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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão que a ele se refere.
Texto 01
Jardins
Rubem Alves
[...] Menino, os jardins eram o lugar de minha maior felicidade. Dentro da casa os adultos estavam sempre vigiando: “Não mexa aí, não faça isso, não faça aquilo...” O Paraíso foi perdido quando Adão e Eva começaram a se vigiar. O inferno começa no olhar do outro que pede que eu preste contas. E como as crianças são seres paradisíacos, eu fugia para o jardim. Lá eu estava longe dos adultos. Eu podia ser eu mesmo. O jardim era o espaço da minha liberdade. As árvores eram minhas melhores amigas. A pitangueira, com seus frutinhos sem vergonha. Meu primeiro furto foi o furto de uma pitanga: “furto” – “fruto” – é só trocar uma letra.... Até mesmo inventei uma maquineta de roubar pitangas... Havia uma jabuticabeira que eu considerava minha, em especial. Fiz um rego à sua volta para que ela bebesse água todo dia. Jabuticabeiras regadas sempre florescem e frutificam várias vezes por ano. Na ocasião da florada era uma festa. O perfume das suas flores brancas é inesquecível. E vinham milhares de abelhas. No pé de nêspera eu fiz um balanço. Já disse que balançar é o melhor remédio para depressão. Quem balança vira criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado! [...]
Disponível em: https://www.pensador.com/cronicas/rubem_alves/. Acesso em: 28 set. 2023.
Considerando-se a gramática, a descrição abaixo se refere à:
É a propriedade pela qual uma unidade de um estrato inferior pode funcionar por si só — isto é, combinando-se com zero — em estratos superiores, podendo chegar até ao estrato do texto e aí opor-se a unidades próprias desse novo estrato. Assim, um monema pode, em princípio, funcionar como palavra; uma palavra como grupo de palavras, e assim sucessivamente.
Considerando-se os gêneros textuais diversos, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(1) Receita.
(2) Fábula.
(3) História em quadrinhos.
( ) Seus personagens são animais. No final, é apresentada uma moral da história.
( ) A história é contada por meio de recursos visuais (sequência de desenhos) e verbais (balões de fala e de pensamento e onomatopeias).
( ) Esse tipo de texto visa explicar procedimentos e sugere como algo deve ser realizado, quais materiais utilizar e quais procedimentos seguir.
A pragmática estuda a relação entre a estrutura da linguagem e seu uso, o que havia ficado excluído das correntes da linguística anteriores, as quais se concentraram em outros objetos teóricos. Uma noção central para a pragmática é a de enunciado performativo. Trata-se de enunciados que, ao nomearem uma ação, realizam a ação nomeada. Nesse caso, a realização da ação se dá com a enunciação da frase. Em relação aos enunciados performativos, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) Quando uma criança diz “Eu prometo que vou estudar mais”, a ação de prometer se realiza no ato de dizer “Eu prometo”. Esse é um exemplo de enunciado performativo.
( ) Além de exprimirem a realização de uma ação ao serem enunciados, os performativos também podem descrever um estado de coisas, como em “O céu é azul”, podendo se tratar de uma afirmação verdadeira ou falsa.
( ) Para que um enunciado performativo se realize, é suficiente que seja proferido, independentemente da pessoa em questão.
( ) Todo enunciado performativo se apresenta na forma afirmativa, na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo da voz ativa.
Considerando-se o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(1) As estruturas linguísticas.
(2) A aquisição da fala.
(3) As variações linguísticas.
( ) O que vale na comparação entre línguas vale na comparação entre dialetos de uma mesma língua. Dialetos populares e dialetos padrões se distinguem em algumas coisas, mas não pela complexidade das respectivas gramáticas. As diferenças mais importantes entre eles estão ligadas à avaliação social que deles se faz, avaliação que passa, em geral, pelo valor atribuído pela sociedade aos usuários típicos de cada dialeto.
( ) As línguas fornecem também meios de constituição de identidade social. Por isso seria estranho uma pessoa idosa falar como uma criança, um advogado falar como um jovem "descolado" em sua prática, etc. Muitos meninos não podem usar a chamada linguagem correta na escola, sob pena de serem marcados pelos colegas, porque em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina.
