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Questões de Concurso Comentadas para if-es

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Q3017887 Algoritmos e Estrutura de Dados
Sobre a Programação Dinâmica (PD) e seus princípios, considere as seguintes afirmativas:

I. A Programação Dinâmica resolve problemas complexos dividindo-os em subproblemas mais simples e solucionando esses subproblemas uma única vez, armazenando suas soluções.
II. O princípio da otimalidade de Bellman estabelece que uma solução ótima de um problema de PD pode ser obtida resolvendo-se subproblemas ótimos recursivamente.
III. A Programação Dinâmica só pode ser aplicada a problemas que envolvem decisões discretas.
IV. Em PD, a função de valor (ou função objetivo) é construída de forma recursiva, baseandose em estados e decisões anteriores.

Quais afirmativas estão CORRETAS
Alternativas
Q3017885 Administração de Recursos Materiais
O Lote Econômico de Compra (LEC) é uma metodologia utilizada na gestão de estoques, a aplicação correta do LEC contribui para o aumento da competitividade e lucratividade das empresas. Considerando as seguintes afirmações sobre o LEC e seus princípios aplicados à gestão de estoques, marque a única alternativa CORRETA
Alternativas
Q3017884 Administração Geral
Em um mercado altamente competitivo, garantir a qualidade dos produtos e serviços é crucial para a reputação e o sucesso de uma organização. Qual das seguintes atividades é fundamental para o planejamento, controle e avaliação dos processos da qualidade em uma organização?
Alternativas
Q3017883 Administração de Recursos Materiais
O gerenciamento da cadeia de suprimentos busca otimizar a eficiência e a eficácia operacional, garantindo que os produtos certos estejam disponíveis no momento certo e ao menor custo possível. No contexto do gerenciamento da cadeia de suprimentos, qual é a relação entre movimentação de materiais e cadeia de valor? 
Alternativas
Q3017882 Atendimento ao Público
Sobre a teoria de filas, as aplicações na administração são inúmeras, a saber:

I. Estabelecimento de uma política de atendimento ao público, em empresas concessionárias de serviços públicos, determinando o número de atendentes e a especialização de cada um.
II. Estudo de um sistema de almoxarifado, determinando o estoque mínimo dos produtos.
III. Estudo da operação de um centro de processamento de dados com o objetivo de determinar políticas de atendimento e prioridades para execução dos serviços.
IV. Determinação de equipes de manutenção em grandes instalações, considerando apenas o tempo de espera dos atendimentos.
V. Estudo de operações de caixas (bancos, supermercados etc.) com o objetivo de estabelecer uma política ótima de atendimento ao público.

Quais afirmações estão CORRETAS?
Alternativas
Q3017881 Administração Geral
O Controle da Qualidade Total (TQC) é uma filosofia de gestão que envolve um compromisso coletivo com a excelência, integrando práticas de qualidade em todas as operações e processos. Qual das seguintes afirmações melhor descreve o TQC?
Alternativas
Q3017880 Administração de Recursos Materiais
Sobre os diferentes tipos de arranjo físico (layout) em ambientes industriais, analise as seguintes afirmações e determine quais são VERDADEIRAS (V) e quais são FALSAS (F):

( ) O arranjo físico por produto é altamente eficiente para a produção de pequenos lotes de produtos personalizados, pois permite rápidas mudanças de configuração e minimiza o tempo de setup.
( ) O arranjo físico por processo permite flexibilidade na produção de diferentes produtos, mas pode resultar em maior movimentação de materiais entre as diferentes áreas funcionais.
( ) O arranjo físico celular visa combinar a eficiência do arranjo por produto com a flexibilidade do arranjo por processo, organizando as máquinas em células que produzem famílias de produtos semelhantes.
( ) No arranjo físico fixo, o produto permanece em um local fixo, e todos os recursos necessários são trazidos até ele, sendo ideal para produtos de grande porte ou que exigem montagem complexa.

