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Primeiro, verifiquei que a literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. Em segundo lugar, a literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual. Tanto num nível quanto no outro ela tem muito a ver com a luta pelos direitos humanos.
CANDIDO, Antonio. Direito à literatura. In CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1979.
A concepção de literatura como uma necessidade universal capaz de humanizar e servir como instrumento de desmascaramento das injustiças sociais fundamenta o trabalho integrativo de saberes no currículo escolar. Nesse contexto, a principal contribuição da literatura em conjunto com outros saberes para a formação integral do aluno reside em
O círculo de Bakhtin compreende o enunciado como memória discursiva, isto é, todo enunciado é uma resposta a algo já dito, orientado a um público em um dado contexto social (FARACO, 2009). Na psicologia do corpo social, os atos humanos são construídos por cadeias ininterruptas dos enunciados como, por exemplo, as conversas de corredor, as trocas de opinião nas diferentes reuniões sociais e as trocas puramente fortuitas (BAKHTIN, 2011).
CAMPOS, Paula Angélica da Silva. O gênero do discurso no ensinoaprendizagem: em direção a uma abordagem desestabilizadora e sóciohistórica da linguagem. Entretextos, Londrina, v. 18, n. 2, p. 51–76, 2018. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/31994. Acesso em: 29 nov. 2025.
A compreensão do enunciado como memória discursiva e como ato sempre orientado a um contexto social deve ser levado em consideração nas aulas de língua portuguesa para que se desloque a abordagem normativa tradicional para uma prática de ensino funcional e reflexiva. Nessa perspectiva, qual é a principal implicação metodológica para o ensino de língua que contemple a dimensão social e discursiva da linguagem?
Frequentemente, tem-se feito referência às habilidades dos falantes para distinguirem entre uma sequência aleatória de palavras e um texto. Parece inteiramente razoável admitir que, mesmo intuitivamente, tal discernimento tem em conta a forma como os elementos linguísticos se dispõem e se organizam na superfície do texto. Ou seja, distingue-se um texto de um nãotexto, também, pela sequência que as palavras assumem.
ANTUNES, Irandé. A coesão como propriedade textual: bases para o ensino do texto. Calidoscópio Vol. 7, n. 1, p. 62-71, jan/abr 2009. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/4855/2113. Acesso em: 28 nov. 2025.
A organização dos elementos na superfície textual e as relações sequenciais que as palavras assumem são a base para a distinção entre um texto e um não-texto. O conceito que define o estabelecimento dessas relações formais e estruturais entre os elementos da superfície de um texto é denominado:
É enorme o progresso que tem sido feito nos últimos cinquenta anos e hoje sabemos muito mais sobre o que as crianças fazem quando adquirem uma língua. Temos hoje formas cada vez mais sofisticadas de testar o conhecimento linguístico e não linguístico disponível às crianças desde a mais tenra idade.
QUADROS, Ronice Müller de; FINGER, Ingrid. As teorias de aquisição da linguagem. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2013.
Costuma-se acreditar que aquisição e aprendizagem são dois processos distintos. Enquanto o primeiro seria um processo natural, espontâneo, o segundo dependeria de uma intervenção planejada, com base em métodos específicos. Assim, o professor assume o papel de um transmissor de conteúdos pré-selecionados e organizados.
SALEH, Pascoalina Bailon de Oliveira. Aquisição de linguagem e ensino de língua materna: um lugar para a subjetividade. Disponível em: Uniletras, Ponta Grossa, v. 30, n. 1, p. 157-172, jan./jun. 2008. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/uniletras/article/view/192/190. Acesso em: 28 nov. 2025.
Os documentos oficiais para o ensino de língua portuguesa estão assentados em uma perspectiva de língua/linguagem que é diametralmente oposta à concepção que coloca o professor como transmissor da língua a ser aprendida pelo aluno. Embora rechaçada pelas modernas teorias linguísticas, a perspectiva aquisicional da linguagem que ainda se faz presente nas salas de aula voltada para o ensino de língua é
As pesquisas em leitura, principalmente na área da psicologia e da psicolinguística, são unânimes em afirmar que, na leitura proficiente, as palavras são lidas não letra por letra ou sílaba por sílaba, mas como um todo não analisado, isto é, por reconhecimento instantâneo e não por processamento analítico-sintético.
KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Leitura é uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza com base na relação entre o conhecimento que o leitor traz armazenado na memória e as informações veiculadas no texto.
KOCH, I. V.; ELIAS, V. Escrever e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
Acerca da atividade de leitura, os textos concebem que a leitura proficiente é dada pela combinação do reconhecimento holístico da palavra com a interação entre texto e leitor. Dentre as diversas estratégias a serem mobilizadas para aumentar a competência leitora dos alunos, o professor de língua portuguesa pode priorizar