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Q4087196 Pedagogia
Jean Piaget (1896-1980), epistemólogo suíço, descobre por meio de suas investigações que a criança tem uma lógica própria, diferente da lógica do adulto, e que há um caminho psicogenético a ser seguido na sua evolução. Piaget, ainda, inicialmente divulga o chamado princípio da atividade, concebendo a criança como um ser ativo, construtora do seu próprio saber, cuja ação é regida pela necessidade e pelo interesse. Sobre a teoria psicogênica de Piaget, são seus principais conceitos, EXCETO: 
Alternativas
Q4087195 Pedagogia
A educação contextualizada precisa ser compreendida como um campo de transgressões, não estando limitada somente ao contexto, mas deste partindo e a ele chegando.
(Delizoicov; Angotti; Pernambuco, 2004.)

[...] Contrariando o ensino descontextualizado, a contextualização expressa-se no conhecimento presente na vida do aluno, que possibilita a resolução de problemas e a construção de uma visão de mundo mais complexa.
(Morin, 2000; 2005.)

Considerando as informações, a necessidade do ensino contextualizado em relação à construção de momentos na prática pedagógica favorece a:

I. Expressão do saber prévio dos participantes do processo educativo.
II. Constante busca pela dissociabilidade entre o fenômeno e seu contexto.
III. Organização das situações que proporcionem um ambiente democrático, em que todos ensinem e aprendam.
IV. Abordagem de objetos ou temas de situações em relação com o meio em que estão inseridos.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4087194 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
A aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/1990) representou uma grande conquista para os movimentos sociais que lutavam pelos direitos da infância e adolescência brasileira. A sociedade organizou-se para garantir na lei, medidas de proteção aos direitos da população infantojuvenil. O ECA buscou no Art. 227 da Constituição Brasileira as bases para a sua elaboração, ou seja, a normativa é a fonte primária que dá origem ao Estatuto. A Constituição de 1988, através do Art. 227, reconhece as crianças e os adolescentes como cidadãos, garantindo-lhes os direitos fundamentais de sobrevivência, desenvolvimento pessoal, social, integridade física, psicológica e moral, além de protegê-los de maneira especial contra negligência, maus-tratos, violência, exploração, crueldade e opressão. Um dos importantes direitos da criança trata-se do direito à profissionalização e proteção no trabalho. “De acordo com o direito à profissionalização e proteção no trabalho infantil, é proibido qualquer trabalho a menores de ___________ anos de idade, salvo na condição de aprendiz.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.
Alternativas
Q4087193 Pedagogia
No cenário educacional, muito se tem discutido sobre a diversidade cultural no contexto escolar, em referência ao ensino multicultural, o qual tem ganhado muita força nos últimos anos; é possível perceber a sua importância para uma educação muito mais integral e plena. Sobre o multiculturalismo na prática escolar, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4087192 Pedagogia
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases, Lei nº 9.394/1996, Art. 32, “o ensino fundamental obrigatório, com duração de nove anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos seis anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante”, EXCETO:
Alternativas
Q4087191 Pedagogia
A formação continuada deve propiciar espaços nos quais se possa aprofundar a discussão sobre como e por que os educadores fazem o que fazem; educar profissionais para “serem pensadores autônomos e práticos reflexivos e para que estejam comprometidos com a educação de alta qualidade para todos os estudantes”.

(Zeichner, 1998.)

Sobre a formação continuada do professor com enfoque prático-reflexivo e do ensino reflexivo, pode ser considerado como; analise as afirmativas a seguir. 