Escolha a alternativa que representa CORRETAMENTE a sequência de VERDADEIRO (V) e FALSO (F) das afirmações acima:
Alternativas
Q3017879 Administração Geral
De acordo com Falconi (2014), a padronização é um elemento crucial para a gestão da qualidade. Qual das seguintes alternativas melhor explica o motivo pelo qual a padronização é essencial para a melhoria contínua nas empresas? 
Alternativas
Q3017878 Administração de Recursos Materiais
Para otimizar a logística e promover o desenvolvimento sustentável, é crucial investir na integração e modernização de todos os modais de transporte, pois são fundamentais para o escoamento da produção e para a integração regional. A respeito dos modais de transporte no Brasil, analise as seguintes afirmações:

I. O modal rodoviário, apesar de sua predominância, apresenta desafios significativos, como altos custos de manutenção e operação.
II. O modal ferroviário é ideal para o transporte de commodities em grandes volumes, pois possui ampla cobertura nacional.
III. O modal aquaviário, especialmente o transporte marítimo, é crucial para o comércio exterior, mas o transporte fluvial ainda é subutilizado nas regiões onde há potencial hídrico.
IV. O modal dutoviário, além de ser eficiente para líquidos e gases, requer baixos investimentos iniciais e é restrito a produtos específicos.
V. O modal aéreo é predominantemente utilizado para o transporte de cargas de alto valor agregado devido aos seus custos elevados.

Quais afirmações estão CORRETAS?
Alternativas
Q3017877 Legislação Federal
A Lei nº 12.772/2012 dispõe sobre o Plano de Carreiras e Cargos de Magistério Federal, a Carreira do Magistério Superior, o Plano de Carreira e Cargos de Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico e o Plano de Carreiras de Magistério do Ensino Básico Federal. Acerca do regime de trabalho de 40 (quarenta) horas semanais, em tempo integral, com dedicação exclusiva às atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão institucional, essa Lei admite a percepção de algumas retribuições pecuniárias pelo docente, observadas as condições da regulamentação própria de cada IFE. São retribuições autorizadas pela Lei nº 12.772/2012 ao professor que se enquadra nesse regime de trabalho, EXCETO:
Alternativas
Q3017876 Direito Administrativo
A Lei 8.112/1990 dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. De acordo com o artigo 117 dessa Lei, ao servidor público é proibido, EXCETO:
Alternativas
Q3017875 Ética na Administração Pública
Acerca do que consta no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto nº 1.171/1994) e no Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal (Decreto nº 6.029/2007), assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Q3017874 Pedagogia
A Lei 9.394/1996 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Assinale a alternativa INCORRETA acerca dessa Lei: 
Alternativas
Q3017873 Direito Constitucional
O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB) dispõe sobre os direitos e garantias individuais e coletivos. Acerca desses direitos, analise as assertivas abaixo:

I. é livre a manifestação do pensamento, sendo autorizado o anonimato.
II. é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, independentemente das qualificações profissionais que a lei estabelecer.
III. a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.
IV. aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
V. é plena a liberdade de associação para fins lícitos, inclusive a de caráter paramilitar.

São direitos e garantias individuais e coletivos CORRETAMENTE indicados no artigo 5º da CRFB os constantes nas assertivas: 
Alternativas
Q3017871 Português
A seguir, estão algumas citações atribuídas a Willian Shakeaspeare. Leia-as atentamente e depois marque a opção que traz uma análise CORRETA sobre elas:

“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio”.
“Para o trabalho que gostamos, levantamo-nos cedo e fazêmo-lo com alegria”.
“Ame-me ou odeie-me, ambas estão ao meu favor. Se você me ama, eu vou estar sempre no seu coração, se você me odeia, eu vou estar sempre na sua mente".
“É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada”.

fonte: https://www.pensador.com/frases_fortes_shakespeare/ 
Alternativas
Q3017870 Português
A seguir, estão alguns conselhos sobre como cuidar da higiene da cama, que foram adaptados de um site de notícias. Alguns desses conselhos (com as adaptações) apresentam incorreções em relação ao uso correto da língua portuguesa. Apenas 1 (uma) opção apresenta um conselho totalmente CORRETO do ponto de vista do uso da língua. Assinale-a. 



fonte: adaptado de Do travesseiro ao colchão: saiba como cuidar da higiene da cama | CNN Brasil
Alternativas
Q3017869 Português

TEXTO 6


Would you mind if? [Você se incomodaria se?]



