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Q3622501 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01


“Joyspan”: o segredo para uma longevidade cheia de significado


    Vivemos mais hoje em dia do que há algumas décadas. Isso é fato. Antes, a expectativa de vida ficava perto dos 50 anos. Agora, chegar aos 80 ou 90 deixou de ser raro. Mas viver muitos anos não basta. O que realmente importa é construir uma longevidade saudável, em que gostamos da vida que vivemos. É daí que vem o conceito de “joyspan”, a ideia de prolongar não só a duração da vida, mas também o tempo de alegria e bem-estar.

    O conceito, que traz uma nova perspectiva sobre envelhecimento, se conecta profundamente com as reflexões da psicanalista e escritora Sylvia Loeb, cofundadora do canal “Minha Idade Não Me Define”. Segundo ela, um dos maiores desafios para gostar da vida, especialmente na maturidade, é lidar com as ausências que a existência inevitavelmente impõe: a perda da agilidade, de projetos, de entes queridos e de certezas. “Não se trata de gostar da vida ‘apesar de tudo’, mas de aprender a gostar dela com o que há – com o corpo mais lento, com a solidão, com as transformações. É um gosto mais sereno, mais escolhido.”

   Neuropsicóloga e psicóloga, Aline Graffiette também ressalta a importância de entender que lidar com os limites naturais do envelhecimento faz parte do processo de estar vivo. Embora o corpo passe por mudanças e haja perdas de vitalidade, como a capacidade física, o entendimento mais profundo da vida e das relações são ganhos. “Apesar de o Ocidente não valorizar tanto os idosos, no Oriente eles são reconhecidos como os grandes sábios da vida, alguém que traz a experiência de forma próxima ao contexto familiar”, destaca.

    Cultivar a alegria nessa fase da vida significa substituir a expectativa da euforia pela delicadeza do contentamento. “Não é negar as dores, mas conseguir perceber a beleza no que ainda nos pertence, seja um café quente pela manhã, uma lembrança afetuosa ou uma conversa inesperada”, conta Sylvia.

     A atenção ao presente é outro caminho para encontrar sentido e prazer no cotidiano, mesmo diante das limitações físicas e emocionais. “Pequenas rotinas como regar uma planta, caminhar devagar, cozinhar para alguém, escrever um bilhete e ouvir uma música inteira ajudam muito a não se isolar. O prazer pode vir do cotidiano, mas o sentido costuma vir da relação com o outro. E rir, rir do que ainda pode ser cômico. O bom humor é um tipo de inteligência emocional”, acrescenta a psicanalista.

   Nesse sentido, a aceitação tem um papel transformador fundamental. Para Aline, a aceitação radical, conceito presente em terapias como a terapia de aceitação e compromisso (ACT), ajuda a reconhecer que nem tudo pode ser mudado e que as perdas coexistem com ganhos.

   “Em vez de resistir, é mais saudável reconhecer o que se transforma e o que ainda pode ser vivido com plenitude”, explica.

   Na visão de Sylvia, o autoconhecimento se traduz mais na aceitação do que no entendimento. É reconhecer o que nos faz bem, o que nos fere e o que já não faz sentido manter. Essa aceitação liberta de cobranças externas e abre espaço para uma existência mais leve e verdadeira, sem a necessidade de provar algo para os outros. “Aceitar as limitações não significa desistir, mas escolher com clareza onde investir a energia que ainda temos.” “A segunda metade da vida pode ser menos barulhenta, mas muito mais autêntica e rica. É diferente da juventude e é justamente aí que está a beleza. Aceitar o que muda, cultivar o que ainda pulsa e encontrar alegria na serenidade do presente é a verdadeira arte de prosperar. Viver não é só contar os anos, mas fazer com que cada momento valha a pena.”

  Tudo isso também está ligado ao modo como vivemos a primeira metade da vida. “Se tivemos validação, relações saudáveis e autonomia, é natural que levemos isso para a segunda fase. O conceito “joyspan” tem muito a ver com a responsabilidade de ter colocado a vida sob nosso próprio controle, sem terceirizá-la. É como uma colheita: quanto melhor plantamos antes, melhor vivemos depois”, complementa. [...]



