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Q3440762 Legislação Municipal
Luís Gustavo, servidor público efetivo do município de Niterói, trabalha na área de previdência e tem algumas dúvidas sobre as situações que podem modificar o vencimento do seu cargo efetivo. De acordo com a Lei nº 531/1985, que institui o Estatuto dos Funcionários Públicos Municipais de Niterói, pode-se afirmar que:
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Q3440761 Legislação Municipal
Com base na Lei nº 531/1985, que institui o Estatuto dos Funcionários Públicos Municipais de Niterói, no que tange às penas disciplinares aplicáveis aos servidores públicos e os requisitos para sua imposição, assinale a afirmativa correta.
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Q3440760 Direito Previdenciário
À luz da Lei nº 3.851/2023, que instituiu o Plano de Cargos e Salários dos Servidores da Niterói Prev, o adicional de qualificação configura um incentivo remuneratório vinculado à formação acadêmica do servidor, observados os critérios específicos quanto à natureza do curso e sua pertinência às funções do cargo ocupado. Considerando o disposto no art. 10 e no Anexo V da referida Lei, é correto afirmar que:
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Q3440759 Direito Previdenciário
Ricardo, 68 anos, servidor público do município de Niterói, solicitou sua aposentadoria por invalidez após um acidente que resultou em um quadro de incapacidade permanente, conforme laudo médico oficial. A Junta Médica concluiu que sua incapacidade é definitiva, antes de completar o prazo da licença contínua. Diante disso, de acordo com o que diz a Lei nº 531/1985, assinale, a seguir, a providência correta quanto ao procedimento de aposentadoria de Ricardo.
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Q3440758 Direito Administrativo
O servidor público deve exercer suas funções com zelo e dedicação, buscando evitar danos tanto a administração pública quanto terceiros. Nesse sentido, com base na Lei nº 531/1985, sobre a responsabilidade dos servidores públicos do município de Niterói, assinale a afirmativa correta.
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Q3440757 Redação Oficial
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Considere a passagem: “Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.” (1º§). De acordo com as normas prescritas pelo Manual de Redação da Presidência da República (2018) para a elaboração de documentos oficiais, só NÃO se pode constatar, nesse fragmento, a infração ao princípio da:
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Q3440756 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
A respeito das relações de concordância entre verbos e seus sujeitos, são feitas as seguintes afirmativas; analise-as.

I. “Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra [...]” (8º§) O sujeito de “dizem” é indeterminado, pois não é possível identificar, textualmente, o agente responsável pela realização da ação expressa pelo verbo.

II. “Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.” (2º§) O sujeito de “exclui” é o mesmo de “inclui”.

III. “Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral.” (5º§) O sujeito de “têm” possui dois núcleos; por isso, a forma verbal “têm” recebe acento circunflexo, uma vez que está flexionada na terceira pessoa do plural.

IV. “Prefira a forma que soar melhor.” (9º§) Em construções com verbo no imperativo, normalmente o sujeito permanece implícito no contexto.

Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q3440755 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Releia esta passagem do 7º§: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono.” Assinale o único enunciado que NÃO começou com pronome oblíquo átono.
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Q3440754 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
A função sintática desempenhada pelo termo destacado no oitavo verso do poema de Oswald de Andrade – “Deixa disso camarada (3º§) – é a mesma observada em:
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Q3440753 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
O último tabu” (12º§), a que se refere o autor, pode ser ilustrado com a seguinte passagem do texto: 
Alternativas
Q3440752 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
As informações contidas no 6º§ confirmam que a próclise, em início de frase:
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Q3440751 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Observe que as palavras destacadas nos enunciados a seguir foram empregadas em sentido conotativo. Assinale a afirmativa que melhor traduz o sentido do termo destacado, considerando seu emprego no texto.
Alternativas
Q3440750 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Acerca das ideias veiculadas no texto, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3440749 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
A colocação pronominal brasileira e a lusitana se diferenciam, conforme o texto, por razões de ordem:
Alternativas
Q3440748 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Segundo o texto, em início de período, a posição enclítica do pronome oblíquo átono ainda é norma:
Alternativas
Q3440747 Redação Oficial
Dentre as partes que compõem a estrutura do ofício, o vocativo deve ser empregado de acordo com o cargo que o destinatário ocupa. Relacione adequadamente as colunas a seguir de acordo com o grau de formalidade requerida no ofício.
1. Adequado. 2. Inadequado.
( ) Senhor José. ( ) Prezado José. ( ) Senhor Deputado. ( ) Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

A sequência está correta em
Alternativas
Q3440746 Redação Oficial
Sabendo-se que na redação oficial é necessário empregar a linguagem escrita na modalidade formal ao redigir os textos produzidos pelo serviço público, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3440745 Português
Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia


De acordo com a equipe de psicólogos do estudo, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida

   Pessoas no início da vida adulta apresentam maior capacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro, como mostram evidências de um novo estudo publicado na revista científica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

   Os psicólogos que estudaram o tema descobriram que os jovens adultos são especialmente sensíveis à chamada dor social, que envolve situações de constrangimento, sofrimento e tristeza. Esta faixa etária (dos 20 até os 40 anos) tem a tendência de sentir mais empatia por outras pessoas que vivenciam a dor social do que os adolescentes (10 a 19 anos) ou adultos mais velhos (mais de 60 anos).

