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Q4246946 Matemática
Em um tribunal, uma audiência estava prevista para ter início às 8h e término às 11h40min. Por conta de problemas técnicos, a sessão iniciou com atraso de 1 hora e 25 minutos em relação ao horário originalmente previsto. Porém, mesmo com o atraso no horário de início, a audiência foi encerrada 50 minutos antes do horário previsto para o seu término. Dessa forma, pode-se afirmar que o tempo efetivo de duração da audiência foi de:
Alternativas
Q4246945 Matemática
Em uma ação judicial, uma empresa foi condenada ao pagamento de uma multa de R$ 230.000,00. Além desse valor, a empresa também deverá pagar custos adicionais correspondentes a 18% do valor da multa. Dessa forma, pode-se afirmar que o valor total a ser desembolsado pela empresa (multa mais custos adicionais) será de:
Alternativas
Q4246944 Matemática
Um perito recebeu R$ 5.400,00 por 12 horas de trabalho na elaboração de um laudo técnico. Considerando que o valor recebido é diretamente proporcional ao número de horas trabalhadas e que a taxa de pagamento por hora permanece constante em novos trabalhos, o valor a ser recebido pelo mesmo perito por um trabalho de 21 horas será de:
Alternativas
Q4246943 Matemática
Um funcionário deve arquivar 1.188 páginas de um processo em 9 pastas, de modo que todas as pastas tenham a mesma quantidade de páginas. Em seguida, cada pasta deve ser subdividida em 4 seções internas, também com a mesma quantidade de páginas em cada seção. Nessas condições, o número de páginas em cada seção interna de uma pasta será de:
Alternativas
Q4246942 Português
Analise as sentenças a seguir a assinale aquela em que a grafia da palavra destacada está correta: 
Alternativas
Q4246940 Português
A respeito da concordância nominal, analise as sentenças a seguir

I.No que se refere à flexão de gênero, os numerais são invariáveis, exceto um/uma, dois/duas e ambos/ambas. Nesse caso, é correta a seguinte construção, considerando a concordância nominal: Ambas as mãos agarraram o livro como se este fosse o único bem que ela possuía.
II.Se o sujeito da oração tiver por núcleo o substantivo milhões , acompanhado de adjunto preposicionado no plural, cujo núcleo é um feminino, o particípio ou o adjetivo pode concordar no masculino com seu núcleo, ou no feminino, com o substantivo preposicionado do adjunto. Nesse caso, são corretas as duas concordâncias: Ministro da Educação prevê mais de 4,5 milhões de pessoas inscritos/inscritas no Enem em 2026.
III.Os adjuntos que acompanham milhar concordam com seus núcleos, sendo corretas as seguintes construções quanto à concordância nominal: Alguns milhares de alunos de Ensino Médio se inscreveram para o Enem em 2026 e Algumas milhares de alunas do Ensino Médio se inscreveram para o Enem em 2026.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4246938 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Se o flaneur* do século 19 prenunciava a crise de identidade, hoje o cidadão globalizado tem de se entender com seus outros espaços e tempos, que não passam somente pelo estar aqui e agora. Aqui não mais representa um lugar, e agora não mais representa um momento.


É claro que não se trata aqui de um tratado sobre guerra/terrorismo, ou mesmo sobre o conceito de nação, mas sim de tentar, pelo viés artístico, apontar as transformações por que passa nossa cultura contemporânea, marcada pela visualidade e por um estágio de intensa mistura entre as mais diversas formas de construção imagética, na qual temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real.


Para o filósofo Alain Renaud, que se tem destacado por suas análises das relações entre a cultura e a tecnologia, a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo. Dentro dessas novas estruturas, aquela que o autor denomina "imagem espetáculo" é substituída pelo "simulacro interativo", o que gera uma transformação radical não apenas no conceito de representação, mas, sobretudo, na relação com o real.


Se analisarmos a mídia, a indústria cultural vem (re)tratando a sociedade como um espetáculo; ela tem autoridade para transformar eventos tão díspares como guerra ou vida cotidiana em simulacros de shows e games. Podemos afirmar que não estamos mais no terreno do Grande Irmão, de George Orwel, em seu livro 1984, e sim imersos no universo descrito por Peter Weil no filme Truman Show (1998), que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.


