Uma nova e correta redação da frase do Barão de Itararé, cit...

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Q40346 Português
Representatividade ética

Costuma-se repetir à exaustão, e com as consequências
características do abuso de frases feitas e lugares-comuns, que
as esferas do poder público são o reflexo direto das melhores
qualidades e dos piores defeitos do povo do país. Na esteira
dessa convicção geral, afirma-se que as casas legislativas brasileiras
espelham fielmente os temperamentos e os interesses
dos eleitores brasileiros. É o caso de se perguntar: mesmo que
seja assim, deve ser assim? Pois uma vez aceita essa correspondência
mecânica, ela acaba se tornando um oportuno álibi
para quem deseja inocentar de plano a classe política, atribuindo
seus deslizes a vocações disseminadas pela nação inteira...
Perguntariam os cínicos se não seria o caso, então, de não
mais delegar o poder apenas a uns poucos, mas buscar repartilo
entre todos, numa grande e festiva anarquia, eliminando-se
os intermediários. O velho e divertido Barão de Itararé já reivindicava,
com a acidez típica de seu humor: "Restaure-se a
moralidade, ou então nos locupletemos todos!".
As casas legislativas, cujos membros são todos eleitos
pelo voto direto, não podem ser vistas como uma síntese
cristalizada da índole de toda uma sociedade, incluindo-se aí as
perversões, os interesses escusos, as distorções de valor. A
chancela da representatividade, que legitima os legisladores,
não os autoriza em hipótese alguma a duplicar os vícios sociais;
de fato, tal representação deve ser considerada, entre outras
coisas, como um compromisso firmado para a eliminação
dessas mazelas. O poder conferido aos legisladores deriva,
obviamente, das postulações positivas e construtivas de uma
determinada ordem social, que se pretende cada vez mais justa
e equilibrada.
Combater a circulação dessas frases feitas e lugarescomuns
que pretendem abonar situações injuriosas é uma
forma de combater a estagnação crítica ? essa oportunista aliada
dos que maliciosamente se agarram ao fatalismo das "fraquezas
humanas" para tentar justificar os desvios de conduta do
homem público. Entre as tarefas do legislador, está a de fazer
acreditar que nenhuma sociedade está condenada a ser uma
comprovação de teses derrotistas.

(Demétrio Saraiva, inédito)
Uma nova e correta redação da frase do Barão de Itararé, citada no texto, que preserva o sentido original é:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é "Restaure-se a moralidade, ou então nos locupletemos todos!"; nele, "ou então" marca alternativa oposta, com valor de "caso contrário". Por isso, a reescrita correta precisa preservar essa relação lógico-semântica e manter redação aceitável, o que ocorre em "Locupletemo-nos todos, a menos que se restaure a moralidade".

Tema central: reescrita de sentido
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque troca a oposição original por uma relação temporal/condicional positiva: "Nos locupletemos todos, quando se restaurar a moralidade" faz a locupletação ocorrer quando a moralidade for restaurada. Isso contradiz o sentido da frase citada, em que restaurar a moralidade e locupletar-se aparecem como saídas opostas.
B
Certa
A alternativa B recompõe corretamente a lógica da frase citada: há duas saídas opostas — restaurar a moralidade ou, não ocorrendo isso, todos se locupletarem. A expressão "a menos que se restaure a moralidade" equivale a "se não se restaurar a moralidade", preservando a alternativa excludente implícita em "ou então". Além disso, a forma "Locupletemo-nos" atende à exigência de redação correta na construção verbal e pronominal.
C
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: o conector "conquanto" introduz concessão, e não alternativa com valor de "caso contrário"; além disso, a sequência "conquanto se restaura" é gramaticalmente inadequada na norma-padrão, porque o verbo deveria estar no subjuntivo. Há, portanto, mudança de sentido e erro de redação.
D
Errada
Está errada porque, embora mantenha a ideia de oposição com "ou então", a formulação "Que todos locupletemo-nos" é gramaticalmente imprópria. O enunciado não pede apenas sentido aproximado; pede "nova e correta redação". Aqui a exclusão decorre da má formação da estrutura verbal/pronominal.
E
Errada
Está errada porque altera a relação lógica da frase original e acrescenta uma conclusão que não está nela. "Quando todos nos locupletamos, escusado é restaurar a moralidade" cria valor temporal e conclusivo, como se a locupletação tornasse desnecessária a moralidade. O original apenas opõe duas saídas irônicas; não formula essa conclusão.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler "ou então" como se fosse marcador temporal ou concessivo, e aceitar uma alternativa com sentido parcialmente próximo sem verificar se a redação também está gramaticalmente correta.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita, identifique primeiro a relação lógica do conector original; aqui, "ou então" vale como alternativa com sentido de "caso contrário".
  • Verifique se a nova frase preserva a dependência entre as ideias: não basta repetir palavras do original, é preciso manter a mesma oposição semântica.
  • Se o comando exigir redação correta, elimine alternativas que até se aproximem do sentido, mas tragam construção verbal ou pronominal imprópria.
  • Desconfie de conectores como "quando" e "conquanto": se eles introduzem temporalidade ou concessão, já mudam o eixo semântico da frase original.

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Uma nova e correta redação da frase do Barão de Itararé, citada no texto, que preserva o sentido original é:

NO TRECHO: O velho e divertido Barão de Itararé já reivindicava,
com a acidez típica de seu humor: "Restaure-se a
moralidade, ou então nos locupletemos todos!".


>>Percebam a relação de CONDIÇÃO para que determinado FATO aconteça.<<

Qual a condição para que não nos locupletemos?

>Certamente é que a moralidade seja restaurada.

A Alternativa que melhor abarca esse sentido é a letra "B", que também oferece um sentido de condição. Vejam:


Locupletemo-nos todos, a menos que se restaure a moralidade.

Bons estudos..



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