   “Este estudo fornece insights valiosos sobre a natureza complexa das respostas empáticas a outros com dor que atingem o pico na fase adulta jovem, como visto em suas avaliações comportamentais da intensidade da dor sentida por outros”, afirma Heather Ferguson, pesquisadora principal do artigo e professora de psicologia em Kent.

   De acordo com a pesquisa, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida, conforme a experiência social e a exposição a diferentes situações sociais e relacionadas à dor aumentam.

   Por outro lado, os dados mostraram que depois dos 60, as pessoas tendem a não sentir uma empatia tão forte ao observar a dor de outras pessoas.

  “No entanto, o cérebro se torna cada vez mais reativo a ver outros com dor à medida que envelhecemos, o que sugere que adultos mais velhos sentiram empatia no momento em que viram as fotografias de dor – mas foram menos precisos posteriormente ao avaliar a intensidade dessa dor”, conclui.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
As ocorrências de crase em “sensíveis à chamada dor social” (2º§) e “relacionadas à dor aumentam” (4º§) se justificam de acordo com:
Alternativas
Q3440744 Português
Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia


De acordo com a equipe de psicólogos do estudo, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida

   Pessoas no início da vida adulta apresentam maior capacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro, como mostram evidências de um novo estudo publicado na revista científica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

   Os psicólogos que estudaram o tema descobriram que os jovens adultos são especialmente sensíveis à chamada dor social, que envolve situações de constrangimento, sofrimento e tristeza. Esta faixa etária (dos 20 até os 40 anos) tem a tendência de sentir mais empatia por outras pessoas que vivenciam a dor social do que os adolescentes (10 a 19 anos) ou adultos mais velhos (mais de 60 anos).

   “Este estudo fornece insights valiosos sobre a natureza complexa das respostas empáticas a outros com dor que atingem o pico na fase adulta jovem, como visto em suas avaliações comportamentais da intensidade da dor sentida por outros”, afirma Heather Ferguson, pesquisadora principal do artigo e professora de psicologia em Kent.

   De acordo com a pesquisa, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida, conforme a experiência social e a exposição a diferentes situações sociais e relacionadas à dor aumentam.

   Por outro lado, os dados mostraram que depois dos 60, as pessoas tendem a não sentir uma empatia tão forte ao observar a dor de outras pessoas.

  “No entanto, o cérebro se torna cada vez mais reativo a ver outros com dor à medida que envelhecemos, o que sugere que adultos mais velhos sentiram empatia no momento em que viram as fotografias de dor – mas foram menos precisos posteriormente ao avaliar a intensidade dessa dor”, conclui.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
Considerando as informações expressas nos dois últimos parágrafos, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3440743 Português
Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia


De acordo com a equipe de psicólogos do estudo, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida

   Pessoas no início da vida adulta apresentam maior capacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro, como mostram evidências de um novo estudo publicado na revista científica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

   Os psicólogos que estudaram o tema descobriram que os jovens adultos são especialmente sensíveis à chamada dor social, que envolve situações de constrangimento, sofrimento e tristeza. Esta faixa etária (dos 20 até os 40 anos) tem a tendência de sentir mais empatia por outras pessoas que vivenciam a dor social do que os adolescentes (10 a 19 anos) ou adultos mais velhos (mais de 60 anos).

   “Este estudo fornece insights valiosos sobre a natureza complexa das respostas empáticas a outros com dor que atingem o pico na fase adulta jovem, como visto em suas avaliações comportamentais da intensidade da dor sentida por outros”, afirma Heather Ferguson, pesquisadora principal do artigo e professora de psicologia em Kent.

   De acordo com a pesquisa, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida, conforme a experiência social e a exposição a diferentes situações sociais e relacionadas à dor aumentam.

   Por outro lado, os dados mostraram que depois dos 60, as pessoas tendem a não sentir uma empatia tão forte ao observar a dor de outras pessoas.

  “No entanto, o cérebro se torna cada vez mais reativo a ver outros com dor à medida que envelhecemos, o que sugere que adultos mais velhos sentiram empatia no momento em que viram as fotografias de dor – mas foram menos precisos posteriormente ao avaliar a intensidade dessa dor”, conclui.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
Apesar de empregada com alguma frequência, qual estrutura NÃO está em conformidade com a linguagem padrão no título “Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia”?
Alternativas
Respostas
301: D
302: D
303: D
304: D
305: C
306: A
307: C
308: D
309: C
310: C
311: C
312: B
313: B
314: C
315: B
316: C
317: B
318: D
319: C
320: B