Em se tratando de responsabilidade civil do Estado, assinal...

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Q4323992 Direito Administrativo
Em se tratando de responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa correta de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores.
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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O art. 37, § 6º, da Constituição Federal, interpretado pelo Tema 940 do STF, atribui à pessoa jurídica a reparação dos danos causados por agente nessa qualidade. Como a alternativa E indica a pessoa jurídica responsável como demandada, está correta.

Tema central: Legitimidade passiva na responsabilidade estatal
Análise das alternativas
A
Errada
O Tema 777 do STF estabelece que o Estado responde objetivamente pelos danos causados por tabeliães e registradores no exercício das funções. Portanto, a reparação à vítima não depende da comprovação de dolo ou culpa do delegatário; esses requisitos dizem respeito ao regresso. A referência à improbidade também não cria exceção à obrigação estatal de reparar: relaciona-se ao dever de regresso.
B
Errada
Contraria o Tema Repetitivo 1.122 do STJ, segundo o qual as concessionárias de rodovias respondem independentemente de culpa pelos danos decorrentes de acidentes provocados por animais domésticos nas pistas. A alternativa nega uma responsabilidade objetiva expressamente reconhecida nesse entendimento.
C
Errada
O Tema 1.237 do STF submete os danos por morte ou ferimento decorrentes de operações de segurança pública à responsabilidade objetiva, fundada no risco administrativo, e não à responsabilidade subjetiva. Isso dispensa a prova de culpa, mas não impede o Estado de demonstrar excludentes de responsabilidade.
D
Errada
Segundo o Tema 950 do STF, as manifestações protegidas pela imunidade material parlamentar não geram responsabilidade civil objetiva do Estado. Se os limites dessa proteção forem ultrapassados, eventual responsabilidade será pessoal, direta e exclusiva do parlamentar, sob regime subjetivo. Assim, o exercício do mandato não autoriza imputar objetivamente ao Estado os danos decorrentes dessas declarações.
E
Certa
O Tema 940 do STF distingue a obrigação de reparar a vítima da responsabilidade regressiva do agente. Na ação da vítima por dano funcional, responde a pessoa jurídica de direito público ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público. O agente não pode ser demandado diretamente nessa ação, mas permanece sujeito ao regresso em caso de dolo ou culpa. Essa ilegitimidade passiva decorre da interpretação firmada pelo STF, e não de previsão literal do art. 37, § 6º, da Constituição Federal.
Pegadinha da questão
Confundir a responsabilidade da pessoa jurídica perante a vítima com a responsabilidade regressiva do agente: dolo ou culpa são requisitos do regresso, não da reparação estatal objetiva. Por outro lado, a ilegitimidade do agente na ação da vítima não significa ausência de responsabilidade regressiva.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique se a questão trata da ação da vítima ou do regresso: no Tema 940, a primeira é dirigida à pessoa jurídica; o segundo pode alcançar o agente por dolo ou culpa.
  • Antes de aplicar o Tema 940, confira o vínculo funcional do dano e a existência de regime específico, como o das manifestações parlamentares no Tema 950.
  • Em danos decorrentes de operações policiais, diferencie responsabilidade objetiva de indenização automática: o risco administrativo admite excludentes demonstradas pelo Estado.

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Gabarito item E) A ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato lesivo. 

A responsabilidade civil por danos causados por agente público é de natureza objetiva para o Estado, fundamentada no art. 37, § 6º, da Constituição Federal. O dever de indenizar as pessoas jurídicas de direito público e as prestadoras de serviço público prescinde da comprovação de dolo ou culpa, exigindo apenas o nexo causal entre a conduta do agente, no exercício de suas funções, e o dano causado a terceiros.

Entretanto, para o Estado pleitear o ressarcimento gerado por tal conduta, poderá ajuizar ação regressiva contra o causador do dano, devendo demonstrar que o mesmo agiu com dolo ou culpa em sua conduta, o que caracteriza a responsabilidade subjetiva.

f

ADENDO

Tese da dupla garantia: STF entende pela impossibilidade de formação de litisconsórcio passivo / denunciar a lide - entre o agente público e o Estado ou PJ direito privado PSP.

  • 1ª - em favor do particular lesado, considerando que a CF/88 assegura que ele poderá ajuizar ação de indenização contra o Estado, que tem recursos para pagar, sem ter o ônus de provar que o agente público agiu com dolo ou culpa;

  • 2ª - é em favor do agente público que causou o dano, que somente pode ser responsabilizado pelo dano se for acionado pelo próprio Estado, em ação regressiva, após o Poder Público já ter ressarcido o ofendido +  protege-se o servidor contra ações temerárias.

.

-STF RE 327904: Esse mesmo dispositivo constitucional consagra, ainda, dupla garantia: uma, em favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a PJ de direito público, ou de direito privado que preste serviço público, dado que bem maior, praticamente certa, a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido. Outra garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, que somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro funcional se vincular.  Com isso, protege-se o servidor contra ações temerárias que poderiam ser contra ele movidas com intuito intimidatório.  (STJ e B. de Mello admitiam a possibilidade de ajuizamento de ação diretamente contra o agente público.)

GABARITO - E

Fundamento Legal: Art. 37, § 6º, da Constituição Federal.

Tema de Repercussão Geral do STF: Tema 940 do STF (RE 1.027.633).

Tese Firmada: "A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa."

Explicação: O STF consagrou o princípio da dupla garantia: a vítima deve acionar diretamente o Estado sob o regime da responsabilidade objetiva, ao passo que o agente público possui a garantia de não ser processado diretamente pelo terceiro prejudicado (sendo parte passiva ilegítima na ação), respondendo apenas regressivamente perante a Administração se houver agido com dolo ou culpa.

A

Erro: O Estado responde de forma objetiva e direta (e não subjetiva condicionada à prévia prova de dolo ou culpa do delegatário) pelos atos praticados por tabeliães e registradores oficiais. A verificação de dolo ou culpa é apurada apenas em sede de ação regressiva.

Tema de Repercussão Geral do STF: Tema 779 do STF (RE 842.846).

  • Tese Firmada: *"O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa."

B

Erro: A concessionária de rodovia responde, sim, independentemente da existência de culpa (responsabilidade objetiva) por acidentes causados pela presença de animais na pista de rolamento.

Tema Repetitivo do STJ: Tema 1122 do STJ.

Tese Firmada: "As concessionárias de rodovias respondem, independentemente da existência de culpa, pelos danos oriundos de acidentes causados pela presença de animais domésticos nas pistas de rolamento, aplicando-se as regras do Código de Defesa do Consumidor e da Lei das Concessões."

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