“Você se incomodaria se eu recuasse o encosto da minha poltrona?”, pergunta um passageiro japonês, sentado ____ minha frente, logo após ____ descolagem. O voo era de Tóquio para Pequim. O sotaque carregado truncou ____ mensagem. Fiz cara de incompreensão. Ele repetiu. Agora com pausas e articulando melhor.


Não havia mais dúvida. O jovem japonês queria mesmo saber quanto recuar o assento da poltrona me molestaria. E permaneceu virado para ____. Esperando minha reação. Condicionou sua manobra ___ minha resposta. Só recuaria se eu ____ garantisse que tava de boa. Inquiria se o deslocamento pretendido, bem como ____ ocupação de espaço decorrente, não determinaria em mim algum tipo de tristeza ou queda de potência.


Meio no reflexo balbuciei um “that’s ok”. [Tudo bem...]


“Are you sure?”, insistiu. [Você tem certeza?] 


“Sure”. [Claro]


Sorriu e virou-se. Angulou ligeiramente o encosto. Menos do que poderia.


Em poucos segundos, tinha vivido experiência de grande valor. Sou daqueles que se encantam mais por pessoas e suas atitudes do que por outras atrações do mundo. Adepto de um turismo de convivência. Ali, no interior daquela aeronave, alguém tinha considerado meus afetos na hora de agir. Inquiriu sobre minhas alegrias e tristezas para colocá-las em posição de força – perante o próprio conforto – na sua equação deliberativa.


Não se contentou com o sentido mais imediato da resposta. Duvidou da sinceridade. Aquele “that’s ok” foi significado segundo o complexo Japanese way of meaning [o jeito japonês de significar as coisas]. E traduzido por “vai ficar mais apertado do que já está”. E a vida durante o voo pior do que já seria se você não reclinasse”. Por isso recuou só um tiquinho. Para não me ofender com sua incredulidade. E assegurar o conforto de que eu falsamente abdicara.


Experiência de grande valor, sim senhor. Também pelo aprendizado, que poderá se traduzir em práticas futuras. Diferentes e melhores. Em convivência aperfeiçoada. Do ontem para o amanhã.


Anos de vida viajante, palestrando sobre ética cada dia num canto de meu país-continente. Avião todo dia. Milhagens a mil. Deixando-me cair nos assentos marcados e recuando encostos com a rudeza de quem percebe o mundo com princípio e fim em si mesmo, no próprio prazer, conforto e ganho.


Com a alimentação exagerada de todos os dias, excessos estocados em gordura abdominal, instalar-me no 2C, deixando a gravidade fazer seu papel, reclinar a poltrona com a violência que a massa corporal permite, abrir o cinto, dar às células de gordura um lugar no mundo, onde possam ocupar posição sem constrangimentos, é procedimento automático. Um hábito aeronáutico.


Quanto ao ocupante do 3C… bem, esse nunca foi levado em conta. Após a aterrissagem, na hora de recuperar a bagagem nos compartimentos superiores, quem sabe um olhar de relance. De indiferença.


Aquele passageiro japonês, nihonjin como eles dizem, tinha me ensinado coisa preciosa. O que minha mãe, dona Nilza, chamaria de “bons modos”. Um jeito melhor de se portar. De agir. De interagir. De conviver. De viver com o outro. Segue minha mãe: “As outras pessoas estarão sempre por perto. A vida é com elas. Não tem felicidade sem elas. Tratar mal os outros machuca a alma”. E concluía profetizando: “O que você não aprender aqui em casa vai acabar aprendendo na rua”.


