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Ao oferecer uma leitura dessa prática que se aproxima do conhecimento antropológico moderno sobre o assunto, Gonçalves Dias rompeu com toda uma tradição de literatura indianista no Brasil, que, por três séculos, representou e caricaturou o canibalismo como prova da barbárie primitiva do índio. De fato, ele é único no indianismo do século dezenove por essa interpretação, e, depois dele, teve-se que esperar pelo movimento modernista para que a significação ritual do canibalismo fosse novamente reafirmada. Tal revisão radical de uma das pedras fundamentais do discurso colonial fala alto pela notável contribuição deste poeta como uma das mais poderosas vozes dissidentes no seio da tradição romântica indianista.
REECE, David. Exilados, aliados, rebeldes: o movimento indianista, a política indígena, e o estado-nação imperial. São Paulo: Nankin, Edusp, 2008. p. 191. [Adaptado].
Qual estereótipo do discurso colonizador o texto denuncia?
As forças mais ativas e poderosas no processo de globalização são os conglomerados e empresas transnacionais que dominam e controlam efetivamente a maior parte da produção, do comércio, da tecnologia e das finanças internacionais. Com seu imenso potencial econômico-financeiro, essas organizações operam em escalas transcontinentais, transferindo recursos financeiros e know-how por sistemas de comunicações informatizadas e via satélite e crescem, mesmo em tempos de recessão e crise, através de fusões, incorporações, venda e compra de ativos em transações bilionárias. Baseadas em uma cultura organizacional e administrativa sem precedentes na história e dispondo de ativos financeiros superiores aos da maioria dos bancos centrais, a extrema mobilidade de seu capital financeiro movimentado em tempo real por redes computadorizadas integradas, permite realizar altas taxas de lucratividade, inclusive em operações especulativas de câmbio, taxas de juros e preços de commodities, tudo contribuindo para o aumento e a expansão das riquezas e do poder dessas organizações.
RATTNER, H. Globalização: em direção a um mundo só? Estudos Avançados, v. 9, n. 25, p. 71, 1995. [Adaptado].
O texto destaca qual peculiaridade da globalização?
Leia o texto a seguir.

Manuel Monleón Burgos. Tradução: C.N.T. Comitê Nacional A.I.T | Oficina de Informação e propaganda | Fascismo. Disponível em: https://encurtador.com.br/vpig. Acesso em: 21 mai. 2026. [Adaptado].
A imagem está relacionada a qual evento histórico?
Segundo Ferreira Gomes, o Alvará de 28 de junho de 1859 concomitantemente expulsa os jesuítas do ensino – considerando "extintas" todas as escolas e cadeiras pelas quais eles eram responsáveis – e decreta no Reino e em seus domínios uma reforma geral nos estudos. Essa reforma principia pela criação da Diretoria dos Estudos e com a introdução de aulas de Gramática Latina, Grego, Retórica, etc., que se apresentassem como substitutivas da instrução recémsuprimida. Ninguém poderia, a partir dali, ensinar sem aprovação e licença do Diretor dos Estudos, que faria por examinar cada candidato ao Magistério à luz de critérios de "ciência e de prudência", dado que os requisitos de bons costumes eram essenciais para a avaliação do pretendente. No parecer de Laerte Ramos de Carvalho, os objetivos da reforma pombalina dos estudos menores teria sido o de proceder a uma adequação da instituição escolar à nova configuração necessária ao Estado moderno e, nesse sentido, agenciar o ensino de maneira a atender os interesses seculares da Coroa.
BOTO, Carlota. Iluminismo e educação em Portugal: o legado do século XVIII ao XIX. Rev. Fac. Educ., São Paulo, v. 22, n. 1, p. 182, 1996.
O texto demonstra qual característica da reforma proposta pombalina?
O primeiro deles, que contesta várias ideias sobre a colonização da América, é que a ibérica foi, em quase todos os sentidos, mais organizada, planejada e metódica que a anglosaxônica. Caso atribuamos valor à organização, é inegável que a colonização ibérica foi muito “melhor” que a anglo-saxônica. Na verdade, só podemos falar em projeto colonial nas áreas portuguesa e espanhola. Só nelas houve preocupação constante e sistemática quanto às questões da América. A colonização da América do Norte inglesa, por razões que veremos adiante, foi assistemática. No século XVII, quando a América espanhola já apresentava universidade, bispados, produções literárias e artísticas de várias gerações, a costa inglesa da América do Norte era um amontoado de pequenas aldeias atacadas por índios e rondadas pela fome. A península ibérica enviava ao Novo Mundo homens de toda espécie. Dentre os primeiros franciscanos que foram ao México, por exemplo, estava Pedro de Gante, parente do próprio imperador da Espanha. No Brasil, a nova e entusiasmada ordem dos jesuítas veio com o primeiro governador-geral. Imaginar o Brasil povoado só por ladrões e estupradores é tão falso como supor que apenas intelectuais piedosos foram para as 13 colônias.
