De acordo com o texto, uma criação muito rígida gera, nos fi...

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Q3954883 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
De acordo com o texto, uma criação muito rígida gera, nos filhos.

I- baixa autoestima.
II- insegurança.
III- negação do eu.
IV- disciplina.
V- maturidade precoce.

Estão CORRETOS apenas os itens
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é aceitar apenas inferências diretamente autorizadas pelo texto sobre os efeitos da rigidez parental. O trecho “Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.” estabelece a causa e seus efeitos subjetivos: dependência do olhar alheio, autojulgamento e perda da própria referência, o que sustenta I, II e III e exclui IV e V por extrapolação.

Tema central: efeitos da criação rígida
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne apenas os itens sustentados pelo relato. I é validado pelo “olhar julgador sobre mim” e pela autoimagem negativa reforçada por “você é insuficiente, inadequada e desinteressante”, o que autoriza baixa autoestima. II decorre de “olhar para mim mesma com os olhos dos outros”, de ficar “tomados pelo medo” e “reféns” do reconhecimento alheio, sinais de insegurança. III se confirma em “fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada”, que caracteriza apagamento da própria identidade, isto é, negação do eu.
B
Errada
Está errada porque acrescenta IV. O texto não afirma que a criação rígida gerou disciplina; ao contrário, descreve medo, dependência de aprovação, vergonha e sofrimento. Incluir disciplina projeta um efeito positivo que não está textual nem inferencialmente autorizado.
C
Errada
Está errada porque exclui I. O texto sustenta baixa autoestima pelo autojulgamento e pela internalização de qualificações negativas, como em “olhar julgador sobre mim” e “você é insuficiente, inadequada e desinteressante”. Portanto, não é possível manter II e III e retirar I.
D
Errada
Está errada porque inclui IV e V. Nem disciplina nem maturidade precoce aparecem como efeitos da criação rígida. A narradora, já adulta, faz uma reflexão madura sobre a própria história, mas isso não prova maturidade precoce na infância. O texto focaliza danos subjetivos, não amadurecimento antecipado.
E
Errada
Está errada por dois motivos textualmente objetivos: exclui I e II, embora o texto traga marcas claras de baixa autoestima e insegurança, e inclui IV e V, que não têm apoio no texto. A perda de espontaneidade e autenticidade não é disciplina nem maturidade; é negação do eu em busca de aprovação.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de projetar no texto o senso comum de que pais rígidos formam filhos disciplinados ou maduros. O texto não autoriza essa leitura: ele separa a possível boa intenção dos pais dos efeitos emocionais efetivamente narrados.
Dica para questões semelhantes
  • Em itens de interpretação, valide apenas o que o texto afirma ou permite inferir diretamente; não complete com senso comum.
  • Quando o comando pede consequências, procure no texto a relação de causa e efeito e elimine opções com efeitos não mencionados.
  • Diferencie avaliação da intenção do agente e descrição dos efeitos produzidos; uma não apaga a outra.
  • Expressões como “olhar julgador sobre mim”, “tomados pelo medo” e “fui deixando de ser” indicam efeitos subjetivos negativos e devem orientar a marcação.

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