Questões de Concurso Para monitor de transporte escolar

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Q3960781 Português

Rodando


 Adélia Prado


Depois de muita e boa chuva, Célia voltava de Belo Horizonte para sua casa no interior do Estado. Era bom viajar de ônibus, vendo, parecia-lhe que pela primeira vez, o verde rebrotando com força. Ouviu um passageiro falando pra ninguém: que cheiro de mato! Sol farto e os moradores desses conjuntos habitacionais de caixa de papelão e zinco, que brotam como grama à margem das rodovias, aproveitavam pra esquentar o couro rodeados de criança e cachorro. Os deserdados desfilavam, a moça e seu namorado com bota de imitação de peão boiadeiro iam de mãos dadas, com certeza à casa de uma tia da moça, comunicar que pretendiam se casar. Uma avó gorda com seu neto também passou, ela de sombrinha, ele de calcinha comprida de tergal. Iam aonde? Célia fantasiou, ah, com certeza na casa de uma comadre da avó, uma amiga dela de juventude. O menino ia sentir demais a morte daquela avó que lhe pegava na mão de um jeito que nem sua mãe fazia. Desceram três moços de bermuda e camisa do Clube Atlético Mineiro, e um quarto com grande inscrição na camiseta: SÓ CRISTO SALVA! Camiseta e bermuda não favorecem a ninguém, ela pensou desgostosa com a feiura das roupas. Bermudas principalmente, teria que se ter menos de dez anos pra se usar aquela invenção horrorosa. Teve dó dos moços que só conheciam futebol e dupla sertaneja. Foi um pensamento soberbo, se arrependeu na hora. Tinha preconceitos, lembrou-se de que gostara muito de um jogo de futebol em Londrina, rodeada de palavrões e chup-chup com água de torneira e famílias inteiras se esturricando gozosamente entre pão com molho e adjetivos brutais, prodigiosamente colocados, lindos e surpreendentes como as melhores invenções da poesia. Concluiu sonolenta, o mundo está certo. Uma criança começou a chorar muito alto: quero ficar aqui não, quero sentar com meu pai, quero o meu pai. A mãe parecia muito agoniada e pelo tom do choro Célia achou que ela abafava a boca da criança com uma fralda ou a apertava raivosa contra o peito, envergonhada de ter filha chorona. Suposições.



 Tudo estava muito bom naquele dia, não sofria com nada, nem ao menos quis ajudar a mãe, botar a menina no colo, estas coisas em que era presta e mestra. Assistia ao mundo, rodava macio tudo, o ônibus, a vida, nem protagonista nem autora, era figurante, nem ao menos fazia o ponto naquele teatro perfeito, era só plateia. Aplaudia, gostando sinceramente de tudo. Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer.



Extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 119.


Como Célia caracterizava as pessoas que “desfilavam” pela margem das rodovias? 
Alternativas
Q3960780 Português

Rodando


 Adélia Prado


Depois de muita e boa chuva, Célia voltava de Belo Horizonte para sua casa no interior do Estado. Era bom viajar de ônibus, vendo, parecia-lhe que pela primeira vez, o verde rebrotando com força. Ouviu um passageiro falando pra ninguém: que cheiro de mato! Sol farto e os moradores desses conjuntos habitacionais de caixa de papelão e zinco, que brotam como grama à margem das rodovias, aproveitavam pra esquentar o couro rodeados de criança e cachorro. Os deserdados desfilavam, a moça e seu namorado com bota de imitação de peão boiadeiro iam de mãos dadas, com certeza à casa de uma tia da moça, comunicar que pretendiam se casar. Uma avó gorda com seu neto também passou, ela de sombrinha, ele de calcinha comprida de tergal. Iam aonde? Célia fantasiou, ah, com certeza na casa de uma comadre da avó, uma amiga dela de juventude. O menino ia sentir demais a morte daquela avó que lhe pegava na mão de um jeito que nem sua mãe fazia. Desceram três moços de bermuda e camisa do Clube Atlético Mineiro, e um quarto com grande inscrição na camiseta: SÓ CRISTO SALVA! Camiseta e bermuda não favorecem a ninguém, ela pensou desgostosa com a feiura das roupas. Bermudas principalmente, teria que se ter menos de dez anos pra se usar aquela invenção horrorosa. Teve dó dos moços que só conheciam futebol e dupla sertaneja. Foi um pensamento soberbo, se arrependeu na hora. Tinha preconceitos, lembrou-se de que gostara muito de um jogo de futebol em Londrina, rodeada de palavrões e chup-chup com água de torneira e famílias inteiras se esturricando gozosamente entre pão com molho e adjetivos brutais, prodigiosamente colocados, lindos e surpreendentes como as melhores invenções da poesia. Concluiu sonolenta, o mundo está certo. Uma criança começou a chorar muito alto: quero ficar aqui não, quero sentar com meu pai, quero o meu pai. A mãe parecia muito agoniada e pelo tom do choro Célia achou que ela abafava a boca da criança com uma fralda ou a apertava raivosa contra o peito, envergonhada de ter filha chorona. Suposições.



 Tudo estava muito bom naquele dia, não sofria com nada, nem ao menos quis ajudar a mãe, botar a menina no colo, estas coisas em que era presta e mestra. Assistia ao mundo, rodava macio tudo, o ônibus, a vida, nem protagonista nem autora, era figurante, nem ao menos fazia o ponto naquele teatro perfeito, era só plateia. Aplaudia, gostando sinceramente de tudo. Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer.



Extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 119.


