Pra não dizer que não falei das flores(Geraldo Vandré.) Cam...

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Q2115299 Português
O professor de língua portuguesa: modos
de ensinar e de apre(e)nder


    O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição, geralmente negativa, em todos os setores; a fertilidade vem da perseverança que os mestres realmente apaixonados pelo que fazem, conferem à sua atividade, não se desmotivando nunca, abertos à renovação, sempre prontos a considerar possibilidades que facilitem e/ou aperfeiçoem seu ofício. [...]
      Não abordaremos aqui conteúdos, porque já são exaustivamente contemplados, mas a postura, segundo nossa concepção, do professor de Língua Portuguesa. De como o percebemos. Da sua representação.
      Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos. Não se trata de dourar a pílula, dizer que há fórmulas infalíveis de se chegar ao aluno, com aprovação e receptividade tais, que nos esperarão nas salas, ansiosos, motivados e prontos para aulas magníficas e inesquecíveis.
     Por uma série de circunstâncias, não existe esse contexto, pelo menos em termos tão otimistas, infelizmente, para todos nós, professores de Língua Portuguesa.
     Quando falamos a respeito de ensino, não o fazemos com distanciamento. Somos (sempre seremos), por efetiva prática, professora de Educação Infantil (antigo Primário), Fundamental e Médio, durante anos (aposentando-nos no Município com tempo integral, dando aulas), estando atualmente no Ensino Superior com docência e pesquisa.
      [...]
     Voltando à questão central, qual deve ser realmente o perfil do professor de Língua Portuguesa?
     Primeiramente conscientizar-se de que professor de Língua Portuguesa não é só ser professor de Gramática. É ser polivante. Por tal, entenda-se, relacionar-se bem com Leitura, Literatura, Filologia, Filosofia, Antropologia, Sociologia, História, Geografia porque efetivamente uma língua viva se funda em tudo isso, é denominador comum, é fator de unidade, polariza, congrega, instiga, enfim, é agente de cultura.
      [...]
     A Língua Portuguesa está presente em tudo: dentro e fora da instituição escolar. Ela é o código maior de comunicação, o mais fácil, o mais à mão. Há de ser enriquecida diuturnamente.
   Voltando para a Gramática, para não dizer que não falei de flores (gramaticais ou verbais), torna-se claro que o professor de Língua Portuguesa precisa ensinar gramática. Então, acaba o encanto da globalização linguística? Respondemos que não, porque o professor não se limitará a reproduzir “gramatiquices”, regras e exceções, conceitos passados como verdades absolutas, nomenclaturas isentas de críticas, séries de exercícios monótonos e repetitivos.
        [...]
    A figura do professor que, então, transmitirá a tal gramática é essencial, não acessória, as luzes concentrando-se nele, brilhando sempre intensamente, lembrando um farol no meio da escuridão. Antes de mais nada, não será um acomodado, abrindo a Gramática e lendo conceitos ou usando o livro didático como muleta e não complemento. [...]
     Deve ser crítico e fazer com que seus alunos (com as adequações compatíveis ao nível) exerçam o sentido da crítica, conhecendo teorias diversas, sem medo de ser avançado (ousado) demais ou tradicional (antigo, ultrapassado), lembrando-se de que como usuário da língua (para comunicar-se simplesmente ou fazer uso de sua função expressiva, estética), ele tem direitos e deveres, não sendo indiferente, alheio, neutro. [...]
    Para nós, assim deve ser o professor de Língua Portuguesa: não limitado ou escravo de livros ou teorias, mas antenado à vida, comprometido tanto com a tradição quanto com a modernidade, evoluindo sem temer o novo, fiel à sua consciência sempre e preocupado em dar e fazer o melhor.
      [...]

(PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. Fragmento adaptado. O professor
de língua portuguesa: modos de ensinar e de apre(e)nder.)
Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré.)
Caminhando e cantando E seguindo a canção Somos todos iguais Braços dados ou não Nas escolas, nas ruas Campos, construções Caminhando e cantando E seguindo a canção
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer
Pelos campos há fome Em grandes plantações Pelas ruas marchando Indecisos cordões Ainda fazem da flor Seu mais forte refrão E acreditam nas flores Vencendo o canhão
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer
Há soldados armados Amados ou não Quase todos perdidos De armas na mão Nos quartéis lhes ensinam Uma antiga lição De morrer pela pátria E viver sem razão [...]
(Musixmatch. Compositores: Dias Geraldo Pedrosa De Araujo. Letra de Pra não dizer que não falei das flores © Editora E Imp Musical Fermata Do Brasil, Universal Music Publishing Ltda.)


Considerando o texto anterior, pode-se afirmar que a articulista do texto “O professor de língua portuguesa: modos de ensinar e de apre(e)nder” utiliza:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto, especificamente intertextualidade — relação entre textos, quando um insere elementos de outro em novo contexto discursivo. Saber identificar e analisar essa estratégia é fundamental para provas de Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta — C:
A alternativa C afirma: “Um enunciado de outro texto para compor um novo discurso em um novo contexto.” Trata-se da definição clássica de intertextualidade, tema explorado no texto quando a autora faz referência à canção “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ao inserir o título e dialogar simbolicamente com sua mensagem. Segundo Koch & Elias, intertextualidade é justamente a presença de um texto no outro para construir novos sentidos, remetendo leitores a conhecimentos prévios.
A autora apropria-se do verso adaptado (“Pra não dizer que não falei de flores/gramaticais ou verbais”) para criar um novo significado dentro do contexto do ensino e da atuação docente, enriquecendo a argumentação. É, portanto, uso de um enunciado de outro texto em novo discurso.

Análise das alternativas incorretas:

A) Paráfrase não ocorreu aqui; paráfrase seria recontar a ideia com outras palavras, mantendo o sentido. Aqui, houve apropriação literal/adaptada do enunciado, e não reescrita explicativa.

B) A citação foi feita para criar diálogo e ampliar sentidos, não com o objetivo explícito de “aumentar a formalidade”. Tal justificativa, restrita à elevação do registro, não corresponde à intenção do uso no texto.

D) Não há ironia acompanhando a referência; nota-se respeito ao valor simbólico da canção. O efeito é de aproximação e reflexão, não de crítica sarcástica ou ironia.

Estratégia para provas: Sempre identifique se há referências explícitas ou implícitas a outros textos, conferindo o sentido e o efeito disso no novo contexto. Atenha-se ao conceito normativo de intertextualidade, como revisado por autores como Ingedore Koch.

Resumo: A alternativa C está correta por definir o fenômeno textual presente: a apropriação de um enunciado de outro texto para construir um novo discurso/contexto. Compreender intertextualidade é um diferencial nas provas de interpretação de textos.

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Comentários

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COMENTÁRIO DO PROFESSOR????

Socorro

No primeiro texto, a autora menciona no 9° parágrafo o trecho "pra não dizer que não falei das flores" o qual pertence à música de Geraldo Vandré criando assim um novo contexto.

Gabarito letra c

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