Não é gratuito, aqui, substituir uma referência literária por uma cinematográfica. É claro que a indústria cultural não despreza a literatura, mas o cinema há muito tempo substituiu no imaginário popular, ou das massas, para usar uma expressão cara à indústria cultural, a referência cultural. [...]


(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-moda-como-manifesto-da-arte/. Acesso em: 02 jul. 2026. Adaptado.) *pessoa (do sexo masculino) que perambula, observando o que vê; flanador

No processo de construção do texto e dos sentidos, a coesão textual é essencial para articular as ideias e evitar repetições desnecessárias e ideias confusas. No texto, o autor lançou mão de recursos coesivos que possibilitaram apresentar um texto claro para o leitor. Analise as sentenças a seguir, considerando o texto como um todo, e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)No terceiro parágrafo, o autor faz a seguinte construção: Dentro dessas novas estruturas . O pronome demonstrativo "essas" estabelece uma relação com algo que já foi mencionado explícita ou implicitamente no texto. No caso, o leitor precisa mobilizar seus conhecimentos prévios e compreender que o pronome se refere ao conjunto de ideias expressas em "a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo", interpretando quais "novas estruturas" estão contidas dentro desse conjunto.
(__)Ainda no terceiro parágrafo, o pronome demonstrativo "aquela" não tem referente explícito no texto, o que torna impossível para o leitor deduzir ou entender a respeito de que o autor trata. Isso resulta em um problema de coesão textual.
(__)No trecho: a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo , o pronome relativo "que" se refere a "processos" (de simulação interativa) e poderia ser substituído por "os quais", mantendo o sentido do texto.
(__)No quarto parágrafo, especificamente no trecho que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo , o primeiro pronome destacado tem como referente Truman Show. Já o segundo deixou o trecho ambíguo porque não é possível identificar com clareza se ele se refere a "vendedor de seguros" ou a "Jim Carrey".

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4246937 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Se o flaneur* do século 19 prenunciava a crise de identidade, hoje o cidadão globalizado tem de se entender com seus outros espaços e tempos, que não passam somente pelo estar aqui e agora. Aqui não mais representa um lugar, e agora não mais representa um momento.


É claro que não se trata aqui de um tratado sobre guerra/terrorismo, ou mesmo sobre o conceito de nação, mas sim de tentar, pelo viés artístico, apontar as transformações por que passa nossa cultura contemporânea, marcada pela visualidade e por um estágio de intensa mistura entre as mais diversas formas de construção imagética, na qual temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real.


Para o filósofo Alain Renaud, que se tem destacado por suas análises das relações entre a cultura e a tecnologia, a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo. Dentro dessas novas estruturas, aquela que o autor denomina "imagem espetáculo" é substituída pelo "simulacro interativo", o que gera uma transformação radical não apenas no conceito de representação, mas, sobretudo, na relação com o real.


Se analisarmos a mídia, a indústria cultural vem (re)tratando a sociedade como um espetáculo; ela tem autoridade para transformar eventos tão díspares como guerra ou vida cotidiana em simulacros de shows e games. Podemos afirmar que não estamos mais no terreno do Grande Irmão, de George Orwel, em seu livro 1984, e sim imersos no universo descrito por Peter Weil no filme Truman Show (1998), que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.


Não é gratuito, aqui, substituir uma referência literária por uma cinematográfica. É claro que a indústria cultural não despreza a literatura, mas o cinema há muito tempo substituiu no imaginário popular, ou das massas, para usar uma expressão cara à indústria cultural, a referência cultural. [...]


(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-moda-como-manifesto-da-arte/. Acesso em: 02 jul. 2026. Adaptado.) *pessoa (do sexo masculino) que perambula, observando o que vê; flanador

No segundo parágrafo do texto, a expressão "por que" foi usada corretamente:

É claro que não se trata aqui de um tratado sobre guerra/terrorismo, ou mesmo sobre o conceito de nação, mas sim de tentar, pelo viés artístico, apontar as transformações por que passa nossa cultura contemporânea, marcada pela visualidade e por um estágio de intensa mistura entre as mais diversas formas de construção imagética, na qual temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real.