Fonte: Suzuki, Mariana. “Joyspan”: o segredo para uma longevidade cheia de significado. Disponível em: vidasimples.com/saude-emocional/. Acesso em: 13 ago. 2025. Adaptado. 
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura de composição da passagem “Na visão de Sylvia, o autoconhecimento se traduz mais na aceitação do que no entendimento. É reconhecer o que nos faz bem, o que nos fere e o que já não faz sentido manter.”

I- A vírgula depois do termo “Sylvia” foi usada para separar um adjunto adverbial antecipado.
II- O uso do recurso expressivo paralelismo sintático pode ser observado no último período.
III- O termo “o”, nas ocorrências do último período, foi usado como pronome demonstrativo.
IV- O termo “que”, nas ocorrências do último período, foi empregado como pronome relativo.
V- A próclise do pronome “se” é obrigatória tendo em vista a presença de palavra atrativa.

Estão CORRETAS as afirmativas 
Alternativas
Q3622127 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


TEXTO II


A Canoa


Em um largo rio, de difícil travessia, havia um

barqueiro que atravessava

as pessoas de um lado para o outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma

professora. Como quem gosta de

falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:

- Companheiro, você entende de leis?

- Não, respondeu o barqueiro.

E o advogado, compadecido: – É uma pena, você

perdeu metade da vida.

- A professora, muito social, entra na conversa:

- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

- Também não, respondeu o barqueiro.

- Que pena! Condói-se a mesma – Você perdeu

metade de sua vida!

Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco. 

O barqueiro, preocupado, pergunta :

- Vocês sabem nadar?

- Não !!!! Responderam o advogado e a professora,

rapidamente.

- Então…disse o barqueiro… é uma pena – Vocês perderam toda a vida !!!!!

moral da história:

” Não há saber maior ou menor “.

” Há saberes diferentes”.

- Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais

tenha contato -

cada uma delas tem algo de diferente a nos ensinar.


Texto atribuído à Paulo Freire

Disponível em: https://atividadesparaeja.blogspot.com/2013/11/atividadereflexiva-canoa-paulo-freire.html


No trecho do texto:


“Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?”


A vírgula foi empregada para:

Alternativas
Q3622036 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão,  que a ele se refere.


Texto 01 


Escrita à mão é coisa do passado? Parece que não... 


    Mariana Ferrari não sai de casa sem levar consigo um bloquinho e uma caneta. Pode até parecer estranho para outras pessoas, já que o aplicativo de bloco de notas do celular ocupa muito bem essa mesma função com uma logística muito menor. Mas, para a escritora, é indiscutível: “Se não escrevo à mão, é como se não existisse registro. Escrevo em todos os cantos, em papéis que sobram no meio da sala, em cadernos, blocos. Escrevo cartas, contos, diários e imaginações soltas. É com a palavra escrita à mão no papel que o texto ganha vida.” 

    Hoje em dia, é difícil encontrar pessoas como Mariana, apegadas à escrita à mão. Os teclados dos celulares e computadores tomaram o lugar do papel, da caneta e dos traços das letras. As razões são compreensíveis: facilidade, rapidez, conversão das ideias para o mundo digital. 

    No entanto, perdemos vários aspectos espontâneos da rotina – como cartinhas, bilhetes, desenhos nos cantos das páginas – e, principalmente, processos cognitivos muito importantes. 

    Escrever à mão é um exercício cognitivo completo, que movimenta áreas cerebrais importantes para a organização, coerência, pensamento criativo, linguagem e coordenação motora. Isso acontece porque processar letras e frases não é simplesmente juntar informações, mas articular vários conhecimentos de uma só vez. “O ato de escrever exige planejamento, organização de ideias e monitoramento contínuo do próprio desempenho para garantir que o texto seja coerente e legível. O córtex pré-frontal, centro de controle do nosso cérebro, é intensamente ativado para gerenciar essas tarefas”, explica a neurocientista Livia Ciacci. 

    Para construir uma simples frase no papel, o cérebro precisa manter as informações ativas na mente, planejar quais palavras irá usar e como distribuí-las no espaço fornecido na folha. É uma manipulação em tempo real, responsabilidade da memória operacional (sistema cognitivo que permite armazenar e manipular informações de forma temporária para a realização de tarefas). Além disso, a escrita manual é um dos treinos mais refinados para a coordenação motora fina, em que cada letra exige movimentos únicos e precisos dos dedos e da mão, controlados por uma comunicação entre cérebro e músculos. “O cérebro precisa planejar e executar uma sequência de movimentos organizados, o que chamamos de praxia. Esse processo fortalece as vias neurais responsáveis pelo controle motor, tornando os movimentos mais precisos e eficientes não apenas para escrever, mas para uma infinidade de outras tarefas manuais”, aponta Livia. Assim, com base na neurociência, escrever à mão impacta diretamente no aprendizado e na memória.


