Questões de Concurso Comentadas para fiscal de obras

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Q3204618 Português
Qual a opção em que a concordância verbal está CORRETA?
Alternativas
Q3204617 Português
Marque a opção em que a concordância nominal está CORRETA. 
Alternativas
Q3204614 Português
Marque a sentença que NÃO apresenta ambiguidade.
Alternativas
Q3204613 Português
Leia o texto a seguir.

“Estou aqui com minha mãe, que, mesmo não sendo Blackfeet, trabalhou incansavelmente para colocar nosso idioma em nossa sala de aula, então tive um professor de idiomas Blackfeet enquanto crescia. Estou muito grata por poder falar um pouco da minha língua, na qual não sou fluente, aqui. Porque nessa indústria, atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as executavam de trás para frente para obter os idiomas nativos diante das câmeras.” Lily Glastone.

Fonte:https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/01/08/lily-gladstone-e-aprimeira-mulher-indigena-a-ganhar-o-globo-de-ouro.htm?cmpid
A função da linguagem que predomina no texto é
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Q3204612 Português
Assinale a alternativa em que a classificação da figura de linguagem presente na frase está INCORRETA.
Alternativas
Q3204611 Português

Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro


Atriz venceu por sua atuação em "Assassinos da Rua das Flores", dirigido por Martin Scorsese


Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.

Gladstone venceu por sua atuação no drama dirigido por Martin Scorsese “Assassinos da Rua das Flores”, no qual estrela ao lado de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro.

“Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.

Falando inicialmente na língua Blackfeet, Gladstone continuou dizendo que a Nação Blackfeet é a “bela comunidade, nação que me criou e me encorajou a continuar, continuar fazendo isso”.

Ela também homenageou sua mãe, que a acompanhou na cerimônia no domingo, dizendo: “minha mãe, embora não seja Blackfeet, trabalhou incansavelmente para levar nosso idioma às nossas salas de aula, então tive uma professora de inglês Blackfeet enquanto crescia”.

Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as rodavam de trás para frente para conseguir os idiomas nativos diante das câmeras”.

Passando a mencionar a nação Osage, centrada em “Flower Moon”, Gladstone encerrou seu discurso dizendo que este prêmio é para as crianças que “se viram representadas em nossas histórias contadas por nós mesmos em nossas próprias palavras, com tremendos aliados e tremendos confiar.”

Gladstone cresceu na reserva Blackfeet, no noroeste de Montana, de acordo com o The Guardian, contando à publicação em 2017 que viveu em terras da reserva até os 11 anos de idade. Ela tem afiliações tribais que incluem Kainai, Amskapi Piikani e Nimi’ipuu First Nations.

Em “Assassinos da Rua das Flores”, ela interpreta Mollie Burkhart, uma mulher osage que é esposa de Ernest Burkhart, de DiCaprio. Isso marca a primeira indicação e vitória de Gladstone ao Globo.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/lily-gladstone-se-torna-aprimeira-atriz-indigena-a-ganhar-um-globo-de-ouro/

No trecho “Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.”, o uso do pronome demonstrativo justifica-se por
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Q3204610 Português

Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro


Atriz venceu por sua atuação em "Assassinos da Rua das Flores", dirigido por Martin Scorsese


Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.

Gladstone venceu por sua atuação no drama dirigido por Martin Scorsese “Assassinos da Rua das Flores”, no qual estrela ao lado de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro.

“Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.

Falando inicialmente na língua Blackfeet, Gladstone continuou dizendo que a Nação Blackfeet é a “bela comunidade, nação que me criou e me encorajou a continuar, continuar fazendo isso”.

Ela também homenageou sua mãe, que a acompanhou na cerimônia no domingo, dizendo: “minha mãe, embora não seja Blackfeet, trabalhou incansavelmente para levar nosso idioma às nossas salas de aula, então tive uma professora de inglês Blackfeet enquanto crescia”.

Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as rodavam de trás para frente para conseguir os idiomas nativos diante das câmeras”.

Passando a mencionar a nação Osage, centrada em “Flower Moon”, Gladstone encerrou seu discurso dizendo que este prêmio é para as crianças que “se viram representadas em nossas histórias contadas por nós mesmos em nossas próprias palavras, com tremendos aliados e tremendos confiar.”

Gladstone cresceu na reserva Blackfeet, no noroeste de Montana, de acordo com o The Guardian, contando à publicação em 2017 que viveu em terras da reserva até os 11 anos de idade. Ela tem afiliações tribais que incluem Kainai, Amskapi Piikani e Nimi’ipuu First Nations.

