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Sintaticamente, nesta frase, os termos destacados exercem a função de, respectivamente:
A respeito das múltiplas implicações da obra, é correto afirmar que:
Deficiência de ferro e anemia
A anemia surge quando uma pessoa não produz glóbulos vermelhos ou hemoglobina, a substância que transporta o oxigênio pelo corpo através do sangue, em quantidade suficiente.
Ela ocorre por diversos motivos, mas cerca da metade de todos os casos de anemia tem como causa a deficiência de ferro.
Adultos com anemia causada por deficiência de ferro apresentam fraqueza, fadiga extrema ou respiração curta, entre outros sintomas.
Os sintomas em bebês e crianças pequenas são parecidos, mas eles também apresentam problemas do sono, principalmente acordar à noite com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.
A falta de ferro é a deficiência de micronutriente mais comum no mundo hoje em dia. Ela atinge cerca de uma a cada três pessoas, principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva, incluindo mulheres grávidas. E pode causar diversas consequências.
A falta de estoque de ferro adequado em mulheres grávidas, por exemplo, afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê e aumenta o risco de baixo peso ao nascer, parto prematuro, aborto espontâneo e parto de natimorto.
Para bebês e crianças menores, a falta de ferro prejudica o desenvolvimento a longo prazo.
"É um problema global importante", afirma o professor de nutrição humana Michael Zimmermann, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele pesquisa há muito tempo as deficiências de micronutrientes.
"É muito comum, não irá desaparecer com grande rapidez e está associada a muitas incapacidades."
A maioria dos cientistas concorda que a deficiência de ferro é uma condição comum. Mas persistem outras condições, como qual a definição exata da deficiência de ferro ou qual a sua probabilidade de aumentar o risco de problemas de saúde, na ausência de outros sintomas. E quando nós deveríamos ou não suplementar o ferro?
Um dos pontos que sabemos ao certo é que alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis à deficiência de ferro do que outros.
Entre as mulheres, por exemplo, uma das principais causas de incapacidade é a anemia causada por deficiência de ferro, que ocorre quando o estoque de ferro do corpo não é suficiente para produzir glóbulos vermelhos do sangue na quantidade necessária.
Um estudo realizado entre pessoas que doaram sangue pela primeira vez nos Estados Unidos concluiu que 12% das mulheres apresentaram baixos níveis de ferro, contra menos de 3% dos homens. Este resultado reflete as consequências da perda regular de sangue durante a menstruação.
Existe também o impacto da gravidez, que retira nutrientes da alimentação para o bebê e faz com que as mulheres deste grupo fiquem particularmente em risco.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kg2n8v3n1o.adaptado.
Adultos com anemia causada por deficiência de ferro apresentam fraqueza, fadiga extrema ou respiração curta, "entre outros sintomas".
Sintaticamente, o termo destacado nesta frase trata-se de:
Deficiência de ferro e anemia
A anemia surge quando uma pessoa não produz glóbulos vermelhos ou hemoglobina, a substância que transporta o oxigênio pelo corpo através do sangue, em quantidade suficiente.
Ela ocorre por diversos motivos, mas cerca da metade de todos os casos de anemia tem como causa a deficiência de ferro.
Adultos com anemia causada por deficiência de ferro apresentam fraqueza, fadiga extrema ou respiração curta, entre outros sintomas.
Os sintomas em bebês e crianças pequenas são parecidos, mas eles também apresentam problemas do sono, principalmente acordar à noite com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.
A falta de ferro é a deficiência de micronutriente mais comum no mundo hoje em dia. Ela atinge cerca de uma a cada três pessoas, principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva, incluindo mulheres grávidas. E pode causar diversas consequências.
A falta de estoque de ferro adequado em mulheres grávidas, por exemplo, afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê e aumenta o risco de baixo peso ao nascer, parto prematuro, aborto espontâneo e parto de natimorto.
Para bebês e crianças menores, a falta de ferro prejudica o desenvolvimento a longo prazo.
"É um problema global importante", afirma o professor de nutrição humana Michael Zimmermann, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele pesquisa há muito tempo as deficiências de micronutrientes.
"É muito comum, não irá desaparecer com grande rapidez e está associada a muitas incapacidades."