Fonte: CUSTÓDIO, Julia. Escrita à mão é coisa do passado? Parece que não... Disponível em: https://vidasimples.co/vida-simples/. Acesso em: 9 ago. 2025. Adaptado.
O emprego do discurso direto no texto é marcado pelo uso de 
Alternativas
Q3620979 Português

Texto para a questão.


Saúde é democracia 


“Saúde é democracia” é uma expressão que decorre da ideia de que “Democracia é saúde”, defendida pelo sanitarista Sergio Arouca em seu discurso de abertura na 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS), realizada em 1986. Naquele momento, em pleno processo de redemocratização do Brasil, discutia‑se um novo paradigma do conceito ampliado de saúde que se materializa, apesar de todas as resistências políticas e econômicas, na criação do Sistema Único de Saúde (SUS).


Em sua fala, Arouca explicou essa mudança de paradigma, a partir de sua interpretação do conceito de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde, afirmando que saúde não é simplesmente ausência de doença: “é um bem‑estar social que pode significar que as pessoas tenham mais alguma coisa do que somente não estar enfermos: que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo. Que tenham direito ao meio ambiente que não lhes seja agressivo, e que, pelo contrário, permita uma vida digna e decente. Direito a um sistema político que respeite a livre opinião, a livre possibilidade de organização e autodeterminação de um povo, e que não esteja todo tempo submetido ao medo da violência, da violência derivada da miséria, e que resulta no roubo. Que não esteja também submetido ao medo da violência de um governo contra o seu próprio povo, para que sejam mantidos interesses que não são do povo”


Essa definição de saúde está diretamente relacionada ao conceito de democracia, não sendo possível melhorar a saúde das pessoas se não melhorar em paralelo a qualidade geral de vida, o que, por sua vez, também não é possível enquanto persistir um modelo econômico concentrador de renda e excludente e um modelo político autoritário.


Diante do cenário recente de ameaças à democracia brasileira, a direitos sociais estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e a outras conquistas da população, o site PenseSUS relembra as expressões “Saúde é democracia” e “Democracia é saúde”, ressaltando que, do mesmo modo que um processo democrático foi fundamental para implantar o SUS, a resistência a partir do movimento sanitário que lhe deu base e sustentabilidade se faz ainda mais necessária, em defesa da democracia em nosso país. 



Internet: (com adaptações).

“Em sua fala, Arouca explicou essa mudança de paradigma, a partir de sua interpretação do conceito de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde, afirmando que saúde não é simplesmente ausência de doença: ‘é um bem‑estar social que pode significar que as pessoas tenham mais alguma coisa do que somente não estar enfermos: que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo.’ ” 


Os dois pontos aparecem duas vezes no fragmento em evidência. Assinale a opção que apresenta a explicação correta acerca das duas ocorrências de uso desse instrumento gramatical. 

Alternativas
Q3620861 Português
Assinale a alternativa que apresenta o aviso escrito corretamente
Alternativas
Q3620853 Português
Texto 1


A professora ensina como deve ser usada a vírgula e faz um ditado para os alunos colocarem as vírgulas. Eis a redação de Chico:

O homem saiu de casa na cabeça, trazia um chapéu amarelo nos pés, sapatos de lona escura nos olhos, óculos contra o sol na lapela, um bonito cravo vermelho.

(Donaldo Buchweitz)
Assinale a frase em que Chico está sendo chamado pela professora. 
Alternativas
Q3620852 Português
Texto 1


A professora ensina como deve ser usada a vírgula e faz um ditado para os alunos colocarem as vírgulas. Eis a redação de Chico:

O homem saiu de casa na cabeça, trazia um chapéu amarelo nos pés, sapatos de lona escura nos olhos, óculos contra o sol na lapela, um bonito cravo vermelho.

(Donaldo Buchweitz)
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto 1. 
Alternativas
Q3620634 Português

A Gravata Do Vovô


Muitos vovôs usam gravatas, mas elas são compridonas. Gravata é uma coisa de pano que fica em cima da camisa dos homens. Alguns, outros não.


