Sobre a ordem econômica na Constituição Federal de 1988 e a...

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Q4323943 Direito Constitucional
Sobre a ordem econômica na Constituição Federal de 1988 e a participação do Estado no domínio econômico, é correto afirmar:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A Constituição Federal de 1988, art. 173, caput, estabelece: “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.” O § 1º, II, prevê: “II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;”. Como a alternativa C apresenta esses requisitos e esse regime como regra geral, preservadas as ressalvas constitucionais, é a correta.

Tema central: Exploração estatal de atividade econômica
Análise das alternativas
A
Errada
A possibilidade de contratação de empresas privadas não alcança genericamente o monopólio nuclear. A Constituição Federal, art. 177, caput e V, dispõe: “Art. 177. Constituem monopólio da União:” e “V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal.” Já o art. 177, § 1º, determina: “A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo, observadas as condições estabelecidas em lei.” Portanto, essa autorização não inclui o inciso V, e a exceção dos radioisótopos não permite a concessão genérica descrita. Além disso, o art. 21, XXIII, a, exige aprovação do Congresso Nacional para a atividade nuclear, contrariando a alegada dispensa de aprovação legislativa.
B
Errada
A alternativa elimina uma exceção constitucional expressa. A Constituição Federal, art. 170, parágrafo único, dispõe: “É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.” Assim, a dispensa de autorização é a regra, mas a lei pode exigir autorização nos casos que estabelecer. É falsa a afirmação de que essa exigência seria vedada em qualquer hipótese.
C
Certa
A alternativa C atende aos dois comandos do art. 173, caput e § 1º, II, da Constituição: a exploração direta é excepcional e depende de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei; as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica submetem-se ao regime próprio das empresas privadas nos aspectos indicados, inclusive trabalhistas e tributários. Os fundamentos autorizadores são alternativos, e não cumulativos. Embora a alternativa não transcreva a ressalva inicial do caput, deve ser compreendida como síntese da regra geral, sem excluir os casos previstos na própria Constituição. A sujeição ao regime privado nesses aspectos também não significa afastamento de todas as exigências de direito público.
D
Errada
A alternativa confunde atuação reguladora com exploração empresarial direta. A Constituição Federal, art. 174, caput, dispõe: “Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.” Portanto, a regulação corresponde à atuação normativa, fiscalizatória, de incentivo e de planejamento, e não à produção estatal de bens ou à prestação de serviços em concorrência com particulares. A exploração direta pertence ao regime do art. 173 e não define a função reguladora do art. 174.
E
Errada
A alternativa atribui ao planejamento um efeito que a Constituição reserva ao setor público. O art. 174, caput, estabelece que o planejamento é “determinante para o setor público e indicativo para o setor privado”. Logo, o planejamento não vincula obrigatoriamente as decisões de investimento dos particulares. Seu caráter indicativo, contudo, não afasta o dever de cumprir as normas regulatórias aplicáveis.
Pegadinha da questão
As incorretas alteram limites constitucionais específicos: A estende ao monopólio nuclear a contratação permitida apenas para os incisos I a IV do art. 177; B suprime a ressalva legal à dispensa de autorização; D confunde regulação com exploração direta; E troca o caráter indicativo do planejamento privado por caráter determinante.
Dica para questões semelhantes
  • Na exploração direta, verifique a ressalva dos casos constitucionais e a presença de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei: os fundamentos são alternativos.
  • Separe o Estado empresário do art. 173 do Estado normativo e regulador do art. 174; no planejamento, distinga os efeitos determinante para o setor público e indicativo para o privado.
  • Ao examinar a liberdade de atividade econômica, preserve a exceção do art. 170, parágrafo único: a lei pode prever casos sujeitos a autorização.
  • No art. 177, confira quais incisos são alcançados pela autorização de contratação: o § 1º abrange I a IV, não o monopólio nuclear do inciso V, que possui ressalva específica para radioisótopos.

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Comentários

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I.A.:

Alternativa A

  • Dispositivo: Art. 21, XXIII, "a", CF/88.
  • Status: Errada
  • Erros rápidos:
  • Exige aprovação do Congresso Nacional (não é simples concessão administrativa).
  • Com a EC 118/2022, a delegação para pesquisa e lavra exige o regime de permissão (e não concessão).