( ) Se as línguas e os dialetos são complexos, e se os falantes os conhecem porque os falam, então os falantes, inclusive os alunos, têm conhecimento de uma estrutura complexa.
Entre a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XIX, observa-se a predominância do Romantismo na civilização ocidental. Sobre os traços que compõem esse estilo de época na literatura brasileira, analisar os itens abaixo:
I. A fim de fugir da situação de conflito com o mundo atual, o sujeito romântico se volta para o passado, o que, no Brasil, se configurou com um retorno às origens da nacionalidade, por meio da exaltação da figura indígena, caso de O guarani, de José de Alencar.
II. Retrata-se a vida de pessoas comuns, geralmente humildes, cujo comportamento é determinado por forças sociais, caso de O cortiço, de Aluísio Azevedo.
III. Ocorre a idealização da mulher, a qual aparece, muitas vezes, como uma figura inatingível, convertida em anjo, associada à morte, caso de alguns poemas de Álvares de Azevedo.
Está(ão) CORRETO(S):
Considerando-se a teoria literária, sobre o narrador, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) No romance, pela própria extensão de sua matéria, o narrador pode fazer comentários e provocar interrupções, quebrando a linearidade, que é a sequência cronológica de um relato.
( ) No conto, o narrador deve ater-se exclusivamente ao evento central e apresentá-lo ordenadamente, sem quebra de sequência, desde o início até o desfecho, evitando digressões ou desvios de qualquer tipo.
A humanidade levou milênios para estabelecer a relação entre um grafismo e um som. Durante esse período, a representação gráfica deixou de ser motivada pelos objetos e ocorreu um deslocamento da representação do significado das palavras para a representação convencional de sons dessas palavras. Segundo a BNCC, pesquisas sobre a construção da língua escrita pela criança mostram que, nesse processo, é preciso:
I. Compreender o modo de relação entre fonemas e grafemas, em uma língua específica.
II. Perceber quais sons se deve representar na escrita e como.
III. Construir a relação fonema-grafema: a percepção de que as letras estão representando certos sons da fala em contextos precisos.
Estão CORRETOS:
I. A renda familiar.
II. Os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais.
III. A restrição de participação.
IV. Os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo.
Estão CORRETOS:
Para os efeitos da lei que dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, considera-se criança a pessoa até ________ de idade incompletos.

(Disponível em: https://pt-br.facebook.com/linguaportuguesa07/posts/mais-tirinhas-wwwlinguaportuguesablogbrtirinhas-relacionadas-as-letras/2736670563013564/)
É possível inferir, com base na leitura realizada, que o papel do professor é:
Como contribuir com a formação de leitores nos Anos Finais do Fundamental?
É importante ouvir os interesses dos alunos, abrir espaço para debates e reflexões e colocar as obras em diálogo com a realidade dos estudantes
[...]
Michelli, atualmente com 36 anos, se formou em Letras e se especializou em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, atua como docente de Língua Portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental na EBM Paulina Wagner, em Blumenau, e na EEF Clara Donner, em Timbó, ambas no interior de Santa Catarina. Em 2020, ela foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 com o projeto O podcast na sala de aula: oralidade, escrita e tecnologia.
Mas, mesmo apreciando muito os livros e suas histórias, Michelli tinha dificuldade de inserir o trabalho com a leitura literária nas suas aulas. “Eu incentivava [a leitura] e conversava com os alunos, mas era difícil trabalhar um livro inteiro, especialmente por serem textos mais longos e pela questão do acesso às obras. Por mais que a gente tivesse biblioteca, não contávamos ainda com o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] Literário, que garantiria obras a todos os alunos. Isso era um entrave”, diz.
Contextualização, discussões e reflexões
Essa realidade começou a mudar em 2019, quando ela fazia mestrado em Letras na UFSC e teve a ideia de desenvolver um projeto literário a partir do livro O menino do dedo verde, clássico infanto-juvenil do escritor francês Maurice Druon. “Em uma das disciplinas do mestrado, nós estudamos alguns critérios de qualidade de uma obra infantojuvenil. Achei esse livro uma ótima escolha por ter também capítulos curtos e algumas ilustrações, adequado para turmas de 6º ano, com as quais trabalhei”, explica. Com isso, a professora partiu para a prática em sala de aula: primeiro, fez a apresentação do autor, contextualizando a época em que a obra foi escrita. Depois, para motivar a leitura, relacionou o livro com outros textos que dialogam com a história. Como o enredo aborda a temática da guerra, Michelli decidiu mostrar o trailer do filme O menino do pijama listrado — inspirado no livro homônimo, de John Boyne — a fim de ampliar o olhar dos alunos para um dos assuntos tratados. Os primeiros capítulos foram lidos em sala, e depois a professora combinou prazos para que os estudantes lessem e pudessem discutir alguns temas em grupo.