O vovô usa uma borboleta, mas ele chama de gravata. Como ele sabe tudo muito certo, a gente também chama de gravata.


Mas não é.


É outra coisa. São muitas borboletas, de todas as cores, algumas até com muitas cores, que ele diz serem “estampadas”. Ele tem uma gaveta cheia delas.


“Estampada” eu não sei o que é. Mas ele sabe tudo de tudo, e mais ainda das palavras.


O vovô mora na casa dele, mas ele também mora um pouco em outros lugares, quando viaja.


Ele diz que tem um lugar que existe em todos os outros. É o “Mundo das Palavras”. E ele viaja pra lá sempre que quer.


Eu acho que é longe, então precisa ir voando.


E acho que quem leva o vovô lá pra esse Mundo são as borboletas dele, todas elas, de uma vez, porque elas são pequenas e ele é um adulto.


GALDINO, Elza. Disponível em: https://www.facebook.com/ share/1AppnYpHLS/. Acesso em: 08/08/2025

A pontuação está correta em:
Alternativas
Q3618873 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome. Havia, porém, uma única espécie que continuava robusta, como se tivesse sempre o que comer, a cotia! A aparência do animal chamou a atenção de Makunaíma, um jovem indígena.


Certo dia, Makunaíma seguiu a cotia e descobriu que seu alimento vinha da Wazaká, a árvore de todos os frutos. Assim que o segredo foi descoberto, os deuses da natureza anunciaram que somente os frutos caídos no chão poderiam alimentar quem tivesse fome.

Makunaíma achou injusto não poder retirar os frutos do pé e decidiu cortar a árvore. Ao tombar, seus frutos se espalharam e fizeram germinar todas as árvores que conhecemos hoje, mas nenhuma como Wazaká, a árvore da vida, de onde brotavam todos os tipos de frutos ao mesmo tempo.

*Entre os indígenas brasileiros, há muitas versões dessa história, que explica a origem de diferentes árvores. Esta versão, adaptada pela CHC, tem origem entre os Macuxi, indígenas da região Norte do Brasil.


https://chc.org.br/artigo/a-arvore-da-vida/ 
"Certo dia, Makunaíma seguiu a cotia e descobriu que seu alimento vinha da Wazaká, a árvore de todos os frutos."

A vírgula empregada em 'Certo dia', separa uma expressão que indica:
Alternativas
Q3618178 Português
A piscina

        Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.

        Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.

        Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada, de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto.

        Era um ser encardido, cujos mulambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina.

        De súbito, pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar os olhos dela. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejo, sempre a olhá-la, em desafio e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.

        Lá no terraço, o marido, fascinado, assistiu a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate.

        Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.

(SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro, 1976.)
Em relação aos aspectos e estruturas textuais, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3617411 Português
O jabuti e o leopardo

Curiosamente, aquele jabuti andava depressa. Mas era descuidado. Caminhando sobre as folhas caídas no chão na floresta, não viu um buraco e − ploft! − foi parar lá no fundo. Por sorte, seu casco o protegeu da queda e ele não se machucou. Enquanto espanava a poeira do corpo, suspeitou que aquele não era um buraco qualquer, e tinha razão. Era uma armadilha feita por caçadores.

O jabuti ficou desesperado. Suas patinhas curtas não facilitavam a escalada e ele se deu conta de que estava mesmo preso no buraco. A noite caía, veio a escuridão e com ela o medo de virar comida de caçador.

− E agora? Quem vai me ajudar? − pensou alto o jabuti. Tão alto que, mal terminou a frase e... − ploft! −, um leopardo caiu no mesmo buraco.

Ainda meio tonto com a poeira levantada pelo felino na queda, o jabuti passou suas curtas patinhas nos olhos e viu que não estava sonhando. Era um leopardo mesmo, dos grandes! Seu desespero agora era duplo: estava preso no buraco e tinha a companhia de um leopardo que poderia devorá-lo a qualquer momento.

− Pensa, pensa, pensa... − repetia mentalmente o jabuti.

Que nervoso! Não lhe ocorria nada muito genial. Com o leopardo olhando fixamente na sua direção, o jabuti resolveu gritar, falar alto, irritado, com a raiva de quem tem muita coragem, embora fosse puro medo por dentro.

