Questões de Vestibular Sobre literatura
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Texto para a questão
Consideração do poema

Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.
Texto para a questão
Consideração do poema

Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.
Considere as seguintes afirmações:
I A liberdade com que o poeta compõe o poema tem, como contrapartida, a seriedade com
que considera sua atividade.
II O poeta se abre para o mundo exterior, mas continua a examinar a si mesmo, de modo atento e exigente.
III O foco na subjetividade do poeta desdobra-se em uma poesia de vocação coletiva, com alcance social e tendências anticapitalistas.
É compatível com o teor deste poema e do livro no qual ele se insere o que se afirma em
O período da literatura brasileira posterior ao clímax do chamado Modernismo “paulista” – período esse também conhecido como “Modernismo de 1930”, no qual surge, por exemplo, o chamado “romance nordestino”,
I beneficiou-se da liberdade de pesquisa estética conquistada pelo primeiro Modernismo, a qual incorporou e normalizou;
II procurou enraizar fortemente suas histórias e personagens em realidades bem determinadas e concretas e,
III com frequência, introjetou nas obras a radicalização político-ideológica característica do período.
Está correto o que se afirma em
1. “As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua Seus raios incertos tremer, pratear, E a trança luzente da nuvem flutua, As ondas são anjos que dormem no mar!”
2. “Era uma tarde triste, mas límpida e suave... Eu — pálido poeta — seguia triste e grave A estrada, que conduz ao campo solitário, Como um filho, que volta ao paternal sacrário,
E ao longe abandonando o múrmur da cidade — Som vago, que gagueja em meio à imensidade,— No drama do crepúsculo eu escutava atento A surdina da tarde ao sol, que morre lento.”
3. “Se sou pobre pastor, se não governo Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes; Se em frio, calma, e chuvas inclementes Passo o verão, outono, estio, inverno;
Nem por isso trocara o abrigo terno Desta choça, em que vivo, coas enchentes Dessa grande fortuna: assaz presentes Tenho as paixões desse tormento eterno.”
4. “Eras na vida a pomba predileta Que sobre um mar de angústias conduzia O ramo da esperança. — Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro. Eras a messe de um dourado estio. Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,”
Assinale a alternativa que os classifica de forma CORRETA quanto ao seu estilo de época da literatura brasileira.
Refugiava-se então naquele amor como uma compensação deliciosa. Julgando-o todo puro, todo de alma, deixava-se penetrar dele e da sua lenta influência. Adrião tornara-se, na sua imaginação, como um ser de proporções extraordinárias, tudo o que é forte, e que é belo, e que dá razão à vida. […] Leu todos os seus livros, sobretudo aquela Madalena que também amara, e morrera de um abandono. Estas leituras calmavam-na, davam-lhe como uma vaga satisfação ao desejo. Chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas. Lentamente, esta necessidade de encher a imaginação desses lances de amor, de dramas infelizes, apoderou-se dela. Foi durante meses um devorar constante de romances. Ia-se assim criando no seu espírito um mundo artificial e idealizado. A realidade tornava-se-lhe odiosa, sobretudo sob aquele aspecto da sua casa, onde encontrava sempre agarrado às saias um ser enfermo. Vieram as primeiras revoltas. Tornou-se impaciente e áspera. Não suportava ser arrancada aos episódios sentimentais do seu livro, para ir ajudar a voltar o marido e sentir-lhe o hálito mau. Veio-lhe o nojo das garrafadas, dos emplastros, das feridas dos pequenos a lavar. Começou a ler versos. Passava horas só, num mutismo, à janela, tendo sob o seu olhar de virgem loura toda a rebelião duma apaixonada. Acreditava nos amantes que escalam os balcões, entre o canto dos rouxinóis: e queria ser amada assim, possuída num mistério de noite romântica… (Eça de Queirós. Contos, s/d.)
Nesse trecho do conto, evidencia-se a ligação do escritor à estética realista, pois ele
Observe a pintura Os barqueiros do Volga, do artista ucraniano Ilia Repin.

(Andrew Graham-Dixon. Arte: o guia visual definitivo da arte, 2011.)
Pode-se relacionar corretamente essa pintura ao
Leia os versos de Camilo Pessanha para responder à questão.
De sob o cômoro1
quadrangular
Da terra fresca que me há-de inumar2
,
E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido3
,
Ainda, amigo, o mesmo meu olhar
Há-de ir humilde, atravessando o mar,
Envolver-te de preito4
enternecido,
Como o de um pobre cão agradecido.
(Clepsidra, 1987.)
1cômoro: elevação de terreno não muito alta.
2inumar: enterrar.
3olvido: esquecimento.
4preito: tributo, homenagem.
Leia os versos de Camilo Pessanha para responder à questão.
De sob o cômoro1
quadrangular
Da terra fresca que me há-de inumar2
,
E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido3
,
Ainda, amigo, o mesmo meu olhar
Há-de ir humilde, atravessando o mar,
Envolver-te de preito4
enternecido,
Como o de um pobre cão agradecido.
(Clepsidra, 1987.)
1cômoro: elevação de terreno não muito alta.
2inumar: enterrar.
3olvido: esquecimento.
4preito: tributo, homenagem.

A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de
arrependimento e suspiros de amor
Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade,
É verdade, meu Deus, que hei delinquido,
Delinquido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.
Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.
Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.
Luz, que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.
Disponível em: <http://pt.wikisource.org/wiki/Ofendi-vos,_Meu_Deus,_bem_%C3%A9_verdade> . Acesso em: 16 jun. 2014.
Da leitura do poema acima, de autoria de Gregório de Matos,
é possível afirmar:
Consolo na praia
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour
A injustiça não se resolve.
A sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 43.
Levando em conta as características próprias da poesia de
Carlos Drummond de Andrade, a relação de pertença de sua
obra ao movimento modernista estabelecida pela crítica e
considerando o poema apresentado, é possível afirmar:
O OPERÁRIO NO MAR
Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na sua blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar-lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.