássaros e no mar. Parece o tempo do início, mas o manto cobre a nudez de quem encontrou a regra do conquistador. A folhagem nasce da mão, não é enfeite. É raiz.” 

(Debora Diniz e Ramon Navarro, no perfil @reliquia.rum.)
No trecho “o sol lhe presta uma homenagem” (linha 8), a autora faz uso da figura de linguagem
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073466 Português
A professora Débora Diniz e o artista plástico Ramon Navarro criaram um álbum de memórias para homenagear mulheres mortas pela pandemia de Covid-19. Nesse álbum, é apresentada uma imagem de cada mulher homenageada seguida de um texto a seu respeito, como o exemplo a seguir.

texto_9 - 10 .png (373×373) 

Ela se foi no dia seguinte a ele. Sobre ele, a notícia disse ser uma “liderança indígena”. Sobre ela, nem mesmo o nome do povo. Morreu aos 86 anos, em Dourados, Mato Grosso do Sul.

Arte não se explica. Na ousadia de palavrear o que se vê, uma tentativa de oferecer mais palavras ao luto: “Há orgulho na pose, no apertar de olhos de quem quer olhar longe. Os raios saem dela, o sol lhe presta homenagem. Uma combinação de terra e tempos se encontra nos pássaros e no mar. Parece o tempo do início, mas o manto cobre a nudez de quem encontrou a regra do conquistador. A folhagem nasce da mão, não é enfeite. É raiz.” 

(Debora Diniz e Ramon Navarro, no perfil @reliquia.rum.)
O trecho em discurso direto é
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073465 Português
Pranto Geral dos Indígenas do Javari Wilmar D’Angelis
Ouço o lamento marubo das mortes anunciadas.
(...)
Não faz tempo, parecia serem fatos isolados; no dizer de autoridades: “infeliz fatalidade”. Mas já não existem meios de esconder a realidade, ou negar os interesses por trás dessas crueldades.
(...)
Ouço vozes embargadas pelo choro dos matsés; os prantos intermináveis dos korubus consternados, e o mais profundo lamento nas línguas desconhecidas de povos abandonados.
Nos unimos aos seus prantos que nos vêm do Javari. Também a floresta chora seus filhos mortos ali. Ela já os adotara e chora ao vê-los partir.
(Adaptado de: https://kamuri.org.br/kamuri/pranto-geral-dos-indigenas-do-javari/. Acesso em 22/07/2022.)
As palavras que resumem os principais temas do poema são
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073464 Português
“A mãe do Brasil é indígena, ainda que o país tenha mais orgulho de seu pai europeu que o trata como um filho bastardo. Sua raiz vem daqui, do povo ancestral que veste uma história, que escreve na pele sua cultura, suas preces e suas lutas. Nunca vou entender o nacionalismo estrangeiro que muitas pessoas têm. Nós somos um país rico, diverso e guerreiro, mas um país que mata o seu povo originário e aqueles que construíram uma nação, que ainda marginaliza povos que já foram escravizados e seguem tentando se recuperar dos danos.”

(Myrian Krexu @myrianveloso, médica Guarani Mbyá (17/05/2020). Disponível em https://www.instagram.com/p/CdTRkvYuOXM/. Acesso em 03/05/2022.)
Em “Nunca vou entender o nacionalismo estrangeiro que muitas pessoas têm”, a autora recorre à figura de linguagem
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073463 Português
“A mãe do Brasil é indígena, ainda que o país tenha mais orgulho de seu pai europeu que o trata como um filho bastardo. Sua raiz vem daqui, do povo ancestral que veste uma história, que escreve na pele sua cultura, suas preces e suas lutas. Nunca vou entender o nacionalismo estrangeiro que muitas pessoas têm. Nós somos um país rico, diverso e guerreiro, mas um país que mata o seu povo originário e aqueles que construíram uma nação, que ainda marginaliza povos que já foram escravizados e seguem tentando se recuperar dos danos.”