I. A constatação da riqueza da experiência que reside na prática dos bons profissionais.
II. A aprovação de que o processo de aprender a ensinar se prolonga por toda a vida.
III. O reconhecimento de que a produção de conhecimentos depende tão somente dos conhecimentos produzidos pelas universidades.
IV. Uma reação contra o fato de os professores serem vistos como técnicos que se limitam a cumprir o que os outros determinam fora da sala de aula.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4087190 Pedagogia
O ato de planejar está associado à organização de uma determinada ação. No âmbito das atividades escolares, o planejamento é fundamental para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem e para o bom funcionamento da escola, pois é imprescindível para orientar a ação educativa de acordo com as necessidades e possibilidades de cada instituição. De acordo com o professor Celso Vasconcelos (2000), o planejamento escolar deve ser estruturado e articulado através de três níveis: planejamento da escola; plano de ensino ou plano curricular; e, plano de aula. Considerando tais informações, bem como o plano de ensino ou curricular da escola, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4087189 Pedagogia
O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos estudantes. O direcionamento a esse processo está associado com o planejamento pelo professor no desenvolvimento das aulas envolvendo: a definição dos objetivos; a seleção dos conteúdos; e, os métodos do ensino. Os métodos de ensino se constituem enquanto sequência de operações, com vistas a um determinado resultado que se espera. São fundados na relação entre os objetivos e os conteúdos, e determinam a forma como devem alcançar, por intermédio do processo de ensino e os objetivos definidos pelo professor. A seleção dos métodos e técnicas utilizados no processo ensino-aprendizagem não é neutra, obrigando à opção por pressupostos teóricos implícitos. O método expressa também uma visão global da relação do processo educativo com a sociedade, atendendo aos seus desígnios sociais e pedagógicos, assim como as expectativas de formação dos estudantes perante as exigências e os desafios que a realidade social levanta.

(Libâneo, 1994.)

Considerando as informações e, ainda, que os métodos se classificam em individualizados, socioindividualizados e socializados e, por sua vez, cada método tem técnicas que lhes são mais ajustadas, uma técnica no método socioindividualizado se refere a:
Alternativas
Q4087138 Português
Letramento literário pode ser pensado como a condição daquele que não apenas é capaz de ler e compreender gêneros literários, mas aprendeu a gostar de ler literatura e o faz por escolha, pela descoberta de uma experiência de leitura distinta, associada ao prazer estético.

(BARBOSA, Begma Tavares. Letramento literário: sobre a formação escolar do jovem leitor. Educ. foco, Juiz de Fora, v. 6, n. 1, pp. 145-167. Em: 2011. Adaptado.)

O propósito comunicativo desse excerto é:
Alternativas
Q4087137 Português
Texto para responder à questão.


