Sobre os elementos de coesão textual responsáveis pelo proc...
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Ano: 2022
Banca:
Instituto Consulplan
Órgão:
Prefeitura de Orlândia - SP
Prova:
Instituto Consulplan - 2022 - Prefeitura de Orlândia - SP - Professor de Português PEB II 6º ao 9º ano Substituto |
Q4087130
Português
Texto associado
Texto para responder à questão.
Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como
passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o
Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” –
porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela
vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor
romântico e termina na cozinha.
Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos
1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a
“tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha
desenhada que deve seu nome a um personagem de David
Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e
expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de
agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora
Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No
começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a
expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou
nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores
e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que
Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua
mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na
mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a
ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem
alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de
Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha
e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a
mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e
ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em
trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem
denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e
se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.
(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São
Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
Sobre os elementos de coesão textual responsáveis pelo
processo de retomada de informações, marque V para as
afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Em “[...] o futuro que ela vê, [...]” (1º§), o pronome pessoal tem como referente a mãe de Mafalda e foi usado a fim de evitar repetições desnecessárias no texto.
( ) Em “Como ela não perceberia isso, [...]” (2º§), há dois elementos de reiteração: os pronomes “ela” e “isso”. Nos dois casos, esses elementos estabelecem relação anafórica com a informação a que fazem referência.
( ) Em “Este talvez seja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político.” (5º§), o pronome demonstrativo “este” estabelece relação catafórica com a informação a que faz referência.
( ) Em “[...] porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a [...]” (5º§), há apenas dois elementos de referenciação. Ambos estão pospostos ao verbo com que se relacionam, em situação de ênclise, já que não há fator de próclise.
A sequência está correta em
( ) Em “[...] o futuro que ela vê, [...]” (1º§), o pronome pessoal tem como referente a mãe de Mafalda e foi usado a fim de evitar repetições desnecessárias no texto.
( ) Em “Como ela não perceberia isso, [...]” (2º§), há dois elementos de reiteração: os pronomes “ela” e “isso”. Nos dois casos, esses elementos estabelecem relação anafórica com a informação a que fazem referência.
( ) Em “Este talvez seja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político.” (5º§), o pronome demonstrativo “este” estabelece relação catafórica com a informação a que faz referência.
( ) Em “[...] porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a [...]” (5º§), há apenas dois elementos de referenciação. Ambos estão pospostos ao verbo com que se relacionam, em situação de ênclise, já que não há fator de próclise.
A sequência está correta em