Questões de Vestibular Sobre filosofia
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Texto 01
VII. Só podemos duvidar se existirmos: esse é o primeiro conhecimento que adquirimos quando filosofamos ordenadamente.
Como rejeitamos assim tudo aquilo em que podemos cogitar a menor dúvida ou mesmo imaginamos ser falso, supomos facilmente, com efeito, que não há Deus, nem céu, nem corpos, e que nós mesmos não temos nem mãos nem pés, tampouco, finalmente, um corpo; mas não podemos da mesma maneira supor que não existimos enquanto duvidamos da verdade de todas essas coisas; pois é repugnante conceber que aquilo que pensa não existe no momento em que pensa. Por conseguinte, o conhecimento PENSO, LOGO EXISTO, é o primeiro e mais certo que se apresenta àquele que filosofa ordenadamente.
DESCARTES, René. Princípios da Filosofia. 2. ed. São Paulo: Rideel, 2007. p. 27.
Texto 02
Um conceito básico convencional, que no momento ainda é algo obscuro, mas que nos é indispensável na psicologia, é o de um ‘instinto’. Podemos afirmar que um instinto é um estímulo aplicado à mente. Em primeiro lugar, um estímulo instintual não surge do mundo exterior, mas de dentro do próprio organismo. Por esse motivo ele atua diferentemente sobre a mente, e diferentes ações se tornam necessárias para removê-lo. Um instinto jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. Considerando a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo.
FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Ed. Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 123- 127. [Adaptado].
Analisando-se os textos apresentados e situando-os no contexto em que foram produzidos, verificamos o seguinte:
Michel Foucault, em seu livro Arqueologia do saber, propõe a noção de “formação discursiva” e a apresenta do seguinte modo: “No caso em que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, [um] sistema de dispersão, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enunciados, os conceitos, as escolhas temáticas, se puder definir a regularidade (ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações), diremos, por convenção, que se trata de uma formação discursiva”.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2022. p. 47.
Uma implicação da noção de formação discursiva para os discursos que se produzem nos diversos campos do saber é que
PLATÃO. Mênon, São Paulo: Loyola, 2001. p.53.
Considere o texto acima e assinale a alternativa INCORRETA sobre a teoria da reminiscência de Platão.
THOMAS HOBBES. Leviatã ou matéria, forma e poder de uma República eclesiástica e civil. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p.109.
Sobre o estado de guerra de todos contra todos, segundo Hobbes, considere as asserções abaixo.
I. Não há a possibilidade do desenvolvimento contínuo do trabalho e do cultivo da terra, das artes e das letras.
II. Seres humanos são dotados muito desigualmente de forças e habilidades, razão pela qual os mais fortes se tornam mais poderosos.
III. Seres humanos podem obter prazer apenas do convívio com seus amigos próximos.
IV. Não há as noções de certo e de errado, de justo e de injusto e do que é meu e do que é teu.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
DESCARTES, R. Meditações sobre Filosofia Primeira. Campinas: Unicamp, 2004, p. 39.
Sobre a trajetória meditativa de Descartes que o leva ao cogito, é INCORRETO afirmar que
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p.71
Considerando as principais teorias sobre o surgimento da filosofia, o texto acima se refere à teoria
[...] portanto, deve-se dizer que a existência de Deus e as outras verdades referentes a Deus, acessíveis à razão natural, como diz o Apóstolo, não são artigos de fé, mas preâmbulos dos artigos. A fé pressupõe o conhecimento natural, como a graça pressupõe a natureza, e a perfeição o que é perfectível. No entanto, nada impede que aquilo que, por si, é demonstrável e compreensível, seja recebido como objeto de fé por aquele que não consegue apreender a demonstração.
TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2009, p.165. V.1.
Tomando como referência o excerto acima, assinale a alternativa correta.
SANTO AGOSTINHO, O Livre Arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995, p.128.
