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Ano: 2024 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2024 - UEG - Vestibular - Medicina (2º Semestre 2024) |
Q3509426 Filosofia

Texto 01


VII. Só podemos duvidar se existirmos: esse é o primeiro conhecimento que adquirimos quando filosofamos ordenadamente.

Como rejeitamos assim tudo aquilo em que podemos cogitar a menor dúvida ou mesmo imaginamos ser falso, supomos facilmente, com efeito, que não há Deus, nem céu, nem corpos, e que nós mesmos não temos nem mãos nem pés, tampouco, finalmente, um corpo; mas não podemos da mesma maneira supor que não existimos enquanto duvidamos da verdade de todas essas coisas; pois é repugnante conceber que aquilo que pensa não existe no momento em que pensa. Por conseguinte, o conhecimento PENSO, LOGO EXISTO, é o primeiro e mais certo que se apresenta àquele que filosofa ordenadamente.


DESCARTES, René. Princípios da Filosofia. 2. ed. São Paulo: Rideel, 2007. p. 27.



Texto 02


Um conceito básico convencional, que no momento ainda é algo obscuro, mas que nos é indispensável na psicologia, é o de um ‘instinto’. Podemos afirmar que um instinto é um estímulo aplicado à mente. Em primeiro lugar, um estímulo instintual não surge do mundo exterior, mas de dentro do próprio organismo. Por esse motivo ele atua diferentemente sobre a mente, e diferentes ações se tornam necessárias para removê-lo. Um instinto jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. Considerando a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo.


FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Ed. Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 123- 127. [Adaptado]. 



Analisando-se os textos apresentados e situando-os no contexto em que foram produzidos, verificamos o seguinte:

Alternativas

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Alternativa correta: E

Tema central: A questão contrapõe o racionalismo cartesiano (fundado no "penso, logo existo" e no dualismo entre mente e corpo) à perspectiva freudiana (que realça os instintos como impulsos somáticos que se manifestam na psique). É preciso identificar como cada autor concebe a relação entre corpo e mente.

Resumo teórico: Descartes — Cogito como certeza primeira; teoria das duas substâncias: res cogitans (mente) e res extensa (corpo). A separação é metafísica e epistemológica: a razão (mente) é fundamento do conhecimento (Princípios da Filosofia).
Freud — Instintos são estímulos de origem corporal que atravessam o psiquismo; o inconsciente e os impulsos corporais articulam mente e soma (Obras Psicológicas). Não há separação radical: há interação contínua entre o somático e o psíquico.

Justificativa da alternativa E: Ela afirma que o cartesianismo funda a separação entre corpo e alma (dualist a substancial) e que Freud aponta a íntima ligação corpo–mente através dos instintos. Isso expressa corretamente a diferença conceitual: Descartes separa substâncias; Freud destaca a origem corporal dos impulsos psíquicos. Logo, E é a resposta adequada.

Análise das alternativas incorretas: A — Incorreta: Freud não reforça o primado da razão. Ao contrário, põe em questão a supremacia racional mostrando forças inconscientes que determinam comportamentos.
B — Parcial/errada: Reduz Freud a mero pessimismo e distorce Descartes ao dizer que ele defende papel ativo igual do corpo e da alma na busca do conhecimento — para Descartes a mente é fonte do conhecimento; o corpo é extensão.
C — Errada: Descartes usa dúvida metódica para chegar a verdades — não é "ceticismo otimista" no sentido proposto — e Freud não reivindica um conhecimento objetivo da mente nos moldes cartesianos; a psicanálise explora o inconsciente, método distinto.
D — Falsa: Afirma que ambos apresentam uma divisão radical; isto não cabe a Freud, que enfatiza a interdependência entre instinto (corpo) e mente; além disso, a plena realização do sujeito não é pauta idêntica nas duas teorias.

Dica de prova: Procure palavras-chave (ex.: "substância", "instinto", "inconsciente", "penso") e compare a relação corpo/mente indicada. Evite alternativas que projetem interpretações anacrônicas (p. ex., que façam Freud defender o primado da razão).

Fontes: René Descartes, Princípios da Filosofia; Sigmund Freud, Obras Psicológicas Completas.

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