A maioria dos cientistas concorda que a deficiência de ferro é uma condição comum. Mas persistem outras condições, como qual a definição exata da deficiência de ferro ou qual a sua probabilidade de aumentar o risco de problemas de saúde, na ausência de outros sintomas. E quando nós deveríamos ou não suplementar o ferro?
Um dos pontos que sabemos ao certo é que alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis à deficiência de ferro do que outros.
Entre as mulheres, por exemplo, uma das principais causas de incapacidade é a anemia causada por deficiência de ferro, que ocorre quando o estoque de ferro do corpo não é suficiente para produzir glóbulos vermelhos do sangue na quantidade necessária.
Um estudo realizado entre pessoas que doaram sangue pela primeira vez nos Estados Unidos concluiu que 12% das mulheres apresentaram baixos níveis de ferro, contra menos de 3% dos homens. Este resultado reflete as consequências da perda regular de sangue durante a menstruação.
Existe também o impacto da gravidez, que retira nutrientes da alimentação para o bebê e faz com que as mulheres deste grupo fiquem particularmente em risco.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kg2n8v3n1o.adaptado.
[...] principalmente acordar "à noite" com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.
Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que:
Deficiência de ferro e anemia
A anemia surge quando uma pessoa não produz glóbulos vermelhos ou hemoglobina, a substância que transporta o oxigênio pelo corpo através do sangue, em quantidade suficiente.
Ela ocorre por diversos motivos, mas cerca da metade de todos os casos de anemia tem como causa a deficiência de ferro.
Adultos com anemia causada por deficiência de ferro apresentam fraqueza, fadiga extrema ou respiração curta, entre outros sintomas.
Os sintomas em bebês e crianças pequenas são parecidos, mas eles também apresentam problemas do sono, principalmente acordar à noite com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.
A falta de ferro é a deficiência de micronutriente mais comum no mundo hoje em dia. Ela atinge cerca de uma a cada três pessoas, principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva, incluindo mulheres grávidas. E pode causar diversas consequências.
A falta de estoque de ferro adequado em mulheres grávidas, por exemplo, afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê e aumenta o risco de baixo peso ao nascer, parto prematuro, aborto espontâneo e parto de natimorto.
Para bebês e crianças menores, a falta de ferro prejudica o desenvolvimento a longo prazo.
"É um problema global importante", afirma o professor de nutrição humana Michael Zimmermann, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele pesquisa há muito tempo as deficiências de micronutrientes.
"É muito comum, não irá desaparecer com grande rapidez e está associada a muitas incapacidades."
A maioria dos cientistas concorda que a deficiência de ferro é uma condição comum. Mas persistem outras condições, como qual a definição exata da deficiência de ferro ou qual a sua probabilidade de aumentar o risco de problemas de saúde, na ausência de outros sintomas. E quando nós deveríamos ou não suplementar o ferro?
Um dos pontos que sabemos ao certo é que alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis à deficiência de ferro do que outros.
Entre as mulheres, por exemplo, uma das principais causas de incapacidade é a anemia causada por deficiência de ferro, que ocorre quando o estoque de ferro do corpo não é suficiente para produzir glóbulos vermelhos do sangue na quantidade necessária.
Um estudo realizado entre pessoas que doaram sangue pela primeira vez nos Estados Unidos concluiu que 12% das mulheres apresentaram baixos níveis de ferro, contra menos de 3% dos homens. Este resultado reflete as consequências da perda regular de sangue durante a menstruação.
Existe também o impacto da gravidez, que retira nutrientes da alimentação para o bebê e faz com que as mulheres deste grupo fiquem particularmente em risco.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kg2n8v3n1o.adaptado.
A falta de estoque de ferro adequado em mulheres grávidas afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê.
Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase, o núcleo do sujeito
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Observe o emprego do pronome relativo nas estruturas abaixo expostas e, em seguida, indique a função sintática assumida por cada um deles.
“Em seguida vinha o 29766, EM QUE1 se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas.”
“A senhora A QUE2 me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa.”
“[...] mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, [...] e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, QUE3 lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Considerando a descrição realizada no 4º parágrafo do Texto III, bem como o trecho reproduzido na sequência, que finaliza o texto, deduz-se que:
“Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos”.