De acordo com as informações do texto, é verdadeiro afirmar que o tema geral, construído ao longo do texto, se resume em:

 

Alternativas
Q3926180 Pedagogia
A responsabilidade do monitor sobre um estudante se estende até a sua entrega segura a um adulto autorizado no ponto de desembarque ou até sua entrada no recinto escolar, sendo vedado deixá-lo sozinho em local público, mesmo que o ponto de parada tenha sido alcançado.
Alternativas
Q3926179 Pedagogia
Se um pai ou responsável, no ponto de ônibus, se apresenta de forma agressiva e verbalmente ofensiva, o monitor, amparado pelo princípio da urbanidade e para se fazer respeitar, deve responder no mesmo tom, demonstrando autoridade. 
Alternativas
Q3926178 Legislação de Trânsito
Em um cruzamento, a sinalização manual de parada executada pelo monitor de transporte escolar para a travessia de alunos tem precedência hierárquica sobre a sinalização de um semáforo que esteja verde para os veículos.
Alternativas
Q3926177 Legislação de Trânsito
Situação hipotética: O motorista do ônibus escolar realiza uma manobra que o monitor julga arriscada. Assertiva: A conduta correta do monitor é comunicar sua preocupação ao motorista de forma clara e respeitosa, priorizando a segurança imediata dos passageiros, e, independentemente da reação do motorista, registrar e reportar o fato à gestão escolar posteriormente.
Alternativas
Q3926176 Pedagogia
O dever de sigilo profissional do monitor o obriga a não comunicar à direção da escola uma suspeita de violência doméstica, caso a revelação tenha sido feita pela própria criança com um pedido expresso de segredo.
Alternativas
Q3926175 Pedagogia
No atendimento a um estudante com deficiência visual, a audiodescrição sucinta do ambiente ou do trajeto, quando realizada de forma segura e que não comprometa as demais tarefas de vigilância, é uma prática inclusiva que contribui para a orientação espacial e o bem-estar do aluno.
Alternativas
Q3926174 Pedagogia
Para um aluno com deficiência intelectual que apresenta dificuldade recorrente em compreender uma regra de segurança, a estratégia mais eficiente para o monitor é a repetição verbal da instrução, em volume cada vez mais alto, até que o aluno a memorize.
Alternativas
Q3926173 Mecânica de Autos
Ainda que o motorista opere o mecanismo de travamento da cadeira de rodas no veículo, é uma boa prática de segurança e uma responsabilidade do monitor conferir visualmente e, se possível, testar a firmeza da fixação antes de autorizar o início do deslocamento do veículo.
Alternativas
Q3926172 Pedagogia
Na ausência de um intérprete de Libras, a comunicação com um estudante surdo pode ser estabelecida de forma eficaz pelo monitor por meio de recursos como a escrita em um caderno, o uso de gestos claros e universais ou o apontamento para figuras em um cartão de comunicação.
Alternativas
Q3926171 Pedagogia
Situação hipotética: Um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta sinais de sobrecarga sensorial devido ao barulho no ônibus. Assertiva: Uma conduta adequada do monitor é conduzir o aluno, com sua permissão, a um assento mais tranquilo, oferecer um objeto de seu interesse (se houver) e comunicar-se em tom de voz baixo e calmo.
Alternativas
Q3926170 Pedagogia
Ao se aproximar de um estudante usuário de cadeira de rodas para oferecer auxílio no embarque, a abordagem correta do monitor inclui dirigir-se diretamente ao estudante, em vez de a um acompanhante, e perguntar qual a melhor forma de ajudar ou se o auxílio é de fato necessário.
Alternativas
Q3926169 Ética na Administração Pública
O princípio da urbanidade no serviço público exige que o monitor mantenha um tratamento estritamente formal e distante com os estudantes, como forma de impor autoridade e garantir a disciplina durante o trajeto.
Alternativas
Q3926168 Pedagogia
Situação hipotética: Durante uma discussão, um aluno utiliza um termo pejorativo de cunho racial contra um colega. Assertiva: A intervenção do monitor deve se limitar a separar os envolvidos e mudar seus assentos, deixando a questão disciplinar e pedagógica exclusivamente a cargo da escola, sem a necessidade de relatar a natureza específica da ofensa.
Alternativas
Q3926167 Pedagogia
A prática da escuta responsável, ao acolher o relato de um estudante, envolve uma postura de não julgamento e empatia, cujo objetivo principal é validar os sentimentos da criança ou adolescente e, se necessário, realizar o correto encaminhamento para a equipe gestora da escola ou autoridade competente.
Alternativas
Q3926166 Pedagogia
Com base nas noções do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o direito à liberdade de um adolescente de 15 anos prevalece sobre as normas de trânsito, permitindo que ele opte por não usar o cinto de segurança, cabendo ao monitor apenas registrar a ocorrência.
Alternativas
Q3926165 Pedagogia
O uso de apelidos entre os estudantes no transporte escolar, mesmo que de forma aparentemente amigável e sem queixas imediatas, deve ser uma prática observada com atenção e, se necessário, desestimulada pelo monitor, pois pode mascarar ou evoluir para situações de bullying.
Alternativas
Q3926164 Pedagogia
Na mediação de um conflito trivial entre estudantes, como uma disputa por um assento, a abordagem inicial do monitor deve ser imparcial, ouvindo as partes envolvidas para compreender a situação antes de propor uma solução ou tomar uma decisão.
Alternativas
Q3926163 Pedagogia
Situação hipotética: Uma criança relata ao monitor que é frequentemente agredida fisicamente por um familiar. Assertiva: A conduta correta e ética do monitor, a fim de resolver a situação rapidamente, é procurar os pais ou responsáveis no ponto de ônibus para confrontá-los sobre a acusação.
Alternativas
Respostas
241: C
242: C
243: C
244: E
245: E
246: C
247: E
248: C
249: E
250: C
251: C
252: C
253: C
254: E
255: E
256: C
257: E
258: C
259: C
260: E