Para ela, a prática de sempre contextualizar algum assunto que aparecia na história e recorrer a materiais complementares foi essencial para engajar a turma, que se envolveu com a trama. Em um trecho da obra, o garoto visita uma cadeia, e esse foi o gancho para falar com os alunos sobre o sistema prisional brasileiro. Com o auxílio de um infográfico, a conversa rendeu um bom debate sobre direitos humanos. Em outra parte da história, o menino conhece uma favela e usa o poder de seu dedo para florir o lugar. Com isso, Michelli propôs uma discussão que partiu de uma reportagem sobre artistas plásticos que fizeram diversas pinturas nas casas de uma comunidade no México, ação que colaborou para melhorar a segurança das pessoas.
“São discussões que acontecem a partir da
história, e não cobranças com questionários e fichas
de leitura. A proposta é sempre ter conversas sobre
algo que surgiu na narrativa, mas que vai mais a fundo em questões que nos fazem refletir, que é uma das
coisas que a literatura provoca na gente”, comenta.
Para encerrar o trabalho com O menino do dedo
verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em
um vaso e o entregaram para alguém que estava
precisando de um gesto de gentileza. Depois,
escreveram um depoimento sobre esse momento.
[...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21390/
como-contribuir-com-a-formacao-de-leitores-nos-anos-finaisdo-fundamental)
Leia o fragmento a seguir:
“Para encerrar o trabalho com O menino do dedo verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em um vaso e o entregaram para alguém que estava precisando de um gesto de gentileza.”
Os verbos PLANTAR e PRECISAM, no contexto
supracitado, estão corretamente identificados como,
respectivamente:
Como contribuir com a formação de leitores nos Anos Finais do Fundamental?
É importante ouvir os interesses dos alunos, abrir espaço para debates e reflexões e colocar as obras em diálogo com a realidade dos estudantes
[...]
Michelli, atualmente com 36 anos, se formou em Letras e se especializou em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, atua como docente de Língua Portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental na EBM Paulina Wagner, em Blumenau, e na EEF Clara Donner, em Timbó, ambas no interior de Santa Catarina. Em 2020, ela foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 com o projeto O podcast na sala de aula: oralidade, escrita e tecnologia.
Mas, mesmo apreciando muito os livros e suas histórias, Michelli tinha dificuldade de inserir o trabalho com a leitura literária nas suas aulas. “Eu incentivava [a leitura] e conversava com os alunos, mas era difícil trabalhar um livro inteiro, especialmente por serem textos mais longos e pela questão do acesso às obras. Por mais que a gente tivesse biblioteca, não contávamos ainda com o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] Literário, que garantiria obras a todos os alunos. Isso era um entrave”, diz.
Contextualização, discussões e reflexões
Essa realidade começou a mudar em 2019, quando ela fazia mestrado em Letras na UFSC e teve a ideia de desenvolver um projeto literário a partir do livro O menino do dedo verde, clássico infanto-juvenil do escritor francês Maurice Druon. “Em uma das disciplinas do mestrado, nós estudamos alguns critérios de qualidade de uma obra infantojuvenil. Achei esse livro uma ótima escolha por ter também capítulos curtos e algumas ilustrações, adequado para turmas de 6º ano, com as quais trabalhei”, explica. Com isso, a professora partiu para a prática em sala de aula: primeiro, fez a apresentação do autor, contextualizando a época em que a obra foi escrita. Depois, para motivar a leitura, relacionou o livro com outros textos que dialogam com a história. Como o enredo aborda a temática da guerra, Michelli decidiu mostrar o trailer do filme O menino do pijama listrado — inspirado no livro homônimo, de John Boyne — a fim de ampliar o olhar dos alunos para um dos assuntos tratados. Os primeiros capítulos foram lidos em sala, e depois a professora combinou prazos para que os estudantes lessem e pudessem discutir alguns temas em grupo.