− O que é isso? O que é isso? Como você, leopardo, ousa invadir o meu território? Será que um jabuti não pode ter um minuto de privacidade que logo um bicho sem permissão invade a sua toca? O que você está fazendo aqui sem pedir licença? − berrava o jabuti, disfarçando a tremedeira.

O leopardo parecia atordoado, não entendia direito o que estava acontecendo. O jabuti percebeu que seu chilique era convincente e continuou:

− Não vou admitir que leopardo nenhum venha aqui, na minha casa, atrapalhar o meu descanso. Ponha-se daqui para fora agora mesmo − arriscou o jabuti, fazendo a cara mais feia que tinha para um momento de terror.

Ao que tudo indica, leopardos não gostam de receber ordens. Sem paciência, o felino agarrou o jabuti pelo casco e o arremessou para fora do buraco.

Empoeirado, aliviado e feliz, o jabuti apertou o passo, correu o mais depressa que pôde e foi para a sua verdadeira toca na floresta.

Às vezes, a gente tira coragem de onde nem imagina.


https://chc.org.br/artigo/o-jabuti-e-o-leopardo/
− Pensa, pensa, pensa... − repetia mentalmente o jabuti. Observe o emprego da vírgula entre as repetições da palavra 'pensa' e identifique a alternativa que justifica corretamente o seu emprego
Alternativas
Q3615822 Português

Texto para responder à questão.


Taquicardia a dois


    Estava minha amiga falando comigo ao telefone. Eis senão quando entra-lhe pela sala adentro um passarinho. Minha amiga reconheceu: era um sabiá. Minha amiga ficou surpresa. Era preciso que ele achasse o caminho da janela para ir embora e escapar da prisão da sala. Depois de esvoaçar muito, pousou num quadro acima da cabeça de minha amiga, que continuou o telefonema, porém mais atenta ao sabiá do que às palavras.

    Foi quando ela sentiu uma coisa pelas costas nuas – era verão, o vestido não tinha costas: o sabiá tinha-se aninhado nela e parecia estar muito bem. E preciso dizer que minha amiga tem uma voz muito suave. Ela sabia que qualquer movimento súbito seu, e o sabiá se assustaria quase mortalmente. Desligou o telefone.

    Também é preciso dizer que minha amiga tem mão e jeito leves, é capaz de segurar a corola de uma flor sem fazê-la murchar. Foi com seu jeito leve que pegou no sabiá, que se deixou pegar.

    E lá ficou de sabiá na mão. O coraçãozinho do sabiá batia em louca taquicardia. E o pior é que minha amiga estava toda taquicárdica. Ali, pois, ficaram os dois tremendo por dentro: a amiga sentindo o próprio coração palpitar depressa e na mão sentindo o bater apressadinho e desordenado do sabiá.

    Então ela se levantou devagar para não assustar o que estava vivo na sua mão. Chegou junto da janela. O sabiá compreendeu. Minha amiga espalmou a mão, onde o sabiá permaneceu por uns instantes. E de súbito deu uma voada lindíssima de tanta liberdade.


(LISPECTOR, Clarice. Portal da crônica Brasileira. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.) 

No trecho “Foi quando ela sentiu uma coisa pelas costas nuas – era verão o vestido não tinha costas [...]” (2º§), o travessão foi utilizado para destacar: 
Alternativas
Q3615393 Português

Quem me dera (mas Deus me livre)


    Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.

    Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.

    Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.

    Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.

    Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.

    O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.

    E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.

    Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.

    Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!

    Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.

    O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.

    Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.

    Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.


(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)

Sobre a pontuação do trecho “Sempre que volto de férias, penso: é isso!” (1º§), é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3615088 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

Ao longo do texto, é possível observar, em diversos momentos, a utilização de travessões (–) como recurso textual. Nesse sentido, é correto afirmar que o travessão é um sinal de pontuação utilizado para, EXCETO: 
Alternativas
Q3615087 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, [...] (2º§). No trecho anterior, observa-se o emprego de aspas na palavra “baixo”. Considerando o contexto de utilização, é correto afirmar que as aspas foram empregadas para: 
Alternativas
Q3615081 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

No trecho “O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn.” (5º§), observa-se o emprego de reticências. As reticências são a representação dos três pontos que seguem a última palavra em um período; geralmente são utilizadas para:
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Q3614978 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 3


Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado


Projetos ajudam a conservar o bioma e a empoderar mulheres


“O capim-dourado mudou as nossas vidas. É o capim-dourado que coloca pão na mesa, que gera renda para comprar comida, roupa, calçado. Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade e muda a vida das artesãs, dando qualidade de vida melhor”, conta Railane de Brito da Silva, 27 anos, presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros, no Jalapão (região leste do estado do Tocantins).