I- O texto traz uma crítica à personagem, dada a ingenuidade de pensar em milagre, pois estes não existem.
II- No momento de desespero, movida pela fé, a personagem faz um apelo e é atendida; e, atribuindo o estado de calmaria a uma concessão divina, agradece à Nossa Senhora.
III- Há um aviso às pessoas que não acreditam em milagres de que podem vir a ser punidas e morrerem, caso se exponham a situações de perigo, como a descrita no texto.
IV- Faz-se um alerta sobre a exposição à violência e, indiretamente, à falta de ações para proteger a sociedade, a ponto de as pessoas terem como alento a fé.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Após a leitura do trecho abaixo transcrito do Texto III, avalie a veracidade das proposições acerca de alguns fenômenos linguísticos.
“Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira.[...]”
I- O verbo OUVIR empregado na 3ª pessoa do plural se justifica porque o sujeito classifica-se como indeterminado, sendo o SE um índice de indeterminação.
II- A forma verbal mista em destaque salienta duas informações: o tempo composto “tinha sido” sinaliza a descrição de um fato passado; e a opção pela estrutura passiva “sido assassinado” põe em destaque o paciente e não o agente do processo verbal.
III- O adjetivo INFELIZ foi substantivado e apresenta-se ao mesmo tempo como um recurso de coesão lexical, caracterizando a mulher, personagem em destaque na narrativa.
É CORRETO o que se afirma em:
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
A narrativa do Texto III se inicia fazendo menção a um anúncio que causa surpresa ao narrador. Trata-se do anúncio 29766.
Analise as proposições abaixo, acerca das possíveis razões do estranhamento.
I- A ausência de assinatura do remetente, que é uma exigência do gênero, para que o destinatário/interlocutor retorne o contato.
II- A vagueza do texto, que não esclarece o motivo do agradecimento, tornando a informação confusa para o leitor.
III- O destinatário da mensagem de agradecimento. A atitude de referir-se à Nossa Senhora denuncia a omissão dos órgãos responsáveis pela segurança e bem-estar dos moradores, a quem os moradores pediriam medidas protetivas.
IV- O teor conteudístico do texto, pois o evento comunicativo relatado não se adequa ao suporte de circulação em que o anuncio é exibido.
As razões do estranhamento estão indicadas CORRETAMENTE apenas em:
Após a leitura da crônica abaixo, Texto II, responda à questão.
TEXTO II
Lamento pela cidade perdida (Cecília Meireles)
Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço? Procuro-te em todas as tuas extensões e não te encontro. Para ver-te, preciso alcançar os espelhos da memória. Da saudade. E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida.
Ah! Cidade querida! edificada entre água e montanha, com tuas matas ainda repletas de pássaro; com teus bairros cercados de jardins e pianos; com tuas casas sobrevoadas por pombos, eras o exemplo da beleza simples e gentil. De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, passavam a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; tudo eram cortesias, pelas calçadas, pelos bondes, ao entrar por uma porta, ao sentar a uma mesa.
Bons tempos, minha querida cidade, em que éramos pobres e amáveis! Sabiam ser alegres, mas não tanto que ofendêssemos os tristes; e em nossa tristeza havia suavidade, porque éramos pacientes e compreensíveis. Acreditávamos nos valores do espírito: e neles fundávamos a nossa grandeza e o nosso respeito. Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. Passávamos pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama para não nos envaidecer com ela.
Ah! Cidade querida, tinhas festas realmente festivas, com sinos e foguetes, procissões e préstitos, comidas e doces tradicionais. Continuávamos o passado, embora caminhando para o futuro. Tínhamos carinho pela nossa bagagem de lembranças, pela experiência dos nossos mortos, que desejávamos honrar. Prezávamos tanto os nossos avós como desejávamos que viessem a ser prezados os nossos filhos. Éramos eles de uma corrente que não queríamos, de modo algum, obscurecer. Éramos modestos e cordiais, sensíveis e discretos.
E eis que tudo isso, que era a tua virtude e o teu encanto, desapareceu de súbito, porque uma ambição de grandeza toldou a tua beleza tranquila. Como resistiram os pássaros e as flores aos teus agressivos muros de cimento armado? Que aconteceria às crianças, fora desse mundo infantil em que descobrem a vida, dia a dia, em cada pequena lição da natureza? E aos jovens, bruscamente desorientados? Ah! não se pensou nisso...
