Leia o poema de Manuel Bandeira e o excerto da obra Um terno...
Poema do beco
Que me importa a paisagem, a Glória, a
[baía, a linha do horizonte?
– O que eu vejo é o beco.
(BANDEIRA, 1982, p. 67).
Um terno de pássaros ao Sul
O pampa é armadura do mar,
só vejo o gatilho da espuma.
O pampa é o repuxo do céu,
só vejo as naus encalhadas.
O pampa é a natureza enervada,
só vejo a praia aterrada do Guaíba.
(CARPINEJAR, 2008, p. 54).
Os versos acima aproximam-se na perspectiva que lançam sobre a paisagem, qual seja:
Gabarito comentado
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Gabarito: E
Tema central da questão: Relação entre o sujeito poético e a paisagem, com ênfase em como o estado de ânimo do eu lírico influencia sua percepção do espaço natural ou urbano.
Conceito-chave envolvido: Ocorre, nos dois poemas, uma visão subjetiva e parcial do espaço. O sujeito lírico projeta seu sentimento pessoal sobre o cenário, distorcendo ou limitando a percepção da paisagem conforme seu estado emocional.
Justificativa da alternativa correta (E):
Em "Poema do beco", Manuel Bandeira mostra o eu lírico ignorando belezas universalmente apreciadas (paisagem, glória, baía, horizonte) para se fixar no beco — espaço restrito, simbólico do seu olhar interior, condicionado por sua emoção. Já em Carpinejar, a descrição do pampa é pontuada por metáforas pessoais (“só vejo o gatilho da espuma”, “só vejo as naus encalhadas”), sublinhando como o ambiente é vivido sob os efeitos da subjetividade.
Ambos os textos evidenciam o conceito defendido por Alfredo Bosi e Antonio Candido: a literatura frequentemente subordina o espaço à experiência emocional do poeta, moldando-o conforme a visão parcial do sujeito.
Análise das alternativas incorretas:
A) Indiferença/desterritorialização: Incorreta, pois ambos os sujeitos poéticos não agem de modo indiferente, mas sim afetados profundamente por seus ambientes.
B) Identificação/onirismo: A visão não é onírica ou plenamente integrada ao natural, mas limitada e subjetiva, sem fusão lírica entre homem e ambiente.
C) Telurismo: Não há idealização nem uma aliança harmônica com a terra, mas sim distanciamento e filtro pessoal do espaço.
D) Admiração objetiva: Os textos não exaltam a beleza objetiva do espaço, mas evidenciam leituras pessoais e restritas do ambiente.
Dica de estratégia: Atenção a expressões como “o que eu vejo” ou “só vejo”, que sinalizam perspectiva subjetiva. Em Literatura, quando o sujeito descreve ambientes “filtrando” pelo próprio sentimento, está em jogo o conceito de visão parcial e emocional, não objetiva ou totalizante.
Em resumo, escolha a alternativa que indique que a emoção do eu lírico determina sua leitura da paisagem — esse é o ponto-chave cobrado nesse tipo de questão!
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