    O capim-dourado (Syngonanthus nitens), na verdade, não é um capim, já que não pertence à família das gramíneas. Trata-se da haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas (família Eriocaulaceae). O capim-dourado é matériaprima para a confecção de bolsas, bijuterias e objetos de decoração que geram renda para centenas de artesãos. 

    “Ele nasceu aqui na comunidade de Mumbuca. Há 180 anos, dona Laurinda, mais conhecida como dona Miúda, descobriu o capim-dourado. Ela foi a precursora do capim-dourado no mundo”, conta orgulhosa Railane, que segue à frente da associação, vencendo desafios diários para que as artesãs da região tenham visibilidade. “Tenho orgulho do meu trabalho, que não é fácil, mas tenho força porque já nasci empoderada.”

    Na associação, ela faz de tudo: está envolvida nas atividades sociais, financeiras, vendas e projetos que ajudam a divulgar o artesanato local, além de dar aulas em uma escola estadual, inclusive de cultura quilombola.

    “A associação é o coração da comunidade Mumbuca”, conta orgulhosa Railane. “Na associação, é desenvolvido artesanato de capim-dourado. Temos a loja de Capim- Dourado, onde há 200 artesãs e associados que costuram todo dia e vendem lá. A loja organiza a venda das peças e 90% vai para o artesão, 5% fica com o vendedor e 5% vai para o caixa da associação”.

    “Na comunidade Quilombola Mumbuca, tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade. Ainda temos o escritório, a Casa da Cultura, o Barracão de Eventos. A associação é um trabalho social, porque tudo que vem de cesta básica e de doação passa pela associação que distribui para comunidade”.

    Filha de pais agricultores, Railane tem muito orgulho de suas origens. “Nós quilombolas somos as comunidades que guardam mais do que tudo. Então, desde o passado, a gente sabe conservar a natureza da forma que era. A nossa comunidade é bem preservada. A gente ensina a não jogar lixo nos córregos e na beira dos rios, porque, além do capim-dourado, aqui tem muitos atrativos; tem córrego, cachoeira, rios, praias, então é muito interessante”. [...]


Bioma

O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil e ocupa cerca de 25% do território nacional, com área aproximada de 1,9 milhão de quilômetros quadrados (km²). Trata-se do segundo maior bioma nacional, atrás apenas da Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo. Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

     Apesar da importância, dados mostram que o Cerrado vem sendo devastado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no acumulado de janeiro a abril de 2023, o desmatamento aumentou no Cerrado e caiu na Amazônia Legal, na comparação com o mesmo período do ano passado.


Agricultura familiar

    “O trabalho que fazemos na Rede Cerrado visa a proteção dos biomas, fauna e flora e dos povos e populações tradicionais”, conta Maria de Lourdes de Souza Nascimento, 59 anos. “Nosso trabalho é focado na agroecologia, garantindo o bem-estar das mulheres e homens do campo”.

     Não me deixo abater. Defendo as mulheres, a agricultura familiar e o meio ambiente. Não tenho dúvidas de que, sem esses três elementos, não existiria vida no planeta", completa Maria de Lourdes.

     Por isso, ela entende que ajudar a conservar o Cerrado é tão importante. “O Cerrado é nossa caixa d’água e não é à toa que [...] preservá-lo é continuar a viver”.

    Para Maria de Lourdes, as ações vêm para mudar as adversidades ambientais. “Somos poucos e poucas nessa luta, mas estamos fazendo a diferença no planeta, nas mudanças climáticas. Somos como o beija-flor do incêndio: estamos fazendo nossa parte!”, disse ela, referindo-se à fábula do beija-flor que, diante de um grande incêndio na floresta, colabora levando gotas de água em seu pequeno bico na tentativa de combater as chamas. [...]


