Assinale a alternativa correta a respeito da ação de improb...

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Q4323997 Direito Administrativo
Assinale a alternativa correta a respeito da ação de improbidade administrativa.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A Lei nº 8.429/1992, art. 1º, § 3º, incluído pela Lei nº 14.230/2021, estabelece: "O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa." Como a alternativa C reproduz esse comando, é a correta.

Tema central: Dolo na improbidade administrativa
Análise das alternativas
A
Errada
Na leitura que sustenta o gabarito, a alternativa troca os atos culposos pelos dolosos na hipótese do item 3 do Tema 1.199 do STF. O entendimento alcança atos culposos anteriores sem condenação transitada em julgado em razão da revogação dessa modalidade, cabendo examinar eventual dolo. A redação da alternativa é ampla e não identifica a disposição aplicável: sua rejeição pressupõe essa leitura, não sendo possível concluir que nenhuma disposição da reforma alcance atos dolosos anteriores.
B
Errada
Contraria o item 4 do Tema 1.199 do STF: o novo regime prescricional é irretroativo, e os novos marcos temporais são contados a partir da publicação da Lei nº 14.230/2021. A ausência de condenação transitada em julgado não autoriza a retroatividade desses marcos.
C
Certa
A alternativa C corresponde literalmente ao dispositivo, sem ressalva ou acréscimo que altere seu sentido.
D
Errada
A defesa do patrimônio próprio caracteriza legitimidade ordinária, não extraordinária. Nas ADIs 7.042 e 7.043, o STF reconheceu a legitimidade ordinária da pessoa jurídica lesada, concorrente com a do Ministério Público. A própria justificativa apresentada pela alternativa contradiz a classificação que ela adota.
E
Errada
O erro está em afirmar uma proibição de representação judicial. Nas ADIs 7.042 e 7.043, ao interpretar o art. 17, § 20, o STF afastou a obrigatoriedade de defesa do administrador, mas preservou a possibilidade de representação autorizada pela Advocacia Pública, nos termos de lei específica. Inexistência de obrigação não equivale a vedação.
Pegadinha da questão
As alternativas trocam categorias jurídicas decisivas: atos culposos por dolosos na hipótese do Tema 1.199, legitimidade ordinária por extraordinária e ausência de obrigação de defesa por proibição de representação.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se há comprovação de ato doloso com fim ilícito: o simples exercício funcional não basta para responsabilização por improbidade.
  • Separe os efeitos temporais da revogação da modalidade culposa dos efeitos do novo regime prescricional, que é irretroativo segundo o Tema 1.199.
  • Na legitimidade ativa, identifique se a pessoa jurídica lesada defende patrimônio próprio: sua legitimidade é ordinária e concorrente com a do Ministério Público.
  • Na defesa do administrador pela Advocacia Pública, distinga obrigatoriedade afastada de representação autorizada nos termos de lei específica.

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Comentários

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A – Incorreta. O STF, ao julgar o Tema 1.199 da Repercussão Geral, definiu que a nova Lei nº 14.230/2021 aplica-se retroativamente aos atos de improbidade administrativa culposos (e não dolosos) praticados na vigência do texto anterior, desde que não haja condenação transitada em julgado, cabendo ao juízo analisar eventual dolo.

B – Incorreta. No mesmo julgamento (Tema 1.199), o STF estabeleceu que o novo regime prescricional previsto na Lei nº 14.230/2021 é irretroativo. Os novos marcos temporais aplicam-se apenas a partir da data de publicação da nova lei.

C – Correta. A alternativa reproduz a literalidade do art. 1º, § 3º, da Lei nº 8.429/1992, incluído pela Lei nº 14.230/2021: "O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa."

D – Incorreta. A legitimidade da Fazenda Pública para o ajuizamento da ação de improbidade administrativa é ordinária (e não extraordinária), pois a pessoa jurídica lesada atua em nome próprio para defender o seu próprio patrimônio. A legitimidade extraordinária ocorre quando alguém atua em nome próprio na defesa de direito alheio (como faz o Ministério Público ao defender o patrimônio da Fazenda). A legitimidade concorrente da Fazenda Pública foi reafirmada pelo STF na ADI 7042.

E – Incorreta. O STF (ADI 7042) declarou inconstitucional a obrigatoriedade de a assessoria jurídica defender o administrador público (art. 17, § 20, da LIA), por violar a autonomia dos entes federativos. No entanto, a Corte não vedou a possibilidade dessa representação. O STF definiu que a defesa do administrador pela Advocacia Pública é perfeitamente possível, desde que haja autorização em lei local específica e que o ato questionado tenha sido praticado no regular exercício das atribuições e alinhado ao interesse institucional.

Dolo na LIA: Atualmente, não existe ato de improbidade administrativa por culpa.

Coisa Julgada na LIA: Condenado por culpa com trânsito em julgado não é beneficiado pela reforma de 2021.

Processos em Curso: Sem trânsito em julgado, o juiz deve reanalisar se houve dolo do agente.

Prescrição da LIA: As novas regras prescricionais só valem para o futuro (a partir de 26/10/2021).

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