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Q1674006 Medicina
Uma paciente de 76 anos de idade, com história prévia de hipertensão e fibrilação atrial permanente, está em programação de alta da enfermaria de cardiologia após realização de angioplastia, com stent farmacológico de segunda geração, em lesão única em descendente anterior em terço médio por acesso femoral, há cinco dias, após quadro de angina instável de alto risco. Atualmente ela está em uso de apixabana 5 mg duas vezes ao dia, AAS 100 mg uma vez ao dia, clopidogrel 75 mg uma vez ao dia, succinato de metoprolol 50 mg uma vez ao dia, ramipril 5 mg uma vez ao dia e sinvastatina 40 mg uma vez ao dia. Uma familiar da paciente gostaria de saber se a prescrição de alta será mantida, pois a paciente já teve um sangramento urinário prévio importante quando usava varfarina, bem como recomendações para cirurgia de herniorrafia inguinal que havia programado anteriormente.


Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
Para essa paciente, tempo ideal de antiagregação plaquetária associada a anticoagulação é de seis meses, considerando-se o uso de um stent farmacológico.
Alternativas

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TEMA CENTRAL DA QUESTÃO

O tema desta questão é a maneira correta de conduzir a terapia antitrombótica em pacientes com fibrilação atrial (FA) que recebem stent coronariano, especialmente aqueles com alto risco de sangramento. Trata-se de uma situação recorrente em Medicina Intensiva e Cardiologia, implicando decisões cruciais entre prevenir trombose do stent e evitar complicações hemorrágicas graves.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA "ERRADO" (Gabarito: E)

Segundo a Diretriz Europeia de Fibrilação Atrial – ESC 2020, pacientes com FA permanente e alto risco de sangramento, como nesta situação clínica, não devem manter terapia tripla (anticoagulante oral + aspirina + inibidor de P2Y12) por seis meses, nem mesmo pelo uso de stent farmacológico de segunda geração. O recomendando é:

  • Terapia tripla: Manter por tempo curto – até 1 semana após ICP; em seguida, suspender AAS.
  • Terapia dupla (anticoagulante oral + clopidogrel): Até 6 meses, mas pode ser reduzida para 1-3 meses se o risco de sangramento for relevante.

Citar o texto: “A cessação precoce (após a primeira semana) da aspirina e a continuação da terapia dupla […] são recomendadas se o risco de trombose do stent for baixo ou se as preocupações sobre o risco de sangramento prevalecerem…” — ESC 2020, p. 389.

Além disso, grandes estudos como o AUGUSTUS confirmam que a manutenção prolongada da terapia tripla aumenta significativamente o risco de sangramento sem benefício adicional na prevenção de eventos isquêmicos.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS

Alternativa C (certo): Equívoca, pois só seria aplicável em pacientes com baixo risco de sangramento e risco isquêmico elevado, o que não é o caso aqui. Prolongar antiagregação por seis meses aumenta complicações hemorrágicas.
Alternativa E (errado): Correta conforme diretrizes: tempo ideal de terapia antiplaquetária associada à anticoagulação deve ser reduzido nesse perfil de paciente.

COMO INTERPRETAR A QUESTÃO

Preste atenção a detalhes como: idade avançada, histórico de sangramento e fibrilação atrial. Questões sobre “tempo de dupla terapia” costumam ser pegadinha: não se baseia só no tipo de stent, mas no perfil do paciente.

Segundo o Protocolo ESC 2020 e estudos como AUGUSTUS, a individualização é fundamental para não expor pacientes vulneráveis a riscos desnecessários. Sempre avalie risco de trombose x risco de sangramento!

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Comentários

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A resposta correta é que a afirmação é falsa. Em pacientes submetidos a intervenções coronárias percutâneas, como a colocação de um stent farmacológico, o tempo ideal de terapia de antiagregação plaquetária dupla - que inclui um antiplaquetário como o clopidogrel e um anticoagulante como a apixabana - é geralmente de 12 meses. Isso se aplica particularmente a pacientes com alto risco de eventos trombóticos, como essa paciente com história de hipertensão e fibrilação atrial. O período de seis meses pode ser considerado em casos selecionados com risco de sangramento, mas isso deve ser ponderado contra o risco de trombose do stent. No caso desta paciente, suas condições médicas e histórico de sangramento urinário significativo ao usar varfarina devem ser levados em consideração ao decidir a duração da terapia de antiagregação plaquetária. Portanto, a afirmação de que o tempo ideal de antiagregação plaquetária associada à anticoagulação é de seis meses é incorreta.

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