Alternativa B

  • Dispositivo: Art. 170, parágrafo único, CF/88.
  • Status: Errada
  • Erros rápidos:
  • A regra é a liberdade, mas o próprio artigo traz a exceção: "salvo nos casos previstos em lei".
  • A lei pode, sim, exigir autorização prévia (ex: alvarás, licenças ambientais).

Alternativa C

  • Dispositivo: Art. 173, caput e § 1º, II, CF/88.
  • Status: Certa
  • Pontos-chave:
  • Estado na economia é exceção (segurança nacional ou relevante interesse coletivo).
  • Estatais econômicas seguem o regime das empresas privadas (direitos e obrigações trabalhistas/tributárias iguais).

Alternativa D

  • Dispositivo: Art. 173 vs. Art. 174, CF/88.
  • Status: Errada
  • Erros rápidos:
  • Inverteu os conceitos.
  • Regulação (Art. 174): Atuação indireta (fiscaliza, normatiza, incentiva).
  • Atuação Direta (Art. 173): Estado como empresário/produtor.

Alternativa E

  • Dispositivo: Art. 174, caput, CF/88.
  • Status: Errada
  • Erros rápidos:
  • O planejamento estatal não obriga o particular.
  • Setor Público = Determinante (obrigatório).
  • Setor Privado = Indicativo (mera sugestão/diretriz).

  • Comentário e Justificativa: As atividades que compõem o monopólio da União sobre minérios e minerais nucleares (art. 177, V) submetem-se a rígido regime constitucional, não podendo ser delegadas a entidades privadas por simples concessão administrativa desprovida de previsão legal e das condicionantes constitucionais estritas previstas para a matéria (art. 21, XXIII, da CF/88).
  • Fundamentação Legal: Art. 21, inciso XXIII, e Art. 177, inciso V e § 1º, da CF/88.
  • Comentário e Justificativa: O parágrafo único do art. 170 assegura o livre exercício de qualquer atividade econômica independentemente de autorização de órgãos públicos, mas ressalva expressamente os casos previstos em lei. Logo, a exigência de autorização prévia é plenamente admissível quando decorrente de expressa previsão legal.
  • Fundamentação Legal: Art. 170, parágrafo único, da CF/88.
  • Comentário e Justificativa: Pelo princípio da subsidiariedade que rege a ordem econômica, a exploração direta da atividade econômica pelo Estado ostenta caráter excepcional, sendo autorizada apenas diante de imperativos da segurança nacional ou relevante interesse coletivo (definidos em lei). Além disso, as estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) dedicadas à exploração de atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços submetem-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive no tocante aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.
  • Fundamentação Legal: Art. 173, caput, e § 1º, inciso II, da CF/88.
  • Comentário e Justificativa: A regulação econômica constitui modalidade de intervenção indireta (no domínio econômico), em que o Estado atua como agente normativo, fiscalizador e planejador (art. 174 da CF/88). Já a atuação direta do Estado como produtor ou prestador de bens/serviços configura intervenção direta (sobre o domínio econômico), subdividida pela doutrina em intervenção por participação (regime concorrencial, art. 173) e intervenção por absorção/monopólio (regime de exclusividade, art. 177). Portanto, regulação não se confunde com atuação empresarial direta em regime concorrencial.
  • Fundamentação Legal: Arts. 173 e 174 da CF/88.
  • Comentário e Justificativa: O planejamento estatal do desenvolvimento econômico não tem efeito vinculante sobre os particulares. Pela dicção constitucional, a função de planejamento exercida pelo Estado é determinante para o setor público, porém meramente indicativa para o setor privado.
  • Fundamentação Legal: Art. 174, caput, da CF/88.

  • Atividade Nuclear (Art. 21, XXIII e Art. 177, V): É monopólio da União e exige aprovação do Congresso Nacional.
  • Livre Iniciativa (Art. 170, parágrafo único): Regra é a liberdade de autorização, salvo nos casos previstos em lei.
  • Exploração Direta de Atividade Econômica (Art. 173): Excepcional (segurança nacional ou relevante interesse coletivo) + regime de direito privado para estatais exploradoras de mercado.
  • Regulação x Atuação no Mercado: Regulação = intervenção indireta (Art. 174); Produção de bens/estatais = intervenção direta (Art. 173).
  • Planejamento Econômico (Art. 174): Determinante para o setor público; indicativo para o setor privado

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