As sentenças a seguir foram adaptadas a partir de trechos do texto. Analise cada uma quanto ao uso dos porquês:

I.A indústria cultural (re)trata a sociedade como um espetáculo porque ela tem autoridade para transformar eventos tão díspares como guerra ou vida cotidiana em simulacros de shows e games.
II.No contexto atual, é preciso compreender o porquê de o cinema, há muito tempo, ter substituído, no imaginário popular, a referência cultural.
III.Por quê o cidadão globalizado tem de se entender com seus outros espaços e tempos, que não passam somente pelo estar aqui e agora?
IV.Se há diversas formas de construção imagética e temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real, também precisamos entender por que.

Está correto o uso em:
Alternativas
Q4246936 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
De acordo com o texto, "Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras 'emocionais', 'agressivas' ou 'difíceis'. Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada". Tendo isso em consideração e a leitura do texto como um todo, e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Quando se discute a misoginia, situações como a descrita na citação não costumam ser vistas como violência porque não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Entretanto, esses comentários, supostamente banais, movimentam a forma como a mulher é vista pela sociedade, isto é, ela deixa de ser considerada uma interlocutora legítima para se tornar alguém passível, por exemplo, de ridicularização.
(__)As redes sociais virtuais, por exemplo, ampliaram as possibilidades de gestos misóginos, uma vez que são espaços usados para ataques coordenados e campanhas de intimidação. Porém, isso se limita às mulheres públicas, que são mais visíveis e suscetíveis à misoginia, não atingindo mulheres comuns.
(__)A misoginia se materializa tanto naqueles episódios considerados tipicamente violentos quanto em gestos cotidianos entendidos como corriqueiros, pequenos, muitas vezes resumidos a "foi só uma brincadeira". Esses gestos reproduzem o discurso misógino, reduzindo e deslegitimando a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4246935 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
De acordo com Evanildo Bechara, os sinais de pontuação são um sistema de reforço da escrita, constituído de sinais sintáticos, destinados a organizar as relações e a proporção das partes do discurso e das pausas orais e escritas, além de participarem de todas as funções da sintaxe, gramaticais, entonacionais e semânticas. Tendo isso em consideração e mobilizando seus conhecimentos a respeito do assunto, analise as sentenças que seguem. Atente-se ao fato de que os usos dos sinais de pontuação devem ser analisados também à luz do texto como um todo e não apenas das partes destacadas:

I.No trecho: Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação , entre os vários empregos possíveis das aspas, elas foram usadas para ressaltar as expressões dentro do texto, destacando-as, e não para dar-lhes um sentido particular.
II.No trecho: Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada , tem-se o uso da vírgula para separar a oração subordinada adverbial anteposta à oração principal, marcando seu deslocamento ou a quebra da ordem natural da estrutura frasal.
III.No trecho: Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva , os dois-pontos foram usados corretamente, uma vez que indicam uma suspensão do discurso ao qual se segue a explicação, o detalhamento de uma informação.
IV.Nos excertos: Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder e Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação , os travessões foram usados pelo mesmo motivo, delimitando um adendo, um comentário ou uma ponderação que se intercala no discurso. Nos dois casos, o uso de parênteses também é uma opção válida e possível.

Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4246934 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
De acordo com Cunha e Cintra, certas conjunções coordenativas podem, no discurso, assumir variados matizes significativos de acordo com a relação que estabelecem entre as palavras e orações coordenadas, ou seja, o sentido das conjunções, ainda que possa ser típico, ele será realmente dado pelo contexto em que a conjunção é dada. É o que acontece no excerto a seguir, em que a conjunção "mas", considerada tipicamente adversativa, tem valor aditivo:
"Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público."

Analise as sentenças a seguir, considerando as conjunções destacadas e a relação de sentido construída entre as orações. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)"Tanto tenho estudado e não sei nada." — A conjunção estabelece uma relação adversativa.
(__)"Qualquer movimento, e colocará tudo a perder." — A conjunção estabelece um sentido de consequência.
(__)"Depois de tanta luta para sobreviver, uma luz bruxuleante mas teimosa insistia em brilhar em seus olhos." — A conjunção indica uma atenuação ou compensação.
(__)"Continuou a conversa interrompida com aquela pessoa que tinha olhos vívidos e atentos, mas uma terrível falta de ouvido, afinal, não se pode ter tudo." — A conjunção estabelece o sentido de restrição. 