E assim, minha querida cidade, a juventude tem perdido a generosidade, a maturidade tem esquecido sua prudência, e a velhice, sua sabedoria: todos aqui têm ficado menores, e mais pobres, à medida que aumentam a tua riqueza e a tua grandeza. E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes. Que fundamento funesto existe nessa riqueza e nessa grandeza que, à sua sombra, homens se tornam mesquinhos, perversos, ardilosos de pensamento e ferozes de coração.
Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram: os que não te entenderam nem protegeram. Mas, prisioneira agora de tantas emboscadas, - poderemos ainda salvar-te às falsidades em que enredaram? Restituir-se o antigo rosto, simples e natural, onde beleza e bondade se confundiam? Poderemos tornar a ver-te, cordial e afetuosa como foste, sem pecados e crimes em cada esquina, - sem este peso de egoísmo e vaidade, de cobiça e de ódio que hoje toldam e enegrecem a tua verdadeira imagem?
(Fonte: Crônicas de viagem, Volume 2. São Paulo: Global, 2016)
Observe as duas ocorrências do verbo “PASSAR” nos trechos do Texto II que seguem:
I- De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, PASSAVAM a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; [...]
II- Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. PASSÁVAMOS pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama para não nos envaidecer com ela.
Em I, com o sentido de “percorrer”, o verbo é transitivo indireto; e em II, com sentido de “ser tido na conta de”, é transitivo predicativo. Diante disso, a função do constituinte “pelo povo mais hospitaleiro do mundo” na ocorrência II, é de:
Após a leitura da crônica abaixo, Texto II, responda à questão.
TEXTO II
Lamento pela cidade perdida (Cecília Meireles)
Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço? Procuro-te em todas as tuas extensões e não te encontro. Para ver-te, preciso alcançar os espelhos da memória. Da saudade. E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida.
Ah! Cidade querida! edificada entre água e montanha, com tuas matas ainda repletas de pássaro; com teus bairros cercados de jardins e pianos; com tuas casas sobrevoadas por pombos, eras o exemplo da beleza simples e gentil. De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, passavam a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; tudo eram cortesias, pelas calçadas, pelos bondes, ao entrar por uma porta, ao sentar a uma mesa.
Bons tempos, minha querida cidade, em que éramos pobres e amáveis! Sabiam ser alegres, mas não tanto que ofendêssemos os tristes; e em nossa tristeza havia suavidade, porque éramos pacientes e compreensíveis. Acreditávamos nos valores do espírito: e neles fundávamos a nossa grandeza e o nosso respeito. Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. Passávamos pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama para não nos envaidecer com ela.
Ah! Cidade querida, tinhas festas realmente festivas, com sinos e foguetes, procissões e préstitos, comidas e doces tradicionais. Continuávamos o passado, embora caminhando para o futuro. Tínhamos carinho pela nossa bagagem de lembranças, pela experiência dos nossos mortos, que desejávamos honrar. Prezávamos tanto os nossos avós como desejávamos que viessem a ser prezados os nossos filhos. Éramos eles de uma corrente que não queríamos, de modo algum, obscurecer. Éramos modestos e cordiais, sensíveis e discretos.
E eis que tudo isso, que era a tua virtude e o teu encanto, desapareceu de súbito, porque uma ambição de grandeza toldou a tua beleza tranquila. Como resistiram os pássaros e as flores aos teus agressivos muros de cimento armado? Que aconteceria às crianças, fora desse mundo infantil em que descobrem a vida, dia a dia, em cada pequena lição da natureza? E aos jovens, bruscamente desorientados? Ah! não se pensou nisso...
E assim, minha querida cidade, a juventude tem perdido a generosidade, a maturidade tem esquecido sua prudência, e a velhice, sua sabedoria: todos aqui têm ficado menores, e mais pobres, à medida que aumentam a tua riqueza e a tua grandeza. E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes. Que fundamento funesto existe nessa riqueza e nessa grandeza que, à sua sombra, homens se tornam mesquinhos, perversos, ardilosos de pensamento e ferozes de coração.
Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram: os que não te entenderam nem protegeram. Mas, prisioneira agora de tantas emboscadas, - poderemos ainda salvar-te às falsidades em que enredaram? Restituir-se o antigo rosto, simples e natural, onde beleza e bondade se confundiam? Poderemos tornar a ver-te, cordial e afetuosa como foste, sem pecados e crimes em cada esquina, - sem este peso de egoísmo e vaidade, de cobiça e de ódio que hoje toldam e enegrecem a tua verdadeira imagem?
(Fonte: Crônicas de viagem, Volume 2. São Paulo: Global, 2016)
Após a leitura da crônica abaixo, Texto II, responda à questão.
TEXTO II
Lamento pela cidade perdida (Cecília Meireles)
Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço? Procuro-te em todas as tuas extensões e não te encontro. Para ver-te, preciso alcançar os espelhos da memória. Da saudade. E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida.
Ah! Cidade querida! edificada entre água e montanha, com tuas matas ainda repletas de pássaro; com teus bairros cercados de jardins e pianos; com tuas casas sobrevoadas por pombos, eras o exemplo da beleza simples e gentil. De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, passavam a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; tudo eram cortesias, pelas calçadas, pelos bondes, ao entrar por uma porta, ao sentar a uma mesa.
Bons tempos, minha querida cidade, em que éramos pobres e amáveis! Sabiam ser alegres, mas não tanto que ofendêssemos os tristes; e em nossa tristeza havia suavidade, porque éramos pacientes e compreensíveis. Acreditávamos nos valores do espírito: e neles fundávamos a nossa grandeza e o nosso respeito. Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. Passávamos pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama para não nos envaidecer com ela.
Ah! Cidade querida, tinhas festas realmente festivas, com sinos e foguetes, procissões e préstitos, comidas e doces tradicionais. Continuávamos o passado, embora caminhando para o futuro. Tínhamos carinho pela nossa bagagem de lembranças, pela experiência dos nossos mortos, que desejávamos honrar. Prezávamos tanto os nossos avós como desejávamos que viessem a ser prezados os nossos filhos. Éramos eles de uma corrente que não queríamos, de modo algum, obscurecer. Éramos modestos e cordiais, sensíveis e discretos.
E eis que tudo isso, que era a tua virtude e o teu encanto, desapareceu de súbito, porque uma ambição de grandeza toldou a tua beleza tranquila. Como resistiram os pássaros e as flores aos teus agressivos muros de cimento armado? Que aconteceria às crianças, fora desse mundo infantil em que descobrem a vida, dia a dia, em cada pequena lição da natureza? E aos jovens, bruscamente desorientados? Ah! não se pensou nisso...
E assim, minha querida cidade, a juventude tem perdido a generosidade, a maturidade tem esquecido sua prudência, e a velhice, sua sabedoria: todos aqui têm ficado menores, e mais pobres, à medida que aumentam a tua riqueza e a tua grandeza. E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes. Que fundamento funesto existe nessa riqueza e nessa grandeza que, à sua sombra, homens se tornam mesquinhos, perversos, ardilosos de pensamento e ferozes de coração.
Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram: os que não te entenderam nem protegeram. Mas, prisioneira agora de tantas emboscadas, - poderemos ainda salvar-te às falsidades em que enredaram? Restituir-se o antigo rosto, simples e natural, onde beleza e bondade se confundiam? Poderemos tornar a ver-te, cordial e afetuosa como foste, sem pecados e crimes em cada esquina, - sem este peso de egoísmo e vaidade, de cobiça e de ódio que hoje toldam e enegrecem a tua verdadeira imagem?
(Fonte: Crônicas de viagem, Volume 2. São Paulo: Global, 2016)
Avalie as proposições a seguir, relacionadas ao Texto II.
I- Na construção “Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram [...]”, o agente da passiva está representado por uma expressão generalizadora, cuja paráfrase seria: “[...] bem sei que tudo isto foi feito por quem não te amou [...].”
II- Nas duas orações seguintes, a partícula SE apresenta comportamento semelhante, sendo classificado como partícula apassivadora: “De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos”; e “ [...]à sua sombra, homens se tornam mesquinhos, perversos[...]”
