Analise os trechos a seguir, tendo em vista o uso da linguag...

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Q3954886 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
Analise os trechos a seguir, tendo em vista o uso da linguagem conotativa como recurso de expressão.

I- “O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida [...]”.

II- “Sem perceber com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros [...]”.
III- “Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo [...]”.
IV- “E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.”
V- “Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar.”

Estão CORRETOS os trechos 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O comando da questão pede identificar “o uso da linguagem conotativa como recurso de expressão”, e a base decisiva mostra que os cinco trechos apresentam sentido figurado: o vício é personificado em “nos alimenta, nos sacia”, há metáfora em “com os olhos dos outros”, “longo caminho de volta para mim” e “meu próprio voo”, além das imagens de aprisionamento em “reféns” e de transferência de valor em “nas mãos dos outros”. Por isso, a alternativa correta é a que reúne I, II, III, IV e V.

Tema central: linguagem conotativa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui indevidamente os itens II e III. No item II, “olhar para mim mesma com os olhos dos outros” não descreve ato literal, mas a internalização do ponto de vista alheio. No item III, “Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo” também é claramente figurado, pois representa processo interior e libertação subjetiva.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne todos os trechos que usam sentido figurado para expressar vivências subjetivas. No item I, o vício é apresentado por imagem de alimentação e saciedade; no II, “com os olhos dos outros” traduz a adoção do julgamento alheio; no III, “longo caminho de volta para mim” e “meu próprio voo” figurativizam autoconhecimento e libertação; no IV, “reféns” indica aprisionamento emocional; no V, “nas mãos dos outros” expressa a transferência do próprio valor ao julgamento externo. A questão não pede nome técnico da figura, mas apenas o reconhecimento da conotação.
C
Errada
Está errada porque exclui indevidamente os itens I e V. Em I, “nos alimenta, nos sacia” não é uso literal: o vício é figurado por ações do campo da alimentação para representar satisfação passageira. Em V, “Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros” é formulação figurada de dependência afetiva e terceirização do próprio valor.
D
Errada
Está errada porque exclui indevidamente os itens I e III. O item I é conotativo pela imagem de que o vício “nos alimenta, nos sacia”. O item III também é conotativo, pois “longo caminho de volta para mim” e “meu próprio voo” não têm sentido literal, mas representam reconexão consigo mesma e liberdade interior.
E
Errada
Está errada porque exclui indevidamente os itens I e II, ambos conotativos. Em I, a linguagem figurada aparece na associação entre vício, alimentação e saciedade. Em II, “com os olhos dos outros” é metáfora do olhar social internalizado, não uma descrição objetiva ou literal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer conotação e saber nomear figura de linguagem. Também induz ao erro quem acha que só há conotação nos trechos mais imagéticos, como “meu próprio voo”, e deixa passar expressões igualmente figuradas, como “com os olhos dos outros” e “nas mãos dos outros”.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o trecho descreve estados internos ou relações subjetivas por meio de imagens concretas; isso indica conotação.
  • Não exija da questão a classificação técnica da figura se o comando só pede reconhecimento de linguagem conotativa.
  • Desconfie de expressões correntes como “nas mãos dos outros”: uso frequente não elimina o sentido figurado.
  • Se a leitura literal do trecho não corresponde a uma ação física real, há forte sinal de emprego conotativo.

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