"Pensaste no sogro e nos cunhados que te esperavam. Estás empapado de crepúsculo, por dentro e por
fora. Já é de noite. As noites sempre nascem dentro dos crepúsculos.
[...]. As sombras violetas se desfizeram no esterco de morcego da grande noite. A solidão se parece com
a morte: região dos caminhos onde vagam os que já morreram e nos deixaram sós. Eles também estarão
sós... A morte com seus caminhos de sombra. Os que sentem nos lábios e na língua o silêncio único e
profundo da terra. Depois da existência ficam vagando nos lugares por onde se viveu, silenciosamente, as
últimas palavras dos que viveram. Depois da existência: quando a lua deixa voarem as borboletas de cinza
brumosa... E olhaste devagar: em torno tudo estava vazio, deserto, silencioso, só as estrelas estremeciam.
Era noite.” (DICKE, 1995, p.9)
(DICKE, Ricardo Guilherme. Cerimônias do esquecimento. Cuiabá: EDUFMT, 1995).
Filho de pai alemão e mãe brasileira, Ricardo Guilherme Dicke nasceu em Vila Raizama, no município de
Chapada dos Guimardes/MT. Aos 29 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou filosofia na UFR),
especializando-se em “Heidegger e o Problema do Absoluto” e “Fenomenologia” de Merleau Ponty, além de
cursar o mestrado em filosofia da arte, tendo frequentado, ainda, a Escola Superior de Museologia. Dicke
publicou seu primeiro livro, Caminhos de Sol e de Lua, no começo da década de 1960. Em 1968 publicou O
Deus de Caim, obra que alcançou o quarto lugar no Prémio Walmap de Literatura. Ao voltar para Cuiabá/
MT, aliou o seu trabalho como professor e romancista. Dentre as suas obras, destaca-se Cerimônias do
esquecimento (1995). A partir da leitura de seu excerto, só NÃO se pode afirmar que:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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