    No ano de 1878, formei-me em medicina pela Universidade de Londres e logo parti para Netley, a fim de seguir o curso exigido aos médicos militares. Terminados os meus estudos, fui designado para o Quinto Regimento de Fuzileiros de Northumberland, como cirurgião assistente. Nessa época, o Quinto estava acantonado na Índia, e antes que eu pudesse me apresentar eclodiu a Segunda Guerra Afegã. Ao desembarcar em Bombaim, soube que o meu regimento já havia atravessado os desfiladeiros e se achava embrenhado em território inimigo. Tomei o mesmo caminho, com muitos outros oficiais que estavam em idêntica situação, e consegui chegar são e salvo a Kandahar, onde encontrei minha unidade e imediatamente assumi minhas novas funções.
    A campanha trouxe honras e promoções para muitos, mas a mim só proporcionou infortúnios e desastres. Fui transferido da minha brigada para as tropas de Berkshire, com as quais tomei parte na fatídica Batalha de Maiwand. Ali, a bala de um mosquete afegão atingiu-me o ombro, fraturando o osso e raspando a artéria subclávia. Teria caído nas mãos dos ferozes ghazis, se não fosse a devoção e a coragem do ordenança Murray, que me pôs num cavalo de carga e conseguiu levar-me são e salvo para as linhas britânicas.
    Combalido pelo sofrimento e pelas contínuas privações que havia suportado, fui removido, numa longa composição de feridos, para o hospital central de Peshawar. Ali fui me restabelecendo, e já tinha melhorado o suficiente para andar um pouco pelas enfermarias, ou estender-me ao sol na varanda, quando apanhei uma gastrenterite, essa praga das nossas possessões indianas. Durante meses, tive a vida por um fio, e quando, finalmente, voltei a mim e entrei em convalescença, estava de tal modo fraco e macilento que uma junta médica foi de parecer que deviam me fazer regressar imediatamente à Inglaterra. Consequentemente, fui recambiado no vapor Orontes e um mês depois desembarquei no cais de Portsmouth, com a saúde irremediavelmente arruinada, mas com a permissão, dada por um governo paternal, de tentar melhorá-la nos nove meses seguintes.
    Não tendo relações nem parentes na Inglaterra, achava-me tão livre como o ar... ou pelo menos tão livre quanto pode ser um homem cujo rendimento não passa de onze xelins e seis pence por dia. Em tais circunstâncias, fui naturalmente atraído por Londres, essa grande fossa a que irresistivelmente vão ter todos os vadios e desocupados do império. Ali fiquei algum tempo, instalado num hotel do Strand, levando uma existência sem conforto nem sentido, e gastando, com mais largueza do que devia, todo o dinheiro que me vinha às mãos. Tão alarmante se tornou o estado das minhas finanças que em breve me vi na contingência de deixar a metrópole e ir viver no campo, ou alterar completamente o meu modo de vida. Escolhendo esta última alternativa, resolvi sair do hotel e alojar-me num domicílio mais barato e menos pretensioso.
    Exatamente no dia em que cheguei a essa conclusão, encontrava-me no Bar Criterion quando alguém me bateu no ombro. Voltando-me, reconheci Stamford, um jovem que fora meu assistente no Barts. Ver um rosto amigo no imenso deserto londrino é coisa deveras agradável para um homem solitário. Nos velhos tempos da universidade, não tínhamos lá grande intimidade, mas cumprimentei-o com entusiasmo, e ele, por sua vez, pareceu feliz de me ver. Na exuberância daquele momento, convidei-o para almoçar comigo no Holborn, e juntos tomamos uma carruagem.
    — Que diabo você tem feito, Watson? — perguntou-me ele, sem esconder o seu espanto, enquanto passávamos pelas ruas apinhadas de Londres. — Vejo-o magro como um sarrafo e escuro como uma castanha.
    Fiz-lhe um breve relato das minhas aventuras e mal o concluíra chegamos ao nosso destino.
    — Coitado! — exclamou ele, condoído pelos infortúnios que acabava de ouvir. — E que faz agora?
    — Procuro alojamento — respondi. — Tento resolver o problema de encontrar quartos confortáveis a preços razoáveis.
    — É curioso — disse o meu companheiro. — Você hoje é a segunda pessoa que fala dessa maneira.
    — E quem foi a primeira? — perguntei.
    —Um sujeito que trabalha no laboratório químico do hospital. Estava se queixando, ainda esta manhã, de não encontrar com quem dividir o aluguel de uns ótimos aposentos que tinha descoberto, mas que eram demasiado caros para a sua bolsa.
    — Magnífico! — exclamei. — Se ele procura alguém para compartilhar dos quartos e das despesas, sou exatamente essa pessoa. Prefiro ter um companheiro a morar sozinho.
      Stamford olhou-me de um modo estranho, por cima do seu copo de vinho.
    — Você ainda não conhece Sherlock Holmes — disse ele. — Não sei se lhe agradará como companheiro permanente.
    — Por quê? Haverá alguma coisa que não o recomende?
    — Oh! Eu não disse isso. Ele é um pouco esquisito... tem paixão por certos ramos da ciência. Que eu saiba, é uma pessoa muito correta.
     — Estudante de medicina?
    — Não. E não tenho a menor ideia a respeito da carreira que pretende seguir. Creio que entende muito de anatomia, e é um químico de primeira ordem. Mas, ao que me consta, nunca fez um curso sistemático de medicina. Estuda sem método, de uma maneira excêntrica, e já acumulou uma série de conhecimentos pouco vulgares que espantariam os seus professores.
     — Nunca lhe perguntou qual o ramo da ciência em que deseja especializar-se?   
    — Não — respondeu Stamford. — Não é dado a confidências, embora seja bastante comunicativo quando lhe dá na telha.
    — Pois eu gostaria de conhecê-lo. Visto que preciso morar com alguém, agrada-me que seja um homem tranquilo e estudioso. Ainda não estou bastante forte para suportar ruídos ou balbúrdias. Já tive muito dessas duas coisas no Afeganistão... e estou provido delas para o resto da existência. Como poderei travar relações com esse seu amigo?
    — Ele deve estar no laboratório — respondeu o meu companheiro. —Às vezes passa semanas inteiras semaparecer, mas noutras ocasiões não sai de lá o dia todo e boa parte da noite. Se quiser, vamos procurá-lo depois do almoço.
    —Combinado —respondi, e a conversação passou a outros assuntos.
    Quando nos dirigíamos para o hospital, ao sairmos do Holborn, Stamford deu-me mais algumas informações sobre o cavalheiro com quem eu me propunha morar.

(DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. Disponível em: https:// docero.com.br/doc/seces8. Adaptado.)
Em foco narrativo, narrador e personagem, analise as afirmativas a seguir.