Adaptado de: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023- 05/agricultoras-de-comunidades-tradicionais-se-unem-em-defesado-cerrado.
Considerando o uso adequado da vírgula, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. No trecho “[...] gera renda para comprar comida, roupa, calçado.”, as vírgulas foram empregadas para isolar elementos de mesma função sintática.
II. Em “[...] conta Railane de Brito da Silva [...], presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros [...]”, as vírgulas foram empregadas para isolar um segmento com função explicativa.
III. Em “Há 180 anos, dona Laurinda, mais conhecida como dona Miúda, descobriu o capim-dourado.”, as três vírgulas utilizadas foram empregadas pela mesma razão.
IV. Em “A loja organiza a venda das peças e 90% vai para o artesão [...]”, poderia haver, sem prejuízo gramatical, uma vírgula antes da conjunção “e”. 
V. No trecho “Na comunidade Quilombola Mumbuca, tudo gira em torno da associação [...]”, é facultativo o uso da vírgula empregada.
Alternativas
Q3614889 Português
Leia o texto a seguir:


A fruta que ajuda a eliminar toxinas e reduz a inflamação nas vias aéreas


Seu alto teor de vitamina C faz dessa fruta cítrica uma aliada natural contra o dano oxidativo e o enfraquecimento do sistema imunológico


Diante do aumento de doenças respiratórias e da crescente exposição a poluentes ambientais, especialistas em saúde recomendam dar mais atenção ao cuidado com os pulmões. Uma opção simples, acessível e com respaldo científico é o consumo de laranjas. Diversos estudos indicam que essa fruta não só fortalece as defesas do organismo, como também contribui para a limpeza pulmonar, a redução da inflamação nas vias respiratórias e a reparação de tecidos danificados.


As laranjas estão entre as frutas mais ricas em vitamina C, um micronutriente essencial para combater o estresse oxidativo, especialmente nos pulmões. A exposição constante a poluentes atmosféricos, fumaça de cigarro ou partículas em suspensão gera radicais livres, que danificam as células pulmonares e provocam inflamação crônica.


De acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de Nottingham, a vitamina C atua como um agente antioxidante que neutraliza esses radicais livres. Seu consumo frequente ajuda a reduzir a inflamação nas vias respiratórias, o que melhora a função pulmonar e pode aliviar sintomas em pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).


Além disso, o European Respiratory Journal publicou um estudo que associa uma dieta rica em frutas cítricas a uma redução de 30% no risco de desenvolver doenças pulmonares obstrutivas em adultos mais velhos.


Cada laranja fornece mais de 90% do valor diário recomendado de vitamina C, o que favorece a produção de glóbulos brancos: responsáveis por combater infecções respiratórias como resfriados e gripes. De acordo com uma análise realizada pela Universidade de Helsinque, pessoas que incluem essa fruta regularmente na dieta apresentam uma duração menor dos sintomas associados a infecções respiratórias.


Recomenda-se consumir a fruta inteira, já que a polpa contém fibras e outros compostos que potencializam seus efeitos positivos.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/07/11/a-fruta-que-ajudaa-eliminar-toxinas-e-reduz-a-inflamacao-nas-vias-aereas.ghtml. Acesso em 11/07/2025. Excerto 
“Cada laranja fornece mais de 90% do valor diário recomendado de vitamina C, o que favorece a produção de glóbulos brancos: responsáveis por combater infecções respiratórias como resfriados e gripes” (5º parágrafo). Nesse trecho, a função dos dois-pontos é:
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Q3614826 Português
Você pode estar sofrendo de fadiga digital e nem percebeu


   Nos últimos anos, o avanço das tecnologias digitais e a popularização do trabalho remoto transformaram a forma como as pessoas se relacionam com o ambiente virtual. A rotina de passar horas seguidas diante de telas, seja para atividades profissionais, estudo ou lazer, tornou-se parte do cotidiano de milhões de indivíduos. Esse novo cenário trouxe à tona um fenômeno cada vez mais discutido: o surgimento de tipos inéditos de cansaço mental associados às longas jornadas on-line.

   O esgotamento provocado pelo uso prolongado de dispositivos digitais vai além do simples cansaço físico. Muitas pessoas relatam sintomas como dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de esvaziamento mental após períodos extensos conectados. Esse quadro tem chamado a atenção de pesquisadores e profissionais da saúde, que buscam compreender as causas e impactos desse fenômeno no bem-estar da população. Recentemente, instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e universidades de referência, como a Universidade de São Paulo, vêm promovendo estudos para entender melhor a relação entre o ambiente digital e a saúde mental, trazendo novas perspectivas sobre o tema.