O tom de ameaça indicava que dona Nilza não se referia ao gentil oriental e seus sorrisos. Mas a profecia materna, ali na aeronave, mais uma vez se convertera em corpo, em matéria, em energia, em afeto, em sabedoria. Afinal, a minha presença fora considerada relevante por alguém que, embora não me conhecendo, condicionou sua vida daquele instante à minha. E,

ao fazê-lo, perdeu pleno controle sobre todo o seu devir imediato. Ficou, por decisão sua, na minha mão.


Daquele dia em adiante, nos últimos dois anos, nunca mais reclinei o encosto de meu assento sem consulta prévia ao ocupante de trás. Alguns aproveitaram para conversar sobre qualquer coisa. Outros me ignoraram. Mas houve quem tenha tomado minha iniciativa por zombaria, chacota, tiração de sarro. Ou até uma afronta.


Como toda mensagem, a ação em shinsetsu [cultura japonesa da gentileza] é enunciada e recebida. Nada garante que o receptor destinatário de nossa ação a interprete a partir das mesmas premissas que usamos para deliberar. Por vezes vale o dito popular: cada cabeça, uma sentença.


Fonte: Barros, Cloves de. Shinsetsu – o poder da gentileza. São Paulo: Planeta, 2018, p. 29-33

No texto 6, ao refletir sobre suas próprias ações, o autor relata, pelo menos, duas situações em que ele ignorou os conselhos de sua mãe Nilza. Após o aprendizado com o viajante japonês, o autor menciona que mudou de comportamento em relação a uma delas, mas à outra não. Qual ação o autor NÃO menciona ter melhorado em seu comportamento? 
Alternativas
Q3017868 Português

TEXTO 6


Would you mind if? [Você se incomodaria se?]



“Você se incomodaria se eu recuasse o encosto da minha poltrona?”, pergunta um passageiro japonês, sentado ____ minha frente, logo após ____ descolagem. O voo era de Tóquio para Pequim. O sotaque carregado truncou ____ mensagem. Fiz cara de incompreensão. Ele repetiu. Agora com pausas e articulando melhor.


Não havia mais dúvida. O jovem japonês queria mesmo saber quanto recuar o assento da poltrona me molestaria. E permaneceu virado para ____. Esperando minha reação. Condicionou sua manobra ___ minha resposta. Só recuaria se eu ____ garantisse que tava de boa. Inquiria se o deslocamento pretendido, bem como ____ ocupação de espaço decorrente, não determinaria em mim algum tipo de tristeza ou queda de potência.


Meio no reflexo balbuciei um “that’s ok”. [Tudo bem...]


“Are you sure?”, insistiu. [Você tem certeza?] 


“Sure”. [Claro]


Sorriu e virou-se. Angulou ligeiramente o encosto. Menos do que poderia.


Em poucos segundos, tinha vivido experiência de grande valor. Sou daqueles que se encantam mais por pessoas e suas atitudes do que por outras atrações do mundo. Adepto de um turismo de convivência. Ali, no interior daquela aeronave, alguém tinha considerado meus afetos na hora de agir. Inquiriu sobre minhas alegrias e tristezas para colocá-las em posição de força – perante o próprio conforto – na sua equação deliberativa.


Não se contentou com o sentido mais imediato da resposta. Duvidou da sinceridade. Aquele “that’s ok” foi significado segundo o complexo Japanese way of meaning [o jeito japonês de significar as coisas]. E traduzido por “vai ficar mais apertado do que já está”. E a vida durante o voo pior do que já seria se você não reclinasse”. Por isso recuou só um tiquinho. Para não me ofender com sua incredulidade. E assegurar o conforto de que eu falsamente abdicara.