I. As observações do narrador relevam um olhar crítico de quem participou como combatente em uma guerra e os desafios enfrentados ao retornar para a vida cotidiana.
II. O narrador, ou seja, a voz escolhida pelo autor para contar os acontecimentos em uma narrativa ficcional, está na terceira pessoa do discurso, já que ele ao mesmo tempo observa e participa dos fatos.
III. Ao informar os leitores sobre o juízo que faz sobre os demais personagens e acontecimentos, o narrador dá ao leitor a consciência de que está tendo contanto com uma história através de um olhar particularizado, ou seja, o olhar dele enquanto narrador.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4087136 Pedagogia
Texto para responder à questão.


    No ano de 1878, formei-me em medicina pela Universidade de Londres e logo parti para Netley, a fim de seguir o curso exigido aos médicos militares. Terminados os meus estudos, fui designado para o Quinto Regimento de Fuzileiros de Northumberland, como cirurgião assistente. Nessa época, o Quinto estava acantonado na Índia, e antes que eu pudesse me apresentar eclodiu a Segunda Guerra Afegã. Ao desembarcar em Bombaim, soube que o meu regimento já havia atravessado os desfiladeiros e se achava embrenhado em território inimigo. Tomei o mesmo caminho, com muitos outros oficiais que estavam em idêntica situação, e consegui chegar são e salvo a Kandahar, onde encontrei minha unidade e imediatamente assumi minhas novas funções.
    A campanha trouxe honras e promoções para muitos, mas a mim só proporcionou infortúnios e desastres. Fui transferido da minha brigada para as tropas de Berkshire, com as quais tomei parte na fatídica Batalha de Maiwand. Ali, a bala de um mosquete afegão atingiu-me o ombro, fraturando o osso e raspando a artéria subclávia. Teria caído nas mãos dos ferozes ghazis, se não fosse a devoção e a coragem do ordenança Murray, que me pôs num cavalo de carga e conseguiu levar-me são e salvo para as linhas britânicas.
    Combalido pelo sofrimento e pelas contínuas privações que havia suportado, fui removido, numa longa composição de feridos, para o hospital central de Peshawar. Ali fui me restabelecendo, e já tinha melhorado o suficiente para andar um pouco pelas enfermarias, ou estender-me ao sol na varanda, quando apanhei uma gastrenterite, essa praga das nossas possessões indianas. Durante meses, tive a vida por um fio, e quando, finalmente, voltei a mim e entrei em convalescença, estava de tal modo fraco e macilento que uma junta médica foi de parecer que deviam me fazer regressar imediatamente à Inglaterra. Consequentemente, fui recambiado no vapor Orontes e um mês depois desembarquei no cais de Portsmouth, com a saúde irremediavelmente arruinada, mas com a permissão, dada por um governo paternal, de tentar melhorá-la nos nove meses seguintes.
    Não tendo relações nem parentes na Inglaterra, achava-me tão livre como o ar... ou pelo menos tão livre quanto pode ser um homem cujo rendimento não passa de onze xelins e seis pence por dia. Em tais circunstâncias, fui naturalmente atraído por Londres, essa grande fossa a que irresistivelmente vão ter todos os vadios e desocupados do império. Ali fiquei algum tempo, instalado num hotel do Strand, levando uma existência sem conforto nem sentido, e gastando, com mais largueza do que devia, todo o dinheiro que me vinha às mãos. Tão alarmante se tornou o estado das minhas finanças que em breve me vi na contingência de deixar a metrópole e ir viver no campo, ou alterar completamente o meu modo de vida. Escolhendo esta última alternativa, resolvi sair do hotel e alojar-me num domicílio mais barato e menos pretensioso.
