Questões de Vestibular
Comentadas sobre coesão e coerência em português
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Ninguém se torna ativista climática por escolha. É um pouco por obrigação e um pouco por necessidade. Eu comecei a acompanhar as conferências do clima por causa do racismo ambiental no meu território, e eu entendia a importância da participação da juventude, não só assistindo, mas também contribuindo para a solução à crise do clima. Vi a construção do cargo de Campeão da Juventude a partir das COPs 27 e 28, acompanhei o mandato da COP29. Então, fiquei mais animada em poder construir e contribuir. Não fazia ideia se eu ia fazer isso bem, mas achava que, enquanto uma jovem mulher negra do Brasil, com um time de pessoas de todos os biomas, talvez fosse possível construir uma narrativa em torno da justiça climática dentro e fora dos espaços da COP. E não fui só eu que tive essa ideia, outras pessoas também se candidataram. Mas fizemos um acordo de que, independentemente de quem fosse a pessoa nomeada, teríamos esse time de jovens de todos os biomas do Brasil.
MARASCIULO, M. “Precisamos de caminhos para as próximas gerações não terem que repetir o óbvio”. Entrevista a Marcele Oliveira. Galileu, São Paulo, p. 18–32, 1 dez. 2025.
O emprego das expressões em negrito na resposta da entrevistada contribui para a construção do sentido do texto ao
Foi então que vi aquelas ameixas e achei tão bonitas e tão vermelhas que pedi um quilo e era minha última grana certo porque meus pais não me dão nada e daí eu pensei assim se comprar essas ameixas agora vou ter que voltar a pé para casa mas que importa volto a pé mesmo pode ser até que acorde um pouco e aquela coisa lá longe volte pra perto de mim e então eu vinha caminhando devagarinho as ameixas eu não conseguia parar de comer sabe já tinha comido acho que umas seis estava toda melada quando dobrei a esquina aqui da rua e ia saindo um caixão de defunto do sobrado amarelo na esquina certo acho que era um caixão cheio quer dizer com defunto dentro porque ia saindo e não entrando certo e foi bem na hora que eu dobrei não deu tempo de parar nem de desviar daí então eu tropecei no caixão e as ameixas todas caíram assim paf! na calçada e foi aí que eu reparei naquelas pessoas todas de preto e óculos escuros e lenços no nariz e uma porrada de coroas de flores devia ser um defunto muito rico certo e aquele carro fúnebre ali parado e só aí eu entendi que era um velório.
(ABREU, C. F. Morangos Mofados. 9ª. ed. São Paulo: Companhia das Letras, p. 105-106, 2015.)
Parte I
Quando nós começamos a fazer tradução para português, eu tive realmente uma grande crise, porque eu comecei a perceber que aquela não era a obra que eu tinha escrito. A obra e tudo o que aparece, os sujeitos, passam a ser masculinos, porque em português, como em outras línguas europeias, quando se está em um coletivo de mulheres, mas há a presença de um indivíduo masculino, o coletivo passa a ser referenciado como masculino. Ou seja, a presença das mulheres passa a ser inexistente. (...)
(Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=m-EyJXtlJ0M. Acesso em 26/08/2024.)
Qual alternativa apresenta um exemplo de plural que resolve o problema citado pela autora em seu depoimento?
Leia os textos 01 a 04 para responder à questão.
Texto 01
A minha posição ao propor “Parangolé” é a da busca de uma nova fundação objetiva na arte. Não se confundir com uma “nova figuração”, isto é, pretexto para uma volta a uma representação figurada de todo superada, ou ao “quadro”, seu suporte expressivo. O “Parangolé” é não só a superação definitiva do quadro, como a proposição de uma estrutura nova do objetoarte, uma nova reestruturação da visão espacial da obra de arte, superando também a contradição das categorias “pintura e escultura”. Na verdade, ao propor uma arte ambiental, não quero sair do “quadro” para a “escultura”, mas fundar uma nova condição estrutural do objeto que já não admite essas categorias tradicionais. Seria tentar a constituição de um novo “mito do objeto”, que não é nem o objeto transposto da pop art, nem o objeto-verdade do nouveau-réalisme, mas a fundação do objeto em todas as suas ordens e categorias manifestadas no mundo ambiental, que é revelada aqui pela obra de arte. O objeto que não existia passa a existir e o que já existia se revela de outro modo pela visão dada pelo novo objeto que passou a existir. Estão reservados ao artista a tarefa e o poder de transformar a visão e os conceitos na sua estrutura mais íntima e fundamental; é esta a maneira mais eficaz para o homem de hoje dominar o mundo ambiental, isto é, para recriá-lo a seu modo e segundo sua suprema vontade. É esta também uma proposição eminentemente coletiva, que visa abarcar a grande massa popular e lhes dar também uma oportunidade criativa. Essa oportunidade, é claro, teria que se realizar através das individualidades nessa coletividade; o novo aqui é que as possibilidades dessa valorização do indivíduo na coletividade se tornam cada vez mais generalizadas – há a exaltação dos valores coletivos nas suas aspirações criativas mais fundamentais, ao mesmo tempo em que é dada ao indivíduo a possibilidade de inventar, de criar – é a retomada dos mitos da cor, da dança, das estruturas criativas enfim.
OITICICA, Helio. Paragolé: uma nova fundação objetiva na arte. In: Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro - 5. OPINIÃO 65. Curadoria Frederico Morais; apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985 [72]. [Adaptado].
Texto 02
Parangolivro
negro pobre poeta
sem noção de sequência
multiplicidade de olhares
ler e descobrir
escrever bater com a cabeça
uma arma em nossa mira
não caber
dentro da armadura
debater até sangrar
entrar e sair
como se não estivesse
viver longo
cada instante
olhar os filhos sem fim
caminhar sob o sol
fugir do inferno de si
[...]
osso em febre
oco do fim do mundo
uma palavra porrada
parangolivro parangolé
morro raimundo de montes
claros colares
hélio morro da mangueira
parangolé oiticica
ninhos gibis
incertezas
instantes de interdelírio
garotos hospícios
parangolivres
[...]
PEREIRA, Aroldo. Parangolivro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007. p. 13, 15.
Texto 03
Parangolé
Entre
a
casa
é sua
sua casa-
camisa
suas vestes-
vestíbulos
saia-sala
chão-chapéu
entre
a casa
é sua
corredor
para o corpo
escada
para o êxtase
vestido
com vista
para o mar
MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 54-55.
Texto 04
Parangolé Pamplona
O Parangolé Pamplona você mesmo faz
O Parangolé Pamplona a gente mesmo faz
Com um retângulo de pano de uma cor só
E é só dançar
E é só deixar a cor tomar conta do ar
Verde
Rosa
Branco no branco no preto nu
Branco no branco no preto nu
O Parangolé Pamplona
Faça você mesmo
E quando o couro come
É só pegar carona
Laranja
Vermelho
Para o espaço estandarte
Para o êxtase asa delta
Para o delírio porta aberta
Pleno ar
Puro hélio
Mas
O Parangolé Pamplona você mesmo faz
CALCANHOTTO, Adriana. Parangolé Pamplona. Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/87107/. Acesso em: 27 fev. 2024.
Considere os seguintes versos recortados dos textos 02, 03 e 04.

A expressividade poética presente nos versos recortados se caracteriza por uma versificação curta, em que predomina um/uma
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.
………………………………………………………….
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206.
1. Uma das etapas do processo de reciclagem de plásticos é a separação de diferentes polímeros. Um dos métodos mais empregados consiste na separação por densidade. Uma amostra contendo diferentes polímeros é triturada e colocada num líquido. Os plásticos mais densos que o líquido afundam e os menos densos flutuam, permitindo a separação.
2. Dois tipos de transporte que podem acontecer nas membranas plasmáticas são o transporte passivo e o transporte ativo. O primeiro pode acontecer por simples difusão do elemento a ser transportado através da bicamada lipídica da membrana. Já o transporte ativo sempre depende de proteínas que atravessam a membrana, às quais o elemento a ser transportado se liga, desligando-se posteriormente do outro lado da membrana.
Assinale a alternativa que substitui, respectiva e adequadamente, os itens grifados em cada um dos enunciados, respeitando o nexo sintático-semântico:
Interpretações distintas sobre o número (singular ou plural) de uma única palavra na obra do compositor Cartola, O Mundo é um Moinho, resultaram em duas versões diferentes de um trecho da música. Leia os trechos das duas versões.
VERSÃO I
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Disponível em: https://www.vagalume.com.br/cazuza/o-mundo-e-um-moinho.html. Acesso em: 08 jul. 2024.
VERSÃO II
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Disponível em: https://www.vagalume.com.br/cartola/o-mundo-e-um-moinho.html. Acesso em: 08 jul. 2024.
A partir da interpretação dos textos apresentados, assinale a alternativa correta.
A QUESTÃO REFERE-SE AO ROMANCE O MEU AMIGO PINTOR, DE LYGIA BOJUNGA (Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2015).
Adapatado de Rafael Cariello e Thales Zamberlan Pereira, A Crise Inaugural in Piauí 181, 2021. Com base no texto, analise as afirmativas a seguir sobre a interpretação do processo de independência do Brasil.
I. Os autores apresentam uma interpretação nacionalista, com ênfase no protagonismo da Família Real, que soube liderar a construção da soberania brasileira.
II. Os autores consideram que a emancipação resultou de uma crise fiscal que motivou o posicionamento de grupos contra o absolutismo do rei, nas Américas e em Portugal.
III. Os autores afirmam que a separação política resultou do conflito entre elites brasileiras produtoras de commodities e comerciantes portugueses, ciosos em manter o exclusivo comercial.
Está correto o que se afirma em
Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto anterior, julgue o item.
No quinto período do segundo parágrafo, o pronome “seu” se refere a
“tod@s”, “todxs” e “tods”, apenas.
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item.
No primeiro período do último parágrafo, a substituição da
expressão “em que”, em ambas as ocorrências, por no qual
prejudicaria o sentido e a correção gramatical do texto.
Julgue o item seguinte, em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto 1A1-II.
A forma verbal “Estima-se” (terceiro período do primeiro
parágrafo) poderia ser substituída por São estimados, sem
prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto.
Julgue o item, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior.
No trecho “A Sociedade Real de Saúde Pública do Reino
Unido recomenda que as plataformas publiquem avisos
pop-up que advirtam o usuário acerca do número de horas
acessadas” (último parágrafo), a forma verbal “advirtam”
poderia ser substituída por alertem, sem prejuízo da
correção gramatical e do sentido do texto.
[...] As catáforas, menos comuns em nossos textos do dia a dia, ocorrem quando esse movimento de ativação e de reativação aparece invertido: primeiro vem a referência que seria de retomada e, depois, a que seria a referência base; por exemplo: ‘Ele – o rei’ ”.
ANTUNES, Irandé. Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas. São Paulo: Parábola, 2017, p. 100-101, grifos da autora.
Quanto à coesão textual, analise a ocorrência, nos dois enunciados a seguir, de presença ou ausência das categorias anáfora e catáfora.
I. Ah, pobre Tom, meu menino mais cabeça-dura, não estou sendo dura com você. Eu não faria isso.
II. Já sei, vamos fazer assim. Ninguém conta nada pra eles […].
Diálogos retirados de: TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. Trad. Karla Lima. Jandira-SP: Ciranda Cultural, 2019.
Sobre os enunciados em análise, assinale a alternativa correta.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.
Os sentidos e a correção gramatical do texto seriam
preservados caso, no trecho “Embora haja diferença no local
de ação, o objetivo de qualquer vacina é o mesmo”, a forma
verbal “haja” fosse substituída por exista.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.
A correção gramatical do texto seria preservada caso o
primeiro período, em vez de uma pergunta, fosse reescrito
como uma afirmação, da seguinte maneira: As pessoas
desejam saber porque algumas vacinas são em gotinhas e
outras, injeção.