Experiência de grande valor, sim senhor. Também pelo aprendizado, que poderá se traduzir em práticas futuras. Diferentes e melhores. Em convivência aperfeiçoada. Do ontem para o amanhã.


Anos de vida viajante, palestrando sobre ética cada dia num canto de meu país-continente. Avião todo dia. Milhagens a mil. Deixando-me cair nos assentos marcados e recuando encostos com a rudeza de quem percebe o mundo com princípio e fim em si mesmo, no próprio prazer, conforto e ganho.


Com a alimentação exagerada de todos os dias, excessos estocados em gordura abdominal, instalar-me no 2C, deixando a gravidade fazer seu papel, reclinar a poltrona com a violência que a massa corporal permite, abrir o cinto, dar às células de gordura um lugar no mundo, onde possam ocupar posição sem constrangimentos, é procedimento automático. Um hábito aeronáutico.


Quanto ao ocupante do 3C… bem, esse nunca foi levado em conta. Após a aterrissagem, na hora de recuperar a bagagem nos compartimentos superiores, quem sabe um olhar de relance. De indiferença.


Aquele passageiro japonês, nihonjin como eles dizem, tinha me ensinado coisa preciosa. O que minha mãe, dona Nilza, chamaria de “bons modos”. Um jeito melhor de se portar. De agir. De interagir. De conviver. De viver com o outro. Segue minha mãe: “As outras pessoas estarão sempre por perto. A vida é com elas. Não tem felicidade sem elas. Tratar mal os outros machuca a alma”. E concluía profetizando: “O que você não aprender aqui em casa vai acabar aprendendo na rua”.


O tom de ameaça indicava que dona Nilza não se referia ao gentil oriental e seus sorrisos. Mas a profecia materna, ali na aeronave, mais uma vez se convertera em corpo, em matéria, em energia, em afeto, em sabedoria. Afinal, a minha presença fora considerada relevante por alguém que, embora não me conhecendo, condicionou sua vida daquele instante à minha. E,

ao fazê-lo, perdeu pleno controle sobre todo o seu devir imediato. Ficou, por decisão sua, na minha mão.


Daquele dia em adiante, nos últimos dois anos, nunca mais reclinei o encosto de meu assento sem consulta prévia ao ocupante de trás. Alguns aproveitaram para conversar sobre qualquer coisa. Outros me ignoraram. Mas houve quem tenha tomado minha iniciativa por zombaria, chacota, tiração de sarro. Ou até uma afronta.


Como toda mensagem, a ação em shinsetsu [cultura japonesa da gentileza] é enunciada e recebida. Nada garante que o receptor destinatário de nossa ação a interprete a partir das mesmas premissas que usamos para deliberar. Por vezes vale o dito popular: cada cabeça, uma sentença.


Fonte: Barros, Cloves de. Shinsetsu – o poder da gentileza. São Paulo: Planeta, 2018, p. 29-33

No Texto 6, a última frase do último parágrafo: “Por vezes vale o dito popular: cada cabeça, uma sentença” faz alusão a que ou a quem? 
Alternativas
Q3017867 Português

TEXTO 6


Would you mind if? [Você se incomodaria se?]



“Você se incomodaria se eu recuasse o encosto da minha poltrona?”, pergunta um passageiro japonês, sentado ____ minha frente, logo após ____ descolagem. O voo era de Tóquio para Pequim. O sotaque carregado truncou ____ mensagem. Fiz cara de incompreensão. Ele repetiu. Agora com pausas e articulando melhor.


Não havia mais dúvida. O jovem japonês queria mesmo saber quanto recuar o assento da poltrona me molestaria. E permaneceu virado para ____. Esperando minha reação. Condicionou sua manobra ___ minha resposta. Só recuaria se eu ____ garantisse que tava de boa. Inquiria se o deslocamento pretendido, bem como ____ ocupação de espaço decorrente, não determinaria em mim algum tipo de tristeza ou queda de potência.