O acesso perceptivo à realidade exterior e sensível oferece um obstáculo ao conhecimento do que é inteligível, pois o inteligível tem natureza distinta do sensível. Marque a alternativa correta acerca da resposta de Santo Agostinho a esse problema. Para ele, a realidade exterior contém em sua natureza a beleza da criação e, ao ser percebida pela alma, favorece a possibilidade do reconhecimento das verdades inteligíveis
A obra Organon constitui o primeiro estudo amplo da disciplina Lógica, embora falte essa palavra para designá-la. No início de Analíticos, Aristóteles define a disciplina que se prepara para investigar como ciência da demonstração e do saber demonstrativo. Distingue dois tipos de discurso, dialético e demonstrativo: o primeiro parte do problemático e do provável e termina necessariamente no provável; o segundo parte do verdadeiro e termina no verdadeiro.
(Nicola Abbagnano. Dicionário de filosofia, 2007. Adaptado.)
Texto 2
No Livro I, capítulo 1 de sua obra Primeiros Analíticos, Aristóteles define o que é um silogismo perfeito: “Silogismo é um argumento no qual, colocadas certas coisas, outra distinta das estabelecidas decorre necessariamente, porque essas coisas são o caso. Por ‘porque essas coisas são o caso’ quero dizer decorrer em virtude delas; por ‘decorrer em virtude delas’ quero dizer não carecer de nenhum termo externo para que o necessário venha a ser o caso”.
(Mateus R. F. Ferreira. “O que são silogismos perfeitos?”. https://revistas.ufpr.br/doispontos, 2013. Adaptado.)
Nos textos 1 e 2 está apresentada uma das principais contribuições de Aristóteles para a história da filosofia. Tal contribuição refere-se
(Lúcio Lourenço Prado. Filosofia da linguagem, 2012. Adaptado.)
O argumento lockeano mencionado tem implicações no âmbito
Fraser, N. Reconhecimento sem ética?, Lua Nova, São Paulo, 70, p. 103, 2007.
De acordo com Nancy Fraser no artigo “Reconhecimento sem ética?”, políticas de reconhecimento são necessárias para:
Hobbes, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1988, p. 30. (Coleção Os Pensadores)
De acordo com a passagem apresentada e com a obra de que foi retirada, é correto dizer que, para Thomas Hobbes:
Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 49.
Na obra Ideias para adiar o fim do mundo, Ailton Krenak sustenta que a filosofia indígena se estrutura a partir:
Chaui, M. Cultura e democracia, Crítica y emancipación: Revista latino-americana de Ciencias Sociales, n. 1, 2008, p. 75.
Cultura é um termo polissêmico, assumindo diferentes significados ao longo do tempo. Em “Cultura e democracia”, Marilena Chaui considera que a cultura se democratiza quando:
Wallace, D. F. Pense na lagosta. Uma incursão num mundo de exageros, mau gosto, prazeres e crueldade, Revista Piauí, ed. 72, set. 2012.
No texto “Pense na lagosta”, David Foster Wallace defende que:
[...] Ao criticar a democracia e ao historiar o surgimento do tirano, Platão implicitamente propõe a seguinte questão: E se for vontade do povo, não que ele próprio governe, e sim um tirano em seu lugar? O homem livre, sugere Platão, pode exercer sua absoluta liberdade a princípio desafiando as leis e, em última análise, desafiando sua própria liberdade e clamando por um tirano. Isto não é apenas uma possibilidade remota; tem acontecido numerosas vezes; e, de cada vez que aconteceu, colocou em desesperada posição intelectual todos aqueles democratas que adotam, como base final de seu credo político, o princípio do governo da maioria ou forma semelhante do princípio de soberania [...]
POPPER, Karl Raimund. A sociedade aberta a seus inimigos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. p. 138-139.
No trecho da obra A sociedade aberta a seus inimigos, o filósofo Karl Popper propõe o conceito do “paradoxo da tolerância”. De acordo com o autor,
ADORNO, Theodor. Teoria estética. Trad. Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 232. – Adaptado.
Segundo diz o filósofo alemão T. Adorno na passagem acima, o baixo nível artístico-cultural da época dominada pela indústria cultural, deve-se