Em “Assassinos da Rua das Flores”, ela interpreta Mollie Burkhart, uma mulher osage que é esposa de Ernest Burkhart, de DiCaprio. Isso marca a primeira indicação e vitória de Gladstone ao Globo.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/lily-gladstone-se-torna-aprimeira-atriz-indigena-a-ganhar-um-globo-de-ouro/

O adjetivo utilizado no título “Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro” é importante porque
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Q3204609 Português

Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro


Atriz venceu por sua atuação em "Assassinos da Rua das Flores", dirigido por Martin Scorsese


Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.

Gladstone venceu por sua atuação no drama dirigido por Martin Scorsese “Assassinos da Rua das Flores”, no qual estrela ao lado de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro.

“Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.

Falando inicialmente na língua Blackfeet, Gladstone continuou dizendo que a Nação Blackfeet é a “bela comunidade, nação que me criou e me encorajou a continuar, continuar fazendo isso”.

Ela também homenageou sua mãe, que a acompanhou na cerimônia no domingo, dizendo: “minha mãe, embora não seja Blackfeet, trabalhou incansavelmente para levar nosso idioma às nossas salas de aula, então tive uma professora de inglês Blackfeet enquanto crescia”.

Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as rodavam de trás para frente para conseguir os idiomas nativos diante das câmeras”.

Passando a mencionar a nação Osage, centrada em “Flower Moon”, Gladstone encerrou seu discurso dizendo que este prêmio é para as crianças que “se viram representadas em nossas histórias contadas por nós mesmos em nossas próprias palavras, com tremendos aliados e tremendos confiar.”

Gladstone cresceu na reserva Blackfeet, no noroeste de Montana, de acordo com o The Guardian, contando à publicação em 2017 que viveu em terras da reserva até os 11 anos de idade. Ela tem afiliações tribais que incluem Kainai, Amskapi Piikani e Nimi’ipuu First Nations.

Em “Assassinos da Rua das Flores”, ela interpreta Mollie Burkhart, uma mulher osage que é esposa de Ernest Burkhart, de DiCaprio. Isso marca a primeira indicação e vitória de Gladstone ao Globo.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/lily-gladstone-se-torna-aprimeira-atriz-indigena-a-ganhar-um-globo-de-ouro/

No período “Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.”, a expressão sublinhada apresenta, no contexto, o sentido de 
Alternativas
Q3204608 Português

Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro


Atriz venceu por sua atuação em "Assassinos da Rua das Flores", dirigido por Martin Scorsese


Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.

Gladstone venceu por sua atuação no drama dirigido por Martin Scorsese “Assassinos da Rua das Flores”, no qual estrela ao lado de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro.

“Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.

Falando inicialmente na língua Blackfeet, Gladstone continuou dizendo que a Nação Blackfeet é a “bela comunidade, nação que me criou e me encorajou a continuar, continuar fazendo isso”.

Ela também homenageou sua mãe, que a acompanhou na cerimônia no domingo, dizendo: “minha mãe, embora não seja Blackfeet, trabalhou incansavelmente para levar nosso idioma às nossas salas de aula, então tive uma professora de inglês Blackfeet enquanto crescia”.

Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as rodavam de trás para frente para conseguir os idiomas nativos diante das câmeras”.

Passando a mencionar a nação Osage, centrada em “Flower Moon”, Gladstone encerrou seu discurso dizendo que este prêmio é para as crianças que “se viram representadas em nossas histórias contadas por nós mesmos em nossas próprias palavras, com tremendos aliados e tremendos confiar.”

Gladstone cresceu na reserva Blackfeet, no noroeste de Montana, de acordo com o The Guardian, contando à publicação em 2017 que viveu em terras da reserva até os 11 anos de idade. Ela tem afiliações tribais que incluem Kainai, Amskapi Piikani e Nimi’ipuu First Nations.

Em “Assassinos da Rua das Flores”, ela interpreta Mollie Burkhart, uma mulher osage que é esposa de Ernest Burkhart, de DiCaprio. Isso marca a primeira indicação e vitória de Gladstone ao Globo.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/lily-gladstone-se-torna-aprimeira-atriz-indigena-a-ganhar-um-globo-de-ouro/

Em “Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês (...)” A palavra sublinhada estabelece a relação semântica de
Alternativas
Q3204607 Português

Lily Gladstone se torna a primeira atriz indígena a ganhar um Globo de Ouro


Atriz venceu por sua atuação em "Assassinos da Rua das Flores", dirigido por Martin Scorsese


Lily Gladstone fez história no Globo de Ouro no domingo (8), quando se tornou a primeira pessoa que se identifica como indígena a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Drama durante a cerimônia.

Gladstone venceu por sua atuação no drama dirigido por Martin Scorsese “Assassinos da Rua das Flores”, no qual estrela ao lado de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro.