Meio no reflexo balbuciei um “that’s ok”. [Tudo bem...]


“Are you sure?”, insistiu. [Você tem certeza?] 


“Sure”. [Claro]


Sorriu e virou-se. Angulou ligeiramente o encosto. Menos do que poderia.


Em poucos segundos, tinha vivido experiência de grande valor. Sou daqueles que se encantam mais por pessoas e suas atitudes do que por outras atrações do mundo. Adepto de um turismo de convivência. Ali, no interior daquela aeronave, alguém tinha considerado meus afetos na hora de agir. Inquiriu sobre minhas alegrias e tristezas para colocá-las em posição de força – perante o próprio conforto – na sua equação deliberativa.


Não se contentou com o sentido mais imediato da resposta. Duvidou da sinceridade. Aquele “that’s ok” foi significado segundo o complexo Japanese way of meaning [o jeito japonês de significar as coisas]. E traduzido por “vai ficar mais apertado do que já está”. E a vida durante o voo pior do que já seria se você não reclinasse”. Por isso recuou só um tiquinho. Para não me ofender com sua incredulidade. E assegurar o conforto de que eu falsamente abdicara.


Experiência de grande valor, sim senhor. Também pelo aprendizado, que poderá se traduzir em práticas futuras. Diferentes e melhores. Em convivência aperfeiçoada. Do ontem para o amanhã.


Anos de vida viajante, palestrando sobre ética cada dia num canto de meu país-continente. Avião todo dia. Milhagens a mil. Deixando-me cair nos assentos marcados e recuando encostos com a rudeza de quem percebe o mundo com princípio e fim em si mesmo, no próprio prazer, conforto e ganho.


Com a alimentação exagerada de todos os dias, excessos estocados em gordura abdominal, instalar-me no 2C, deixando a gravidade fazer seu papel, reclinar a poltrona com a violência que a massa corporal permite, abrir o cinto, dar às células de gordura um lugar no mundo, onde possam ocupar posição sem constrangimentos, é procedimento automático. Um hábito aeronáutico.


Quanto ao ocupante do 3C… bem, esse nunca foi levado em conta. Após a aterrissagem, na hora de recuperar a bagagem nos compartimentos superiores, quem sabe um olhar de relance. De indiferença.


Aquele passageiro japonês, nihonjin como eles dizem, tinha me ensinado coisa preciosa. O que minha mãe, dona Nilza, chamaria de “bons modos”. Um jeito melhor de se portar. De agir. De interagir. De conviver. De viver com o outro. Segue minha mãe: “As outras pessoas estarão sempre por perto. A vida é com elas. Não tem felicidade sem elas. Tratar mal os outros machuca a alma”. E concluía profetizando: “O que você não aprender aqui em casa vai acabar aprendendo na rua”.


O tom de ameaça indicava que dona Nilza não se referia ao gentil oriental e seus sorrisos. Mas a profecia materna, ali na aeronave, mais uma vez se convertera em corpo, em matéria, em energia, em afeto, em sabedoria. Afinal, a minha presença fora considerada relevante por alguém que, embora não me conhecendo, condicionou sua vida daquele instante à minha. E,

ao fazê-lo, perdeu pleno controle sobre todo o seu devir imediato. Ficou, por decisão sua, na minha mão.


Daquele dia em adiante, nos últimos dois anos, nunca mais reclinei o encosto de meu assento sem consulta prévia ao ocupante de trás. Alguns aproveitaram para conversar sobre qualquer coisa. Outros me ignoraram. Mas houve quem tenha tomado minha iniciativa por zombaria, chacota, tiração de sarro. Ou até uma afronta.


Como toda mensagem, a ação em shinsetsu [cultura japonesa da gentileza] é enunciada e recebida. Nada garante que o receptor destinatário de nossa ação a interprete a partir das mesmas premissas que usamos para deliberar. Por vezes vale o dito popular: cada cabeça, uma sentença.