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4246933 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
A leitura e a interpretação de um texto não acontecem apenas considerando o que está materializado linguisticamente na superfície textual. Interpretar um texto demanda do leitor conhecimentos prévios, habilidade de fazer inferências, entre outras habilidades.
A partir da leitura do texto como um todo e não apenas de partes pontuais, analise as sentenças a seguir:

I.De acordo com a autora, as mulheres enfrentam barreiras estruturais para ocuparem e permanecerem em espaços de liderança. Essa desigualdade se aprofunda ao considerar aspectos como raça, origem social e política. Nos espaços institucionais de poder, as mulheres são minoria, mesmo representando mais da metade da população brasileira.
II.Nos contextos de liderança, é comum haver dois pesos e duas medidas quando o assunto é o comportamento de quem lidera. A autora constatou que homens que demonstram segurança, decisão e firmeza nas atitudes e palavras são reconhecidos como líderes firmes e preparados; essa mesma postura costuma ser vista como inadequada para líderes mulheres, reconhecidas como arrogantes ou instáveis emocionalmente.
III.Uma das percepções da autora, ao estudar gênero, pobreza e raça, é sobre a noção de pertencimento, especialmente das mulheres negras e em vulnerabilidade social. No geral, a autora constatou que elas não se veem como sujeitos que podem ocupar lugares de influência e de poder.