“Este é um caso histórico. Não pertence apenas a mim. Estou segurando agora, segurando com todas as minhas lindas irmãs”, disse ela durante seu discurso.

Falando inicialmente na língua Blackfeet, Gladstone continuou dizendo que a Nação Blackfeet é a “bela comunidade, nação que me criou e me encorajou a continuar, continuar fazendo isso”.

Ela também homenageou sua mãe, que a acompanhou na cerimônia no domingo, dizendo: “minha mãe, embora não seja Blackfeet, trabalhou incansavelmente para levar nosso idioma às nossas salas de aula, então tive uma professora de inglês Blackfeet enquanto crescia”.

Gladstone expressou sua gratidão por poder falar “um pouco” de sua língua “porque neste negócio, os atores nativos costumavam falar suas falas em inglês e então os mixadores de som as rodavam de trás para frente para conseguir os idiomas nativos diante das câmeras”.

Passando a mencionar a nação Osage, centrada em “Flower Moon”, Gladstone encerrou seu discurso dizendo que este prêmio é para as crianças que “se viram representadas em nossas histórias contadas por nós mesmos em nossas próprias palavras, com tremendos aliados e tremendos confiar.”

Gladstone cresceu na reserva Blackfeet, no noroeste de Montana, de acordo com o The Guardian, contando à publicação em 2017 que viveu em terras da reserva até os 11 anos de idade. Ela tem afiliações tribais que incluem Kainai, Amskapi Piikani e Nimi’ipuu First Nations.

Em “Assassinos da Rua das Flores”, ela interpreta Mollie Burkhart, uma mulher osage que é esposa de Ernest Burkhart, de DiCaprio. Isso marca a primeira indicação e vitória de Gladstone ao Globo.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/lily-gladstone-se-torna-aprimeira-atriz-indigena-a-ganhar-um-globo-de-ouro/

Nos parágrafos iniciais do texto, a intenção do autor é a de
Alternativas
Q3195069 Matemática
Sejam duas progressões, sendo a Primeira, aritmética, e a Segunda, geométrica. A Primeira possui como primeiro elemento, o número 2, e tem como razão, o número 2. A Segunda possui como primeiro elemento, o número 2, e tem como razão, o número 3. Qual será o elemento da Primeira que terá o mesmo valor do 10° elemento da Segunda?
Alternativas
Q3195064 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
A palavra “publicamente”, utilizada no texto, é formada por meio de: 
Alternativas
Q3195063 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
No que se refere à grafia de palavras, “entrosar” é um exemplo de vocábulo em que o S tem som de Z. Em qual das alternativas abaixo também há um exemplo de vocábulo corretamente grafado com S, exercendo som de Z?
Alternativas
Q3195062 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
Na oração “Lamento a minha passividade”, o sujeito e os termos sublinhados são classificados, respectivamente, como:
Alternativas
Q3195061 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
No trecho “Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis”, a palavra “retroativa” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Alternativas
Q3195060 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
No contexto do trecho “Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico”, a conjunção “Mas” introduz uma ideia de:
Alternativas
Q3195058 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
Na oração “Atuavam sob o signo do pânico e da opressão”, a palavra “sob” é classificada, gramaticalmente, como:
Alternativas
Q3195057 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
Considerando o texto de Fabrício Carpinejar, analise as afirmativas a seguir, que tratam das reflexões do autor sobre o ambiente escolar e a formação de times nas aulas de educação física:

I. O autor reconhece que, por ser boleiro, não percebia o sofrimento dos colegas excluídos, pois estava focado em seu próprio desempenho.
II. O texto sugere que o ambiente escolar, ao invés de acolher e ensinar, pode reforçar preconceitos, estereótipos e práticas de exclusão entre os alunos.
III. O autor demonstra orgulho de nunca ter sido o último a ser escolhido nos times, mostrando satisfação por sua popularidade entre os colegas.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3195055 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Escolhendo times na escola

         Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
          Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
        Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
          Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
        Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
       Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
        Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
       Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
       Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
      Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
        — Pode ficar, jogamos com um a menos.
        — Ele não, é muito ruim.
        — Nem colocando de goleiro.
        — Ele não presta nem como poste.
       Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
         Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
       Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
      A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
     Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
       Já começávamos a aula derrotados moralmente.


Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado)
O autor, ao relembrar sua infância e as escolhas de times nas aulas de educação física, reflete sobre sua postura e a dos colegas em relação aos alunos que eram constantemente excluídos. Qual é o sentimento predominante que o autor expressa ao revisitar essas memórias?
Alternativas
Respostas
1281: C
1282: E
1283: C
1284: D
1285: D
1286: E
1287: C
1288: B
1289: D
1290: E
1291: D
1292: D
1293: A
1294: A
1295: A
1296: C
1297: D
1298: B
1299: B
1300: D