III- Como a língua é passível de mudança, a estrutura “E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes” apresenta, na modalidade oral do português brasileiro, a variante: “[...] que grandeza, que riqueza são essas que fazem os teus habitantes diminuírem e empobrecerem [...].”
É CORRETO o que se afirma em:
Após a leitura da crônica abaixo, Texto II, responda à questão.
TEXTO II
Lamento pela cidade perdida (Cecília Meireles)
Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço? Procuro-te em todas as tuas extensões e não te encontro. Para ver-te, preciso alcançar os espelhos da memória. Da saudade. E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida.
Ah! Cidade querida! edificada entre água e montanha, com tuas matas ainda repletas de pássaro; com teus bairros cercados de jardins e pianos; com tuas casas sobrevoadas por pombos, eras o exemplo da beleza simples e gentil. De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, passavam a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; tudo eram cortesias, pelas calçadas, pelos bondes, ao entrar por uma porta, ao sentar a uma mesa.
Bons tempos, minha querida cidade, em que éramos pobres e amáveis! Sabiam ser alegres, mas não tanto que ofendêssemos os tristes; e em nossa tristeza havia suavidade, porque éramos pacientes e compreensíveis. Acreditávamos nos valores do espírito: e neles fundávamos a nossa grandeza e o nosso respeito. Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. Passávamos pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama para não nos envaidecer com ela.
Ah! Cidade querida, tinhas festas realmente festivas, com sinos e foguetes, procissões e préstitos, comidas e doces tradicionais. Continuávamos o passado, embora caminhando para o futuro. Tínhamos carinho pela nossa bagagem de lembranças, pela experiência dos nossos mortos, que desejávamos honrar. Prezávamos tanto os nossos avós como desejávamos que viessem a ser prezados os nossos filhos. Éramos eles de uma corrente que não queríamos, de modo algum, obscurecer. Éramos modestos e cordiais, sensíveis e discretos.
E eis que tudo isso, que era a tua virtude e o teu encanto, desapareceu de súbito, porque uma ambição de grandeza toldou a tua beleza tranquila. Como resistiram os pássaros e as flores aos teus agressivos muros de cimento armado? Que aconteceria às crianças, fora desse mundo infantil em que descobrem a vida, dia a dia, em cada pequena lição da natureza? E aos jovens, bruscamente desorientados? Ah! não se pensou nisso...
E assim, minha querida cidade, a juventude tem perdido a generosidade, a maturidade tem esquecido sua prudência, e a velhice, sua sabedoria: todos aqui têm ficado menores, e mais pobres, à medida que aumentam a tua riqueza e a tua grandeza. E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes. Que fundamento funesto existe nessa riqueza e nessa grandeza que, à sua sombra, homens se tornam mesquinhos, perversos, ardilosos de pensamento e ferozes de coração.
Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram: os que não te entenderam nem protegeram. Mas, prisioneira agora de tantas emboscadas, - poderemos ainda salvar-te às falsidades em que enredaram? Restituir-se o antigo rosto, simples e natural, onde beleza e bondade se confundiam? Poderemos tornar a ver-te, cordial e afetuosa como foste, sem pecados e crimes em cada esquina, - sem este peso de egoísmo e vaidade, de cobiça e de ódio que hoje toldam e enegrecem a tua verdadeira imagem?
(Fonte: Crônicas de viagem, Volume 2. São Paulo: Global, 2016)
Avalie a adequação das explicações fornecidas para o uso das vírgulas nas duas frases expostas na sequência:
(A) “E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida”.
(B) “E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes.
I- Tanto em (A) quanto em (B) as vírgulas são usadas para separar termos de mesma função: as orações substantivas ligadas ao verbo “sentir”, em (A); e os sujeitos do verbo “ser”, em (B), que na totalidade complementam o verbo “perguntar”.
II- Em (A), a vírgula é necessária para separar oração adjetiva explicativa; enquanto em (B), para marcar a elipse do verbo “perguntar”.
III- Em (A), a vírgula é usada para separar a segunda oração, ligada pela conjunção coordenativa “que”, que denota uma conclusão; e em (B), para separar um aposto em relação ao termo antecedente.
É CORRETO o que se afirma apenas em: