Leia o texto a seguir. Ao oferecer uma leitura dessa prátic...
Ao oferecer uma leitura dessa prática que se aproxima do conhecimento antropológico moderno sobre o assunto, Gonçalves Dias rompeu com toda uma tradição de literatura indianista no Brasil, que, por três séculos, representou e caricaturou o canibalismo como prova da barbárie primitiva do índio. De fato, ele é único no indianismo do século dezenove por essa interpretação, e, depois dele, teve-se que esperar pelo movimento modernista para que a significação ritual do canibalismo fosse novamente reafirmada. Tal revisão radical de uma das pedras fundamentais do discurso colonial fala alto pela notável contribuição deste poeta como uma das mais poderosas vozes dissidentes no seio da tradição romântica indianista.
REECE, David. Exilados, aliados, rebeldes: o movimento indianista, a política indígena, e o estado-nação imperial. São Paulo: Nankin, Edusp, 2008. p. 191. [Adaptado].
Qual estereótipo do discurso colonizador o texto denuncia?
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GABARITO: C
COMENTÁRIO:
O texto critica um dos principais estereótipos construídos pelo discurso colonizador: a associação entre o indígena e a ideia de selvageria ou barbárie.
Durante séculos, a literatura e os relatos coloniais representaram práticas indígenas, como o canibalismo, de maneira simplificada, utilizando-as como suposta prova de que os povos originários eram primitivos, bárbaros e inferiores.
Gonçalves Dias rompe parcialmente com essa visão ao apresentar o canibalismo dentro de seu contexto ritual e cultural, permitindo uma interpretação mais próxima da perspectiva antropológica: uma prática não deve ser julgada apenas pelos valores do observador externo, mas compreendida dentro da cultura que a realiza.
Assim, o estereótipo denunciado é a equiparação do indígena ao selvagem, característica recorrente do discurso colonial.
Bizu:
Discurso colonizador → índio = selvagem/barbárie.
CFO PMBA
Youtube: de Jesus Concursos
RESPOSTA C
Os primeiros cronistas e escritores da época colonial batiam na tecla de que o índio era "selvagem" justamente por causa do canibalismo, usando isso para justificar a catequese e a dominação.
Mas hoje a história e a antropologia explicam que a história era bem diferente: eles não comiam carne humana por fome. O antropofagismo era um ritual de guerra e honra.
Era uma forma de vingar os próprios mortos, absorver a coragem do inimigo e manter a estrutura da sociedade deles funcionando. O que os europeus viam como pura barbárie, na verdade, tinha todo um significado cultural por trás.
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