(Myrian Krexu @myrianveloso, médica Guarani Mbyá (17/05/2020). Disponível em https://www.instagram.com/p/CdTRkvYuOXM/. Acesso em 03/05/2022.)
Assinale a alternativa que mantém o mesmo sentido do primeiro enunciado do texto, reproduzido a seguir.
“A mãe do Brasil é indígena, ainda que o país tenha mais orgulho de seu pai europeu que o trata como um filho bastardo."
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073461 Português
Árvore ameaçada de extinção é sagrada para o povo xokleng; iniciativa calcula já ter produzido 50 mil mudas.
Reflorestar a Terra Indígena Laklãnõ Xokleng com sua árvore sagrada, a araucária, é o objetivo de um projeto criado no oeste de Santa Catarina. O trabalho, segundo os indígenas que participam da iniciativa, já resultou em 50 mil mudas.
A população de xoklengs em Santa Catarina está estimada em 2.200 pessoas. A área, reivindicada para demarcação, é a base para o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a tese do marco temporal – critério segundo o qual indígenas só poderiam requerer terras já ocupadas por eles antes da promulgação da Constituição de 1988.
“A araucária representa nossa vida, o ar que a gente respira, a árvore sagrada que nossos ancestrais deixaram para nós há mais de 2.000 anos”, diz Isabel Gakran, que ocupa o cargo de kujá, uma jovem xamã. Ela e o marido, Carl Gakran, são os idealizadores do Instituto Zág (araucária, na língua xokleng). 
(Adaptado de LUC, M. Projeto de indígenas planta araucárias em Santa Catarina. Folha de São Paulo, 16/07/2022.)
No gênero notícia, predomina a função referencial da linguagem. No texto, o que evidencia essa predominância é a
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073460 Português
Leia o depoimento da professora e ativista indígena Célia Xakriabá.
“E o mundo, por exemplo, olha para a Amazônia por satélite. O mundo olha pra essa Amazônia com um olhar de satélite, por cima, e só consegue enxergar o verde e a beleza dos rios. Mas a vida dessas pessoas aqui embaixo, que não consegue ser olhada, tem sido impactada, e ninguém cuida das pessoas. As pessoas querem proteger as árvores, o rio, mas não cuidam das pessoas que protegem as árvores e os rios. A gente precisa inverter os olhares, porque a vida dessas pessoas é mais importante, porque são elas que mantêm a floresta em pé. São elas que conseguem proteger o rio a partir desse modo de vida, de respeito com a natureza, o meio ambiente, a fauna, a flora, tudo que nos cerca. Porque a gente compreende, também, que somos parte, que nós somos ela, que a gente está conectado em todos os sentidos.” 
(Disponível em https://www.instagram.com/reel/Ce3ZthyFw1a/. Acesso em 20/07/2022.)
Em seu depoimento, a indígena destaca a existência de uma relação de
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073459 Português
2.png (154×220) 
Os escritores indígenas Yaguarê Yamã, Elias Yaguakãg, Eliomar Leite, Uziel Guaynê, Moises Costa e Timoteo Hakii publicaram, com apoio da Lei Aldir Blanc, pela editora Filos (SP), o livro Marãduwa Tupanawara – Contos Sagrados, em português brasileiro e em nheengatu, língua geral indígena amazônica. Para Yaguarê Yamã, “[o] livro veio para salvar a alma amazonense, que é indígena”.
(Adaptado de NOGUEIRA, W. Escritores indígenas lançam livro de contos de origem e assombração. Disponível em https://www.amazonamazonia. com.br/2022/05/28/. Acesso em 30/06/2022.)
Assinale a alternativa que transpõe corretamente a fala de Yaguarê Yamã para o discurso indireto.
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073458 Português
A imagem a seguir foi publicada no Instagram da professora de português, Laura Boesing.
1.png (363×429) 
(Disponível em https://www.instagram.com/p/CdzDGaFLBFh/. Acesso em 20/07/2022.)
Qual a função dos elementos não-verbais na imagem?
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146232 Português
     Nenhum ser humano deveria ser ameaçado de “transferência” de sua casa ou de sua terra; nenhum ser humano deveria ser discriminado por não pertencer a esta ou àquela religião; nenhum ser humano deveria ser destituído de sua identidade ou de sua cultura, seja qual for o motivo.

(Edward W. Said. A questão da Palestina, 2012. Adaptado.)

O excerto pertence a um livro que discute a condição dos palestinos, mas sua ideia geral pode também ser aplicada à situação
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146224 Português
Leia o excerto para responder à questão.


    O início da colonização, após 1530, não criou a unidade, e foram várias as frentes colonizadoras que se abriram, mais ou menos independentes, quase sempre autocontidas, isoladas, comunicando-se mais facilmente com a Corte [portuguesa] — como é o caso das terras ao norte — do que umas com as outras. Se as capitanias hereditárias, cedidas pela Coroa a particulares, foram o início da vida na terra, a expressão dessa configuração espacial fragmentada e isolada persistiu por vários séculos, sendo uma das feições dominantes do território brasileiro até praticamente o século XX.


(Laura de Mello e Souza. “O nome Brasil”. In: Luciano Figueiredo (org.). História do Brasil para ocupados, 2013. Adaptado.)
Segundo o excerto, a colonização na América portuguesa
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146210 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
O cronista inclui o leitor em sua narrativa no seguinte trecho:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146209 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
“Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata?” (11o parágrafo)

Nesse trecho, o cronista ressalta o incômodo dos fazendeiros
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146208 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
De acordo com o cronista, a razão de José de Nanuque ter se afastado da civilização foi, sobretudo,
Alternativas
Respostas
701: A
702: C
703: B
704: C
705: B
706: B
707: B
708: B
709: A
710: B
711: B
712: A
713: A
714: A
715: D
716: B
717: C
718: D
719: A
720: E