De acordo com o texto, é correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4246357 Noções de Informática
A Controladoria de determinado Município implantou um sistema eletrônico integrado de controle interno, com armazenamento em nuvem, painéis de Business Intelligence (BI), assinatura digital de documentos e banco de dados destinado ao acompanhamento da execução orçamentária e contratual. Durante uma auditoria, os servidores elaboraram relatórios no Word, consolidaram dados no Excel, apresentaram resultados no PowerPoint e encaminharam documentos por correio eletrônico institucional. Nesse contexto, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Q4246356 Direito Financeiro
Durante auditoria realizada na Câmara Municipal, a Unidade de Controle Interno identificou:
I. contratação direta sem adequada instrução processual e sem registro no PNCP;
II. inscrição de restos a pagar sem disponibilidade de caixa;
III. divergências entre o inventário patrimonial e os registros contábeis;
IV. publicação incompleta de dados no Portal da Transparência; e
V. existência de documentos contendo dados pessoais sensíveis sem observância dos protocolos de segurança da informação.
Diante desse cenário, o Controlador Interno emitiu relatório com recomendações ao Presidente da Câmara, comunicou os fatos ao Tribunal de Contas e determinou a elaboração de plano de ação corretivo. À luz da Constituição Federal, da Lei Complementar nº 101/2000, das Leis nº 4.320/1964, nº 12.527/2011, nº 13.709/2018 e nº 14.133/2021, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4246355 Direito Administrativo
Após realizar inventário patrimonial anual, uma Câmara Municipal constatou que diversos equipamentos permanentes estavam obsoletos e antieconômicos. Simultaneamente, foi instaurado procedimento para contratação de sistema eletrônico de gestão patrimonial, precedido de estudo técnico, análise de riscos e inclusão no Plano Anual de Contratações. À luz da legislação vigente, a situação descrita evidencia 
Alternativas
Q4246354 Direito Constitucional
Durante os trabalhos de uma CPI municipal, foram solicitados documentos do Poder Executivo, alguns contendo dados pessoais de terceiros.
Nessa hipótese, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Q4246353 Auditoria Governamental
O Controle Interno de determinado Município identificou, durante auditoria operacional, a realização de despesas sem adequada programação financeira, a inscrição de restos a pagar sem suficiente disponibilidade de caixa e falhas na execução de controles preventivos. Em razão disso, expediu relatório contendo recomendações ao gestor e encaminhou informações ao Tribunal de Contas. Nesse caso, a atuação do órgão de controle interno está fundamentada 
Alternativas
Q4246352 Auditoria
À luz dos princípios da ética no serviço público e da responsabilidade funcional dos agentes públicos, analise as afirmativas:
I. A ética administrativa constitui parâmetro de legitimidade da atuação estatal, exigindo do agente público comportamento compatível com a moralidade administrativa, ainda que formalmente amparado pela legalidade.
II. O exercício das atividades de controle governamental exige observância dos deveres de independência, integridade, objetividade e sigilo profissional, sem prejuízo do dever de transparência nos limites legais.
III. O conflito de interesses configura-se apenas quando o agente público obtém vantagem econômica direta, sendo irrelevantes interesses privados de natureza pessoal, familiar ou profissional.
IV. O dever de sigilo funcional não impede o fornecimento de informações quando houver autorização legal, determinação judicial ou hipótese de transparência expressamente prevista no ordenamento jurídico. 
V. A prevenção de fraudes e a promoção da integridade administrativa constituem mecanismos de governança e de controle destinados à redução de riscos e ao fortalecimento da confiança na Administração Pública.
VI. A violação dos deveres éticos e funcionais pode ensejar responsabilização administrativa do agente público, independentemente da eventual responsabilização civil e penal.
VII. A moralidade administrativa possui natureza meramente programática e não produz efeitos jurídicos para fins de controle dos atos praticados pela Administração Pública.
VIII. A conduta funcional do servidor exige observância dos deveres de lealdade institucional, imparcialidade e probidade, vedada a utilização do cargo para obtenção de benefícios pessoais ou de terceiros.
Está CORRETO o que se afirma em
Alternativas
Q4246351 Redação Oficial
À luz do Manual de Redação da Presidência da República (MRPR) e das normas de redação oficial, analise as afirmativas:
I. A Redação Oficial orienta-se, entre outros atributos, pela clareza, concisão, objetividade, coesão, coerência, formalidade e uso da normapadrão da Língua Portuguesa.
II. O parecer técnico caracteriza-se pela manifestação especializada destinada à análise e à fundamentação de determinada matéria, podendo subsidiar a tomada de decisão administrativa.
III. O relatório técnico destina-se exclusivamente à emissão de opinião conclusiva sobre questão jurídica, substituindo o parecer sempre que houver recomendação ao gestor.
IV. A correspondência oficial e as comunicações administrativas devem observar padronização formal, impessoalidade e identificação do signatário e do órgão expedidor.
V. A elaboração de documentos oficiais exige linguagem rebuscada e expressões de tratamento cerimoniosas, ainda que comprometam a objetividade e a clareza do texto.
VI. O Manual de Redação da Presidência da República constitui referência para a elaboração de expedientes oficiais e para a uniformização das comunicações na Administração Pública.
VII. O emprego da linguagem simples e precisa, sem prejuízo da formalidade administrativa, é compatível com os princípios da Redação Oficial.
VIII. O parecer técnico, o relatório técnico e as demais comunicações administrativas integram os instrumentos de documentação e formalização dos atos da Administração Pública.
Está CORRETO o que se afirma em
Alternativas
Q4246350 Contabilidade Pública
Analise as afirmativas:
I. O controle patrimonial abrange o registro, a movimentação, o inventário, a depreciação, a reavaliação e o desfazimento dos bens públicos.
II. O tombamento consiste no registro administrativo do bem para fins de identificação e controle patrimonial.
III. O inventário patrimonial anual limita-se à conferência física dos bens móveis.
IV. A depreciação e a reavaliação visam evidenciar, respectivamente, a perda de valor e a adequação do valor contábil dos bens.
V. O desfazimento de bens públicos pode ocorrer mediante alienação, transferência, doação ou inutilização, observada a legislação aplicável. VI. O almoxarifado é responsável exclusivamente pelo controle de materiais permanentes.
VII. O controle de materiais permanentes e de consumo exige registros e mecanismos de rastreabilidade.
VIII. A gestão patrimonial não produz efeitos contábeis nem influencia a prestação de contas.
Está CORRETO o que se afirma em
Alternativas
Respostas
301: E
302: E
303: B
304: E
305: B
306: C
307: D
308: E
309: A
310: D
311: D
312: E
313: C
314: C
315: C
316: D
317: B
318: B
319: C
320: B