A forma do diálogo e da fala dos sujeitos, no texto, demonst...

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Ano: 2024 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2024 - UEG - Vestibular - Medicina (2º Semestre 2024) |
Q3509398 Português

Pneumotórax



Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

– Diga trinta e três.

– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

– Respire.

………………………………………………………….

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.



BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206. 


A forma do diálogo e da fala dos sujeitos, no texto, demonstra que
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Tema central: Interpretação de texto com enfoque nos papéis sociais dos interlocutores e sua influência no uso da linguagem, conforme estudado pela sociolinguística (Celso Cunha & Lindley Cintra).

Justificativa para a alternativa B (correta):

O poema apresenta uma interação entre médico e paciente. O médico utiliza vocabulário técnico (“escavação no pulmão esquerdo”, “pulmão direito infiltrado”), que evidencia seu papel profissional e posição de autoridade. O paciente demonstra certo desconhecimento do procedimento (“não é possível tentar o pneumotórax?”), indicando posições assimétricas de conhecimento e de poder.

Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), “a análise da variação linguística é fundamental para compreender como diferentes situações sociais impõem padrões próprios de fala e escrita”. Assim, o texto reflete, de forma clara, as funções sociais ocupadas por médico e paciente, expressas tanto no conteúdo quanto na forma do diálogo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala em incompreensão dos jargões, mas o paciente compreende o suficiente para questionar sobre o procedimento. Não há estranhamento absoluto ao vocabulário.

C) Diferenças geográficas não aparecem no texto—não há regionalismos ou elementos léxicos que indiquem origens diferentes.

D) A alternativa sugere relações de intimidade e coloquialidade, o que o texto não confirma. O médico mantém tom formal e objetivo, sem marcas claras de proximidade afetiva.

E) Nenhuma marca de estigmatização social ou “formas arcaicas” pode ser identificada. As falas são adequadas à norma contemporânea e transmitem apenas a diferença de posicionamento dos interlocutores.

Estratégias para questões futuras:

Observe sempre quem fala, em que contexto e se há indícios de relações de poder, domínio de vocabulário específico ou uso de termos técnicos — essas pistas são essenciais para interpretar corretamente diálogos.

Manuais e gramáticas como o de Lindley Cintra e o de Bechara reforçam a necessidade de considerar contexto social e papel dos interlocutores para examinarmos adequadamente o significado de diálogos.

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