KARNAL, L. Brasil e Estados Unidos: comparações incômodas. In: KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Unidos. Campinas: Contexto, 2007. p. 28. [Adaptado].
O texto contesta qual narrativa sobre a colonização da América?
A teologia de Lutero trazia consigo implicações políticas da maior importância, que, somadas, respondem pelo que é mais distintivo e influente em seu pensamento social e político. Primeiro, ele assume um claro compromisso de repudiar a ideia segundo a qual a Igreja possui poderes de jurisdição, e por isso detém autoridade para dirigir e regular a vida cristã. É obviamente o abuso desses supostos poderes o que Lutero mais denuncia, e em especial o tráfico de indulgências, que foi tema de sua indignação inicial, expressa nas Noventa e cinco teses. A venda de indulgências era um escândalo que vinha de longe (já denunciado por Chaucer), devendo sua base teológica à bula Unigenitus, de 1343.
SKINNER, Quentin. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 294.
As implicações apresentadas inspiraram qual fenômeno histórico?
As mudanças fundamentais ocorreram entre os séculos XII e XIII, no contexto que Charles H. Haskins chamou de “renascimento”. Tais mudanças fariam surgir um novo tipo de enciclopedismo. Em um ambiente de abundância livresca, os intelectuais se encontraram diante da necessidade de escolher e selecionar, na massa de novos conhecimentos, o material para as suas composições. O século XII, por excelência “o século da escolástica medieval”, foi um longo período de extensão e organização do conhecimento. Neste momento, há uma mudança cultural no Ocidente para a qual contribuíram tanto a afluência de fontes gregas e árabes como o trabalho dos compiladores que passaram a integrar, em suas obras, os novos conhecimentos resgatados. Merecem relevância também, por outra parte, o aumento do número de estudantes, a multiplicação das escolas urbanas e a criação das universidades, e, nesses ambientes, a sede de conhecimentos que crescia e atingia círculos mais amplos. Nesse ambiente deu-se início ao segundo grande período do enciclopedismo medieval, sob o signo da abundância intelectual, de acordo com Benoît Beyer de Ryque. A partir desse momento, não se compilava mais para salvar o conhecimento que poderia desaparecer, mas para selecionar, classificar, organizar o corpo considerável de conhecimentos disponíveis para apresentar a síntese.
VIDOTTE, Adriana. Das artes e da natureza: articulação de saberes no pensamento científico do século XIII. Revista de História, São Paulo, n. 179, p. 9, 2020.
As mudanças descritas no texto se justificam por qual motivo?
Foram, portanto, raros os casos de repressão religiosa; mesmo quando isto ocorreu, como em 186, esta preocupação permaneceu: o senatus-consulto que ordenava a perseguição permitia a indivíduos isolados praticar o culto báquico privadamente, caso sentissem uma necessidade pessoal irreprimível. A pietas devida ao deus não podia ser simplesmente ignorada; isto iria contra as bases da mentalidade religiosa romana. O governo não tolerava as associações dionisíacas numerosas, que dessem origem a um movimento organizado fora do controle público; seriam autorizadas reuniões de poucas pessoas, regulamentando-se até o número de homens em relação ao número de mulheres, cuja presença promíscua fora um dos motivos alegados para a intervenção do Senado.
CORASSIN, Maria Luiza. Bacchanalia na República Romana. Letras Clássicas, n. 6, p. 154, 2002.
A postura do governo romano visava
Uma professora de História, ao querer encontrar ou elaborar vídeos como ferramentas didáticas para suas aulas, encontrou os dados apresentados no Texto 4.
A partir dos dados encontrados, como a docente poderia utilizar as tecnologias digitais de busca ou elaboração de vídeos, a fim de alcançar uma aula mais dinâmica e interessante?
Os administradores Couto de Magalhães e Aristides de Souza Spínola ficaram impressionados com o número de moléstias reinantes na Cidade de Goiás na segunda metade do século XIX. (...) Na opinião de Magalhães, nenhum indivíduo sadio poderia ser encontrado na capital da Província.
MAGALHÃES, Sônia Maria de. Males do Sertão: alimentação, saúde e doenças em Goiás no século XIX. 2ª edição. São Paulo: Intermeios, 2024, p. 22.
O estudo histórico sobre a saúde em Goiás evidencia que
Com a colonização, iniciada simbolicamente a partir de 1722, os portugueses realizaram um esforço diligente e sistemático de implantar em Goiás as mesmas diretrizes institucionais e ideológicas existentes em Portugal, trazendo a Europa para os sertões. A premissa era que os arraiais e vilas se assemelhassem aos seus congêneres lusitanos, incluindo toda a simbologia do poder real.
ARRAIS, Cristiano; OLIVEIRA, Eliezer. O século XIX em Goiás: a formação da região. Goiânia: Cânone Editorial, 2025, p. 9.
Um exemplo da “simbologia do poder real” presente em Portugal que também fez parte do processo de formação histórica e territorial dos arraiais e vilas de Goiás é