    Exatamente no dia em que cheguei a essa conclusão, encontrava-me no Bar Criterion quando alguém me bateu no ombro. Voltando-me, reconheci Stamford, um jovem que fora meu assistente no Barts. Ver um rosto amigo no imenso deserto londrino é coisa deveras agradável para um homem solitário. Nos velhos tempos da universidade, não tínhamos lá grande intimidade, mas cumprimentei-o com entusiasmo, e ele, por sua vez, pareceu feliz de me ver. Na exuberância daquele momento, convidei-o para almoçar comigo no Holborn, e juntos tomamos uma carruagem.
    — Que diabo você tem feito, Watson? — perguntou-me ele, sem esconder o seu espanto, enquanto passávamos pelas ruas apinhadas de Londres. — Vejo-o magro como um sarrafo e escuro como uma castanha.
    Fiz-lhe um breve relato das minhas aventuras e mal o concluíra chegamos ao nosso destino.
    — Coitado! — exclamou ele, condoído pelos infortúnios que acabava de ouvir. — E que faz agora?
    — Procuro alojamento — respondi. — Tento resolver o problema de encontrar quartos confortáveis a preços razoáveis.
    — É curioso — disse o meu companheiro. — Você hoje é a segunda pessoa que fala dessa maneira.
    — E quem foi a primeira? — perguntei.
    —Um sujeito que trabalha no laboratório químico do hospital. Estava se queixando, ainda esta manhã, de não encontrar com quem dividir o aluguel de uns ótimos aposentos que tinha descoberto, mas que eram demasiado caros para a sua bolsa.
    — Magnífico! — exclamei. — Se ele procura alguém para compartilhar dos quartos e das despesas, sou exatamente essa pessoa. Prefiro ter um companheiro a morar sozinho.
      Stamford olhou-me de um modo estranho, por cima do seu copo de vinho.
    — Você ainda não conhece Sherlock Holmes — disse ele. — Não sei se lhe agradará como companheiro permanente.
    — Por quê? Haverá alguma coisa que não o recomende?
    — Oh! Eu não disse isso. Ele é um pouco esquisito... tem paixão por certos ramos da ciência. Que eu saiba, é uma pessoa muito correta.
     — Estudante de medicina?
    — Não. E não tenho a menor ideia a respeito da carreira que pretende seguir. Creio que entende muito de anatomia, e é um químico de primeira ordem. Mas, ao que me consta, nunca fez um curso sistemático de medicina. Estuda sem método, de uma maneira excêntrica, e já acumulou uma série de conhecimentos pouco vulgares que espantariam os seus professores.
     — Nunca lhe perguntou qual o ramo da ciência em que deseja especializar-se?   
    — Não — respondeu Stamford. — Não é dado a confidências, embora seja bastante comunicativo quando lhe dá na telha.
    — Pois eu gostaria de conhecê-lo. Visto que preciso morar com alguém, agrada-me que seja um homem tranquilo e estudioso. Ainda não estou bastante forte para suportar ruídos ou balbúrdias. Já tive muito dessas duas coisas no Afeganistão... e estou provido delas para o resto da existência. Como poderei travar relações com esse seu amigo?
    — Ele deve estar no laboratório — respondeu o meu companheiro. —Às vezes passa semanas inteiras semaparecer, mas noutras ocasiões não sai de lá o dia todo e boa parte da noite. Se quiser, vamos procurá-lo depois do almoço.
    —Combinado —respondi, e a conversação passou a outros assuntos.
    Quando nos dirigíamos para o hospital, ao sairmos do Holborn, Stamford deu-me mais algumas informações sobre o cavalheiro com quem eu me propunha morar.

(DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. Disponível em: https:// docero.com.br/doc/seces8. Adaptado.)
“Um estudo em vermelho” é um romance policial, escrito por um dos maiores representantes desse gênero. Ao levar textos como esse, pertencentes à literatura canônica, para sala de aula e discuti-los com os estudantes, seja por meio de leitura coletiva, protocolada ou individual, o professor demonstra uma compreensão 
Alternativas
Q4087135 Português
O excerto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

    O tempo constitui um dos aspectos mais importantes – se não o mais importante – da prosa de ficção. Na verdade, é para ele que confluem todos os integrantes da massa ficcional, desde o enredo até a linguagem: dir-se-ia que o fim último, consciente ou não, de qualquer narrador consiste em criar o tempo. A explicação, que demandaria uma série de considerações de ordem literária e filosófica, pode ser sumariada no seguinte: criando o tempo, o homem nutre a sensação de superar a brevidade da existência, e de identificar-se demiurgicamente, com o tempo cósmico, que permanece para sempre, indiferente à finitude da vida humana; gerando o tempo, o ficcionista alimenta a ilusão de imobilizá-lo ou transcendê-lo.


(MOISÉS, Massaud. Guia prático de análise literária. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1973, p. 101.)
Considere o fragmento “[...] dir-se-ia que o fim último, [...]”. O uso da mesóclise não é muito comum no português do Brasil.
No lugar dela, mantendo a correção gramatical, é mais usual 
Alternativas
Q4087134 Português
O excerto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

    O tempo constitui um dos aspectos mais importantes – se não o mais importante – da prosa de ficção. Na verdade, é para ele que confluem todos os integrantes da massa ficcional, desde o enredo até a linguagem: dir-se-ia que o fim último, consciente ou não, de qualquer narrador consiste em criar o tempo. A explicação, que demandaria uma série de considerações de ordem literária e filosófica, pode ser sumariada no seguinte: criando o tempo, o homem nutre a sensação de superar a brevidade da existência, e de identificar-se demiurgicamente, com o tempo cósmico, que permanece para sempre, indiferente à finitude da vida humana; gerando o tempo, o ficcionista alimenta a ilusão de imobilizá-lo ou transcendê-lo.


(MOISÉS, Massaud. Guia prático de análise literária. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1973, p. 101.)
A tradução do trecho do excerto que não provoca alteração de sentido está em:
Alternativas
Q4087133 Linguística
Relacione adequadamente o conceito de gramática às exposições relacionadas a tais conceitos.

1. Gramática normativa.
2. Gramática descritiva.
3. Gramática reflexiva.
4. Gramática de uso.

( ) Esse conceito de gramática se refere mais ao processo do que aos resultados, uma vez que se trata de uma gramática em explicitação.
( ) Trata-se de uma gramática que resulta do trabalho de observação do que se diz ou do que se escreve na realidade, realizado por um linguista.
( ) É considerada como a competência linguística internalizada do falante, podendo ser considerada, portanto, implícita, já que o falante não tem consciência dela.
( ) De modo geral, baseia-se mais nos fatos da língua escrita, sendo pouco relevante a variedade oral da norma culta, que, consciente ou inconscientemente, é vista como idêntica à língua escrita.

A sequência está correta em 
Alternativas
Q4087132 Português
Letramento não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é treinamento repetitivo
de uma habilidade,
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.

Letramento é diversão
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.

(SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2006, p. 41. Fragmento.)

Nessa concepção de letramento, a leitura 
Alternativas
Q4087131 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
A finalidade comunicativa desse excerto é
Alternativas
Q4087130 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
Sobre os elementos de coesão textual responsáveis pelo processo de retomada de informações, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Em “[...] o futuro que ela vê, [...]” (1º§), o pronome pessoal tem como referente a mãe de Mafalda e foi usado a fim de evitar repetições desnecessárias no texto.
( ) Em “Como ela não perceberia isso, [...]” (2º§), há dois elementos de reiteração: os pronomes “ela” e “isso”. Nos dois casos, esses elementos estabelecem relação anafórica com a informação a que fazem referência.
( ) Em “Este talvez seja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político.” (5º§), o pronome demonstrativo “este” estabelece relação catafórica com a informação a que faz referência.
( ) Em “[...] porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a [...]” (5º§), há apenas dois elementos de referenciação. Ambos estão pospostos ao verbo com que se relacionam, em situação de ênclise, já que não há fator de próclise.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4087129 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
Os posicionamentos de Mafalda, em conformidade com o excerto, são motivados por 
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Q4087128 Pedagogia
A educação progressista, no Brasil, é um arquétipo educacional que busca a mudança social através da educação; é um modelo que reflete sobre todas as realidades sociais e sobre o que cada pessoa pensa sobre essas realidades.

(Lourenço; Mori, 2014.)

Considerando o exposto, são vertentes da educação progressista no Brasil as pedagogias, EXCETO:
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Q4087127 Pedagogia
Segundo Luckesi (2005, p. 93), “a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem”. Desse modo, entende-se que a ideia da avaliação formativa em relação aos currículos surgiu através de Scrive, em 1967, e foi ampliada por Bloom, em 1971, pelo pensamento positivista, trazendo uma concepção de avaliação por decisões instrucionais e técnicas voltadas para os objetivos cognitivos e afetivos dos alunos (FERRAZ; BELHOT, 2010). Entretanto, a avaliação ainda continua a mensurar conhecimentos e a levantar inúmeras discussões acerca da prática pedagógica. Sobre a avaliação formativa, assinale a afirmativa correta.
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Respostas
641: B
642: D
643: C
644: A
645: D
646: C
647: A
648: D
649: A
650: C
651: C
652: D
653: B
654: A
655: D
656: A
657: A
658: C
659: B
660: D