De acordo com a autora, na sua criação, seus pais I- ensi...

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Q3954885 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
De acordo com a autora, na sua criação, seus pais

I- ensinaram-na a enxergar a si mesma com os olhos dos outros.
II- fizeram comparações para lhe mostrar como ela deveria ser.
III- permitiram que ela fosse sempre espontânea, autêntica e livre.
IV- compreenderam que ela esperava deles, principalmente, afeto.
V- mostraram-lhe a importância do respeito à própria essência.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A resolução depende da aderência estrita ao que está explicitamente dito no texto, pois o comando pede o que ocorreu “de acordo com a autora”. O trecho central afirma que os pais a fizeram olhar para si com os olhos dos outros e faziam comparações para ditar como ela deveria ou não ser; por isso, apenas I e II se sustentam, enquanto III, IV e V extrapolam ou contrariam o texto.

Tema central: informações explícitas do texto
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque reúne apenas as afirmações que o texto declara expressamente sobre a atuação dos pais na criação da autora. A afirmativa I é sustentada literalmente por “me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros”. A afirmativa II também é literal: “Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser.” Como o comando exige aderência ao que a autora efetivamente afirma, sem ampliar o sentido, somente I e II podem ser marcadas.
B
Errada
Está errada porque inclui III. O texto afirma o contrário: “Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica”. Portanto, não houve permissão para que ela fosse “sempre espontânea, autêntica e livre”; a criação descrita levou à perda dessa espontaneidade.
C
Errada
Está errada por dois motivos. III contraria diretamente o trecho “fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica”. IV também é indevida: “No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles” revela a vivência interna da autora, não a compreensão dos pais sobre essa necessidade. O texto não diz que eles perceberam isso.
D
Errada
Está errada porque III é incompatível com o texto, já que a autora diz que foi deixando de ser espontânea e autêntica. V também não se sustenta: a valorização da própria essência aparece na reflexão posterior da narradora — “Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência” — e não como ensinamento transmitido pelos pais.
E
Errada
Está errada porque IV e V não são informações explicitamente atribuídas aos pais. IV extrapola a frase sobre a autora buscar amor e afeto, transformando um sentimento dela em suposta compreensão deles. V também extrapola, pois o respeito à própria essência é uma elaboração crítica da autora adulta, não algo que os pais lhe mostraram na criação.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o que a autora sente ou conclui depois e o que os pais efetivamente fizeram ou compreenderam. IV e V parecem plausíveis, mas não estão afirmadas no texto sobre a criação recebida.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando trouxer “de acordo com o autor”, confronte cada afirmativa com o trecho exato do texto antes de inferir.
  • Separe informação explícita de interpretação: sentir, concluir ou refletir depois não prova que outro personagem soubesse ou ensinasse isso.
  • Desconfie de alternativas que ampliam o alcance do texto com verbos como “compreenderam”, “mostraram” ou “ensinaram” sem apoio literal.
  • Se uma afirmativa disser o oposto do que o texto enuncia, como em III, a alternativa inteira já fica comprometida.

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