Para ela, a prática de sempre contextualizar algum assunto que aparecia na história e recorrer a materiais complementares foi essencial para engajar a turma, que se envolveu com a trama. Em um trecho da obra, o garoto visita uma cadeia, e esse foi o gancho para falar com os alunos sobre o sistema prisional brasileiro. Com o auxílio de um infográfico, a conversa rendeu um bom debate sobre direitos humanos. Em outra parte da história, o menino conhece uma favela e usa o poder de seu dedo para florir o lugar. Com isso, Michelli propôs uma discussão que partiu de uma reportagem sobre artistas plásticos que fizeram diversas pinturas nas casas de uma comunidade no México, ação que colaborou para melhorar a segurança das pessoas.
“São discussões que acontecem a partir da
história, e não cobranças com questionários e fichas
de leitura. A proposta é sempre ter conversas sobre
algo que surgiu na narrativa, mas que vai mais a fundo em questões que nos fazem refletir, que é uma das
coisas que a literatura provoca na gente”, comenta.
Para encerrar o trabalho com O menino do dedo
verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em
um vaso e o entregaram para alguém que estava
precisando de um gesto de gentileza. Depois,
escreveram um depoimento sobre esse momento.
[...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21390/
como-contribuir-com-a-formacao-de-leitores-nos-anos-finaisdo-fundamental)
Como contribuir com a formação de leitores nos Anos Finais do Fundamental?
É importante ouvir os interesses dos alunos, abrir espaço para debates e reflexões e colocar as obras em diálogo com a realidade dos estudantes
[...]
Michelli, atualmente com 36 anos, se formou em Letras e se especializou em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, atua como docente de Língua Portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental na EBM Paulina Wagner, em Blumenau, e na EEF Clara Donner, em Timbó, ambas no interior de Santa Catarina. Em 2020, ela foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 com o projeto O podcast na sala de aula: oralidade, escrita e tecnologia.
Mas, mesmo apreciando muito os livros e suas histórias, Michelli tinha dificuldade de inserir o trabalho com a leitura literária nas suas aulas. “Eu incentivava [a leitura] e conversava com os alunos, mas era difícil trabalhar um livro inteiro, especialmente por serem textos mais longos e pela questão do acesso às obras. Por mais que a gente tivesse biblioteca, não contávamos ainda com o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] Literário, que garantiria obras a todos os alunos. Isso era um entrave”, diz.
Contextualização, discussões e reflexões
Essa realidade começou a mudar em 2019, quando ela fazia mestrado em Letras na UFSC e teve a ideia de desenvolver um projeto literário a partir do livro O menino do dedo verde, clássico infanto-juvenil do escritor francês Maurice Druon. “Em uma das disciplinas do mestrado, nós estudamos alguns critérios de qualidade de uma obra infantojuvenil. Achei esse livro uma ótima escolha por ter também capítulos curtos e algumas ilustrações, adequado para turmas de 6º ano, com as quais trabalhei”, explica. Com isso, a professora partiu para a prática em sala de aula: primeiro, fez a apresentação do autor, contextualizando a época em que a obra foi escrita. Depois, para motivar a leitura, relacionou o livro com outros textos que dialogam com a história. Como o enredo aborda a temática da guerra, Michelli decidiu mostrar o trailer do filme O menino do pijama listrado — inspirado no livro homônimo, de John Boyne — a fim de ampliar o olhar dos alunos para um dos assuntos tratados. Os primeiros capítulos foram lidos em sala, e depois a professora combinou prazos para que os estudantes lessem e pudessem discutir alguns temas em grupo.
Para ela, a prática de sempre contextualizar algum assunto que aparecia na história e recorrer a materiais complementares foi essencial para engajar a turma, que se envolveu com a trama. Em um trecho da obra, o garoto visita uma cadeia, e esse foi o gancho para falar com os alunos sobre o sistema prisional brasileiro. Com o auxílio de um infográfico, a conversa rendeu um bom debate sobre direitos humanos. Em outra parte da história, o menino conhece uma favela e usa o poder de seu dedo para florir o lugar. Com isso, Michelli propôs uma discussão que partiu de uma reportagem sobre artistas plásticos que fizeram diversas pinturas nas casas de uma comunidade no México, ação que colaborou para melhorar a segurança das pessoas.
“São discussões que acontecem a partir da
história, e não cobranças com questionários e fichas
de leitura. A proposta é sempre ter conversas sobre
algo que surgiu na narrativa, mas que vai mais a fundo em questões que nos fazem refletir, que é uma das
coisas que a literatura provoca na gente”, comenta.
Para encerrar o trabalho com O menino do dedo
verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em
um vaso e o entregaram para alguém que estava
precisando de um gesto de gentileza. Depois,
escreveram um depoimento sobre esse momento.
[...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21390/
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Como contribuir com a formação de leitores nos Anos Finais do Fundamental?
É importante ouvir os interesses dos alunos, abrir espaço para debates e reflexões e colocar as obras em diálogo com a realidade dos estudantes
[...]
Michelli, atualmente com 36 anos, se formou em Letras e se especializou em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, atua como docente de Língua Portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental na EBM Paulina Wagner, em Blumenau, e na EEF Clara Donner, em Timbó, ambas no interior de Santa Catarina. Em 2020, ela foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 com o projeto O podcast na sala de aula: oralidade, escrita e tecnologia.
Mas, mesmo apreciando muito os livros e suas histórias, Michelli tinha dificuldade de inserir o trabalho com a leitura literária nas suas aulas. “Eu incentivava [a leitura] e conversava com os alunos, mas era difícil trabalhar um livro inteiro, especialmente por serem textos mais longos e pela questão do acesso às obras. Por mais que a gente tivesse biblioteca, não contávamos ainda com o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] Literário, que garantiria obras a todos os alunos. Isso era um entrave”, diz.
Contextualização, discussões e reflexões
Essa realidade começou a mudar em 2019, quando ela fazia mestrado em Letras na UFSC e teve a ideia de desenvolver um projeto literário a partir do livro O menino do dedo verde, clássico infanto-juvenil do escritor francês Maurice Druon. “Em uma das disciplinas do mestrado, nós estudamos alguns critérios de qualidade de uma obra infantojuvenil. Achei esse livro uma ótima escolha por ter também capítulos curtos e algumas ilustrações, adequado para turmas de 6º ano, com as quais trabalhei”, explica. Com isso, a professora partiu para a prática em sala de aula: primeiro, fez a apresentação do autor, contextualizando a época em que a obra foi escrita. Depois, para motivar a leitura, relacionou o livro com outros textos que dialogam com a história. Como o enredo aborda a temática da guerra, Michelli decidiu mostrar o trailer do filme O menino do pijama listrado — inspirado no livro homônimo, de John Boyne — a fim de ampliar o olhar dos alunos para um dos assuntos tratados. Os primeiros capítulos foram lidos em sala, e depois a professora combinou prazos para que os estudantes lessem e pudessem discutir alguns temas em grupo.
Para ela, a prática de sempre contextualizar algum assunto que aparecia na história e recorrer a materiais complementares foi essencial para engajar a turma, que se envolveu com a trama. Em um trecho da obra, o garoto visita uma cadeia, e esse foi o gancho para falar com os alunos sobre o sistema prisional brasileiro. Com o auxílio de um infográfico, a conversa rendeu um bom debate sobre direitos humanos. Em outra parte da história, o menino conhece uma favela e usa o poder de seu dedo para florir o lugar. Com isso, Michelli propôs uma discussão que partiu de uma reportagem sobre artistas plásticos que fizeram diversas pinturas nas casas de uma comunidade no México, ação que colaborou para melhorar a segurança das pessoas.
“São discussões que acontecem a partir da
história, e não cobranças com questionários e fichas
de leitura. A proposta é sempre ter conversas sobre
algo que surgiu na narrativa, mas que vai mais a fundo em questões que nos fazem refletir, que é uma das
coisas que a literatura provoca na gente”, comenta.
Para encerrar o trabalho com O menino do dedo
verde, as crianças plantaram mudinhas de flores em
um vaso e o entregaram para alguém que estava
precisando de um gesto de gentileza. Depois,
escreveram um depoimento sobre esse momento.
[...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21390/
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