Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre ...
Costuma-se repetir à exaustão, e com as consequências
características do abuso de frases feitas e lugares-comuns, que
as esferas do poder público são o reflexo direto das melhores
qualidades e dos piores defeitos do povo do país. Na esteira
dessa convicção geral, afirma-se que as casas legislativas brasileiras
espelham fielmente os temperamentos e os interesses
dos eleitores brasileiros. É o caso de se perguntar: mesmo que
seja assim, deve ser assim? Pois uma vez aceita essa correspondência
mecânica, ela acaba se tornando um oportuno álibi
para quem deseja inocentar de plano a classe política, atribuindo
seus deslizes a vocações disseminadas pela nação inteira...
Perguntariam os cínicos se não seria o caso, então, de não
mais delegar o poder apenas a uns poucos, mas buscar repartilo
entre todos, numa grande e festiva anarquia, eliminando-se
os intermediários. O velho e divertido Barão de Itararé já reivindicava,
com a acidez típica de seu humor: "Restaure-se a
moralidade, ou então nos locupletemos todos!".
As casas legislativas, cujos membros são todos eleitos
pelo voto direto, não podem ser vistas como uma síntese
cristalizada da índole de toda uma sociedade, incluindo-se aí as
perversões, os interesses escusos, as distorções de valor. A
chancela da representatividade, que legitima os legisladores,
não os autoriza em hipótese alguma a duplicar os vícios sociais;
de fato, tal representação deve ser considerada, entre outras
coisas, como um compromisso firmado para a eliminação
dessas mazelas. O poder conferido aos legisladores deriva,
obviamente, das postulações positivas e construtivas de uma
determinada ordem social, que se pretende cada vez mais justa
e equilibrada.
Combater a circulação dessas frases feitas e lugarescomuns
que pretendem abonar situações injuriosas é uma
forma de combater a estagnação crítica ? essa oportunista aliada
dos que maliciosamente se agarram ao fatalismo das "fraquezas
humanas" para tentar justificar os desvios de conduta do
homem público. Entre as tarefas do legislador, está a de fazer
acreditar que nenhuma sociedade está condenada a ser uma
comprovação de teses derrotistas.
(Demétrio Saraiva, inédito)
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Vamos analisar a questão proposta, que envolve a interpretação de texto. O objetivo é identificar a alternativa que está clara e correta em sua redação sobre o texto apresentado.
Alternativa C: "Os lugares-comuns constituem expressões do senso comum, em cuja prática muitos hábitos se propagam e muitos preconceitos se consolidam."
A alternativa C é a correta. O texto original faz uma crítica ao uso de frases feitas e lugares-comuns, associando-os a uma forma de estagnação crítica e a uma justificativa para os desvios de conduta. A frase escolhida reflete corretamente essa crítica ao afirmar que lugares-comuns são expressões do senso comum que consolidam hábitos e preconceitos, o que está alinhado com a ideia central do texto. A coerência e a clareza estão presentes, sem erros de gramática ou semântica.
Análise das Alternativas Incorretas:
Alternativa A: "Imagina-se que o povo espera dos legisladores uma representação de seus valores essenciais, pois quanto a isso é que se galga o poder."
Esta alternativa apresenta problemas de clareza e uso de termos. A palavra "galga", que significa "alcança" ou "obtém", é utilizada de forma estranha no contexto, além de não estar diretamente relacionada ao texto, que critica a representação meramente refletida, e não esperada como "valores essenciais".
Alternativa B: "O Barão de Itararé ficou sendo um signo do anedotário nacional, tanto assim que em suas frases de efeito resistem a perdurar por gerações."
A construção "ficou sendo" é inadequada, pois não se trata de uma forma padrão na Língua Portuguesa. Além disso, a expressão "resistem a perdurar" está semanticamente incorreta. O verbo "resistir" não é apropriado nesse contexto.
Alternativa D: "Uma frase-feita, é com frequência, mais que um vício de linguagem, sendo uma acomodação da consciência que se dispensa a criticar."
O uso das vírgulas é inadequado. A primeira vírgula, após "frase-feita", é desnecessária e quebra a fluência da leitura. O trecho "sendo uma acomodação da consciência que se dispensa a criticar" está pouco claro e pode confundir o leitor.
Alternativa E: "Os inescrupulosos costumam atribuir aos demais cidadãos o epíteto de fraquezas humanas, quando eles próprios é que costumam envergá-la."
A frase tem erro de concordância no uso de "envergá-la", que não concorda com "fraquezas humanas", que está no plural. Deveria ser "envergá-las". Além disso, o uso de "epíteto" é inadequado, pois epíteto é um termo que designa uma característica, não um desvio comportamental.
Compreender as nuances do texto e perceber a intenção do autor é essencial na interpretação. A alternativa C captura a crítica do autor aos lugares-comuns de forma precisa.
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Comentários
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b)O Barão de Itararé ficou sendo um signo do anedotário nacional, tanto assim que suas frases de efeito resistem a perdurar por gerações.
a) ERRADO. Imagina-se que o povo espera dos legisladores uma representação de seus valores essenciais, pois quanto a isso é que se galga o poder.
- Não está claro, redação confusa.
b) ERRADO. O Barão de Itararé ficou sendo um signo do anedotário nacional, tanto assim que em suas frases de efeito resistem a perdurar por gerações.
- Não está claro, redação confusa. E tb não está claro quem resistem?
c) CERTO. Os lugares-comuns constituem expressões do senso comum, em cuja prática muitos hábitos se propagam e muitos preconceitos se consolidam.
- Reescritura: Muitos hábitos se propagam e muitos preconceitos se consolidam na prática de expressões do senso comum.
d) ERRADO. Uma frase-feita, é com frequência, mais que um vício de linguagem, sendo uma acomodação da consciência que se dispensa a criticar.
- É proibido usar vírgula separando sujeito do predicado.
e) ERRADO. Os inescrupulosos costumam atribuir aos demais cidadãos o epíteto de fraquezas humanas, quando eles próprios é que costumam envergá-la (envergá-las) (= envergar as fraquezas humanas).
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