A forma do diálogo e da fala dos sujeitos, no texto, demonst...
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.
………………………………………………………….
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206.
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Tema central: Interpretação de texto com enfoque nos papéis sociais dos interlocutores e sua influência no uso da linguagem, conforme estudado pela sociolinguística (Celso Cunha & Lindley Cintra).
Justificativa para a alternativa B (correta):
O poema apresenta uma interação entre médico e paciente. O médico utiliza vocabulário técnico (“escavação no pulmão esquerdo”, “pulmão direito infiltrado”), que evidencia seu papel profissional e posição de autoridade. O paciente demonstra certo desconhecimento do procedimento (“não é possível tentar o pneumotórax?”), indicando posições assimétricas de conhecimento e de poder.
Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), “a análise da variação linguística é fundamental para compreender como diferentes situações sociais impõem padrões próprios de fala e escrita”. Assim, o texto reflete, de forma clara, as funções sociais ocupadas por médico e paciente, expressas tanto no conteúdo quanto na forma do diálogo.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fala em incompreensão dos jargões, mas o paciente compreende o suficiente para questionar sobre o procedimento. Não há estranhamento absoluto ao vocabulário.
C) Diferenças geográficas não aparecem no texto—não há regionalismos ou elementos léxicos que indiquem origens diferentes.
D) A alternativa sugere relações de intimidade e coloquialidade, o que o texto não confirma. O médico mantém tom formal e objetivo, sem marcas claras de proximidade afetiva.
E) Nenhuma marca de estigmatização social ou “formas arcaicas” pode ser identificada. As falas são adequadas à norma contemporânea e transmitem apenas a diferença de posicionamento dos interlocutores.
Estratégias para questões futuras:
Observe sempre quem fala, em que contexto e se há indícios de relações de poder, domínio de vocabulário específico ou uso de termos técnicos — essas pistas são essenciais para interpretar corretamente diálogos.
Manuais e gramáticas como o de Lindley Cintra e o de Bechara reforçam a necessidade de considerar contexto social e papel dos interlocutores para examinarmos adequadamente o significado de diálogos.
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