Fonte: Barros, Cloves de. Shinsetsu – o poder da gentileza. São Paulo: Planeta, 2018, p. 29-33

Marque a opção que preenche CORRETAMENTE as lacunas do Texto 6: 
Alternativas
Q3017866 Português
TEXTO 5
A vitória da ambiguidade: a confusão de sentidos compromete o entendimento das frases, mas bem trabalhada pode ser uma útil ferramenta expressiva.

A ordem de elementos sublinhados nos enunciados que seguem pode, por um lado, comprometer os autores que os produzem e, por outro, confundir as pessoas que os leem:

“O jóquei desceu do cavalo com um sorriso”. “

Os guardas prenderam o ladrão correndo em direção à estação rodoviária”.

Somente em fábulas, histórias em quadrinhos ou filmes animados existem cavalos que sorriem e até choram ou conversam. Quem sorriu foi o felizardo do jóquei cujo cavalo chegou antes dos outros equinos.

A confusão é facilmente resolvida se o conteúdo sublinhado antecede o sujeito “jóquei”.[…]

Com respeito à segunda oração, quem está correndo? O ladrão? Ou os guardas? Se fossem os guardas, bastaria modificar a ordem e acrescentar vírgulas:

“Os guardas, correndo em direção à estação rodoviária, prenderam o ladrão”.

Todavia, se fosse o caso do ladrão em fuga, bastaria o seguinte ajuste:

“Os guardas prenderam o ladrão que estava correndo em direção à estação rodoviária”.

As duas orações exemplificam a ambiguidade acidental devido à falta de planejamento ou ao açodamento no momento de escrever.

[…]

Mas a noção de ambiguidade é bem mais complexa, pois existe a ambiguidade natural (inerente ao sistema dos idiomas). Nem todos os usuários de diferentes idiomas sabem que as línguas apresentam instâncias de ambiguidade arraigadas na estrutura léxica e gramatical.

Com respeito ao adjetivo “alto”, no enunciado “José está alto”, temos um caso de ambiguidade lexical que facilmente é desambiguizado com a contextualização:

“José tem somente dez anos, mas está (é) alto para sua idade”.

Ou:

“José está alto porque tomou umas e outras na festa”.

[…] A ambiguidade nem sempre é um problema para os usuários de um idioma quando as interações linguísticas ocorrem na fala do dia a dia. Sempre estamos num contexto ou numasituação real, como observa o literário Stanley Fish. Os que interagem estão cientes do contexto. 

Por exemplo, se Fulano se encontra com o amigo Beltrano na rua e Fulano comenta: “Vi sua foto na revista”, Beltrano sabe que “sua” se refere a ele mesmo porque os dois amigos compartilham conhecimento sobre o motivo da publicação da fotografia. Ou a reportagem da revista tirou uma fotografia de Beltrano (ganhou uma bolada na loteria!) ou Beltrano é fotógrafo profissional e funcionário do referido veículo de comunicação (e ele tirou uma fotografia de um político colocando dinheiro na cueca ou nos bolsos!).

Daí se vê que, na fala, existe a possibilidade de colaboração entre os interlocutores Beltrano e Fulano. Tal colaboração não é possível na escrita, dada a distância de tempo e espaço entre o enunciador e seus eventuais receptores. Por esse motivo, os textos escritos precisam ser cuidadosamente revisados pelos responsáveis, para evitar ambiguidade que não foi planejada.

[…]

Fonte: John Robert Schmitz – Revista Língua Portuguesa, ano 8, nº 87, 2013, p. 25
Com base no texto acima, assinale a única alternativa que contém uma frase que caracteriza uma ambiguidade acidental, de acordo com a definição do autor:
Alternativas
Respostas
1001: C
1002: A
1003: C
1004: B
1005: C
1006: D
1007: B
1008: C
1009: B
1010: B
1011: C
1012: C
1013: C
1014: D
1015: A
1016: B
1017: E
1018: A
1019: C
1020: D