   Estudos recentes indicam que a exposição contínua a estímulos digitais pode sobrecarregar áreas do cérebro responsáveis pela atenção e processamento de informações. O excesso de notificações, reuniões virtuais e multitarefas digitais exige uma adaptação constante, levando à chamada fadiga digital. Esse tipo de exaustão mental difere do cansaço tradicional, pois está relacionado à hiperestimulação e à dificuldade de desconectar-se do ambiente virtual.

   Além disso, a ausência de pausas regulares e a falta de interação presencial contribuem para o aumento do estresse e da ansiedade. O cérebro, ao ser submetido a longos períodos de atividade on-line, tende a apresentar sinais de esgotamento, como lapsos de memória e sensação de confusão mental. Tais sintomas são cada vez mais comuns em profissionais que atuam em home office ou estudantes em regime remoto.

   O esgotamento causado pelas longas jornadas on-line possui características distintas em relação ao estresse convencional. Enquanto o estresse físico está geralmente associado a esforços corporais ou preocupações pontuais, o cansaço digital resulta da sobrecarga de informações e da necessidade de estar sempre disponível no ambiente virtual.

   Além disso, a ausência de limites claros entre trabalho, lazer e vida pessoal intensifica o desgaste mental. O acesso constante a redes sociais, e-mails e aplicativos de mensagens faz com que o cérebro permaneça em estado de alerta, dificultando o relaxamento e a recuperação das energias.

   Para reduzir os efeitos do cansaço mental digital, especialistas recomendam adotar algumas estratégias simples no dia a dia. Entre elas, destaca-se a importância de realizar pausas regulares durante o uso de dispositivos eletrônicos, evitando períodos prolongados sem descanso. A prática de atividades físicas e o contato com ambientes naturais também contribuem para aliviar a tensão acumulada.

   Outra medida eficaz é estabelecer horários definidos para o uso de tecnologias, separando momentos de trabalho, estudo e lazer. Desativar notificações não essenciais e priorizar interações presenciais sempre que possível são atitudes que ajudam a preservar a saúde mental e a qualidade de vida em um mundo cada vez mais conectado. Empresas como Google e Apple têm implementado ferramentas em seus dispositivos para auxiliar os usuários na gestão do tempo de tela, facilitando o equilíbrio entre o digital e o offline.


(Disponível em: https://www.em.com.br/emfoco. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Em relação ao período, “Para reduzir os efeitos do cansaço mental digital, especialistas recomendam adotar algumas estratégias simples no dia a dia.” (7º§), assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3614122 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Tô fraco!

Há muito tempo, na África, as aves viviam felizes, ciscando em liberdade. Mas um disse-me-disse e muita inveja interromperam a paz, transformando a boa convivência em uma grande confusão!

Tudo começou quando o melro, ave bela e vistosa, que arrancava suspiros das galinhas d'angola, começou a se exibir. Era, de fato, um macho de rara beleza. Tinha penas pretas brilhantes e o bico amarelo, cor de ovo de roça, quase laranja.

Todas as outras aves queriam ser como o melro. Sabendo disso, ele desfilava para cima e para baixo com ar de superioridade. Certo dia, tomado pela vaidade, prometeu que, se as galinhas d'angola o obedecessem, usaria seus poderes mágicos e as tornaria totalmente pretas, reluzentes, lindas como ele.

Ao contrário do que era esperado, as aves não deram muita bola para o melro. Continuaram ciscando aqui e ali como bem entendiam. Furioso, ele jurou vingança e rogou uma praga: 

− A partir de hoje, todas as galinhas d'angola serão magras e sentirão fraqueza constante! − disparou o melro com voz de trovão.

Dito e feito. A partir desse dia, as galinhas d'angola − que, apesar de suas pernas finas, correm bastante − vivem cacarejando sua fraqueza: "tô fraca... tô fraca..."

https://chc.org.br/artigo/to-fraco/
"A partir de hoje, todas as galinhas d'angola serão magras e sentirão fraqueza constante! − disparou o melro com voz de trovão."
Analise o emprego do travessão no trecho acima e identifique a alternativa que justifica corretamente o seu uso.
Alternativas
Respostas
1581: B
1582: C
1583: C
1584: B
1585: B
1586: B
1587: A
1588: E
1589: B
1590: B
1591: A
1592: C
1593: C
1594: A
1595: D
1596: B
1597: D
1598: C
1599: C
1600: A